FINAL FANTASY RESONANCE | Review
Cristais ameaçados, monstros que surgem aleatoriamente pelo caminho, combates por turnos e uma jornada que começa com dois jovens cavaleiros tentando salvar seu reino. FINAL FANTASY RESONANCE reúne vários elementos que marcaram os primeiros jogos da franquia, agora apresentados com gráficos HD-2D pela primeira vez na série, e algumas mecânicas que tornam a experiência bastante interessante.
Desenvolvido pela Square Enix em parceria com a LANCARSE, o RPG revisita o primeiro arco de FINAL FANTASY BRAVE EXVIUS, lançado originalmente para dispositivos móveis e já descontinuado. A proposta é reconstruir a aventura de Rain, Lasswell e Fina para consoles e computadores, preservando suas principais características e adaptando a jogabilidade para quem gosta dos RPGs tradicionais da série.
Confesso que nunca joguei BRAVE EXVIUS, então cheguei a RESONANCE sem conhecer sua história ou seus personagens. Depois de muitas horas explorando esse mundo, enfrentando chefes e encontrando figuras conhecidas de outros FINAL FANTASY, fiquei especialmente satisfeito com o resultado. O sistema de combate tem ótimas ideias, a apresentação visual é muito bonita e a narrativa acabou me surpreendendo pela atenção dedicada ao desenvolvimento dos personagens. Vem saber todos os detalhes em mais uma review antecipada do Pizza Fria!
Uma nova aventura começa com os cristais de Grandshelt
FINAL FANTASY RESONANCE começa no reino de Grandshelt, onde acompanhamos Rain e Lasswell, dois cavaleiros que cresceram juntos e possuem uma relação muito próxima. Durante uma missão para investigar acontecimentos estranhos envolvendo o Cristal da Terra, os protagonistas encontram Veritas of the Dark, um misterioso guerreiro de armadura negra que representa uma ameaça muito maior do que poderiam imaginar.
O vilão pertence aos Sworn Six of Paladia, um grupo de guerreiros extremamente poderosos que pretende destruir os cristais responsáveis pelo equilíbrio do mundo. Diante dessa ameaça, Rain e Lasswell partem em uma jornada para impedir a destruição dos demais cristais e descobrir as verdadeiras intenções de seus adversários.
Durante os acontecimentos iniciais, a dupla também conhece Fina, uma jovem misteriosa que passa a acompanhá-los. Sua presença desperta diversas perguntas e acaba tendo uma importância considerável para o desenvolvimento da história.

Quem acompanha FINAL FANTASY há bastante tempo provavelmente reconhecerá vários elementos dessa premissa. A proteção dos cristais sempre teve um papel importante na franquia, assim como a presença de guerreiros misteriosos, reinos ameaçados e personagens cujos destinos acabam se cruzando.
RESONANCE aproveita essa familiaridade para construir uma aventura que cresce bastante conforme avançamos. O que começa com a ameaça aos cristais se transforma em uma trama envolvendo acontecimentos do passado, conflitos familiares, decisões difíceis e personagens que precisam lidar com as consequências de suas próprias escolhas.
Os personagens são a melhor parte dessa história
Uma das coisas que mais gostei em FINAL FANTASY RESONANCE foi a maneira como a narrativa desenvolve seus personagens. Existe tempo para conhecer suas motivações, acompanhar suas dificuldades e entender como os acontecimentos da jornada afetam o relacionamento entre eles.

Rain e Lasswell recebem bastante atenção, principalmente pelo vínculo que compartilham desde a infância. Essa relação ganha novas perspectivas conforme descobrimos detalhes de suas histórias, enquanto Fina também passa por um desenvolvimento importante ao longo da campanha.
Entretanto, a narrativa consegue trabalhar bem os personagens que encontramos posteriormente. Lid, Nichol, Jake e Sakura, por exemplo, possuem suas próprias motivações e conflitos, contribuindo para que o grupo tenha personalidades bastante distintas.
Gosto quando um RPG consegue fazer isso. Afinal, passamos dezenas de horas acompanhando esses personagens, então é natural que suas histórias tenham tanta importância quanto as batalhas que enfrentamos. Em RESONANCE, acabei me interessando genuinamente pelo destino de vários integrantes da equipe.

A narrativa também trabalha com temas como perdas, traições, responsabilidades e relações familiares. Algumas situações são especialmente interessantes pela maneira como os personagens precisam confrontar acontecimentos que prefeririam deixar para trás.
Outro aspecto que merece atenção é o desenvolvimento dos antagonistas. Embora os Sworn Six sejam inicialmente apresentados como inimigos perigosos, suas motivações recebem explicações conforme a campanha avança.
Sem entrar em spoilers, gostei bastante de descobrir o passado desses guerreiros e compreender as circunstâncias que influenciaram suas decisões. Isso acrescenta profundidade aos confrontos e faz com que alguns acontecimentos tenham um peso maior dentro da história.

O resultado é uma narrativa que consegue prender a atenção por muitas horas. As revelações são interessantes, os personagens evoluem de maneira convincente e o roteiro encontra espaço para desenvolver seus conflitos pessoais entre os acontecimentos grandiosos da aventura.
Os encontros aleatórios estão de volta, com direito a um pequeno aviso
FINAL FANTASY RESONANCE recupera uma característica bastante conhecida dos RPGs antigos: os encontros aleatórios.
Durante a exploração, a maioria dos inimigos comuns aparece por meio de batalhas que começam automaticamente, sem que os monstros estejam visíveis nos cenários. Alguns adversários especiais e chefes, entretanto, podem ser encontrados diretamente pelo caminho.

O jogo apresenta uma solução interessante para tornar esses encontros um pouco menos imprevisíveis.
Ao andar, o minimapa exibe um indicador que muda gradualmente de cor conforme nos aproximamos da próxima batalha. Inicialmente azul, ele passa para amarelo e finalmente fica vermelho, avisando que um grupo de monstros está prestes a aparecer.
Gostei dessa implementação, pois conseguimos ter uma ideia de quando enfrentaremos novos inimigos. Isso ajuda principalmente durante a exploração de cavernas e outras localidades em que precisamos percorrer caminhos maiores.

Ainda assim, a frequência das batalhas pode se tornar cansativa em determinados momentos.
Os inimigos comuns nem sempre são derrotados rapidamente, principalmente quando ainda estamos desenvolvendo nossas habilidades ou encontramos adversários com resistências específicas. Em algumas situações, precisamos dedicar um tempo considerável à evolução dos personagens para enfrentar desafios posteriores.
Felizmente, RESONANCE permite acelerar as animações dos confrontos, reduzindo parte do tempo gasto durante as sessões de evolução. Também existem três opções de dificuldade, permitindo ajustar o desafio de acordo com a experiência desejada.

Descobrir as fraquezas dos inimigos faz toda a diferença
O sistema de combate por turnos é um dos principais atrativos de FINAL FANTASY RESONANCE.
Durante as batalhas, uma linha do tempo apresenta a ordem em que aliados e adversários realizarão suas ações. Com essas informações, conseguimos planejar ataques, utilizar magias e organizar nossas habilidades considerando os próximos movimentos dos inimigos.
Além da tradicional barra de vida, os adversários possuem uma barra de resistência que pode ser reduzida ao explorarmos suas vulnerabilidades.

Quando essa resistência chega a zero, o inimigo entra em um estado chamado Stagger, ficando temporariamente vulnerável e permitindo que nossa equipe aproveite novas oportunidades de ataque.
A estratégia ganha outra dimensão quando conseguimos colocar todos os adversários nesse estado durante o mesmo turno. Nessas situações, podemos aproveitar uma sequência de ações adicionais e encerrar a ofensiva com um poderoso ataque das nossas Visions.
Essa mecânica muda bastante a maneira como enfrentamos os inimigos. Em vez de simplesmente escolher a habilidade que causa maior quantidade de dano, frequentemente precisamos descobrir quais ataques são mais eficientes para reduzir a resistência dos adversários.

Dependendo da formação inimiga, vale mais a pena preparar uma sequência de golpes que explore diferentes vulnerabilidades, criando uma oportunidade para causar uma quantidade muito maior de dano posteriormente.
Além disso, gostei especialmente da maneira como o sistema aproveita algumas características tradicionais da franquia.
Inimigos mortos-vivos, por exemplo, podem ser afetados por itens normalmente utilizados para recuperar a vida dos personagens, incluindo poções e Phoenix Downs. Já monstros conhecidos, como o Malboro, exigem atenção às suas vulnerabilidades elementares.

Esses detalhes tornam o combate bastante interessante para quem conhece a série, mas também funcionam como oportunidades de aprendizado para jogadores que estão descobrindo FINAL FANTASY pela primeira vez.
Os chefes aproveitam essas mecânicas de maneira ainda mais interessante. Alguns confrontos exigem que alternemos entre ataques físicos e mágicos, enquanto outros dependem de uma preparação adequada para explorar as fraquezas dos inimigos.
Gostei bastante dessas batalhas, principalmente da necessidade de adaptar minhas estratégias conforme encontrava adversários com características diferentes.

As Visions transformam personagens lendários em novas possibilidades de combate
A mecânica que mais diferencia FINAL FANTASY RESONANCE de outros RPGs tradicionais da franquia é o sistema de Visions.
Durante a aventura, encontramos cristais especiais que permitem entrar em contato com personagens lendários de diferentes jogos da série. Esses encontros apresentam histórias relacionadas aos personagens e possibilitam incorporar suas habilidades ao nosso repertório.
O game apresenta todos os protagonistas da história numerada de FINAL FANTASY, incluindo Shantotto de FINAL FANTASY XI e Y’shtola, de FINAL FANTASY XIV. Para quem acompanha a franquia, encontrar essas figuras conhecidas é bastante divertido. O jogo aproveita esses momentos para fazer homenagens aos títulos originais, apresentando referências às suas respectivas histórias.
Entretanto, existe um detalhe que merece atenção. Algumas dessas apresentações mencionam acontecimentos importantes dos jogos de origem, incluindo possíveis revelações que podem ser consideradas spoilers. Portanto, quem ainda pretende conhecer os títulos mais antigos deve ter isso em mente.
No entanto, o que realmente torna as Visions interessantes é a maneira como suas habilidades interferem na jogabilidade.
Cada Vision possui características próprias e pode ser desenvolvida por meio de um sistema de níveis de maestria. Conforme utilizamos seus poderes, desbloqueamos habilidades ativas, efeitos passivos e outras possibilidades de personalização.

Algumas dessas melhorias continuam disponíveis mesmo depois que substituímos a Vision equipada, permitindo combinar habilidades aprendidas com diferentes personagens.
Isso abre espaço para montar estratégias bastante variadas.
Podemos utilizar técnicas específicas de diferentes Visions ou concentrar nosso desenvolvimento em um conjunto de habilidades, considerando os limites de equipamentos e as necessidades de cada integrante da equipe.

O sistema também incentiva bastante a experimentação. Conforme alcançamos níveis elevados de maestria, passa a ser interessante experimentar outras Visions para aprender novas habilidades e ampliar as possibilidades dos personagens.
Durante minha aventura, gostei de testar diferentes combinações e descobrir quais habilidades funcionavam melhor em determinadas situações.
Essa liberdade acaba sendo especialmente interessante nos confrontos contra chefes. Como alguns adversários possuem resistências e padrões específicos, desenvolver Visions variadas facilita bastante a preparação da equipe.

E existe um prazer adicional em utilizar os poderes de personagens conhecidos da franquia, especialmente quando encontramos alguém de um FINAL FANTASY pelo qual temos bastante carinho.
Ninguém precisa ficar para trás na evolução da equipe
As batalhas permitem utilizar quatro personagens ativos, embora outros aliados sejam recrutados conforme a campanha avança.
Uma decisão que gostei bastante foi a possibilidade de continuar desenvolvendo os personagens que permanecem fora do grupo principal.

Mesmo sem participar diretamente dos combates, esses integrantes recebem experiência, evitando que fiquem atrás dos demais em termos de evolução.
O sistema também beneficia as Visions equipadas pelos personagens reservas, permitindo continuar desenvolvendo suas habilidades enquanto utilizamos outros integrantes nas batalhas.
Isso facilita bastante a experimentação com diferentes formações. Podemos substituir membros da equipe de acordo com as necessidades dos confrontos, sem precisar dedicar longas sessões exclusivamente à recuperação dos níveis dos personagens que ficaram de fora.

Considerando a quantidade de habilidades disponíveis e as possibilidades oferecidas pelas Visions, esse cuidado com a evolução do grupo acaba sendo bastante útil durante a campanha.
Cavernas perigosas, Colosseum e alguns reencontros inesperados
A campanha principal oferece bastante conteúdo, mas FINAL FANTASY RESONANCE também apresenta diversas atividades opcionais para quem gosta de explorar.
Durante a jornada, encontramos cavernas, áreas secundárias e missões adicionais que oferecem recompensas e oportunidades para desenvolver os personagens.

Algumas cavernas escondem adversários especialmente poderosos, capazes de representar um desafio muito maior do que os inimigos tradicionais da campanha.
Esses encontros exigem uma preparação adequada e um bom conhecimento das mecânicas de combate. Dependendo do adversário, precisamos reorganizar nossas habilidades e explorar combinações específicas de Visions para conseguir vencer.
Também existe o Colosseum, uma arena onde podemos enfrentar diferentes monstros em busca de recompensas. É uma atividade interessante para quem deseja continuar aprimorando a equipe e testar suas estratégias fora dos desafios principais.

Entretanto, algumas das minhas surpresas favoritas aconteceram durante os encontros com personagens de outros jogos da franquia, quando um icônico antagonista deu suas caras como um chefe secreto. Foi bastante divertido, especialmente pela maneira como suas aparições são incorporadas ao sistema de Visions.
Esses encontros representam um incentivo adicional para explorar o mundo e descobrir quais outras figuras lendárias podemos encontrar durante a campanha.
O mapa ajuda bastante, mas também revela quase tudo
Embora tenha gostado da exploração, existe uma característica de FINAL FANTASY RESONANCE que pode incomodar quem prefere aventuras com maior liberdade.

O jogo indica claramente quais localidades precisamos visitar e com quais personagens devemos conversar para avançar na história.
Os marcadores no mapa tornam os objetivos fáceis de acompanhar, evitando aquelas situações em que passamos muito tempo tentando descobrir qual personagem possui a informação necessária para continuar.
Pessoalmente, gosto dessa praticidade. Entretanto, percebi que ela também acaba reduzindo parte da curiosidade que normalmente acompanha a exploração de RPGs mais antigos.

Em determinadas situações, a progressão segue uma estrutura bastante previsível. Visitamos uma localidade, conversamos com alguém, enfrentamos alguns inimigos, encontramos um objeto importante e seguimos para o próximo objetivo.
Como o jogo frequentemente indica o caminho correto, raramente precisamos investigar os cenários ou conversar com diferentes personagens para descobrir o que fazer.
Isso acaba limitando um pouco aquela sensação de encontrar alguma coisa inesperada simplesmente porque resolvemos explorar um lugar diferente.

Ainda existem cavernas opcionais, missões secundárias e Visions para descobrir, então há bons motivos para investigar o mundo além dos objetivos principais. Entretanto, quem gosta de descobrir sozinho os próximos passos da aventura pode considerar a exploração direcionada demais.
O charme do HD-2D combina perfeitamente com FINAL FANTASY
FINAL FANTASY RESONANCE é o primeiro jogo da franquia desenvolvido com a tecnologia HD-2D, que mistura personagens em pixel art com ambientes tridimensionais, iluminação moderna e efeitos visuais elaborados.
Quem já conhece essa proposta visual provavelmente sabe o que esperar, mas fiquei bastante satisfeito com o resultado. Os cenários são bonitos, apresentam uma boa variedade de ambientes e aproveitam muito bem os efeitos de iluminação para criar uma atmosfera que combina com o universo de FINAL FANTASY.

Cidades, cavernas, florestas e outras localidades possuem características próprias, enquanto os diferentes ângulos de câmera ajudam a valorizar determinados momentos da exploração e das sequências mais importantes da história.
A maneira como os sprites interagem com os elementos tridimensionais também funciona muito bem. A pixel art preserva a aparência dos RPGs antigos, mas a profundidade dos ambientes e os recursos de iluminação dão aos cenários uma apresentação bastante agradável.
Durante as batalhas, o jogo utiliza diversos efeitos para representar magias, habilidades especiais e ataques mais poderosos. Os personagens principais possuem animações específicas para suas ações, deixando os confrontos visualmente interessantes mesmo quando estamos repetindo habilidades conhecidas.

Entretanto, percebi uma diferença considerável entre o tratamento dedicado aos heróis e aos inimigos.
Enquanto os protagonistas executam golpes com animações próprias, muitos monstros permanecem praticamente parados durante os confrontos, apresentando apenas pequenos movimentos para simular sua respiração. Isso acaba criando um contraste com os efeitos das habilidades e com o restante da apresentação.
É uma limitação perceptível, embora tenha me incomodado pouco diante da qualidade visual do conjunto.
PC em 4K e Steam Deck com gráficos no máximo
Durante os testes, joguei FINAL FANTASY RESONANCE no PC e no Steam Deck. Nas duas plataformas, o desempenho foi excelente.
No computador, aproveitei a aventura em resolução 4K, com ótima fluidez, carregamentos rápidos e uma apresentação visual que valoriza bastante os cenários e os efeitos de iluminação. O estilo HD-2D fica especialmente bonito nessa resolução, principalmente nas localidades que utilizam diferentes fontes de luz e cenários com bastante profundidade.
No Steam Deck, utilizei a resolução máxima do aparelho e coloquei as configurações gráficas no máximo. Mesmo assim, o jogo apresentou um desempenho excelente durante meus testes, sem problemas que prejudicassem a experiência.
Fiquei bastante satisfeito com o resultado no portátil da Valve. RESONANCE combina muito bem com o formato do Steam Deck, tanto pela natureza dos combates por turnos quanto pela possibilidade de explorar o mundo e desenvolver os personagens em sessões mais curtas.
Considerando a qualidade visual e o desempenho que encontrei nas duas plataformas, a otimização foi um dos aspectos que mais me agradaram durante a análise.
Uma trilha sonora familiar e algumas escolhas curiosas na dublagem
A trilha sonora é outro elemento que merece elogios. FINAL FANTASY RESONANCE combina músicas herdadas de BRAVE EXVIUS com novas composições, acompanhando muito bem os diferentes momentos da aventura.
As músicas utilizadas durante a exploração ajudam a construir a identidade das localidades, enquanto os temas de batalha conseguem transmitir a intensidade dos confrontos, especialmente durante os encontros contra chefes importantes.
Também existem referências musicais que certamente serão reconhecidas pelos fãs da série, incluindo a tradicional de vitória que acompanha o encerramento dos combates.
Quanto à dublagem, optei pelas vozes em inglês e gostei das interpretações nas principais sequências da história. Os personagens possuem boas atuações e os diálogos mais importantes recebem um tratamento adequado.
Entretanto, grande parte das conversas com personagens secundários e das missões opcionais aparece exclusivamente em texto. Isso não chega a ser um problema para mim, mas é algo que merece ser mencionado, especialmente considerando a quantidade de diálogos presentes na aventura.
Também encontrei uma curiosidade durante os testes. Mesmo utilizando a dublagem inglesa, os ataques das Visions apresentaram vozes em japonês. Como tive acesso ao jogo antes do lançamento, não consigo afirmar se essa mistura de idiomas foi uma escolha intencional ou algo que poderá ser corrigido posteriormente.
A ausência de localização em português do Brasil também merece uma crítica. RESONANCE possui uma narrativa extensa, repleta de diálogos e informações importantes para compreender seus personagens. Uma tradução para nosso idioma tornaria a aventura muito mais acessível ao público brasileiro.
Vale a pena comprar FINAL FANTASY RESONANCE?
FINAL FANTASY RESONANCE foi uma surpresa bastante agradável. Esperava encontrar um RPG tradicional, com referências aos jogos antigos da franquia e um sistema de combate por turnos interessante. Felizmente, a aventura conseguiu me conquistar por outros motivos também.
A narrativa foi o principal deles.
Mesmo sem conhecer a história original de BRAVE EXVIUS, gostei de acompanhar Rain, Lasswell, Fina e os demais integrantes da equipe. Os conflitos entre os personagens, as revelações envolvendo suas famílias e o desenvolvimento das motivações dos antagonistas tornam a campanha bastante envolvente.
Também gostei muito do sistema de Visions. A possibilidade de utilizar habilidades de personagens lendários já seria interessante para qualquer fã da franquia, mas RESONANCE consegue incorporar essas participações a um sistema de desenvolvimento bastante flexível.
Experimentar diferentes combinações, descobrir vulnerabilidades e preparar a equipe para enfrentar chefes poderosos foi uma das partes mais divertidas da minha experiência.
Visualmente, o HD-2D combina muito bem com FINAL FANTASY. Os cenários são bonitos, os efeitos das habilidades valorizam os confrontos e o desempenho foi excelente tanto no PC, em 4K, quanto no Steam Deck, com as configurações gráficas no máximo.
Existem, naturalmente, alguns problemas. Os encontros aleatórios podem tornar a progressão repetitiva, especialmente quando precisamos evoluir os personagens. As animações dos inimigos são relativamente simples, enquanto a exploração excessivamente guiada reduz um pouco a sensação de descoberta.
Também considero lamentável a ausência de localização em português do Brasil, principalmente pela importância dos diálogos e pela quantidade de informações apresentadas durante a história.
Ainda assim, terminei minha experiência bastante satisfeito com o que encontrei. FINAL FANTASY RESONANCE possui bons personagens, combates que exigem planejamento e uma quantidade interessante de conteúdo para quem gosta de passar horas desenvolvendo sua equipe.
As referências aos títulos anteriores são especialmente divertidas, mas o jogo possui qualidades suficientes para agradar também a quem está conhecendo esse universo agora.
Se você sente falta dos RPGs de FINAL FANTASY construídos em torno de cristais, magias, habilidades e batalhas por turnos, RESONANCE merece sua atenção. E, mesmo que sua preferência esteja nos capítulos modernos da série, existe uma ótima aventura esperando por quem decidir conhecer Rain, Lasswell e Fina.
FINAL FANTASY RESONANCE tem o lançamento marcado para 22 de outubro de 2026 para Nintendo Switch 2, Nintendo Switch, PC, via Steam, PlayStation 5, Xbox Series X|S e Windows.
*Review elaborada no PC equipado com uma GeForce RTX e em um Steam Deck, com código fornecido pela Square Enix.
FINAL FANTASY RESONANCE
BRL 284,90Prós
- Narrativa envolvente, com personagens bem desenvolvidos e antagonistas interessantes.
- Sistema de Visions oferece muitas possibilidades de personalização.
- Direção artística HD-2D muito bonita.
- Combates estratégicos, especialmente durante os confrontos contra chefes.
- Excelente desempenho no PC e no Steam Deck.
Contras
- Encontros aleatórios e necessidade de evolução podem tornar alguns trechos repetitivos.
- Animações dos inimigos são bastante limitadas.
- Exploração muito direcionada diminui a sensação de descoberta.
- Ausência de localização em português do Brasil.
- Grande parte dos diálogos secundários não possui dublagem.




