Of Ash and Steel | Review
Of Ash and Steel é um RPG de ação em terceira pessoa, com um grande enfoque em liberdade e desenvolvimento de personagem, desenvolvido pela Fire & Frost e publicado pela tinyBuild. Nele, controlamos um camarada que se encontra em uma roubada tamanha para a qual ele, sem dúvidas, não está minimamente equipado para encarar. Mas o fará do mesmo jeito. Fazer o que, não é?
E aí, será que a aventura vai compensar? É o que descobriremos agora, em mais uma análise chiquérrima do Pizza Fria!
Mapeando a grande enrascada
Muitas vezes, leitores e leitoras do site mais totalmente delicioso deste lado da grande rede de computadores, simplesmente não estamos equipados para lidar com o que a vida nos reserva. As tretas são grandes demais, não sabemos como fazer determinada coisa, a sorte ri da nossa cara. Enfim, tudo joga contra. Mas, como somos brasileiros, nunca desistimos e sempre vamos pelejando dia após dia.
E devo dizer que, por essa lógica, o protagonista do nosso jogo de hoje deve ter vindo de nossa gloriosa nação também. Of Ash and Steel nos coloca para encarar uma treta maior do que nosso herói jamais sonhou, e isso nos fará passar por uma série de situações inusitadas e curiosas que, de uma maneira ou de outra, realmente são engraçadas de se ver.
Me recordo que fiquei bem interessado pela proposta do título, principalmente por me lembrar de alguns títulos das antigas como Gothic, por exemplo. Mas, será que ele realmente entrega o prometido? Ou foi apenas mais uma doce, doce ilusão? É o que saberemos agora.

História
Of Ash and Steel nos coloca nas botas de Tristan, um cartógrafo que se une a uma expedição para um local totalmente paradisíaco, e nem um pouco perigoso (imagina) chamado Greyshaft. Contudo, um imprevisto no mar, e um ataque na crocodilagem em terra, acaba fazendo com que nosso bacana se veja sozinho e largado em uma terra nem um pouco hospitaleira.
Daí começa nossa aventura, enquanto tentamos sobreviver aos imprevistos e conhecemos pessoas de todo tipo. Sejam elas camponeses comuns ou membros de guilda, Tristan faz vários contatos e, conforme nossas escolhas, começa a tomar parte em eventos que irão moldar tanto o futuro da ilha como o de sua própria vida. Além disso, podemos nos unir a guildas que também terão seus efeitos nos acontecimentos.
A trama de Of Ash and Steel é bem competente, oferecendo bastante coisa para ver e conhecer enquanto nos dá algumas opções de escolha sobre como seremos e o que faremos. Ainda que ela não seja de todo memorável, e alguns personagens sejam meio chatos, eu curti e acredito que fez mais do que o suficiente para me manter engajado durante toda sua duração.

Jogabilidade
De maneira bem resumida, Of Ash and Steel é um RPG de mundo aberto no qual temos uma liberdade bem grande para perseguir diversos objetivos dentro de quests principais e missões secundárias espalhadas pelo mapa. Além disso, começamos como um personagem fraco que vai se especializando e fortalecendo conforme jogamos.
O jogo nos dá uma liberdade bem grande no começo, com apenas um objetivo para alcançar e uma ideia geral de onde ir. Isso é legal, mas é um tanto quanto frustrante de não termos um mapa para nos guiar. Levando em conta que a área inicial é um pouco similar, com suas florestas e caminhos, é comum passarmos um bom tempo perdidos.
Contudo, por outro lado, essa maneira de Of Ash and Steel se organizar também faz com que o jogador descubra as coisas de maneira muito mais orgânica, além de aumentar a sensação de que estamos de fato em uma grande aventura. Isso, somado ao fato de que Tristan começa o jogo completamente inútil, realmente constrói a visão de que somos heróis em treinamento
E o título realmente recompensa o jogador curioso, visto que muitas das missões, suas ramificações e conclusões dependem diretamente de nossa vontade de procurar e explorar. Além disso, certos itens que ajudam muito o começo do jogo estão em lugares que não são muito óbvios mas que, ao serem encontrados, nos dão uma ajuda tremenda.

Em se tratando de combate, Of Ash and Steel utiliza golpes fortes, fracos, esquivas, aparos e outras mecânicas para dar uma boa opção ofensiva e defensiva ao jogador. Podemos usar uma boa quantidade de armas diferentes e, ainda, montar nossa build com os atributos que mais nos interessarem. Seja força bruta ou não, sempre teremos uma maneira diferente de resolver as coisas.
Esse foi um dos pontos que mais curti na narrativa. Se por um lado temos um boneco que começa ruim em tudo, e inexperiente, por outro temos opções de crescimento consideráveis. Eu, por exemplo, me foquei em fazer um Tristan bom de papo e rápido no gatilho, utilizando armas de destreza e a boa e velha arte da persuasão para resolver meus problemas.
Além disso, Of Ash and Steel também permite que o jogador aprenda uma série de profissões diferentes que são muito úteis na hora de construir coisas para nós ou para as diversas facções e grupos que nos envolvemos. O sistema é bem expansivo e completo, e dá bastante liberdade para o jogador. Contudo, não é tão simples de se acessar no começo.
Meu maior problema com o título, contudo, foram os bugs e comportamentos estranhos que encontrei durante meu tempo. Quests com problemas, travamentos, diálogos que não dava para sair e outras coisas realmente me fizeram perder tempo e um pouco do meu ânimo, principalmente durante as primeiras horas mais confusas da experiência.

Sons e Visuais
Of Ash and Steel não é, visualmente, um jogo muito impressionante. Temos texturas simples, muitas repetições de cenário, animações travadas para os personagens e um visual fantasia medieval batido. Tudo funciona bem e não temos muitas quedas de FPS, mas seria interessante um pouco mais de polimento nesse aspecto do título.
O mesmo pode se dizer da parte sonora que, embora realize bem seu papel, não faz nada para realmente se destacar ou aumentar os momentos mais tensos do jogo como, por exemplo, quando estamos perdidos sem vida e com fome no matagal. Ah, e ficamos sem nossa legenda. Uma pena.

Vale a pena jogar Of Ash and Steel?
Of Ash and Steel, leitores e leitoras, é um RPG oldschool das melhores e piores maneiras possíveis. Realmente me lembrei dos tempos antigos enquanto o jogava mas, de todo modo, ainda acredito que ele tenha qualidades suficientes para fazer compensar a viagem.
O jogo tem um ar de liberdade incrível, muito conteúdo para descobrir, ramificações para nossas decisões e várias maneiras de aprimorar e fortalecer nosso boneco. Contudo, um começo confuso, gráficos pouco impressionantes, problemas técnicos, animações simples e a falta de legendas são algumas pedras no sapato que teremos que lidar.
No fim das contas, seu aproveitamento com o título vai depender do quanto você aprecia esses aspectos mais clássicos e menos “amigáveis”, por se dizer, da experiência. Eu cá curti muito, e acredito que ele seja uma boa pedida para os que curtem o gênero. Ainda que não seja perfeito, Of Ash and Steel tem potencial para agradar. Contanto que sejamos um pouco compreensivos, claro.
Of Ash and Steel, RPG de fantasia em mundo aberto com inspiração retrô, será lançado em 24 de novembro para PC, via Steam e GOG.com. Uma demo gratuita do título está disponível.
*Review elaborada em um PC equipado com uma GeForce RTX, com código fornecido pela tinyBuild.
Of Ash and Steel
Prós
- Muita liberdade para o jogador
- Quests e ações possuem ramificações e consequências
- Muitas opções de habilidades e maneiras de construir nosso herói
- É bem legal ver o Tristan sair de um cartógrafo medroso para um aventureiro destemido
Contras
- Uma boa quantidade de bugs, alguns atrapalhando e perdendo tempo do jogador
- Começo confuso e pouco intuitivo pode espantar alguns jogadores
- Gráficos simples e não muito inspirados
- Faltou legenda em português
- Animações travadas e um pouco estranhas


