Palm Sugar: A Village Story | Review

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A Mono Tusk Studios nasceu como uma desenvolvedora indiana com a proposta de contar histórias de sua comunidade através da indústria de videogames. Fundada em 2023, a empresa começou a produzir Palm Sugar: A Village Story, um jogo com visual Pixel Art e gameplay inspirada, principalmente, em The Legend of Zelda.

Com isso, surge uma experiência simples, que apresenta um mundo inspirado na região Telugu da Índia e acompanha a vida de Seenu, um jovem que se verá no meio de uma conspiração em sua vila.

Mas será que a primeira aposta da Mono Tusk Studios consegue entregar uma narrativa impactante e uma gameplay satisfatória? É isso que eu te respondo, após completá-lo na Steam, em mais uma review antecipada aqui no Pizza Fria!

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Um mundo grande e pouco aproveitado

Ao criar o mundo de Palm Sugar: A Village Story, a Mono Tusk buscou trazer elementos da cultura e da vida rural Telugu para apresentá-los de uma forma pouco vista anteriormente na indústria.

Aqui, a desenvolvedora optou por não recorrer tanto a elementos folclóricos ou a clichês do gênero de ação e aventura que comumente vemos em outros jogos, como espadas e itens mágicos. Os nomes dos locais e as gírias utilizadas pelos personagens ajudam a construir uma identidade cultural específica de seu mundo.

Porém, apesar de possuir diversos locais abertos, boa parte desses espaços é subutilizada. Senti falta de interiores exploráveis: casas com arquitetura da região, objetos dos moradores e pequenos detalhes que revelassem aspectos da vida das pessoas poderiam enriquecer, ainda mais, a sensação de estar em uma vila Telugu.

Além disso, boa parte do mundo permanece vazia e sem construções. Existem trechos inteiros do cenário onde não há nenhum prédio, personagens ou atividades para encontrar. Ao invés de aprofundar melhor o universo de Palm Sugar, esses locais fazem Bellampakam parecer apenas um espaço que liga os objetivos da narrativa.

Outro aspecto que denuncia o escopo reduzido do jogo é a quantidade de interações disponíveis com NPCs ao longo do jogo. É claro que não há necessidade de criar diálogos diferentes para cada um dos moradores da vila, visto que o jogo não traz isso como proposta de qualquer forma.

Mas alguns diálogos de habitantes sobre suas tradições e sobre as ações dos protagonistas da história fizeram falta ao longo da minha exploração. Em vários momentos eu encontrava NPCs em abundância pelo cenário, mas nenhum deles continha uma fala sequer sobre o ambiente ou suas vidas.

Assim o jogo traz algo visualmente amplo, mas pouco aproveitado, passando a sensação de estar inacabado.

História de amor, ou conspiração?

Imagine que você está voltando para casa um dia com sua amada e, de repente, alguns homens um tanto esquisitos começam a incomodar o amor da sua vida. Após defendê-la, você se encontra no meio de uma conspiração sobre vendas ilícitas e um quartel gigante de sua vila. É nessa premissa que Palm Sugar: A Village Story desenvolve seu enredo.

Apesar de, em seu princípio, o jogo se mostrar como uma história de amor, as situações dos personagens evoluem para acontecimentos que podem chocar o jogador através da violência e das reviravoltas trazidas na metade final da trama. E é nesse cenário que o roteiro começa a sabotar boa parte da experiência.

Palm Sugar: A Village Story
Seenu e Geetha (Imagem: Reprodução/PC/Bruno Josué)

Embora boa parte das ideias trazidas gerem situações interessantes, a rapidez com que a narrativa vai de um ponto a outro faz com que qualquer evento deixe de ser impactante. O jogo coloca suas cartas na mesa e não permite que o jogador, nem que os personagens de sua própria aventura, tenham tempo para reagir ao que foi estabelecido.

Parece haver uma necessidade constante de introduzir coisas novas na trama. Tanto é que, no fim do jogo, o roteiro coloca duas reviravoltas a respeito do mesmo assunto, uma em seguida da outra, com pouco contexto. Isso faz com que o jogador fique se perguntando se perdeu algum diálogo no meio da gameplay.

Também sinto que o roteiro não soube o que quis ser. A primeira metade da trama gira em torno de Seenu e suas tentativas de conquistar Geetha. Já na segunda metade essa premissa é abandonada para a intriga com o quartel ser apresentada de repente.

Palm Sugar: A Village Story
A história de Palm Sugar, de repente, vira uma batalha contra chefes de quartel (Imagem: Reprodução/PC/Bruno Josué)

Junto com isso, o protagonista também se quebra em dois personagens diferentes no meio da história. Ver alguém que antes era bobo e ingênuo, com medo até de conversar com a garota que gosta, de repente virar um assassino que consegue derrubar uma operação clandestina inteira sozinho é difícil de acreditar.

Não há cenas que mostrem algum tipo de evolução, treinamento ou reviravolta que justifique a transformação de Seenu. E pior, não há qualquer consequência para isso. Nenhum diálogo, nem impacto na trama.

Enquanto o mundo de Palm Sugar traz espaço demais para pouco conteúdo, seu enredo traz conteúdo demais para pouco tempo, mostrando que seu escopo reduzido não se mostra só em aspectos isolados de sua experiência.

Uma gameplay simples e funcional

Se tem algo que vale a pena elogiar em Palm Sugar: A Village Story é sua gameplay. Diferente de boa parte da indústria que mira, cada vez mais, em sistemas maiores e mais complexos, a Mono Tusk trouxe uma experiência similar a que vimos no primeiro The Legend of Zelda, de NES.

Aqui tudo é bastante básico: o jogador pode andar, rolar e bater, ou atirar dependendo da arma que Seenu tem em mãos. A variedade de ataques não é muito grande, apresentando apenas três tipos diferentes que o protagonista pode realizar. Ainda assim, há movimentos inusitados, como atrair uma vaca atirando capim, fazendo ela atropelar inimigos pelo caminho. Porém, como o jogo não é extenso, o jogador provavelmente conseguirá testar todos eles, sem que a variedade limitada os torne repetitivos.

O combate é um pouco travado para os padrões de hoje, mas ainda se mostra divertido. Cada arma traz pontos fortes e fracos que poderão mudar completamente a forma como os inimigos podem ser abordados. Os jogadores podem, por exemplo, usar um pedaço de madeira, conseguindo bater nos oponentes com bastante velocidade, mas causando o mínimo de dano, ou usar um machado, que causa um dano enorme, mas é extremamente lento.

Palm Sugar: A Village Story
Armas disponíveis em Palm Sugar: A Village Story (Imagem: Reprodução/PC/Bruno Josué)

Outro aspecto positivo é que os capítulos são rápidos e fáceis de entender, já que o jogo não enrola muito entre uma sessão de combate e outra. Boa parte da experiência se resume a andar até a próxima luta. Isso parece ruim, mas como o combate é, na minha opinião, a melhor parte do jogo, não acaba se tornando um problema.

Com tudo isso, Palm Sugar entrega, no meio de um mundo com escopo um pouco inconsistente com o que consegue entregar, uma gameplay funcional, que consegue sustentar a experiência durante toda a duração da campanha.

Problemas técnicos: a maior pedra no sapato de Palm Sugar

Infelizmente, é impossível analisar Palm Sugar sem passar por seus problemas técnicos. Antes de qualquer coisa, é importante dizer que minha review foi feita com base em uma versão de acesso antecipado na Steam. O jogo final pode, ou não, ser corrigido.

Em minhas sessões, enfrentei diversos bugs ao longo do caminho que afetaram diretamente minha experiência. Problemas no HUD são extremamente recorrentes. É bastante comum ver pedaços da interface desaparecendo e voltando.

Palm Sugar: A Village Story
A interface de usuário nem sempre funciona como deveria. Nesse exemplo, um dos quatro corações sumiu do HUD… (Imagem: Reprodução/PC/Bruno Josué)

Outro problema é que certas cenas do jogo, como uma sequência envolvendo Dhananjay durante sua missão, estão quebradas e podem travar completamente o jogo ao serem acionadas. Alguns objetivos de missão também parecem mal desenvolvidos e podem causar soft lock no jogador.

Também há diversos locais no mapa onde o jogador consegue atravessar e chegar no limbo do jogo, sem nenhuma restrição ou parede invisível. O túnel à direita dos trilhos do trem, por exemplo, é completamente aberto e pode ser ultrapassado sem dificuldades. Em certas situações, o jogador terminará no limbo do jogo ao passar por ele.

Palm Sugar: A Village Story
É extremamente fácil parar no limbo de Palm Sugar (Imagem: Reprodução/PC/Bruno Josué)

Por último, sofri uma incompatibilidade com o meu controle DualSense. O jogo parecia não ler ângulos do analógico que não fossem as quatro direções base, além de alguns comandos deixarem de funcionar de vez em quando. Por causa disso tive que jogar no teclado.

É triste ter que jogar Palm Sugar nesse estado, já que os problemas não se resumem a itens sumindo ou texturas esquisitas, mas chegam até a obrigar o jogador a reiniciar seu jogo em certas circunstâncias, ou, no caso do controle, alterar a forma como ele irá jogar.

Vale a pena comprar Palm Sugar: A Village Story?

Palm Sugar: A Village Story é um jogo que apresenta boas ideias, mas que acaba limitado pelo próprio escopo. A Mono Tusk Studios conseguiu criar uma experiência com identidade própria e uma gameplay simples, mas divertida, enquanto falha em aproveitar todo o potencial de seu mundo e de sua narrativa.

O problema é que, além dessas limitações, a versão testada apresentou problemas técnicos, capazes de interromper o progresso e prejudicar diretamente a experiência do jogador. Mesmo considerando que parte deles possa ser corrigida até o lançamento, é difícil ignorar o estado atual do jogo.

Isso não significa que Palm Sugar seja uma experiência ruim. Pelo contrário: sua proposta simples funciona justamente quando o jogo deixa de tentar ser maior do que consegue. O combate é divertido, a ambientação possui personalidade e a cultura Telugu apresentada pela Mono Tusk dá ao título uma identidade que dificilmente seria encontrada em uma aventura genérica inspirada em Zelda.

Porém, essas qualidades acabam escondidas por um mundo pouco aproveitado, uma narrativa que não consegue desenvolver suas próprias ideias e problemas técnicos que não deveriam estar presentes em uma experiência próxima de seu lançamento.

Por fim, vale destacar o trabalho de localização de Palm Sugar. O jogo conta com interface e textos em inglês, além de dublagem em hindi e Telugu, enquanto o português brasileiro está disponível nos textos. É uma adição importante para aproximar a experiência de jogadores de diferentes regiões e, especialmente no caso do Telugu, reforça a proposta da Mono Tusk de apresentar sua própria cultura através do videogame.

Palm Sugar: A Village Story tem potencial para ser uma estreia interessante da Mono Tusk Studios, mas, no estado atual, é difícil recomendá-lo. Caso a desenvolvedora consiga corrigir seus problemas técnicos e aprimorar alguns dos aspectos mais frágeis de sua experiência, seu jogo poderá encontrar seu espaço entre as aventuras independentes inspiradas nos clássicos. Até lá, porém, vale esperar.

Palm Sugar: A Village Story estreia nesta quarta-feira, 12 de agosto, para PC, via Steam e GOG.com.

*Review elaborada utilizando a versão de PC, com código fornecido pela 1312 Interactive.

Palm Sugar: A Village Story

BRL 26,75
6

História

6.0/10

Gráficos e Sons

5.5/10

Gameplay

7.0/10

Extras

5.5/10

Prós

  • Gameplay simples e divertida
  • Boa identidade cultural
  • Textos em português brasileiro

Contras

  • Mundo pouco aproveitado
  • Narrativa apressada e inconsistente
  • Problemas técnicos graves

Bruno Josué

Bruno Josué, ou God_BrunoBH, como é conhecido em suas redes sociais, é amante de jogos desde pequeno. Gosta de jogos que rendem histórias emocionantes, mundos cativantes e discussões mais longas do que deveriam. Quando não está escrevendo análises até altas horas da noite, está atrás de alguma platina em seu PlayStation 5, ou tentando explicar aos outros como uma simples música de menu ou atividade secundária o deixou emocionado. Até o momento, ninguém conseguiu convencê-lo de que isso não pode ser considerado um belíssimo trabalho.