Resonance: A Plague Tale Legacy | Review
Quando A Plague Tale: Requiem chegou ao fim, em 2022, a sensação que ficou foi de encerramento. A jornada de Amicia e Hugo havia alcançado um ponto tão definitivo que imaginar uma continuação direta parecia difícil, mas isso não significava necessariamente que o universo criado pela Asobo Studio não tivesse mais histórias para contar. Quatro anos depois, a desenvolvedora francesa retorna à franquia com Resonance: A Plague Tale Legacy, uma aventura situada 15 anos antes dos acontecimentos de Requiem e protagonizada por um rosto conhecido dos fãs: Sophia. Só que, desta vez, não estamos diante de uma simples variação do que já vimos nos dois primeiros jogos.
Quando tive a oportunidade de jogar cerca de duas horas de Resonance em junho, passando pelos capítulos 5 e 6, uma coisa já havia ficado bastante clara: a Asobo estava promovendo uma transformação considerável na fórmula da franquia. Depois de finalizar a campanha em pouco mais de 13 horas, posso dizer que aquela impressão estava correta. O combate ganhou uma importância muito maior, a exploração foi ampliada e a aventura frequentemente lembra nomes como Tomb Raider e Uncharted. Minha maior dúvida, porém, era outra: essa nova proposta realmente precisava carregar o nome A Plague Tale? A resposta demorou algumas horas para aparecer, mas veio. E eu te conto tudo agora, em mais uma review do Pizza Fria!
Uma nova protagonista, uma nova história
Resonance: A Plague Tale Legacy acompanha Sophia muitos anos antes de ela conhecer Amicia e Hugo. Ainda jovem e longe de se tornar a experiente capitã apresentada em Requiem, ela carrega consigo dúvidas sobre seu passado e é atormentada por visões que parecem estar ligadas a algo muito maior.
Depois de um acontecimento em Veneza terminar de uma forma nada agradável, Sophia parte acompanhada de sua companheira Leni em direção à misteriosa Ilha do Minotauro, um lugar praticamente esquecido e que sequer aparece nos mapas convencionais. É lá que ela espera encontrar respostas sobre sua origem, embora, como é de se imaginar em um A Plague Tale, as coisas sejam muito mais complicadas do que parecem inicialmente.
A campanha também retorna à infância de Sophia e apresenta acontecimentos importantes para compreendermos quem é a personagem e por que ela se encontra naquela situação. Aos poucos, a Asobo conecta essas lembranças, as visões e os mistérios da ilha, enquanto introduz elementos relacionados à civilização minoica e à figura de Teseu.

Não entrarei em detalhes porque boa parte da força narrativa de Resonance depende justamente dessas descobertas. Há revelações que mudam consideravelmente a nossa interpretação sobre determinados acontecimentos dos jogos anteriores e, principalmente, sobre a própria natureza daquilo que acompanhamos ao longo da franquia. Ainda assim, preciso admitir que demorei para me envolver com a história.
Amicia e Hugo formavam o coração dos dois primeiros jogos. Independentemente das mecânicas de furtividade, dos ratos ou dos elementos sobrenaturais, acompanhar a relação entre os irmãos era o que fez aquela jornada funcionar tão bem emocionalmente. Em Resonance, a história de Sophia não alcançou esse mesmo nível para mim, especialmente nas primeiras horas.
Também passei boa parte da campanha questionando a escolha dela como protagonista. Eu conhecia a personagem, gostava de sua participação em Requiem, mas não tinha certeza se havia ali material suficiente para justificar um jogo inteiro focado em seu passado. Felizmente, essa percepção mudou.

O último terço da aventura começa a juntar peças que pareciam desconectadas e oferece um contexto muito maior para a existência de Resonance. Sem entregar absolutamente nada do que acontece, o desfecho não apenas justificou para mim a escolha de Sophia como protagonista, como também deixou mais clara a importância desta história dentro do universo de A Plague Tale.
Ainda prefiro a intensidade emocional de Requiem. A relação de Amicia e Hugo me impactou mais e considero aquela jornada mais forte nesse aspecto. Isso, porém, não significa que a narrativa de Resonance seja fraca. Pelo contrário: ela cresce bastante com o passar das horas e termina de maneira muito bem amarrada. E, talvez mais importante, abre possibilidades interessantes para o futuro da franquia.
Não é o A Plague Tale que você conhecia
Se existe um elemento que imediatamente diferencia Resonance dos dois jogos anteriores, é o combate. Sophia não é Amicia. Ela sabe lutar, e muito bem. Espadas, esquivas, aparos, chutes, ataques carregados e golpes especiais fazem parte de um sistema de combate muito mais direto e agressivo. Os confrontos são rápidos e, em muitos momentos, bastante brutais. Sangue não é exatamente algo raro, inimigos podem ser eliminados de maneiras violentas e algumas animações deixam claro que a Asobo não teve muita preocupação em suavizar aquilo que acontece na tela.

O combate é responsivo, satisfatório e oferece ferramentas suficientes para que os confrontos não se resumam a apertar repetidamente o mesmo botão. É possível aproveitar o ambiente, lançar inimigos contra outros adversários, derrubá-los de determinadas áreas e combinar diferentes habilidades adquiridas durante a campanha.
Ao mesmo tempo, não considero que Resonance esteja reinventando o gênero. Praticamente todas essas mecânicas já apareceram, de uma forma ou de outra, em outros jogos de ação e aventura. O mérito da Asobo está muito mais na execução do que em apresentar algo completamente novo. O combate funciona porque seus elementos conversam bem entre si e porque Sophia responde rapidamente aos comandos.
A progressão também ganhou bastante importância. Mais ao explorar os cenários do que em superar determinados desafios, encontramos Pontos de Ressonância utilizados para desbloquear habilidades. Os custos aumentam progressivamente e cada conjunto também possui suas respectivas maestrias, fazendo com que seja necessário decidir onde investir primeiro.

As habilidades são bastante voltadas ao combate. Algumas ampliam as possibilidades de movimentação durante os confrontos, enquanto outras oferecem novos recursos ofensivos ou maneiras diferentes de lidar com grupos de inimigos.
Há ainda diferentes tipos de amuletos espalhados pelos cenários, normalmente associados à exploração e a áreas opcionais escondidas por quebra-cabeças. Eles não funcionam simplesmente como equipamentos que aumentam o dano de Sophia, mas oferecem benefícios específicos, como vantagens após determinados ataques ou condições particulares durante um confronto.
Não estamos diante de um RPG de ação, e Resonance nunca tenta ser um. A progressão serve para expandir aquilo que Sophia já consegue fazer, sem transformar a campanha em uma busca constante por números maiores ou equipamentos melhores.

Nem tudo se resolve na espada
Apesar da importância muito maior dada ao combate, seria injusto resumir Resonance a isso. Uma característica que me agradou bastante ao longo da campanha foi justamente a variedade entre seus capítulos. Existem momentos em que praticamente tudo gira em torno dos confrontos, enquanto outros são completamente focados em exploração, narrativa, furtividade ou resolução de quebra-cabeças. Essa mudança constante de ritmo faz muito bem ao jogo.
Sophia é bastante ágil, consegue correr, se agachar e utilizar um gancho para acessar determinadas áreas ou superar partes de plataforma. A exploração continua bastante linear, como já é característico da franquia, mas existem desvios e áreas opcionais que recompensam quem decide observar melhor o ambiente.
Os quebra-cabeças também ocupam uma parcela significativa da campanha. Um dos principais elementos é uma esfera minoica capaz de interagir com a luz, usada em diferentes mecanismos espalhados pela ilha. Em outros momentos, é necessário manipular objetos, encontrar posições corretas ou compreender como diferentes elementos do cenário interagem entre si.

Na preview, alguns desses puzzles me pareceram inicialmente mais complicados do que deveriam, principalmente porque comecei diretamente pelo quinto capítulo. Jogando desde o início, com as mecânicas sendo apresentadas gradualmente, a progressão fez muito mais sentido.
Não há aqui nenhum conceito revolucionário e jogadores acostumados com aventuras como Tomb Raider provavelmente reconhecerão várias das ideias utilizadas pela Asobo. Inclusive, existe até uma brincadeira envolvendo saqueadores de tumbas durante a campanha que dificilmente parece acidental. Mas, novamente, funciona. E esse talvez seja um dos melhores resumos de Resonance: ele não precisa reinventar cada uma de suas mecânicas porque quase tudo que utiliza é muito bem executado.
Outro ponto positivo é que o jogo continua apresentando inimigos, situações e variações das próprias mecânicas mesmo nas horas finais. Isso evita que a campanha entre naquele momento em que simplesmente repetimos tudo que já aprendemos até os créditos aparecerem.

Um espetáculo audiovisual
Se existe algo em que tive poucas dúvidas desde os primeiros minutos, é sobre a qualidade visual. Resonance: A Plague Tale Legacy é simplesmente um jogo muito bonito. A Asobo sempre demonstrou competência técnica com a franquia, mas aqui temos provavelmente o trabalho mais bem feito do estúdio até agora. Cenários extremamente detalhados, iluminação, texturas, animações e modelos de personagens colaboram para criar uma apresentação visual excelente.
As expressões faciais merecem destaque. Pequenas movimentações, respiração e reações durante diálogos ajudam bastante a transmitir emoção, especialmente nas sequências mais próximas dos personagens.
A própria variedade dos ambientes contribui para isso. A ilha permite que a equipe de arte trabalhe com cenários muito diferentes daqueles apresentados na França dos jogos anteriores, enquanto os elementos relacionados à civilização minoica criam alguns dos locais mais interessantes da campanha.

No PC, minha experiência também foi excelente. Jogando em 4K, com as configurações no Ultra, DLSS em Automático e geração de quadros ativada, também em automático, registrei momentos acima dos 200 FPS. Naturalmente, o uso de Frame Generation precisa ser considerado ao observar esse número, mas isso não muda o fato de que a experiência foi extremamente fluida durante praticamente toda a campanha.
Foi uma diferença considerável em relação à experiência que tive anos atrás com A Plague Tale: Requiem, principalmente porque desempenho era justamente um dos pontos que mais me incomodaram naquele lançamento. Aqui, tecnicamente, tenho muito pouco do que reclamar.
Uma trilha sonora digna de A Plague Tale
Se os gráficos impressionam, a trilha sonora não fica atrás. Olivier Derivière retorna depois de trabalhar em Innocence e Requiem, mas a mudança de localização e temática permitiu que o compositor construísse uma identidade musical própria para Resonance.

Há uma influência mediterrânea muito mais evidente, acompanhando a ambientação e a relação com a civilização minoica. A produção utiliza diferentes instrumentos e vozes para criar músicas que parecem pertencer àquele universo, mas ainda carregam elementos que imediatamente remetem à identidade sonora da franquia. E o resultado é excelente.
Há momentos em que a trilha apenas acompanha discretamente a exploração e outros em que assume protagonismo, aumentando significativamente a tensão ou o peso emocional de determinada sequência. É um daqueles trabalhos que não funciona apenas como música de fundo, mas como parte importante da construção da atmosfera.
Considerando o nível alcançado pelos dois jogos anteriores, manter essa qualidade não era uma tarefa simples. Ainda assim, Resonance consegue construir sua própria identidade sem abandonar aquilo que já reconhecemos como parte de A Plague Tale.

Uma aventura para diferentes jogadores
Também vale destacar que Resonance oferece cinco níveis de dificuldade: Narrativa, Facil, Normal, Difícil e Pesadelo.
Joguei toda a campanha no Normal e considero que existe um equilíbrio adequado entre exploração e desafio nos confrontos. Quem quiser apenas acompanhar a história, porém, pode optar pelo modo Narrativa, que reduz consideravelmente a exigência durante as batalhas e automatiza ações como esquiva e aparo, restando ao jogador somente atacar.
No extremo oposto, Difícil e Pesadelo aumentam a agressividade e resistência dos inimigos, oferecendo uma experiência mais exigente para quem pretende aproveitar ao máximo o novo sistema de combate. O importante é que a dificuldade pode ser alterada durante a campanha sem qualquer tipo de punição, permitindo que cada jogador ajuste a experiência de acordo com aquilo que procura.

Afinal, ainda é A Plague Tale?
Essa foi a pergunta que me acompanhou durante boa parte da campanha. Se Resonance: A Plague Tale Legacy tivesse outro nome, provavelmente seria muito fácil enxergá-lo simplesmente como uma excelente aventura de ação. O problema, ou talvez o desafio, é que estamos falando de uma franquia que construiu uma identidade extremamente particular ao longo de dois jogos.
A Plague Tale era Amicia, Hugo, furtividade, fragilidade e a constante sensação de que qualquer confronto poderia terminar de maneira desastrosa. Sophia é literalmente o contrário disso. Ela enfrenta grupos de inimigos, domina uma espada e consegue transformar situações que antes representariam uma ameaça praticamente impossível em verdadeiras sequências de ação. Durante várias horas, fiquei com a sensação de que a Asobo talvez tivesse ido longe demais.
Só que Resonance eventualmente mostra que conhece muito bem o universo ao qual pertence. Existe uma razão para estarmos acompanhando Sophia. Existe uma razão para conhecermos aquela ilha. E existe uma razão para determinados acontecimentos serem apresentados naquele momento da cronologia.

Mais do que preencher uma lacuna do passado, o jogo amplia nossa compreensão de elementos centrais da franquia e deixa claro que a história que conhecemos através de Amicia e Hugo representa apenas uma parte de algo muito maior. Foi justamente isso que eliminou minhas principais dúvidas sobre a existência deste jogo.
Vale a pena comprar Resonance: A Plague Tale Legacy?
Resonance: A Plague Tale Legacy é uma excelente aventura e uma mudança bastante corajosa para uma franquia que poderia simplesmente repetir a fórmula que já funcionou duas vezes. Não considero sua história tão emocionalmente intensa quanto a de A Plague Tale: Requiem, e Sophia demorou algumas horas para me convencer como protagonista. Amicia e Hugo continuam sendo personagens mais marcantes para mim e a relação construída entre os dois permanece como um dos pontos mais fortes da série.
Mas isso não diminui o que a Asobo conseguiu realizar aqui. Resonance apresenta um combate extremamente satisfatório, boa variedade entre seus capítulos, puzzles que funcionam dentro da proposta, exploração interessante e uma produção audiovisual incrível. Sua trilha sonora está entre os grandes destaques da aventura e, tecnicamente, a experiência que tive no PC foi praticamente impecável.
Mais importante, porém, é que sua narrativa consegue justificar a própria existência. Aquilo que inicialmente poderia parecer apenas um spin-off protagonizado por uma personagem conhecida ganha importância conforme a campanha avança. Quando os créditos apareceram, muitas das dúvidas que tive durante as primeiras horas haviam sido respondidas, e fiquei bastante curioso para descobrir qual será o próximo passo da franquia. Talvez esse seja o maior mérito de Resonance.
Depois de um jogo tão conclusivo quanto Requiem, eu não sabia exatamente para onde A Plague Tale poderia ir. Agora, sei que ainda existem histórias a serem contadas nesse universo. Elas apenas não precisam ser exatamente como as anteriores.
Resonance: A Plague Tale Legacy será lançado em 27 de agosto de 2026 para PlayStation 5, Xbox Series X|S e PC, via Steam e Epic Games Store, além de chegar no primeiro dia ao Xbox Game Pass.
*Review elaborada em um PC equipado com GeForce RTX, com código fornecido pela Focus Entertainment.
Resonance: A Plague Tale Legacy
BRL 179,99Prós
- Combate visceral, fluido e muito satisfatório
- Apresentação gráfica excepcional
- Trilha sonora entre os grandes destaques
- Boa variedade entre combate, exploração, puzzles e furtividade
- Narrativa cresce bastante e justifica a escolha de Sophia
Contras
- A história de Sophia não alcança a mesma força emocional de Amicia e Hugo
- Algumas mecânicas seguem caminhos bastante conhecidos de outros jogos de ação e aventura
- A narrativa demora um pouco para mostrar a real importância desta história para A Plague Tale




