Frostpunk 2: Breach of Trust | Review

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Existe algo bem curioso em voltar ao mundo de Frostpunk 2 depois da review do jogo base e perceber que, desta vez, o problema central do caos do jogo também vem do calor. Como se sabe, a franquia da 11 bit studios sempre foi sobre sobrevivência extrema, escolhas morais muito desagradáveis e líderes tomando decisões, muitas vezes ruins. Só que em Breach of Trust, novo DLC de Frostpunk 2, a coisa muda. Em vez de apenas encarar o frio, a fome e o desespero político, agora também temos de lidar com calor e um vulcão ameaçando transformar uma cidade inteira em ruína.

A nova campanha se passa em New Edinburgh, uma cidade construída sobre uma fonte geotérmica, algo essencial para a vida em meio ao frio extremo. Com isso, a ideia parece perfeita: usar o calor vindo da terra para manter a civilização funcionando em um mundo ainda castigado pelo gelo. Porém, o problema é que, como quase sempre acontece na franquia, a humanidade foi longe demais. A exploração excessiva desse recurso, uma crítica direta ao mundo atual, desestabilizou o solo, provocou tremores e colocou a cidade diante de uma catástrofe iminente. Lembra algo a vocês? Pois é…

Assim, entramos em Frostpunk 2: Breach of Trust como o novo Primeiro Cidadão, assumindo uma sociedade faminta, irritada e prestes a explodir antes mesmo do vulcão fazer sua parte. Perto dali está Aurora, uma colônia com pouca energia, mas com comida sobrando, além de uma rivalidade complexa que dá toda a tensão do jogo. A partir daí, o DLC coloca na mesa uma pergunta simples, mas carregada de consequências: negociar com Aurora ou tomar o que ela tem pela força? Isso e mais veremos a seguir nesta análise!

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New Edinburgh e uma ameaça totalmente diferente

O maior acerto de Breach of Trust talvez esteja na ambientação. New Edinburgh tem uma identidade própria dentro do universo de Frostpunk 2. A presença do vulcão, da energia geotérmica e do risco constante de erupção dá ao DLC uma atmosfera diferente, mesmo que a base visual e mecânica ainda seja a mesma do jogo principal. Gostei da sensação de administrar uma cidade com ainda mais problemas, não vou negar. Porém a coisa é feia no DLC: o solo pode começar a rachar, tremores podem surgir, além da típica instabilidade política, fruto da relação interna dos grupos na cidade e também com toda a tensão com a cidade de Aurora.

Visualmente, o DLC mantém a qualidade do jogo base, o que também não faz tanta diferença na proposta. As cidades continuam detalhadas, frias, industriais e opressivas, mas com o fator calor a mais, que traz toda a diferença através dos elementos vulcânicos e geotérmicos. Em Breach of Trust, o calor não aparece como conforto, mas como uma constante ameaça. É uma boa inversão, porque reforça a sensação de que, naquele mundo, até a solução pode virar problema, e isso muda totalmente a jogabilidade, sendo até meio irritante em alguns momentos.

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Imagine o calor em meio a tanto frio? Parece bom, né? Mas não é… (Imagem: Divulgação)

A trilha, os efeitos sonoros e a iluminação também ajudam bastante. Quando o cenário começa a dar sinais de estar prestes a se colapsar, o jogo consegue transmitir toda a tensão do acontecimento. A dinâmica da jogabilidade muda, com a necessidade de se recuperar edifícios danificados e todo o caos político trazido pelos impactos da ausência de lugares essenciais para a vida dos cidadãos deste cenário devastado.

Escolhas são essenciais para o andamento da história

A grande decisão apresentada em Frostpunk 2: Breach of Trust envolve, majoritariamente, Aurora. New Edinburgh precisa de comida. Aurora precisa de energia. Em teoria, as duas cidades poderiam cooperar, é claro. Mas, como já é de se esperar, cooperação nunca é apenas cooperação. Ela cobra recursos, tempo, negociações complexas políticas e paciência, mas muuuita paciência de uma população que já está no limite. É difícil demais.

Seguir pelo caminho diplomático significa tentar construir uma relação mais estável, trocando energia por alimentos e assumindo a responsabilidade de lidar com mais uma cidade. É a escolha aparentemente mais civilizada. Mas é aquilo, né… não é necessariamente mais simples. Ela aumenta custos, abre novas demandas e exige uma administração mais cuidadosa. E o povo vai ficando cada vez mais irritado, seja lá com o que for.

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A política segue forte. (Imagem: Divulgação)

Já o caminho da guerra muda totalmente o tom da campanha. É possível militarizar New Edinburgh, construir quartéis, treinar soldados e produzir armas para invadir Aurora. Eu confesso que essa rota chama atenção justamente por parecer a opção mais brutal e, ao mesmo tempo, mais divertida, eu diria. O problema é que a violência raramente termina quando a vitória chega. A resistência da população dominada, sabotagens, revoltas e instabilidade passam a fazer parte da conta.

Essa escolha é o tipo de dilema que Frostpunk 2 sabe criar como nenhum outro jogo. Não existe uma alternativa “limpa”, “pura” ou “perfeita”. Negociar pode ser e geralmente é custoso e lento. Invadir pode resolver uma necessidade imediata, mas cria novas tensões e problemas. Pressionar Aurora sem declarar guerra também pode sair pela culatra. O DLC entende bem essa tensão moral, algo que mexe totalmente com a jogabilidade.

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Os mapas ajudam a auxiliar o que está acontecendo em cada região. Em alguns momentos, são muitas informações. (Imagem: Divulgação)

O problema é que, na prática, as rotas de Frostpunk 2 não se diferenciam tanto quanto deveriam. A sensação de escolha existe, mas o caminho geral da campanha segue relativamente controlado em duas possibilidades. Eu gostaria que a decisão entre diplomacia e guerra mudasse mais profundamente a estrutura da experiência, e não apenas a forma como alguns problemas aparecem. Mas não é, infelizmente.

Uma campanha curta e guiada demais

Os maiores problemas de Breach of Trust são dois: o tamanho da campanha e sua linearidade. A história tem uma premissa forte, mas termina rápido. Quando senti que New Edinburgh e Aurora estavam começando a formar uma dinâmica mais interessante, a história já estava caminhando para o encerramento. Mas, antes disso, confesso ter falhado por diversas vezes.

Isso incomoda porque Frostpunk 2 é um jogo que vive da pressão acumulada. As melhores decisões são aquelas que começam pequenas e depois voltam para cobrar um preço, geralmente enorme. Aqui, alguns conflitos não têm tempo suficiente para amadurecer. O vulcão ameaça, a cidade sofre, Aurora entra no tabuleiro, mas tudo parece avançar em uma linha mais estreita do que o ideal. É bom, tem suas questões éticas e morais, mas é isso.

frostpunk 2 breach of trust analise review 1 Frostpunk 2
O visual do jogo ainda é incrível. (Imagem: Divulgação)

A campanha também é bastante narrativa. Particularmente, gosto quando Frostpunk assume um tom mais autoral e conduz o jogador por uma situação específica. O problema é que, neste DLC, a história muitas vezes parece mais importante do que as possibilidades de jogo, o que não é de todo ruim. No entanto, em vez de sentir que estava moldando um desastre com minhas decisões, senti que estava cumprindo etapas de um desastre já planejado. Para uma campanha curta, isso reduz bastante o valor de replay, mesmo com essas escolhas possíveis.

Ainda é Frostpunk 2, mesmo com questões mal resolvidas

Mesmo com limitações e alguns probleminhas, Breach of Trust ainda carrega boa parte da força de Frostpunk 2. A tomada de decisão continua tensa e incomoda, algo maravilhoso de se ver em um jogo. A gestão de recursos ainda cria pressão, mas em certos momentos é complexa e limitada demais. A população ainda reclama, sofre, ameaça revolta e lembra que liderar uma cidade nesse universo é basicamente escolher qual incêndio apagar primeiro.

Também encontrei pequenos problemas de interface e uma certa falta de elegância em alguns poucos momentos. Nada que arruíne a experiência do jogo, mas o bastante para incomodar em uma campanha que já é curta. Quando o DLC pede respostas rápidas a crises simultâneas, qualquer aspereza de UI aparece mais. Ainda assim, o pacote audiovisual continua forte e imersivo. A cidade, a trilha e o tom geral sustentam bem a atmosfera. O problema é que o jogo não consegue ser tão memorável como o jogo base.

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O frio ainda é um grande problema. (Imagem: Divulgação)

Vale a pena jogar Frostpunk 2: Breach of Trust?

Essa é uma questão muito específica. Para quem é fã de Frostpunk 2 e quer uma nova sequência de dilemas morais, Breach of Trust tem o seu valor. A premissa é boa, New Edinburgh é um cenário interessante e a relação com Aurora rende decisões tensas. A campanha também traz um tipo diferente de crise, misturando fome, energia, guerra e ameaça vulcânica.

Mas eu não chamaria este DLC de indispensável ou até mesmo imperdível. Ele é curto, linear e não expande o jogo base de forma significativa. A guerra poderia ser mais interessante, o vulcão poderia ter mais impacto mecânico e as escolhas poderiam abrir caminhos mais distintos. Do jeito que está, é uma boa ideia executada de forma contida demais.

Para concluir, Frostpunk 2: Breach of Trust tem uma premissa forte e encaixa bem no universo cruel da franquia. Administrar tantas questões traz novas camadas, algo que já é esperado do título. O problema é que o DLC termina antes de explorar tudo que apresenta, o que é um pouco frustrante. No DLC, de uma maneira geral, mesmo agradando em boa parte, falta volume, liberdade e uma maior duração.

Frostpunk 2: Breach of Trust já está disponível para PlayStation 5Xbox Series X|S e PC via SteamGOG.com e Epic Games Store.

*Review elaborada em um PC equipado com uma GeForce RTX, com código fornecido pela 11 bit studios.

Frostpunk 2: Breach of Trust

R$ 59,97+
7.4

História

7.4/10

Jogabilidade

7.4/10

Gráficos e sons

8.6/10

Extras

6.0/10

Prós

  • Premissa narrativa forte, ainda que com limitações
  • Dilema entre diplomacia e guerra traz uma boa camada extra
  • Mecânica de resistência traz boas consequências

Contras

  • Infelizmente, a campanha é curta demais
  • Poucas novidades impactam o jogo base
  • Baixo incentivo de rejogabilidade
  • A questão da guerra não é tão empolgante

Álvaro Saluan

Completamente apaixonado por videogames, escreve e pesquisa sobre o tema há uns bons anos. Vê os jogos para além do entretenimento, considerando todo o processo como uma grande e diversificada arte. Vai dos jogos de esporte aos RPGs tranquilamente, admirando cada experiência. Seu maior ídolo dos jogos é Hideo Kojima.