Reus 2 + DLC Planícies | Review

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Há jogos que chegam fazendo um verdadeiro estardalhaço, prometendo revoluções, gráficos de última geração e experiências cinematográficas. Esses geralmente acabam criando mais hype e, atualmente, gerando uma baita frustração. Já outros surgem de forma silenciosa, quase tímida, mas carregando ideias tão bem amarradas que acabam deixando uma marca muito mais profunda. Nesse ponto, Reus 2, game disponível para PC via Steam, parece seguir esse segundo caminho: um visual simples, uma proposta abstrata e uma temática que mistura criação, destruição e ciclos de civilização.

Mas bastam alguns minutos diante do nosso planeta, que já dá para perceber que há algo mais acontecendo ali. A sensação inicial é curiosa e meio vaga, como se o jogo estivesse nos convidando a observar mais antes de agir. Nisso, a dúvida se instala: estamos diante de uma experiência estratégica profunda ou de um simulador repetitivo disfarçado de arte conceitual? A resposta não vem de imediato, e iremos trazer todos os detalhes a seguir, em mais uma análise do Pizza Fria!

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Estratégia divina em forma de quebra-cabeça

Desenvolvido pela Abbey Games, Reus 2 abandona o excesso de liberdade caótica comum presente nos antigos god games e aposta em algo muito mais focado. Aqui, criar mundos é menos sobre espalhar recursos e mais sobre entender sistemas de uma maneira ampla. Não é simples, mas com o tempo vamos pegando o jeito. O planeta é dividido em espaços, cada um capaz de receber biomas, plantas, animais e minerais. Com isso, nós temos a função de controlar gigantes elementais responsáveis por moldar o ambiente, criando florestas, montanhas, desertos e diversas novas formas de vida, que vão sendo colocadas ao longo das partidas.

Contudo, o diferencial de Reus 2 está nas sinergias, não sendo uma experiência totalmente aleatória. Cada combinação de biota pode gerar recursos únicos, que por sua vez influenciam diretamente o desenvolvimento das vilas humanas próximas. Uma simples alteração no ecossistema pode transformar uma civilização agrícola em um centro tecnológico ou em um povo profundamente religioso. Isso transforma cada partida em um grande puzzle estratégico, que vai ficando cada vez mais complexo. Não basta criar ambientes bonitos ou variados… é preciso pensar em como cada peça se conecta para extrair o máximo potencial antes que o tempo daquela era se esgote.

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Alguns dos deuses Gigantes que dão forma e vida a tudo em Reus 2. (Imagem: Divulgação)

A humanidade não tem controle aqui, mas bem que tenta

As civilizações humanas de Reus 2 são o elemento imprevisível desse grande sistema. Elas nascem pequenas, mas rapidamente começam a evoluir conforme os recursos disponíveis ao redor. Algumas seguem caminhos pacíficos e focados em progresso cultural. Outras se dedicam à exploração espacial ou à fé nos gigantes. Há também aquelas que inevitavelmente entram em conflito, disputando territórios e riquezas. Esse talvez seja aquele elemento especial do jogo, que funciona para nos testar para além da questão das sinergias.

Quando as coisas fogem do controle, a humanidade pode se voltar contra os próprios deuses, enviando Caçadores de Gigantes para tentar destruir suas entidades elementais. É nesse ponto que o jogo apresenta os Cataclismos: poderes devastadores capazes de apagar regiões inteiras do mapa. Esses eventos funcionam como um reset brutal, mas estratégico. Eles salvam situações perdidas, porém custam caro em termos de progressão. Reus 2 deixa claro que ser uma divindade não significa agir sem consequências. Portanto, o jogo tem objetivos e um deles é agradar aos seus humanos…

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Dancem para mim, humanos! (Imagem: Divulgação)

Ciclos e rejogabilidade

Outro aspecto interessante da experiência de Reus 2 é o sistema de legado. Quando uma civilização chega ao fim, seja por algum colapso ou por conclusão de seus objetivos, o mundo não simplesmente acaba. Em vez disso, um novo planeta é criado na galáxia, trazendo modificadores únicos que alteram as regras da próxima partida. Alguns mundos favorecem determinados biomas, outros mudam completamente a dinâmica de produção e evolução. E aí a coisa vai ficando mais e mais complexa.

Esse sistema diferenciado transforma cada tentativa, cada nova partida, em um novo experimento. Errar faz parte do processo em Reus 2 (e eu aprendi das piores formas), e cada falha carrega aprendizados que ajudam na próxima criação. É um ciclo extremamente desafiador (que pode ser muito viciante para alguns), nos mantendo sempre interessados em tentar mais uma rodada, com aquela curiosidade de testar novas combinações e estratégias.

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A variedade de espécies, plantas e várias outras coisas surpreendem. (Imagem: Divulgação)

Simplicidade visual não e nem limita trava a experiência

Reus 2 é um daqueles jogos que aposta em um visual minimalista, com cores fortes e formas limpas que facilitam a leitura do mapa. Os biomas são facilmente identificáveis, e as vilas humanas mudam de aparência conforme evoluem. Aqui, tudo isso funciona maravilhosamente bem. Aliás, os gráficos do jogo não são feios. Muito pelo contrário, têm o seu charme próprio.

Já a trilha sonora segue uma linha ambiente, quase meditativa, reforçando a sensação de estar observando (e elaborando) a criação de mundos vivos. Em momentos de tensão, a música se intensifica de forma sutil, sem quebrar o clima contemplativo. É uma experiência que convida tanto à reflexão quanto ao raciocínio estratégico. É um jogo com desafio? Sim! Mas também há uma coisa meio “cozy” em meio a todo este caos da criação.

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Em alguns momentos, as coisas podem sair do controle dos homens e até mesmo dos deuses, não é mesmo? (Imagem: Divulgação)

O DLC Planícies e o novo bioma

A expansão Planícies chega a Reus 2 como uma evolução natural da proposta do jogo base. Seu principal destaque é o bioma Estepe, um ambiente de vastas planícies que se junta a regiões como Savana e Deserto. Criado por Jangwa, o Gigante da Savana, o novo bioma traz mais de 65 espécies inéditas entre plantas, animais e minerais, como bisões, cães-da-pradaria e vegetações típicas do ecossistema. Todas essas novidades se integram ao sistema de sinergias já conhecido, abrindo novos caminhos estratégicos.

Este DLC também introduz a mecânica de estresse do solo. Conforme biotas são posicionadas, o ambiente se desgasta até gerar incêndios naturais que se espalham pela região. Longe de serem apenas destrutivos, esses eventos fazem parte de um ciclo de renovação que fortalece ainda mais o ecossistema após o fogo. Além disso, quatro novos líderes humanos entram em cena, cada um com estilos distintos de desenvolvimento, e três novas eras ampliam a progressão da humanidade, trazendo temas que vão da fé absoluta à fusão entre ciência e natureza. Desta forma, posso considerar tranquilamente o DLC uma excelente adição a Reus 2, aumentando ainda mais o escopo do jogo, bem como seus desafios.

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Os gráficos de Reus 2 são totalmente condizentes com a proposta, nos trazendo um jogo bonito e leve. (Imagem: Divulgação)

Vale a pena jogar Reus 2 + DLC Planícies?

Reus 2 é o tipo de jogo que não se revela por completo em seus primeiros minutos. Ele exige paciência, observação e disposição para aprender com os próprios erros. Suas explicações são limitadas, nos deixando meio confusos, mas, ao mesmo tempo, com a sensação de estarmos sendo desafiados. E é isso… aos poucos ele vai mostrando uma profundidade estratégica rara, transformando a criação de mundos em um sistema elegante de causa e efeito.

Sua abordagem mais focada, longe do sandbox caótico, resulta em partidas intensas, cheias de decisões importantes e momentos de tensão. O sistema de legado garante uma rejogabilidade impressionante, enquanto a humanidade imprevisível mantém cada ciclo interessante.

O DLC Planícies, por sua vez, se mostra mais do que uma simples adição de conteúdo, funcionando como uma expansão conceitual da proposta de Reus 2. O novo bioma Estepe, aliado à mecânica de estresse do solo, aos líderes inéditos e às eras adicionais, amplia significativamente as possibilidades estratégicas sem quebrar o equilíbrio delicado do jogo base.

Assim, tudo se integra de forma orgânica, reforçando a ideia de ciclos naturais, renovação e adaptação constante. É o tipo de expansão que não apenas estende a vida útil do título, mas também aprofunda seus sistemas, oferecendo novos desafios para veteranos e mais caminhos criativos para quem ainda está descobrindo os segredos dessa curiosa e envolvente experiência divina.

No fim das contas, Reus 2 e seus DLCs não nos apresentam apenas um god game moderno, sendo um grande quebra-cabeça estratégico sobre equilíbrio, consequências e ciclos de criação. Um título que pode não chamar atenção à primeira vista, mas que conquista aos poucos e dificilmente larga quem se permite mergulhar em seus sistemas. Mas é preciso tempo e muita observação…

*Review elaborada em um PC equipado com uma GeForce RTX, com código fornecido pela Abbey Games.

Reus 2 + DLC Planícies

R$ 67,43
8.1

História

8.4/10

Jogabilidade

8.0/10

Gráficos e sons

8.2/10

Extras

7.6/10

Prós

  • Jogo legendado em português brasileiro
  • Estratégia profunda baseada em sinergias
  • Ritmo lento para alguns jogadores
  • DLC Planícies aumenta a variedade e possibilidades de jogo

Contras

  • Curva de aprendizado elevada
  • Ritmo lento para alguns jogadores

Álvaro Saluan

Completamente apaixonado por videogames, escreve e pesquisa sobre o tema há uns bons anos. Vê os jogos para além do entretenimento, considerando todo o processo como uma grande e diversificada arte. Vai dos jogos de esporte aos RPGs tranquilamente, admirando cada experiência. Seu maior ídolo dos jogos é Hideo Kojima.