Crimson Desert | Review

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Essa talvez seja a análise mais complexa que escrevo. Desde que foi lançado, Crimson Desert, jogo da Pearl Abyss lançado para Apple MacPlayStation 5Xbox Series X|S e PC, via Steam e Epic Games Store, chegou repleto de polêmica e opiniões mistas.

No entanto, antes disso, ao ser revelado, o projeto criou um certo hype, prometendo ser inicialmente um RPG online, algo que foi mudado com o tempo. Porém, a ideia geral de trazer um jogo de ação em mundo aberto com escala absurda, sistemas sobrepostos, liberdade real de exploração e combate cinematográfico e um nível técnico. Ou seja, prometeu muito.

Ao que tudo indica, o objetivo dos desenvolvedores em Crimson Desert foi o de montar um mundo com muita presença, com densidade, com ecossistema e com uma variedade de sistemas que se entrelaçam a ponto de transformar cada sessão em algo diferente. Mas será que eles conseguiram criar algo monumental, tal como prometeram? Justamente por essa questão e muitas outras, repito que essa review foi extremamente complexa, demandando muito tempo de jogo, reflexões sobre meus próprios gostos e muito mais. Sendo assim, confira minhas percepções críticas sobre o jogo a seguir!

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Uma narrativa que mistura cultura medieval, nórdica e um pouco de Eram os deuses astronautas

A história de Crimson Desert é uma mistura bem… incomum, eu diria, algo que fiz questão de deixa claro neste título. No jogo, acompanhamos Kliff, líder do grupo conhecido como Greymanes, em um mundo devastado por conflitos, traições e forças sobrenaturais. Após um ataque devastador dos rivais, os Black Bears, o grupo é praticamente destruído, e nosso protagonista inicia uma saga para reunir seus companheiros sobreviventes enquanto tenta entender a verdadeira natureza de uma ameaça maior que paira sobre o continente de Pywel.

Crimson Desert: 12 coisas que o jogo não te ensina, mas você precisa saber

Durante essa aventura, Klyff entra em contato com o misterioso Abismo, uma dimensão muito louca que concede poderes especiais, mas que também está ligada a um desequilíbrio crescente no mundo. A narrativa se desenrola entre missões de reconstrução, ajudando pessoas aleatórias na cidade, enfrentando bandidos e fortalecendo alianças, além da busca paralela por respostas sobre o papel do Abismo e os eventos que levaram à queda dos Greymanes.

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Essa pegada de voar de lugares nas nuvens lembra muito Zelda… (Imagem: Reprodução)

Apesar de possuir uma trama central envolvendo vingança, sobrevivência e mistérios exageradamente sobrenaturais, a história principal de Crimson Desert funciona mais como um fio condutor dentro de um mundo aberto extremamente dinâmico. Aliás, a parte interessante da experiência narrativa, que se inicia bem confusa no fio principal, surge justamente das interações com personagens aleatórios, das histórias secundárias e dos acontecimentos emergentes ao longo da exploração, dando ao jogador liberdade para construir sua própria jornada dentro de Pywel. Porém, a história principal custa a engrenar, sendo bem solta, mas tendo uma certa racionalidade por trás.

Pywel é um show à parte

O que pude notar em longas horas de jogatina, entre missões e explorações a me deixarem perdido, é que Crimson Desert é um jogo extremamente complexo de ser definido. Ou seja, não estamos tratando aqui apenas de um jogo de mundo aberto com proporções colossais. Isso é patético, reduzindo demais a ideia dos desenvolvedores, sendo quase um desrespeito.

O que senti ao rodar pelo mundo de Crimson Desert foi uma ideia de imersão muito única, mas com a espontaneidade da exploração e a riqueza ambiental de mundos simulados. Mas, obviamente, nem tudo funciona 100% bem, mas é nítida a qualidade deste mundo. Diria até que este foi o projeto de mundo aberto mais ousado desde Red Dead Redemption 2, algo que senti o tempo todo ao jogar.

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O nível de detalhamento de Pywel é incrível! (Imagem: Reprodução)

Portanto, a grande qualidade de Crimson Desert não está somente no tamanho do mapa, mas na forma como esse espaço épico é preenchido. Vários jogos conseguem nos impressionar pela escala, mas nem todos conseguem transformar essa escala em algo que nos faça ter uma curiosidade genuína de querer explorar. Ao jogar, senti isso praticamente o tempo todo. Entre olhadas para o horizonte, com montanhas incríveis e fortificações maravilhosas, fica muito clara a criação de um continente construído com camadas de relevo, biomas, caminhos, rotinas sociais e recompensas espalhadas, sobretudo para jogadores e jogadoras que gostam de explorar.

Crimson Desert: 24 dicas para iniciar bem no jogo

O que sinto em Crimson Desert é que há algo muito especial na forma como o mundo se organiza. Pywel não parece algo aleatório, feito ao acaso. Ele tem verticalidade, acidentes geográficos, passagens estreitas, florestas densas, encostas, rios e cidades que realmente transmitem a impressão de serem uma criação realmente orgânica. Neste aspecto exploratório, o jogo se parece (dentro das proporções e ideia geral, claro), com as longas caminhadas de Death Stranding, que requerem um certo planejamento, já que o ambiente é todo acidentado e cheio de desafios.

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Em Crimson Desert, podemos fazer carinho e até mesmo nos tornar aliados de vários animais. (Imagem: Reprodução)

Felizmente, a exploração deste vasto mundo recompensa o esforço. Você pode encontrar um ponto de mineração escondido, uma ruína com quebra-cabeça, um novo ponto de viagem rápida ou apenas um pequeno episódio do cotidiano daquele mundo. Mas a coisa vai além: a exploração faz a gente querer mais do que itens, sendo uma questão de encantamento. Tudo isso surge de maneira muito menos artificial do que em tantos outros jogos do gênero. Assim, Crimson Desert não parece desesperado para te mostrar conteúdo; ele parece interessado em deixar que você esbarre nele, no seu ritmo.

Um mundo aberto vivo

A força de Pywel vem, sobretudo da forma como seus habitantes ajudam a sustentar essa fantasia de Crimson Desert. As cidades e vilas não servem apenas como centros de missão ou mercados aleatórios. Elas têm circulação, contrastes econômicos na sociedade, pequenas rotinas (lembrando RDR2) e uma sensação palpável de comunidade. O jogo retrata mendigos, nobres, comerciantes, crianças brincando, personagens que aparecem e desaparecem em horários diferentes e figuras recorrentes que marcam a nós, jogadores e jogadoras.

Um dos detalhes mais elogiáveis de Crimson Desert é justamente essa disposição de humanizar o mundo em pequenas coisas. Reencontrar uma espadachim errante achada no meio da estrada em outros lugares, recrutar cães, observar crianças brincando no acampamento ou simplesmente atravessar uma rua movimenta. Todas essas são ações que não mudam radicalmente a estrutura do jogo, como é claro, mas mudam completamente a experiência.

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Esqueça poções de vida! Em Crimson Desert, precisamos mesmo é de comer! (Imagem: Reprodução)

Esse tipo de detalhamento também fortalece a imersão quando o jogo mistura fantasia e tecnologia, algo que, inicialmente, me trouxe um estranhamento absurdo, trazendo um quê de Eram os deuses astronautas e obras exageradas de sci-fi. Crimson Desert é um mundo extremamente peculiar que mistura magia, artefatos, poderes do Abismo e mobilidade quase sobrenatural, mas também é ancorado em pessoas, bichos, mercados, favores e pequenas necessidades cotidianas. Isso evita que tudo pareça uma sucessão abstrata de sistemas desconectados. De certa forma, tudo parece estar conectado.

A filosofia da exploração em Pywel

Se eu fosse resumir Crimson Desert em uma única ideia, eu diria: explorar Pywel importa. E muito. O jogo não usa excesso de marcações, não entrega respostas prontas constantemente e não trata o jogador como alguém incapaz de observar o ambiente. Aliás, é um jogo MUITO ABERTO, que não fica pegando na mão dos jogadores e jogadoras, dando aquela condução por uma narrativa totalmente linear, embora ele tenha, sim, uma linha principal de missões, algo comum em grandes produções recentes. Aqui, você não consegue ficar “na linha”. O mundo te chama!

Isso fica claro no sistema de viagem rápida, que demora um tempo a ser aberto, lembrando… Red Dead Redemption 2. Os pontos vão sendo liberados e, depois, você pode sair livremente em busca deles, com auxílio dos apetrechos e Klyff, que tem uma espécie de “visão além do alcance” que o conecta a pontos essenciais do Abismo. Em alguns casos, existem quebra-cabeças, algo que acaba ficando cansativo, sobretudo por existirem em várias formas. Para quem prefere um jogo com fluxo mais direto, essa ideia pode ser cansativa ou até causar FOMO (fear of missing out), em português, medo de perder algo. É compreensível, tamanha a grandeza de Pywel.

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Bruxaria, encantamentos e tudo de mágico está aqui! (Imagem: Reprodução)

Os pequenos detalhes de Crimson Desert surpreendem também, embora isso seja cada vez mais comum nos jogos. Se um arbusto bloqueia sua passagem, ele pode ser queimado com o reflexo do Sol na espada. Se não houver flechas incendiárias, é possível improvisar com o fogo achado em lareiras, iluminação e outros lugares. Isso não é exigido de maneira constante, mas mostra uma consistência rara entre sistema, física e cenário. Portanto, o jogo não quer ser apenas explorável; quer ser também manipulável.

Combates contam com variações e desafios

Falamos tanto do mundo, que ficou claro que ele é uma das partes mais relevantes do jogo. No entanto, Crimson Desert traz muito mais. O combate do jogo, por exemplo, nos permite utilizar uma boa variedade de golpes e poderes, com ações corporais pesadas e criativas. Ao mesmo tempo, o jogo consegue ser brutal, sem deixar de exaltar a agilidade das habilidades do protagonista.

Ele é um pouco hack and slash em lutas contra adversários mais fracos, mas também traz uma camada de soulslike contra os chefes, exigindo um combate mais coreografado, em que defesa e esquiva são tão essenciais como o ataque. Portanto, Kliff chuta, investe, arremessa, derruba, emenda combos, usa poderes do Abismo e, além disso, consegue aproveitar o ambiente em cada conflito.

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As cinemáticas do jogo dão uma beleza a mais. (Imagem: Reprodução)

Todavia, particularmente, achei que o que tornou essa experiência da pancadaria de Crimson Desert em algo realmente prazeroso, foi sua capacidade de evoluir com o tempo de jogo. No início, ele já é satisfatório, mas parece apenas promissor. Depois, com mais habilidades desbloqueadas, mais compreensão dos movimentos, atalhos e mais intimidade com as habilidades, cresce de forma impressionante. Você pode misturar poderes, golpes de armas brancas e, ao mesmo tempo, valer-se de golpes que remetem a artes marciais como wrestling e muay thai

Isso se conecta muito bem ao sistema de progressão proposto pelo jogo. Os poderes do Abismo, por exemplo, vão bem além de meros truques de locomoção. O gancho etéreo começa como ferramenta útil e depois se transforma em um dos recursos mais divertidos e importantes do jogo, permitindo escalar, lançar o protagonista pelo cenário em alta velocidade ou até mesmo usar essa movimentação ofensivamente, esmagando inimigos ou abrindo espaços em confrontos mais complicados. Tudo é muito bem mesclado, trazendo uma sensação prazerosa e, ao mesmo tempo, desafiadora.

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As batalhas contra chefes podem ser bem complexas, com vários rounds. (Imagem: Reprodução)

Quando somos atacados por diversos inimigos, por exemplo, precisamos criar alternativas de como lidar com tantos ataques. Em algumas partes, o jogo fica puro hack and slash, em que macetar botões irá tranquilamente dar conta. Porém, com hordas de inimigos mais fortes e chefes, a coisa fica mais complexa, exigindo estratégia, boas esquivas e usos da defesa. Em alguns momentos, confesso que senti até um exagero no nível de dificuldade dos bosses, que dão um baita trabalho. Contudo, acredito que eles tenham sido nerfados nas atualizações, tamanha a reclamação dos jogadores.

Um RPG de ação

É impossível falar de Crimson Desert sem recordar que, anteriormente, o jogo pretendia ser um MMO, continuação de Black Desert. Com isso, fica claríssimo que o título absorve muito do que é esperado por um MMORPG. Em alguns relatos, dizem até que a história e outros pontos precisaram de mudanças para reorganizar todas as ideias, algo que faz todo sentido. Há sistema de facções, territórios a libertar, contribuição heroica por região, confiança com personagens, comércio, missões de seguidores, base expansível, criação de itens, cozinha, pesca, mineração, coleta de madeira, criação de animais e diversos outros pequenos sistemas orbitando a jornada principal. Você pode ignorar muitos desses sistemas, mas acho difícil.

O brilhantismo está no fato de que quase tudo parece ter alguma utilidade. O acampamento dos Greymanes, por exemplo, deixa de ser apenas cenário e vira base de operações real, com descanso, seguidores, mercenários, produção e gestão de recursos, algo que dá uma incrementada no sistema de acampamento de Red Dead Redemption 2. O sistema de comércio remete à tradição da própria Pearl Abyss com Black Desert Online, mas aqui é inserido em um contexto mais focado na experiência para um jogador.

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A ação está presente o tempo todo. (Imagem: Reprodução)

Alguns desses sistemas inclusive alimentam a fantasia das descobertas ao longo do jogo. Podemos, por exemplo, encontrar um cavalo lendário, um urso ou até mesmo um lobo por acidente e gastar quase uma hora tentando domesticá-los. Esse não é bem o tipo de história e sistema que não precisam de roteiro, nem estarem no foco do jogo, mas que valem cada segundo, mas que dão uma profundidade única a Crimson Desert.

Esse volume absurdo de sistemas poderia ter facilmente sido um grande desastre. Felizmente, isso não aconteceu. Em vez disso, eles reforçam a sensação de amplitude do jogo. Você nunca sente que Crimson Desert se resume a um único loop, como fazer apenas quests ou minerar eternamente. Sempre há outra coisa que capta a nossa atenção, outro tipo de progresso acontecendo em paralelo. É isso que faz o jogo ser absurdamente grande, algo que ele faz de várias formas.

Performance gráficos e outros detalhes técnicos

Do ponto de vista técnico, Crimson Desert impressiona não só pela sua beleza estética e gráfica, mas por conseguir sustentar isso em um mundo tão grande e tão reativo. Ele tem um ou outro sprite que pode dar bug, mas isso não diminui a sua qualidade. Outro ponto que me surpreendeu, foi seu desempenho estável, boa otimização, rodando a mais de 100 FPS em 2K, com configurações no ultra em uma GeForce RTX 4070 Ti, algo que mostra que seu motor gráfico se mostra menos dependente de truques visuais.

Portanto, Crimson Desert não se trata de um jogo bonito em ambientes controlados. Ele precisa lidar com deslocamentos enormes, mudanças de altitude, mergulhos de volta ao mapa principal (como nos últimos Zelda, sim), cidades cheias, combates massivos, física consistente, objetos reagindo ao ambiente e inúmeras camadas simultâneas de simulação. O fato de esse conjunto se sustentar tão bem ajuda a explicar essa veia de “próxima geração” sentida nele, ainda que os gráficos sejam um aprimoramento de Black Desert.

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A qualidade gráfica é simplesmente maravilhosa! (Imagem: Reprodução)

A direção artística e da parte de áudio também merecem elogios. Do prólogo em meio a fogo e metal até o calor quase palpável do deserto, passando por tundras, florestas e regiões suspensas no céu, o jogo tem presença visual constante, criando uma excelente atmosfera para nós, jogadores. Melhor ainda é perceber o cuidado com a questão do áudio: músicas mudam em momentos de tensão ou ao adentrarmos em lojas, por exemplo. Além disso, a narração do jogo é muito bem feita. Nosso protagonista, por exemplo, quando usa capacete, soa como o Mandaloriano, sendo de poucas palavras e um bocado misterioso. Gosto disso.

Pearl Abyss atenta aos jogadores

Essa review está sendo feita dias após o lançamento. Por conta disso, achei essencial destacar o suporte da Pearl Abyss nesse primeiro momento, buscando sempre levar em conta os feedbacks de seu público. Ao ser lançado, Crimson Desert naturalmente tinha alguns pequenos problemas de qualidade de vida e desempenho, algo justo para gerar críticas bem justas. Aspectos como inventário, armazenamento e alguns atritos de usabilidade incomodavam no início, mas logo foram corrigidos. O estúdio reagiu rápido ao perceber os problemas mencionados, aumentando os slots de inventário iniciais e criando novas soluções em desenvolvimento, incluindo armazenamento de base para conteúdos específicos e pequenos itens de apoio compráveis em vendedores.

Isso não apaga os problemas originais, que refletiram em boa parte nas críticas mistas, mas muda bastante a leitura do jogo. Confesso que acho interessante esperar um tempo para escrever sobre um título dessa magnitude, não só pelo tempo que ele toma, mas também pela grandeza de coisas que ele proporciona. Assim, quando um jogo percebe seus erros e os corrige, isso merece ser citado. O que começou como uma mistura de coisas, rapidamente tomou um rumo, tendo inclusive melhorias de desempenho, suportando, por exemplo, o DLSS 4.5 da NVIDIA.

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Nada como uma queda de braço em uma taberna qualquer… (Imagem: Reprodução)

Com essa experiência dos primeiros dias, é possível esperar muito mais da equipe de desenvolvimento da Pearl Abyss, sobretudo ao notarmos nitidamente que ela está de olho, acompanhando o feedback do público e ajustando qualidade de vida do título, que pode chegar a níveis ainda mais interessantes, mesmo não tendo muitas coisas a serem mudadas agora, em minha modesta opinião.

Algumas falhas precisam ser mencionadas

Crimson Desert é gigantesco e, talvez, por isso, tenha alguns problemas. O inventário do jogo foi melhorado, mas demoramos a ter acesso a um baú de armazenamento, algo que já parecia ser previsto pelos desenvolvedores, mas que chegou apenas mais recentemente. Mesmo ajustado, um erro é um erro. Outra coisa que pode incomodar os jogadores mais apressados é o sistema de fast travel, que poderia ser apresentado logo no início. Particularmente, não liguei muito para este ponto, algo que me fez explorar mais a região inicial.

Agora, uma coisa que me incomodou bastante foi como certos chefes disparam a dificuldade de maneira abrupta e o combate, embora excelente, possa ter uma mudança tão abrupta nesses momentos. Para matar o quinto e o sexto chefe, confesso que suei… literalmente. A história principal, por sua vez, é legal, mas poderia ter mais brilho, tal como o que observamos em cada detalhe de Pywel.

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O jogo comete alguns deslizes, mas nada que tire sua grandeza. (Imagem: Reprodução)

Essa mistura de tecnlogias do futuro com mágica e tal me trouxe um incômodo enorme no início. Fica tudo muito sem pé nem cabeça, mas vai sendo gradativamente explicado. Por fim, Kliff, um dos personagens jogáveis (temos mais dois, mas não vou dar spoilers), também pode não ser muito carismático para alguns, falando bem pouco. Neste aspecto, pouco me importei.

Concluindo, a proporção dessas falhas diante do conjunto até incomodam. Em alguns momentos, como nas batalhas, chega a ser extremamente frustrante, mas também não são maiores do que o fascínio produzido pelo mundo, pela exploração, pela liberdade sistêmica e pela criatividade do combate apresentados. Crimson Desert é um jogo que pode nos frustrar às vezes, mas justamente porque ambiciona muito. Só que essa mesma ambição é o que o torna tão especial. Como diria a frase clichê: “quem não se arrisca não merece viver o extraordinário”. E esse jogo luta (e consegue) chegar próximo a isso.

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Tudo é vivo e bem detalhado em Crimson Desert. (Imagem: Reprodução)

Vale a pena comprar Crimson Desert?

Sinceramente, depois de muito explorar (e ainda estar bem longe de conhecer todo o mundo do jogo), Crimson Desert é uma das obras mais ambiciosas do gênero em muitos anos. Seu mundo aberto é imenso, mas não é vazio, sendo o continente de Pywel rico em detalhes, habitantes, segredos e paisagens memoráveis. Com isso, explorar aqui é algo recompensador. Já seu combate mistura brutalidade, mobilidade e invenção de um jeito bem divertido. Some a isso sistemas variados de progressão, facções, confiança, habilidades de vida, comércio, acampamento e uma apresentação técnica muito forte. Assim, oo resultado é um jogo que realmente transmite a sensação de grandeza em vários pontos

Algo também importante é que a Pearl Abyss mostrou nessas primeiras semanas de lançamento que está atenta ao que os jogadores pensam, estando disposta a corrigir pontos problemáticos e alguns erros, algo que pesa positivamente em um projeto tão vasto e complexo. As melhorias rápidas em inventário e a sinalização de novas soluções de armazenamento mostram um suporte inicial sólido e promissor.

Há defeitos, sem dúvida, como mencionei mais acima. O jogo pode ser obtuso, pode nos sobrecarregar, pode exigir mais paciência do que muitos gostariam de ter, sobretudo no início, me lembrando novamente Death Stranding e Red Dead Redemption 2, criticados pelo ritmo inicial. Todavia, quando visto em sua totalidade, Crimson Desert não é apenas um grande mundo aberto. É um mundo aberto que parece ter sido pensado, habitado e testado para não ser só mais um. Além disso, como mencionei ao longo da análise, ele parece ser uma “homenagem” a diversos títulos consagrados, não sendo o videogame 2.0, mas chegando exatamente onde se propõe.

Desta forma, torna-se impossível não indicar Crimson Desert, seja para fãs do gênero de ação e RPG, como para apaixonados por jogos de uma forma geral. Por fim, digo que valeu a pena esperar um pouco mais para começar a escrever esta análise, pois realmente, o jogo tem sua dificuldade em emplacar, mas bastam apenas 1 ou 2 horas que a coisa vai tomando uma nova forma. Boa exploração, aventureiros e aventureiras!

*Review elaborada em um PC equipado com uma GeForce RTX, com código fornecido pela Pearl Abyss.

Crimson Desert

R$ 349,99
8.9

História

7.8/10

Jogabilidade

9.0/10

Gráficos e sons

9.8/10

Extras

9.0/10

Prós

  • Um dos mundos abertos mais impressionantes e densos dos últimos anos
  • Pywel é rico em detalhes, habitantes, cidades, segredos e biomas distintos
  • Combate criativo e muito satisfatório quando dominado
  • Sistemas de progressão e life skills dão profundidade real à jornada
  • Exploração livre, recompensadora e pouco artificial

Contras

  • Algumas batalhas contam com picos de dificuldade severos demais
  • A história central é menos forte do que o mundo e os sistemas ao redor dela
  • Jogo pode apavorar alguns jogadores por conter muitos sistemas e detalhes
  • Início do jogo pode causar estranhamento, sendo lento e sem ação

Álvaro Saluan

Completamente apaixonado por videogames, escreve e pesquisa sobre o tema há uns bons anos. Vê os jogos para além do entretenimento, considerando todo o processo como uma grande e diversificada arte. Vai dos jogos de esporte aos RPGs tranquilamente, admirando cada experiência. Seu maior ídolo dos jogos é Hideo Kojima.