Avatar: Frontiers of Pandora | Review

Avatar: Frontiers of Pandora nos transporta para um universo vasto e mágico, onde a harmonia da natureza encontra a tecnologia avançada. O mais novo RPG de ação e aventura em mundo aberto da Ubisoft nos convida a explorar a exuberante lua de Pandora, repleta de ecossistemas diversos e fauna extraterrestre deslumbrante. Com uma narrativa que se entrelaça com os temas de conservação ambiental e confronto cultural, o game promete uma jornada inesquecível através de paisagens de tirar o fôlego.

Na pele de um Na’vi, os jogadores têm a oportunidade de mergulhar em uma experiência imersiva, onde cada escolha e interação impacta o mundo ao redor. Avatar: Frontiers of Pandora promete um equilíbrio entre exploração pacífica e combate estratégico, onde habilidades únicas e conexões espirituais com a natureza são essenciais para a sobrevivência. Mas será que o game alcançará as expectativas elevadas dos fãs da franquia e dos gamers em geral? A resposta eu trago agora, em mais uma review antecipada do Pizza Fria!

O outro lado de Pandora

Qualquer pessoa que tenha se interessado minimamente pela indústria do entretenimento nos últimos 15 anos, ouviu falar de Avatar. O filme, lançado originalmente pela Disney em dezembro de 2009, ostenta a maior bilheteria da história do cinema, e foi um marco na história das telonas, principalmente por introduzir e ajudar a popularizar imagens em 3D. Em dezembro de 2022, foi lançado Avatar: O Caminho da Água, que foi mais um enorme sucesso, e hoje ocupa a terceira maior bilheteria da história. Estamos falando de uma franquia que ultrapassa os US$ 5 bilhões e que foi assistida por dezenas de milhões de pessoas em todo o mundo.

Logo, é natural pensar em expandir a franquia, e torná-la multiplataforma. Houve uma tentativa de se lançar um jogo inspirado no primeiro filme, em 2009, mas ele não foi bem sucedido. Avatar: The Game ostenta avaliações bem medianas, sendo sua melhor média no Metacritic um 61, em sua versão para Xbox One. Diante dessa situação, Avatar: Frontiers of Pandora chega para PC, PlayStation 5 e Xbox Series X|S, com a promessa de apresentar um lado inédito de Pandora, a lua onde se passa a história da série.

Nós assumimos o papel de um(a) Na’vi, em uma resistência contra as forças da RDA, a corporação antagonista dos filmes, que ameaça Pandora e seus habitantes. No entanto, como dito acima, o jogo não se passa no mesmo local dos filmes, mas sim, na Fronteira Ocidental de Pandora, uma região inédita nos filmes. O game também traz um vilão inédito, John Mercer, e algumas citações/menções à Jack Sully, o protagonista dos dois longa metragem.

Avatar: Frontiers of Pandora
Mais uma vez a RDA causando em Pandora (Imagem: Divulgação)

Uma história de pertencimento

A narrativa de Avatar: Frontiers of Pandora chega com a promessa de trazer uma experiência imersiva e mais pessoal. Assumirmos o papel de um(a) Na’vi, que foi sequestrado(a) criado por humanos e que se junta a desertores da RDA para formar um movimento de resistência. Dentro disso, o game aborda temas como identidade, pertencimento e colonialismo, enquanto o jogador trabalha para unir diferentes clãs Na’vi em oposição aos invasores​.

Nosso personagem é inteiramente personalizável, claro, dentro de algumas opções pré-definidas pela Ubisoft. Na pele de um Na’vi, o jogador é imediatamente imerso em um mundo onde a conexão com a natureza é profundamente enraizada na cultura e na vida diária. Esta experiência é reforçada pelas habilidades únicas do(a) Na’vi, que incluem interagir com a flora e fauna de Pandora de maneiras singulares, como acalmar animais assustados e usar uma visão especial para rastrear trilhas com odores e outros pontos de interesse. Esses elementos ajudam a criar uma sensação de imersão e pertencimento a Pandora, e também destacam o que é o contraste entre a abordagem de vida dos Na’vi e a dos humanos invasores​​.

Parte essencial da narrativa é a interação com outros clãs Na’vi enquanto explora a Fronteira Ocidental. Você encontrará clãs como o Aranahe, especializado em tecelagem e tradições; o Zeswa, um clã nômade pronto para enfrentar a RDA; e o Kame’tire, conhecido por seus curandeiros enigmáticos e reclusos. Esses encontros permitem que você aprenda a cultura Na’vi, formando vínculos com criaturas nativas, elementos essenciais para explorar e defender Pandora​​.

Avatar: Frontiers of Pandora
Nós controlamos um Na’vi que busca reconexão com Pandora (Imagem: Divulgação)

Como expliquei acima, o principal antagonista de Avatar: Frontiers of Pandora é a RDA, que retorna a Pandora mais perigosa do que nunca, ameaçando os ecossistemas e clãs Na’vi. Sua missão é impedir a destruição de Pandora, utilizando tanto armas Na’vi quanto tecnologias da RDA, ao mesmo tempo em que melhora suas habilidades e equipamentos. Este conflito central reforça o tema de autodescoberta e luta pela liberdade contra as forças opressoras​

O game também consegue capturar e transmitir a fantasia do universo Avatar. Desde a representação visual vibrante de Pandora, repleta de cores neons e paisagens bioluminescentes, até as sequências de voo com os Ikrans, as criaturas voadoras da série (falarei mais sobre isso abaixo), o título faz um trabalho notável em recriar a sensação mágica e o esplendor do mundo de Avatar. Estes momentos, que lembram cenas icônicas dos filmes, contribuem para uma experiência narrativa que é tanto familiar quanto nova para os fãs da franquia​​​​.

Contudo, apesar desses pontos fortes, a narrativa de Frontiers of Pandora traz alguns problemas típicos de games em mundo aberto. O principal deles é que, como algumas coisas são longes e temos elementos diferentes para fazer, além de estar em um universo que muitos de nós não estamos tão familiarizados, é difícil se recordar de muitos dos acontecimentos. O novo jogo de Avatar não funciona bem para novatos, sendo claramente um produto para fãs.

Avatar: Frontiers of Pandora
Pandora durante a noite é um lugar maravilhoso (Imagem: Divulgação)

Explorando e voando por Pandora

Ao ser anunciado, e quando os primeiros vídeos de gameplay foram revelados, à comparação com Far Cry foi inevitável. A popular franquia da Ubisoft é uma referência, e seria natural que a empresa usasse muitos dos elementos que aprendeu ao desenvolver seu jogo original para Avatar: Frontiers of Pandora. Assim, o título funciona como um RPG de ação e aventura, com foco na exploração e combate em um mundo aberto, mas que também traz sua própria essência.

Isso porque o gameplay de Avatar: Frontiers of Pandora é praticamente todo baseado na identidade Na’vi do jogador, oferecendo habilidades físicas aprimoradas, como saltos mais potentes, a capacidade de duplo salto, interação com a natureza, montarias (terrestres e aéreas) e mais. Pandora está cheia de elementos que auxiliam na navegação, como itens que aumentam a velocidade baseados em plantas, e até mesmo vinhas que auxiliam na escalada. Esses aspectos incentivam a exploração e proporcionam uma experiência dinâmica e ágil no vasto mundo aberto do game.

A combatividade é outro elemento central do gameplay. Como um Na’vi, o jogador tem que se adaptar a um estilo de combate de bater e correr, devido à desvantagem em armamento e número em relação aos humanos. O combate no game, alternando entre arcos e rifles de assalto, oferece a oportunidade de adotar estratégias variadas, incluindo abordagens furtivas. Contudo, as opções limitadas para stealth (afinal, você é um ser muito maior do que os inimigos da RDA) e somos incentivados a abordagens mais diretas, em contraste com o estilo de combate mais corpo a corpo dos filmes. Em nenhum momento você tem a sensação de que é um ser muito mais forte que um humano.

Avatar: Frontiers of Pandora
Olhando assim, me lembrei de Far Cry Primal (Imagem: Divulgação)

Além do combate, Frontiers of Pandora dá uma grande ênfase à caça, coleta, crafting e culinária, elementos que desempenham um papel central na progressão. Dito isso, é importante frisar que seu Na’vi passará fome se não se alimentar com alguma frequência e, eventualmente, perderá HP. Mas há uma abundância de recursos naturais em Pandora, como cascas de árvores, musgos e peles de animais, e quando essas opções são desbloqueadas, surgem diversas opções para a criação de novos equipamentos e pratos. No entanto, na minha modesta opinião, esse recurso acaba se assemelhando mais à de um jogo de sobrevivência, e não um RPG de ação, o que tira um pouco o brilho.

Além disso, é importante frisar que Avatar: Frontiers of Pandora também introduz algumas mecânicas secundárias, como hacking e investigações forenses, que, tragam mais complexidade, podem desviar a atenção do jogador da linha de missões principais. Outro ponto que considerei negativo é a navegabilidade por Pandora. Podemos acionar um botão que ativa nossos sentidos Na’vi, mas não há nenhum mini-mapa ou marcação no mapa em si de pontos de interesse ou itens que busca ou direcionamento de missões. E nem sequer há um modo de acessibilidade para ativá-los. Mais uma vez, elementos de um game de sobrevivência onde eu não esperava encontrá-los.

Por fim, vale ressaltar que, assim como Far Cry, Frontiers of Pandora conta com um modo cooperativo online para dois jogadores, permitindo que amigos compartilhem a aventura em Pandora. É uma opção que, provavelmente, torna a experiência mais fácil e divertida e, embora eu não tenha conseguido testar , é uma adição valiosa.

Avatar: Frontiers of Pandora
Voar é uma das atividades mais interessantes em Avatar: Frontiers of Pandora (Imagem: Divulgação)

A beleza de Pandora é um brilho aos olhos

Avatar: Frontiers of Pandora chega com uma experiência visual única, marcada por vários aspectos notáveis. Pandora é um lugar lindo, vívido e muito bem construído pela Ubisoft. As áreas internas, em especial as bases, contam com um tom acinzentado, que casam bem com a ideia da colonização que o jogo oferece. Assim, temos um mundo alienígena exuberante, repleto de plantas, criaturas que brilham na escuridão e uma fauna imponente. Imagino que a liberdade criativa oferecida aos desenvolvedores, já que não é algo citado nos filmes, permitiu a criação de paisagens ainda mais fascinantes, como florestas coloridas e montanhas flutuantes. O visual é um grande acerto.

A parte sonora em si também é de alta qualidade, como a Ubisoft já está acostumada a fazer. Uma menção especial para a localização em si, que traz não só textos, mas uma dublagem em alto nível no português do Brasil. Podemos escolher diferentes vozes para o personagem, que interage com o mundo respondendo, não sendo um protagonista mudo, como muitas vezes nos acostumamos a ver em outros títulos da desenvolvedora francesa.

Por fim, não há muitas ressalvas em relação ao desempenho. Em resolução Full HD, em um PC equipado com requisitos acima dos recomendados, o título se comportou bem, com taxas acima de 60 FPS em toda a experiência, mesmo nas regiões em que exploramos mais Pandora ou temos combates pela frente. Em regiões fechadas, especificamente, há uma maior taxa de quadros, o que é normal em jogos deste tipo.

Avatar: Frontiers of Pandora
Em termos audiovisuais, Avatar: Frontiers of Pandora brilha muito! (Imagem: Divulgação)

Vale a pena comprar Avatar: Frontiers of Pandora?

Ao considerar se vale a pena comprar Avatar: Frontiers of Pandora, é importante avaliar tanto os aspectos positivos quanto os negativos do jogo. Começando pelos pontos positivos, o game promete uma imersão profunda no universo de Avatar, oferecendo um mundo aberto repleto de ecossistemas diversos e uma fauna extraterrestre deslumbrante. A Ubisoft aparentemente conseguiu capturar a essência mágica do universo de Avatar, com visuais vibrantes e paisagens bioluminescentes que prometem encantar os fãs da franquia. Além disso, o título explora temas de conservação ambiental e confronto cultural, permitindo que os jogadores se envolvam em uma narrativa rica e interajam com o mundo de maneiras únicas, como acalmar animais e usar habilidades especiais.

Por outro lado, existem alguns aspectos que podem ser considerados negativos. A narrativa pode se tornar confusa ou menos impactante para quem não está familiarizado com o universo de Avatar, o que pode limitar seu apelo aos novatos na franquia. Além disso, o jogo incorpora elementos típicos de títulos de mundo aberto, como a necessidade de longas viagens e a realização de tarefas variadas, o que pode desviar a atenção da história principal. Isso pode ser um ponto negativo para jogadores que preferem uma experiência mais direcionada e focada na narrativa.

No fim das contas, a decisão de comprar Avatar: Frontiers of Pandora depende muito do que você busca em um jogo. Se você é um fã de Avatar e aprecia jogos de mundo aberto com muita exploração e interação ambiental, provavelmente encontrará muito valor aqui. No entanto, se você prefere títulos com uma narrativa mais linear ou não está particularmente atraído pelo universo de Avatar, talvez encontre alguns aspectos do jogo menos atraentes. Avatar: Frontiers of Pandora é uma aventura imersiva e visualmente deslumbrante que pode valer a pena para os fãs do universo, mas pode não ser ideal para todos os tipos de jogadores.

Avatar: Frontiers of Pandora será lançado nesta quinta-feira, 7 de dezembro, para PC, via Epic Games Store e UbiConnect, PlayStation 5 e Xbox Series X|S.

*Review elaborada em um PC equipado com uma Geforce RTX, com código fornecido pela Ubisoft.

Avatar: Frontiers of Pandora

+ R$ 299,99
7.9

História

8.0/10

Gráficos e Sons

9.0/10

Gameplay

7.5/10

Extras

7.0/10

Prós

  • Equilíbrio entre exploração e combate
  • Mundo aberto exuberante
  • Audiovisual incrível
  • Personalização e interatividade
  • Ótima localização em PT-BR

Contras

  • Pouco atrativo para novatos na franquia
  • Aspectos de sobrevivência desnecessários
  • Navegabilidade e acessibilidade
  • Limitações em stealth e combate

Lucas Soares

Jornalista e fã de videogames desde criança. Já teve Mega Drive, Game Boy Color, PS1, PS2, PS3, PS4, PSVR, PS Vita, Nintendo 3DS e agora tem "só" um PS5, um Nintendo Switch e um PC Gamer. Para ele, o melhor jogo da história é Chrono Trigger, mas Metal Gear Solid 3, Final Fantasy X, The Last of Us Part II e Red Dead Redemption 2 completam o Top-5.