Vultures – Scavengers of Death | Review

AnálisesPCSlide

Vultures – Scavengers of Death é um jogo de combate em turnos, com uma pegada de terror e sobrevivência, desenvolvido pela Team Vultures e publicado em conjunto por Firesquid e Gamersky Games. Nele, controlamos uma dupla de agentes que precisam correr altos riscos laborais para impedir que uma praga zumbi devaste nossa civilização.

E aí, será que vale a pena encarar essa parada? É o que saberemos agora, em mais uma análise adorável do Pizza Fria.

Youtube video

Mordidas por turnos

Tem certas coisas na vida, leitores e leitoras deste que pode ser considerado o site mais especializado em maravilhas deste lado da lua, que combinam muito bem logo de cara. Goiaba com queijo, sorvete com morango, mundos de fantasia com RPGs ou até e acreditem se quiserem, dinheiro infinito com minha conta bancária. Esse último principalmente, por favor.

Outras também dão um match maneiro, ainda que em uma primeira análise não pareçam, combinar tanto assim. Querem um exemplo? Terror envolvendo zumbis, ao mais belo estilo Resident Evil e seus legados, com RPGs de turno. Quem pensava que isso poderia dar liga? Foi essa pergunta que nosso jogo de hoje, Vultures – Scavengers of Death, se propôs a tentar responder.

Admito que me interessei logo de cara pela proposta do título por diversos motivos, mas o principal foi a curiosidade de ver como ele ligaria as emoções que sentimos com jogos de terror e sobrevivência, geralmente frenéticos e com ação desenfreada, com o ritmo mais pausado e estratégico dos RPGs de turno. Bom, curiosos para saber se deu bom? Pois venham comigo, e descobriremos juntos.

Vultures - Scavengers of Death
Deixa ver onde que pode estar a review. (Imagem: Divulgação)

História

Vultures – Scavengers of Death conta a história de Leopoldo e Amber, dois agentes de uma organização chamada VULTURE que são enviados para lidar com algumas tretas envolvendo riscos e armas biológicas que apareceram no vale de Salento.

O que deveria ser “apenas” um desastre químico, contudo, se mostra muito mais complexo quando cultos e outras organizações sombrias começam a se envolver na parada. Qual a relação deles com tudo que está rolando? E como resolvemos isso? É o que precisamos descobrir.

Vultures – Scavengers of Death tem uma trama funcional e dentro do que esperamos para o estilo e a época que querem emular, ainda que não seja tão desenvolvida e seus personagens sejam apenas caricaturas de esteriótipos do gênero. Nada que mate a experiência, mas seria legal ver alguma trama mais envolvente ou, ao menos, personagens mais cativantes.

Jogabilidade

Em termos bem gerais, Vultures – Scavengers of Death é um RPG de turno no qual exploramos mapas, de tamanhos pequenos ou médios com um ou mais andares, enquanto completamos objetivos, buscamos segredos, resolvemos puzzles e tentamos não ser devorados por um conjunto de aberrações que desejam nos ter como prato principal da noite.

O jogo mostra claramente suas influências, focando a maior parte de seus esforços em tentar traduzir aquela pegada dos jogos de terror dos anos noventa, principalmente da era Play 1, para os moldes de jogos de estratégia nos quais controlamos nossos bonecos através de pontos de ação, com diversas habilidades e movimentação feita através de quadradinhos pelos quais podemos nos locomover.

Em se tratando desse esquema, Vultures – Scavengers of Death utiliza mecânicas já consagradas e conhecidas no gênero. Nesse caso, me refiro ao bom e velho uso de pontos de ação (AP) e movimento (MP) para poder nos deslocar pelos cenários, atacar, trocar de armas, recarregar e coisas do tipo. Ele funciona muito bem na proposta do jogo e, surpreendentemente devo dizer, consegue traduzir bem os sentimentos de um gênero para o outro.

Por exemplo, a tensão dos recursos é aplicada através da quantidade escassa (mas nem tanto, se formos espertos) de munição e itens de cura que podemos encontrar e carregar. Além disso, temos poucos pontos de ação por turno e não é fácil derrubar os zumbis mais fracos, quem dirá os mais fortes, com apenas um tiro de pistolinha.

Vultures - Scavengers of Death
É bom mirar direitinho. (Imagem: Divulgação)

O mesmo se dá com a movimentação. Vultures – Scavengers of Death, ainda, nos permite outras ações interessantes como empurrar inimigos, puxar, chutar e muito mais. Isso é bem legal, principalmente por dar opções interessantes para fazer com que eles percam turnos, caiam em armadilhas, abram caminho para que possamos passar e muito mais.

Além disso, podemos andar na surdina para não sermos vistos pelos zumbis e, se tudo der certo, conseguir acertar um golpe de oportunidade antes do combate começar. Isso é providencial, principalmente levando em conta que muitos inimigos (principalmente mais para frente no jogo) tem bastante vida e não tombam com facilidade.

Fechando o pacote retro, Vultures – Scavengers of Death também nos coloca para resolver alguns puzzles simples que realmente me fizeram lembrar dos velhos tempos. Isso, somado com a estética e cenários, consegue dar uma cara bem legal ao jogo e mostrar realmente ao que ele veio e quais foram suas inspirações.

De negativo, tenho alguns pequenos problemas com o jogo. Primeiro, que precisamos usar o modo de combate e movimentação por pontos para andar a todos os momentos. Ainda que o MP seja infinito fora de combate, isso torna a exploração mais travada do que deveria. Além disso, sinto que alguns inimigos mais para frente são bem frustrantes de enfrentar levando em conta nosso recurso reduzido de AP e ataques por turno.

Além disso, Vultures – Scavengers of Death me acertou com uns bugs bem chatos durante a experiência. Sons que não paravam e ficavam travados, carregamentos falhando, itens não aparecendo, saves se perdendo e por aí vai. Nada que mate a experiência, mas definitivamente me fez passar um pouco mais de raiva do que deveria em diversos momentos.

Vultures - Scavengers of Death
Como será que eu resolvo isso? (Imagem: Divulgação)

Sons e Visuais

Vultures – Scavengers of Death tem um visual retro bem legal, que remete muito aos jogos de terror antigos e me fazem entrar em um trem para o passado. Também curti o design dos inimigos e dos cenários que passamos. Contudo, sinto que o jogo poderia ter tentado ser um pouco mais original no que nos apresenta e que, em determinados momentos, os gráficos acabam sendo um pouco “crus” demais, incomodando o jogador.

A trilha sonora, assim como os efeitos, estão sensacionais. Eu realmente consegui entrar na ambientação do jogo sem esforço algum, em grande parte auxiliado pela música que tocava, dando aquele ar de terror as coisas, e o os grunhidos e gemidos dos mortos vivos. Ah, e temos nossa legenda! Ainda que alguns bugs misturem os idiomas de vez em quando.

Vultures - Scavengers of Death
Sai pra lá coisa feia. (Imagem: Divulgação)

Vale a pena jogar Vultures – Scavengers of Death ?

Vultures – Scavengers of Death, gente bonita de meu coração, foi uma grata surpresa e uma prova de que, de vez em quando, vale a pena tentar fazer umas misturas malucas para ver no que dá. Ainda que tenha um deslize aqui e ali, sinto que o título conseguiu mostrar ao que veio e unir bem os feelings dos dois estilos que tentou implementar.

Temos uma ambientação muito legal, que faz uma boa homenagem aos antigos sem perder a vista do que quer mostrar. O combate é divertido, o jogo é tenso e a transcrição dos elementos de terror para a estratégia ficaram legais. Contudo, os bugs me tiraram um pouco da experiência, e também penso que ele poderia ser mais original nos visuais e um pouco menos frustrante em determinados momentos.

E esse é nosso veredito para hoje, leitores e leitoras. Se estiverem procurando uma experiência diferente de survival horror, Vultures – Scavengers of Death pode ser uma boa pedida. Ainda que o jogo derrape em alguns momentos, o saldo geral é bem positivo e vale a pena dar uma conferida.

Vultures – Scavengers of Death já está disponível para PC, via Steam.

*Review elaborada em um PC equipado com GeForce RTX, com código fornecido pela Firesquid.

Vultures - Scavengers of Death

BRL 42,99
7.8

História

7.0/10

Gameplay

8.0/10

Gráficos e Sons

8.0/10

Extras

8.0/10

Prós

  • Une bem o terror com o esquema de estratégia e combate em turnos
  • Emula bem os jogos de terror das antigas
  • Trilha sonora muito bem feita e sonoplastia acertada ajudam na imersão
  • Combate tenso e divertido, com uma boa quantidade de armas e opcões
  • Legendado em português

Contras

  • História e personagens pouco envolventes
  • Bugs chatos durante toda a duração
  • Um pouco frustrante em certos momentos
  • Poderia ser mais original em sua identidade visual

Matheus Jenevain

Redator de idade não especificada e habilidade excepcional (segundo o próprio, acredite se quiser). Curte Metroidvanias, RPGs e jogos de luta. Reza toda noite, intensamente, para receber um remake de God Hand. Nunca foi atendido.