Mistfall Hunter | Review
Mistfall Hunter foi anunciado na Xbox Partner Preview de 2024, prometendo ser um ARPG (Action Role-Playing Game) de extração em terceira pessoa. Usando a temática de mundo pós-Ragnarok, o jogo coloca o jogador na pele de um Gyldhunter, um guerreiro ressuscitado que entra nas regiões contaminadas para recuperar Gyldenblod, o sangue dourado dos deuses.
Depois de passar por alguns testes beta, em 29 de julho de 2026, Mistfall Hunter foi, enfim, lançado para PlayStation 5, Xbox Series X|S e PC. E então? Será que a espera pelo primeiro game da Bellring Games valeu a pena? Ou será que essa é apenas mais uma experiência de extração em meio a tantas outras no mercado? Vem comigo e eu te explico tudo em mais uma review aqui no Pizza Fria!
Entre uma incursão e outra, Mistfall Hunter tenta mostrar seu potencial
Como um título de extração, Mistfall Hunter pega boa parte da base já criada no gênero para construir suas partidas. Nelas, o jogador poderá escolher entre diversas tarefas, como saquear baús, concluir as missões da campanha, além de iniciar outros tipos de desafios pelo mapa, tudo isso enquanto lida com eventuais encontros com outros combatentes.
As primeiras missões apresentadas ao jogador podem se tornar um pouco repetitivas com o tempo, visto que boa parte das partidas irá se resumir em entrar, saquear locais, enfrentar alguns inimigos e sair. Essa pouca variação acaba trazendo um certo desânimo ao iniciar novas tentativas, visto que pouco muda. Os mapas permanecem iguais e os monstros comuns se repetem de uma sessão para outra, muitas vezes até mesmo nos mesmos espaços.
O segundo mundo do jogo até tenta diferenciar as coisas, apresentando uma forma diferente de extração, onde o jogador precisa de um item específico para extrair, além de mudar o sistema de névoa “venenosa” que ativa após um tempo de partida. Mas, mesmo nele, a estrutura não se altera de forma significativa entre uma tentativa e outra.
Para amenizar essa repetição, Mistfall Hunter traz desafios um pouco mais avançados, como os chefes e o Mist Lord da área (um oponente super poderoso que eventualmente aparece nas partidas). Eles, por sua vez, criam confrontos um pouco mais interessantes e trazem uma pegada bastante parecida com soulslike.
Enquanto inimigos comuns são pouco complicados, com golpes previsíveis e vida baixa, os chefes são seres maiores, com mais variedade de ataques e mais vida. Isso fará com que os Gyldhunters que entrem nesses locais prestem mais atenção aos padrões de ataque, além de evitar golpear em momentos inapropriados, visto que um movimento feito no tempo errado pode levar a uma grande perda de vida.
Falando em modo trio, Mistfall Hunter traz dois modos de pareamento em suas partidas: solo e trio. Enquanto jogar sozinho pode ser mais desafiador, visto que os jogadores terão menos auxílio em lutas contra oponentes, jogar em equipe pode ser difícil para alguns devido à necessidade de jogar com pessoas aleatórias. Jogar dessa forma pode colocar o jogador em um time sem sinergia, aumentando os riscos de morte e perda de equipamento.
Um dos pontos mais fracos do game em seu lançamento, inclusive, era a falta de um modo solo no segundo mapa. Apesar de a Bellring já ter prometido um modo solo para ele, eu não pude testá-lo antes de escrever para afirmar se funciona.

No mundo dos Gyldhunters, cada incursão coloca sua sobrevivência à prova
Um dos elementos cruciais de games de extração é o risco de perder os recursos obtidos durante uma partida caso o jogador não consiga sair dela com vida. Apesar de alguns títulos variarem nesse quesito, a regra geralmente continua a mesma: se morrer, perde tudo o que está no inventário.
Mistfall Hunter não foge dessa estrutura. Os caçadores entram nas partidas, exploram o mundo atrás de recursos para melhorar seu personagem e o acampamento, mas só podem resgatar os itens se conseguirem sair do mapa sem morrer.
O fato de, no segundo mapa, os jogadores precisarem de um item específico para extrair adiciona uma camada extra de tensão ao que já é uma escolha difícil. E, por causa disso, torna a decisão entre continuar explorando ou procurar uma saída ainda mais importante.
Felizmente, na minha opinião, a Bellring Games equilibrou muito bem esse sistema. O jogo é, de fato, bastante punitivo com mortes. O jogador não deve se apegar muito aos seus itens, já que uma única falha pode fazê-lo perder tudo. Mas algo que deve ser elogiado é que o sistema que os desenvolvedores implementaram evita que os caçadores desistam de retomar sua jornada ao morrer.
Para começar, sempre que morrer, o game oferecerá ao jogador derrotado um pacote com todos os seus itens em troca de sangue áureo (a moeda principal de Mistfall Hunter). Como esses equipamentos ficam disponíveis em leilão através de outros combatentes, os personagens de classes compatíveis podem comprá-los e usá-los sem problemas.
Além disso, o jogador também pode resgatar diversas ferramentas, como bolsas com pacotes de equipamentos prontos e até um equipamento básico gratuito. Isso evita que uma única partida ruim seja capaz de arruinar toda a jornada do jogador.
Apesar disso, não pense que o título não impõe punições contra mortes. Obviamente, se o personagem não tiver sangue áureo para comprar seu equipamento de volta, ele deverá se contentar com equipamento básico gratuito fornecido pelo game. Além de ser mais fraco, ele não é aceito em todos os mapas.
Com esse sistema, o game incentiva a exploração constante, desbloqueando novos mapas conforme o jogador coleta armamentos mais poderosos. Ele também pune quem acumula derrotas, sem transformar uma sequência ruim em um bloqueio completo para continuar jogando.
Entre um monstro e outro, um caçador sempre pode estar esperando na próxima esquina
Um dos sistemas que eu mais estava querendo ver funcionando em Mistfall Hunter era seu PvP. Combinar aspectos de jogabilidade PvE com PvP não é algo fácil de se fazer até para empresas gigantes da indústria. E, mesmo assim, a Bellring Games se dispôs a criar uma experiência que precisa equilibrar essas duas formas de combate dentro das mesmas partidas.
Ao explorar os dois mundos de Mistfall Hunter, os jogadores poderão se deparar uns com os outros, em qualquer modo e dificuldade. A partir desse ponto, cabe aos combatentes decidirem se querem se enfrentar ou se preferem correr um do outro.

Vale ressaltar que, enquanto as mortes causadas por monstros oferecem uma chance de retorno ao jogador, mortes por outros Gyldhunters finalizam a partida na hora, o que ocasiona a perda dos equipamentos. Isso foi uma das decisões mais interessantes, na minha opinião. Decidir enfrentar jogadores pode trazer recompensas muito boas se o outro estiver carregando bons equipamentos, mas qualquer erro pequeno pode encerrar a partida em poucos instantes.
As classes também cumprem um papel crucial na gameplay de combate. Ao combater as criaturas comuns dos mundos, não sinto que cada classe desempenhe um papel tão importante, pelos motivos apontados acima nessa review. Porém, ao se encontrar com caçadores, essa regra muda completamente.
Cada jogador pode escolher uma classe ao iniciar o game e cada uma delas tem vantagens e desvantagens. A Sombrastrix, por exemplo, é ótima em furtividade e permite que o jogador fique invisível para qualquer inimigo no cenário, apesar de ser mais fraca em combate físico que outras. Essa diferença também se manifesta nas demais classes do título, fazendo com que o jogador precise considerar suas estratégias de combate para não perder seus equipamentos para um rival.

As batalhas em si também são divertidas. Vários dos sistemas de Mistfall Hunter, como esquiva, ataques especiais e consumíveis mostram sua importância nesses momentos, justamente porque enfrentar bons jogadores exige domínio dessas ferramentas. Aqueles que são mais experientes certamente terão mais facilidade para derrotar os novatos, mas, em minhas sessões de gameplay, isso não impediu que eu adaptasse minhas estratégias para tentar superá-los.
Porém, ainda há problemas a serem resolvidos. É muito comum encontrar caçadores se mantendo próximos aos pontos de spawn para atacar jogadores que acabaram de entrar na partida e ainda nem tiveram tempo de se preparar. Alguns problemas com lag também afetaram minha experiência, mas isso foi bastante melhorado conforme atualizações foram sendo lançadas.
Por último, acho um erro colocar animações tão longas para algumas ações do personagem. Esperar vários segundos para abrir uma porta, um baú ou até mesmo invocar o sino de extração se torna não apenas tedioso com o tempo, mas extremamente irritante quando há um monstro ou outro jogador por perto.
No fim, Mistfall Hunter consegue construir confrontos de PvP interessantes, principalmente quando suas diferentes classes e o risco de perder equipamentos entram em jogo. A estrutura ainda possui problemas, mas as atualizações frequentes da Bellring Games mostram que o estúdio continua trabalhando para aprimorá-la.
Um grande mundo com uma narrativa rasa e repetitiva
Um dos elementos que Mistfall Hunter trouxe para tornar as partidas mais atraentes, principalmente para aqueles que gostam de seguir uma linha reta de progressão, foram as missões de jornada. Essas tarefas são dadas ao jogador por diversos NPCs no acampamento, pedindo que o caçador explore locais específicos, derrote inimigos e realize outras atividades.
Algo bastante interessante é que todas elas aprofundam, cada vez mais, o mundo e as histórias de cada personagem. Essa não é uma narrativa densa e cheia de complexidades, visto que ela é contada através de poucos diálogos. Eles, por sua vez, têm como objetivo principal apenas entregar a informação de forma clara ao caçador. Mas, ainda assim, algumas delas são intrigantes o suficiente para interessar os jogadores.
Porém, esse interesse cai por terra ao perceber que todas as missões seguem estruturas praticamente idênticas. Basicamente, Mistfall Hunter tem algumas poucas variações delas: exploração de ambiente, abate de inimigos e saque de baús. E todas elas seguem exatamente esse mesmo padrão. É bastante comum receber um pedido para investigar um local e, ao chegar lá, se deparar com uma mesa aleatória, sem nada ao redor, apenas para dar a sensação de objetivo.
Esse fator enfraquece bastante a experiência de progressão da narrativa, visto que não há sentido em fazer essas tarefas, do ponto de vista do enredo. Elas não acrescentam em muita coisa no gameplay base do título e parecem estar ali apenas para dar volume.
As missões aleatórias que surgem ao explorar os mundos também não fogem desse padrão e, em sua maioria, são extremamente parecidas. Essas ainda se agravam, já que se repetem entre uma sessão e outra.
Eu entendo que criar motivos para o jogador explorar o universo do game é algo interessante e pode incentivá-lo a descobrir mais sobre seus personagens. Porém, fazer isso de forma tão rasa não só deixa de ajudar, como atrapalha a própria experiência oferecida aqui.
Uma progressão confusa, mas agradável
Seguindo a inspiração do gênero souls-like aplicada em sua gameplay de combate, a progressão de Mistfall Hunter também apresenta algumas características que remetem a esses jogos. Para começar, ao derrotar jogadores e inimigos, os caçadores poderão receber a moeda base do game, chamada de sangue áureo. Com ela, cada Gyldhunter poderá fortalecer seu personagem através de compras de equipamento na loja, de melhorias na forja e de ofertas do leilão.
Além disso, os oponentes também podem deixar armaduras e armas mais fortes caírem de seus corpos ao serem derrotados, o que, por si só, já oferece uma progressão natural ao jogador que explora os mundos e enfrenta seus inimigos.
Por último, monstros, caçadores e baús também podem conter diversos itens de melhoria de acampamento, forja ou usos diversos no jogo. E aqui mora um problema que me incomodou durante as minhas jogatinas: Mistfall Hunter contém muitos itens diferentes que, no fim, servem para a mesma coisa.
Ao longo das partidas, o jogador frequentemente se verá coletando diversos utensílios sem saber exatamente para que servem, descobrindo sua finalidade apenas depois de algum tempo. Dessa forma, a Bellring Games implementou uma camada de complexidade desnecessária na experiência. Porém, como um game live service, esse é um aspecto que pode ser aprimorado nos próximos patches, visto que a desenvolvedora já prometeu balanceamentos nesse tipo de aspecto.
Evoluir o acampamento também traz diversas vantagens ao jogador. Melhorar lojas fará com que elas ofereçam itens e serviços aprimorados. Além disso, o jogador também pode melhorar outras estruturas, permitindo guardar mais itens, aumentar a taxa de recuperação de seu item de cura e ganhar sangue áureo passivamente.

Um ponto positivo é que os itens de construção do acampamento podem ser adquiridos diretamente no leilão, o que pode ser uma alternativa para aqueles que não querem passar horas explorando os mundos ou para quem está com problemas em encontrá-los. Obviamente, itens mais raros são ofertados com preços mais altos, então o jogador deve levar em consideração se vale a pena pagar por um objeto que pode encontrar na próxima partida.
Apesar dessa quantidade de sistemas tornar a progressão um pouco confusa no início, ela funciona bem como incentivo para continuar explorando. Sempre existe algum equipamento para melhorar, alguma estrutura do acampamento para evoluir ou algum recurso que pode ser vendido por sangue áureo. Isso faz com que mesmo uma incursão que termine em derrota possa deixar algum tipo de progresso para as próximas partidas.
Aspectos técnicos, bugs e monetização
Navegar pelos menus, principalmente usando um controle, é tedioso devido à lentidão do cursor e ao tempo necessário para que algumas informações sejam carregadas na tela. Além disso, há muitos menus e sub-menus desnecessários. Por exemplo, não entendo a necessidade de um menu dedicado às missões de temporada quando o próprio menu de tarefas do jogo base já possui uma seção para isso.
A seção de inventário também pode ficar bastante confusa após algum tempo, tanto pela forma de organização quanto pela quantidade de itens obtidos nas partidas. Não demora muito até o jogador se encontrar procurando por alguns segundos um item específico no armazém.

Felizmente, nas minhas sessões de gameplay, não encontrei muitos bugs que atrapalhassem minha experiência. O único erro que realmente me incomodou foi um travamento completo que ocorreu enquanto eu estava dentro de uma partida, além de uma sessão onde eu aparecei embaixo da terra, forçando uma reinicialização do jogo, mas esses problemas aconteceram apenas uma única vez durante meus testes.
A monetização, por sua vez, não chegou a me incomodar durante minhas sessões. Apesar de conter itens pagos dentro de Mistfall Hunter, até o momento de publicação dessa review, eles são puramente cosméticos, além de que alguns deles nem aparecem para outros jogadores (consulte a página do item para verificar essa informação).
No geral, Mistfall Hunter apresenta um bom nível de polimento em sua estrutura, mas ainda possui alguns problemas que impedem sua experiência de alcançar todo o potencial apresentado pela Bellring Games.
Vale a pena jogar Mistfall Hunter?
Mistfall Hunter é uma experiência que consegue encontrar seus melhores momentos justamente quando coloca seus jogadores uns contra os outros. A mistura entre o combate de suas classes, o risco de perder equipamentos e a possibilidade de encontrar outros caçadores durante uma incursão cria situações capazes de tornar cada partida imprevisível. Porém, quando deixa esse conflito de lado, o jogo nem sempre consegue sustentar o mesmo nível de interesse.
Suas missões principais e sua fórmula de incursão baseada em entrar, pegar loot e sair podem se tornar tediosas com o tempo, fazendo com que os jogadores repitam sessões bastante parecidas por longos períodos para aprimorar seus personagens.
A progressão, apesar de conter elementos confusos, como a quantidade exagerada de itens, funciona bem e cria bons motivos para continuar explorando. Também gosto da forma como o acampamento e o leilão se comportam entre uma partida e outra, fazendo com que até mesmo algumas derrotas possam resultar em algum tipo de avanço.
Vale destacar que, mesmo que o game não contenha dublagem em português, todos os textos e menus estão completamente localizados em português brasileiro.
No fim, Mistfall Hunter é um ARPG de extração que entrega uma experiência bastante satisfatória para um primeiro lançamento da Bellring Games. Apesar de ainda apresentar problemas de repetição, narrativa e interface, sua mistura de PvP, progressão e combate consegue sustentar uma experiência interessante, principalmente para quem está disposto a se aprofundar em sua proposta.
Por isso, ele é uma boa porta de entrada para os novatos e uma alternativa interessante para veteranos do gênero de extração, especialmente pelo preço reduzido em seu lançamento.
Mistfall Hunter estreou no dia 29 de julho de 2026 para PC via Steam, PlayStation 5 e Xbox Series X/S.
*Review elaborada utilizando a versão de PS5, com código fornecido pela Skystone Games.



