Heroes of Might and Magic: Olden Era | Preview

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Confesso que comecei Heroes of Might and Magic: Olden Era com uma sensação meio estranha, não de expectativa por algo novo, mas de curiosidade para ver se ainda existia espaço para esse tipo de jogo atualmente.

Depois de jogar a versão de acesso antecipado à convite da Hooded Horse, a resposta não só continua sendo “sim”, como ficou ainda mais clara quando comparo com aquilo que experimentei meses atrás na demo, que registrei aqui no Pizza Fria!

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Nostalgia viva sem precisar forçar memória

É curioso perceber como essa nova versão mexe justamente com aquilo que me fez gostar da série lá atrás. Não de forma explícita ou apelativa, mas em pequenos momentos que surgem naturalmente durante o gameplay. Na forma como você planeja cada movimento no mapa, na satisfação de desenvolver uma cidade aos poucos ou naquela tensão antes de um combate mais arriscado, tudo isso volta a aparecer de forma orgânica.

Minha relação com a franquia vem de muito antes disso, lá no final dos anos 90, entre CDs, manuais impressos e sessões intermináveis de hotseat com meu primo. Cada turno tinha peso, cada escolha importava e cada batalha parecia uma pequena história própria. Ver essa sensação ressurgindo aqui não vem de nostalgia forçada, mas de um design que entende o que fez a série funcionar em primeiro lugar.

Heroes of Might and Magic: Olden Era

Da demo ao acesso antecipado: evolução perceptível

Na demo, o projeto já mostrava um potencial evidente, mas ainda soava cru em vários aspectos. A base estava toda ali, funcionando, com boas ideias como leis de facção e habilidades específicas de unidades que ampliavam o leque estratégico, mas a apresentação ainda era irregular e exigia paciência para ser absorvida.

Agora, com essa build mais recente, o que mais chama atenção não é uma transformação radical, mas sim o refinamento consistente.

Heroes of Might and Magic: Olden Era continua sendo exatamente aquilo que prometia: um retorno direto às raízes da franquia. A estrutura clássica permanece intacta, com exploração por turnos, construção de cidades, gestão de recursos e batalhas táticas em grid hexagonal. O jogo, portanto, voltou mais próximo às origens do que nunca, com uma identidade que parece finalmente bem definida.

Heroes of Might and Magic: Olden Era

Todas as facções e mais possibilidades estratégicas

Um dos pontos mais marcantes desta build é o conteúdo já disponível desde o início. Todas as seis facções estão presentes: Temple, Dungeon, Schism, Grove, Necropolis e Hive. Cada uma delas traz suas próprias unidades, edifícios, magias e heróis, criando estilos de jogo bem distintos.

Essa variedade muda completamente a forma como cada partida se desenrola. Não é apenas uma escolha estética, mas estratégica. Cada facção abre possibilidades diferentes e incentiva abordagens variadas, reforçando o fator replay que sempre foi um dos pilares da série.

Heroes of Might and Magic: Olden Era

Modos de jogo, hotseat e pequenos atritos

Outro ponto que chama atenção é a quantidade de modos disponíveis já nesta fase inicial. Além da campanha, há escaramuças single-player com diferentes variações, incluindo modo clássico, single hero, arena e cenários pré-montados.

O multiplayer online também está presente, com suporte a diferentes modos e sistema de leaderboard. O clássico hotseat local retorna como uma das formas mais nostálgicas de jogar, mas aqui encontrei um ponto menos confortável: em alguns momentos não consegui configurar a experiência de forma ideal sem que outros jogadores conseguissem ver minhas ações, o que quebra um pouco aquela dinâmica de “jogar escondido” que sempre marcou esse modo.

Heroes of Might and Magic: Olden Era

Outro detalhe que chama atenção, de forma não positiva, são os tempos de carregamento. O jogo pode demorar mais do que o esperado para iniciar partidas ou transições entre telas, algo que não chega a comprometer a experiência, mas interrompe um pouco o ritmo estratégico que deveria fluir de forma mais natural.

Um detalhe que faz muita diferença: o português brasileiro

Um dos pontos que mais me chamou atenção, e que confesso ter me surpreendido positivamente, foi finalmente ver o jogo com suporte ao português brasileiro.

Para uma série com uma base tão forte aqui no Brasil, isso faz muita diferença. Não é apenas uma questão de conveniência, mas de conexão mesmo com o jogo. Termos, descrições, habilidades e sistemas ficam muito mais acessíveis, e isso ajuda tanto quem está chegando agora quanto quem, como eu, cresceu jogando os títulos antigos em inglês ou em traduções improvisadas da época.

Existe algo quase simbólico nisso: um jogo que marcou gerações finalmente falando diretamente com esse público de forma oficial. E isso reforça ainda mais a sensação de retorno da franquia a um espaço que ela nunca deveria ter deixado.

Heroes of Might and Magic: Olden Era

Campanha, aprendizado e desafios

O primeiro ato da campanha single-player já está disponível, acompanhado de tutorial completo e desafios que ajudam a introduzir as mecânicas. É um começo sólido, embora ainda com espaço para evolução na forma como o jogo explica seus sistemas.

A sensação geral é que a base está lá, mas o aprendizado ainda pode ser mais intuitivo. Para quem já conhece a franquia, isso flui melhor, mas novos jogadores podem sentir certa curva de adaptação mais dura do que o ideal.

Editor de mapas e construção de futuro

Outro destaque é a presença do editor de mapas em versão beta. Embora os mapas criados pela comunidade ainda não estejam disponíveis, já é possível perceber o potencial da ferramenta, além do suporte a lobbies personalizados com conteúdo próprio.

Durante o período de acesso antecipado, o plano inclui a chegada do restante da campanha, novos cenários, melhorias no modo espectador e evolução contínua do editor. Tudo isso reforça a ideia de um jogo em construção ativa, moldado também pelo feedback dos jogadores.

Heroes of Might and Magic: Olden Era

Pequenos avanços, grande impacto

O que define Olden Era neste momento é justamente sua evolução nos detalhes. Mais facções, mais possibilidades estratégicas, mais modos disponíveis desde o início e até localização completa em português brasileiro ajudam a criar uma experiência mais completa do que a demo sugeria inicialmente.

É muito bom ver o velho e bom Heroes de volta, não como uma lembrança distante, mas como um sistema vivo que continua funcionando dentro de um contexto atual. A sensação não é de reinvenção, mas de continuidade bem executada.

Ainda há ajustes a fazer

Mesmo com todos os avanços, alguns problemas persistem. A forma como o jogo se explica ainda pode melhorar, e o multiplayer em regiões com poucos jogadores pode sofrer com instabilidade. Além disso, pequenos pontos de interface ainda precisam de polimento para atingir um nível de clareza mais consistente.

O que esperar de Heroes of Might and Magic: Olden Era?

No fim das contas, Heroes of Might and Magic: Olden Era não tenta reinventar sua identidade. Ele entende exatamente o que fez a série funcionar e constrói em cima disso com cuidado.

Comparado à demo, o avanço é claro. O jogo está mais consistente, mais completo e mais seguro do que antes. Não é perfeito, mas já demonstra uma direção muito bem definida.

O retorno às origens nunca pareceu tão intencional. E mesmo com pequenas arestas, como o hotseat ainda precisando de ajustes e os tempos de loading mais longos do que o ideal, o sentimento geral é de reencontro com algo que realmente voltou a funcionar.

E ver tudo isso finalmente em português brasileiro só reforça essa sensação de proximidade. É como se, depois de tantos anos, a série finalmente estivesse falando a nossa língua, no sentido mais literal e também mais emocional possível.

No fim, ele não tenta ser outra coisa. E talvez seja exatamente isso que faz dele relevante de novo: respeitar o passado enquanto tenta, de forma honesta, recuperar seu lugar no presente.

Heroes of Might and Magic: Olden Era será lançado em acesso antecipado para PC no dia 30 de abril de 2026. O título chegará para PC, via Steam e Microsoft Store (por meio do Game Preview), além de integrar o catálogo do PC Game Pass já no primeiro dia.

*Preview elaborada em um PC equipado com GeForce RTX, com código fornecido pela Hooded Horse.