Ghost of Yōtei: Echoes of Sekigahara | Review

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Ghost of Yōtei, tranquilamente, foi um dos meus jogos favoritos em 2025. Bonito, envolvente, amplo e aprimorando tudo o que tínhamos em Ghost of Tsushima, que já era incrível, chegou ainda melhor. A expansão Echoes of Sekigahara foi lançada recentemente, me levando de volta ao mundo de Atsu, uma personagem cheia de nuances e detalhes que dificilmente aparecem em outros jogos. Essa continuação do jogo, que não é bem uma continuação, se encaixa no meio da campanha original, trazendo parte do passado de Atsu. O ponto de partida é uma recompensa aparentemente comum: Nagato, um ronin errante que tem fama de ser bonitão. No entanto, Atsu conhece a figura e vai entender o que se passa.

Nagato fez parte da vida de Atsu durante a famosa Batalha de Sekigahara, ocorrida três anos antes dos acontecimentos de Ghost of Yōtei, e esse reencontro abre espaço para explorar mais a intimidade da personagem. A expansão combina presente e flashbacks enquanto apresenta uma nova região, Sopés de Ashoro, uma facção tentando ocupar o espaço deixado pela morte do Cobra e cerca de sete a oito horas de conteúdo para quem pretende explorar tudo com muita calma.

A expansão também traz o modo Mais Procurados, que é completamente separado da narrativa, abandonando exploração e furtividade para concentrar tudo no excelente sistema de combate da Sucker Punch. São duas propostas bastante diferentes, mas que possuem algo em comum: ambas entendem muito bem quais elementos fizeram Ghost of Yōtei funcionar. Mas será que realmente valem nosso dinheirinho para adquirir a Complete Edition, ou é conteúdo mais do mesmo? Abordarei todos esses detalhes nesta análise. Vamos lá!

A Batalha de Sekigahara

Se a história de Ghost of Yōtei é totalmente fictícia, não podemos dizer isso sobre sua expansão. Afinal, a Batalha de Sekigahara realmente aconteceu. Travada em 21 de outubro de 1600, foi um dos confrontos mais decisivos da história do Japão, colocando as forças de Tokugawa Ieyasu, que liderava o chamado Exército Oriental, e uma coalizão de adversários reunida no Exército Ocidental sob forte influência de Ishida Mitsunari em combate. O conflito ocorreu em meio à disputa pelo poder que se intensificou após a morte de Toyotomi Hideyoshi, quando diferentes daimyō passaram a competir pelo controle político do país.

A batalha envolveu dezenas de milhares de soldados e terminou com a vitória de Tokugawa, favorecida também por deserções e mudanças de lado durante o confronto. A vitória em Sekigahara abriu caminho para que Tokugawa consolidasse sua autoridade sobre grande parte do Japão. Em 1603, ele recebeu o título de xogum e estabeleceu o Xogunato Tokugawa, que governaria o país por mais de 250 anos, até a Restauração Meiji no século XIX. A ideia dos desenvolvedores de pegarem esse momento impar da história japonesa foi bem interessante, trazendo mais da cultura deste povo para o jogo.

Ghost of Yotei Echoes of Sekigahara review análise
A Batalha de Sekigahara é um marco na história japonesa. (Imagem: Reprodução)

O que se passa no jogo

Para acessar a expansão, é necessário já ter avançado uma parte considerável na história principal e derrotado alguns integrantes dos Seis de Yōtei. É então que surge a recompensa “Nagato, o Belo” no mapa. O alvo leva Atsu até os Sopés de Ashoro, uma nova área tomada por conflitos e pelas consequências da ausência do Cobra. A princípio, parece apenas mais uma caçada, mas a coisa vai muito mais além. Ao contrário do que Atsu comenta ao pegar o contrato, Nagato significa muito mais para ela.

Os dois lutaram juntos na Batalha de Sekigahara e compartilharam uma relação que ultrapassava o companheirismo militar. Pequenos flashbacks jogáveis mostram esse passado curioso, revelando gradualmente o que existiu entre eles e por que seguiram caminhos diferentes. Gostei muito de como a Sucker Punch utiliza Nagato não apenas para contar algo que aconteceu antes de Ghost of Yōtei, mas também para confrontar a Atsu atual, que segue direta, agressiva e pragmática.

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Atsu reencontra uma pessoa do seu passado. (Imagem: Reprodução)

Já Nagato funciona de outra forma. Ele possui uma personalidade muito mais provocadora, capaz de desafiar essa postura e trazer para a superfície sentimentos que Atsu normalmente prefere esconder. A química entre os dois funciona muito bem. Há certa tensão, humor e ressentimento em proporções suficientes para que as longas conversas durante viagens e escaladas não pareçam simplesmente uma maneira de preencher espaço entre combates. A conexão é interessante e consegue desdobrar ainda mais detalhes de Atsu, algo que a Sucker Punch fez muito bem e segue fazendo com a expansão.

No entanto, é interessante a ideia de colocar essa novidade no meio do jogo. Tudo acontece através de flashbacks, que são essenciais para que essa relação dos dois funcione. A expansão não despeja uma enorme sequência de diálogos explicando tudo o que aconteceu três anos atrás. Ela nos deixa experimentar determinados momentos da relação entre os dois. Sekigahara deixa de ser apenas um acontecimento histórico citado em conversa e ganha peso pessoal para Atsu. A narrativa até tem momentos previsíveis, mas o mérito está mesmo na forma como ela é executada. Atsu não se reinventa, mas demonstra coisas que não foram abordadas antes.

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A protagonista até ri nos momentos junto de Nagato, o Belo. (Imagem: Reprodução)

Os sopés de Ashoro

A nova região trazida em Ghost of Yōtei: Echoes of Sekigahara não causa imediatamente o mesmo impacto visual de algumas áreas mais exuberantes do jogo original. Logo ao adentrar Ashoro, percebemos um lugar carrega marcas da violência da guerra. É um território dominado por bandidos, grupos armados e pessoas abandonadas à própria sorte. Quanto mais explorei, entretanto, mais a velha magia visual da série começou a aparecer. A maneira como Ghost of Yōtei utiliza cores continua impressionante. Folhas são arrastadas pelo vento, campos mudam completamente de aparência dependendo da luz e montanhas aparecem no horizonte criando uma escala enorme para o cenário.

Há momentos em que simplesmente parei para observar. Aliás, Ghost of Yōtei é um jogo extremamente contemplativo. Paisagens, haikus, sons da natureza, tudo isso é incrível. Isso inclusive continua sendo um dos maiores elogios que posso fazer à direção de arte da Sucker Punch, que é incrível. Em termos puramente técnicos, existem jogos extremamente impressionantes no PlayStation 5. O diferencial de Ghost of Yōtei está em utilizar tecnologia para construir imagens que parecem cuidadosamente compostas. A influência cinematográfica de Akira Kurosawa segue clara, mas a identidade visual da série já vai muito além de simplesmente imitar filmes de samurai.

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Momentos contemplativos são explorados no início da expansão, que conta com uma música linda. (Imagem: Reprodução)

Os sopés de Ashoro também contam com as atividades secundárias já conhecidas do jogo base. Encontrei altares, santuários Inari, partidas de Zeni Hajiki, acampamentos e outras distrações espalhadas pelo mapa. Em estrutura, muita coisa segue exatamente aquilo que já existia no jogo principal. Isso pode dar uma sensação de checklist para quem já esgotou dezenas de horas de Ghost of Yōtei. Ainda assim, algumas histórias secundárias conseguem justificar bem a exploração, sobretudo pela narrativa própria da região, que é focada em reconstrução.

Aqui, não estou simplesmente eliminando grupos de bandidos porque um marcador apareceu no mapa. Existe uma sensação de que aquelas pessoas foram abandonadas por seus líderes depois dos conflitos e precisam encontrar alguma forma de recuperar sua comunidade. Não considero esse conteúdo secundário altamente revolucionário, mas ele está bem integrado ao contexto da região. Ao contrário de missões genéricas, podemos viver a nova região, e isso é mais do que o suficiente para me fazer explorar cada canto do mapa.

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O sonho de Nagato era ser um grande samurai. (Imagem: Reprodução)

Armas enormes são simples, mas adicionam uma camada extra ao combate

A principal novidade trazida em Ghost of Yōtei: Echoes of Sekigahara, está no arsenal de Atsu: são as armas enormes. Determinados inimigos deixam cair armas muito maiores que o equipamento convencional, e também encontrei algumas delas em suportes espalhados pelas arenas, nos dando um pouco mais de opção na hora do combate. No entanto, elas são descartáveis, tal como as armas que apareciam caídas no jogo base, servindo para jogar nos inimigos. Elas não fazem uma revolução no jogo, mas são extremamente divertidas.

Pegar um enorme machado ou porrete e acertar um inimigo chato completamente protegido produz um impacto delicioso. Esses equipamentos ignoram parte daquela elegância normalmente associada aos duelos e substituem tudo por pura força bruta. Em muitos momentos, isso é exatamente o que quero. O peso do impacto da pancada está muito bem representado e utilizar essas armas contra grupos maiores cria pequenos momentos de caos dentro de um combate normalmente baseado em precisão. Gostei!

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Essas armas são bem apelativas, mas duram pouco. (Imagem: Reprodução)

Modo Mais Procurado traz rejogabilidade divertida e outras surpresas

Se a campanha de Ghost of Yōtei: Echoes of Sekigahara representa o lado narrativo do pacote, Mais Procurado é o lugar onde a Sucker Punch vai direto ao ponto, eliminando tudo que não seja combate. O modo funciona como uma experiência single-player com elementos roguelike. Existem seis recompensas inspiradas nos Seis de Yōtei e, para chegar ao alvo principal, é preciso sobreviver a diferentes ondas de inimigos e minibosses. Não há exploração, furtividade elaborada, cavalgadas, diálogos. Nada. É só lutar e lutar.

No começo achei a quantidade de inimigos até um pouco exagerada. Mas logo percebi que a gente precisa usar para além de nossas próprias armas, aproveitando assim todo nosso arsenal. As bombas de fumaça passam a servir como ferramenta essencial para controlar grupos, armas arremessadas ajudam a criar espaço entre o caos e por aí vai. Temos que usar praticamente tudo para sobreviver. Foi nesse modo que percebi o quanto eu ainda ignorava certas possibilidades do combate original.

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Com Jin Sakai de volta, tive um lapso de nostalgia bem gostoso. (Imagem: Reprodução)

Durante uma partida, posso escolher algumas vantagens temporárias entre diferentes opções aleatórias. Parte delas simplesmente adicionam armas que aquele personagem normalmente não possui, enquanto outras alteram bastante como monto minha estratégia. É possível aplicar veneno, incendiar adversários depois de determinados ataques ou gerar explosões quando inimigos morrem. Com isso, não basta apenas dominar as armas; é preciso dominar o combate do jogo em si e todas as ferramentas a nosso favor. Por isso, criar uma build que se encaixe ao seu estilo é essencial.

Um retorno memorável e outros personagens

O modo Mais Procurado conseguiu me surpreender positivamente em um detalhe, trazendo de volta a vida Jin Sakai, protagonista de Ghost of Tsushima, com seu estilo de jogabilidade totalmente mantido. Ou seja, ele não foi simplesmente adaptado para jogar exatamente como Atsu, mantendo todos os elementos de seu sistema original. Suas posturas continuam sendo utilizadas para enfrentar tipos diferentes de inimigos e sua movimentação entre formas deixa seu estilo imediatamente reconhecível para quem jogou Tsushima.

Além de Sakai, temos também mais três personagens disponíveis. A protagonista, Atsu possui, entre outras ferramentas, suas duas katanas, arco e pistola de uso rápido. Já Oyuki utiliza kusarigama, mosquete e kunai. Por fim, Nagato chega com seu próprio conjunto. Isso é particularmente interessante porque Mais Procurado joga determinados inimigos contra personagens que talvez não tenham a resposta “ideal” disponível imediatamente, algo que me obrigou em alguns momentos a improvisar e contar com toda a técnica de batalha que eu tinha (e não era muita).

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Nesse modo, escolhemos quem queremos caçar de acordo com o nível de ameaça. (Imagem: Reprodução)

Personagens, lugares conhecidos e alguns problemas

O Mais Procurado reutiliza vários locais existentes do mundo aberto. Além disso, os chefes também vêm da campanha. Portanto, não espere seis arenas completamente novas e uma coleção inédita de adversários. Agora, uma área que anteriormente servia como acampamento ou cenário de missão agora é uma arena fechada onde preciso sobreviver a diferentes ondas. Os chefes conhecidos ganham outro peso quando chegam no final de uma tentativa e qualquer erro pode apagar todo o progresso daquele momento. Não é conteúdo completamente novo, mas reutilizado e reorganizado ao redor de outra ideia de jogatina, funcionando muito bem.

Embora o modo seja muito bom, ele acaba expondo uma limitação do combate. Quando existem muitos adversários simultaneamente na tela, a escolha automática de alvos pode se confundir. Eu mesmo fiquei totalmente perdido em alguns momentos. Como o jogo não depende obrigatoriamente de um lock-on tradicional, Atsu normalmente direciona golpes para o inimigo mais próximo ou para aquele que está sendo encarado. Na maior parte do tempo funciona, mas no meio de uma multidão, nem sempre.

Ghost of Yotei Echoes of Sekigahara review análise
As batalhas são bem diferentes se compararmos campanha e Mais Procurado. Inclusive, no novo modo, temos escolha de qualidade de imagem e até mesmo de frames com as opções de 40 e 30 FPS. (Imagem: Reprodução)

Aconteceu de um parry perfeito abrir uma oportunidade clara contra determinado inimigo e meu ataque seguinte ser direcionado para outro que estava próximo, tirando toda minha vantagem. Em uma luta comum do modo história, isso é apenas inconveniente. Depois de uma longa partida, enfrentando um chefe acompanhado por outros inimigos, pode custar tudo, algo que me deixou bem frustrado. Felizmente, isso não acontece com frequência suficiente para arruinar o modo, mas é um problema que pode surgir com as ondas exageradas de inimigos.

Vale a pena jogar Ghost of Yōtei: Echoes of Sekigahara?

Ghost of Yōtei: Echoes of Sekigahara é exatamente o tipo de expansão que me dá uma boa desculpa para voltar a um jogo que já havia colocado de lado depois de muitas horas. Eu já queria voltar, e esse foi o motivo perfeito. A nova história não tenta superar ou substituir a campanha principal, mas acaba fazendo parte dela, trazendo Atsu por um outro ângulo. Nagato funciona muito bem como contraponto para sua personalidade e os flashbacks da Batalha de Sekigahara revelam uma parte mais vulnerável da protagonista sem transformá-la em outra pessoa.

Os sopés de Ashoro também funcionam como uma excelente nova região, embora não cause imediatamente o mesmo impacto de algumas das paisagens mais exuberantes do jogo base, mas eventualmente entrega exatamente aquele tipo de cenário que me fazia parar durante Ghost of Yōtei apenas para observar o horizonte e tirar mil screenshots. A narrativa poderia ser melhor, menos previsível e com mais emoções por parte da protagonista, mas não foi. Nem por isso o conjunto da expansão é ruim.

O modo Mais Procurado praticamente justifica sozinho uma parte boa do pacote. O combate de Ghost of Yōtei sempre foi excelente, e retirar todas as distrações para colocá-lo sob pressão revela ainda mais suas qualidades. Escolher vantagens, adaptar equipamentos e sobreviver às ondas cria um ciclo viciante. Além disso, a volta de Jin Sakai fecha tudo com chave de ouro. Aliás, é algo único para quem é fã do primeiro título. Seu sistema de posturas, movimentos e ferramentas preserva parte da identidade de Ghost of Tsushima e faz com que controlá-lo realmente me faça ter boas memórias com o primeiro jogo.

Para quem já tem o jogo, é possível comprar a expansão, que reúne uma nova região, uma campanha que pode chegar às oito horas considerando exploração e atividades, missões secundárias e um modo de combate com bastante potencial de rejogabilidade. Não é uma expansão absurdamente transformadora nos moldes daqueles DLCs que praticamente criam um jogo novo dentro do original, mas dá uma sobrevida bem-vinda a Ghost of Yōtei.

Concluindo, considero Echoes of Sekigahara uma ótima expansão porque conhece perfeitamente suas forças. Ela acrescenta contexto à história de Atsu, entrega mais algumas das paisagens mais bonitas desta geração e encontra em Mais Procurado uma maneira excelente de reaproveitar um sistema de combate que ainda tinha muito a oferecer. É mais Ghost of Yōtei. Mas, desta vez, olhando para aquilo que Atsu deixou no passado enquanto me lembrava, espada em mãos, de por que eu gostava tanto de estar nesse mundo feito com tanto cuidado pela Sucker Punch.

*Review elaborada em um PlayStation 5, com código fornecido pela Sony.

Ghost of Yōtei: Echoes of Sekigahara

BRL 399,00
9

História

8.0/10

Jogabilidade

9.8/10

Gráficos e sons

9.8/10

Modo Mais Procurado

8.4/10

Prós

  • A relação entre Atsu e Nagato funciona muito bem e não é genérica, trazendo novas questões da protagonista
  • Flashbacks da Batalha de Sekigahara acrescentam contexto importante ao passado da protagonista
  • Combate continua excelente e extremamente satisfatório
  • O modo Mais Procurado aproveita muito bem a profundidade do sistema de combate
  • Retorno de Jin Sakai no modo Mais Procuradorespeita as mecânicas de Ghost of Tsushima

Contras

  • História principal tem momentos bem previsíveis
  • Seleção automática de alvos sofre quando existem muitos inimigos na tela

Álvaro Saluan

Completamente apaixonado por videogames, escreve e pesquisa sobre o tema há uns bons anos. Vê os jogos para além do entretenimento, considerando todo o processo como uma grande e diversificada arte. Vai dos jogos de esporte aos RPGs tranquilamente, admirando cada experiência. Seu maior ídolo dos jogos é Hideo Kojima.