EA SPORTS UFC 6 | Review

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Entrar no octógono em EA SPORTS UFC 6 é sempre uma experiência diferente, ainda que o jogo seja lançado de tempos em tempos, trazendo algumas mudanças interessantes e outras nem tanto. De toda forma, posso afirmar que esta é uma franquia que sempre teve um complexo equilíbrio. Calma, eu explico. De um lado, existe a eterna promessa de simular um esporte brutal, técnico e imprevisível. Já do outro, há a difícil tarefa de transformar esse esporte sangrento em um jogo acessível, responsivo e divertido para quem só quer jogar. Essa tensão acompanha a série há anos, e o novo jogo chega carregando justamente esse peso.

Depois de um intervalo considerável desde o capítulo anterior, a comunidade gamer espera grandes novidades. É claro, se tratando de um jogo nesse estilo, os jogadores querem boas novas, mas não necessariamente uma grande revolução. O esperado é, basicamente, algo que justificasse a sensação de nova geração dentro da própria franquia. Com isso, UFC 6 chega com mudanças no impacto dos golpes, novas camadas de apresentação, mais eventos narrativos, um sistema de Flow State, melhorias visuais e modos pensados tanto para novatos quanto para quem já conhece os atalhos doloridos da série.

Nesta análise, minha pergunta principal é: será que EA SPORTS UFC 6 realmente funciona como um jogo mais arcade ou um verdadeiro simulador de luta? Além disso, o que há de novo? Ele consegue ser mais do que uma versão polida da fórmula anterior? Pensando nisso e em várias outras coisas, passei minhas horas entre nocautes, quedas, barras de estamina, menus e alguns momentos em que eu realmente senti a pancada atravessar a tela. Sendo assim, confira todas as minhas impressões sobre o título da Electronic Arts disponível para PlayStation 5 e Xbox Series X|S!

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O octógono segue sendo visceral

Quando UFC 6 coloca dois lutadores frente a frente, é inegável a sensação de estar assistindo uma luta real, algo criado através de uma física interessante e excelentes gráficos. Nesta edição, a trocação de golpes está bem mais pesada, mais física e o melhor… mais convincente. Socos, chutes, joelhadas e cotoveladas carregam uma sensação de impacto que faz diferença, ainda que demorem a derrubar um oponente. Ou seja, não são só boas animações. A pancada parece impactar de verdade o rival.

O novo sistema de striking em tempo real ajuda muito nisso. Os combates não passam a impressão de serem sequências prontas, já decididas antes do contato. Posicionamento, distância, timing, movimentação de cabeça e escolha do golpe, tudo isso influencia bastante o resultado final de um soco ou até mesmo um combo. Quando eu acertei meu primeiro contra-ataque limpo depois de esquivar lindamente de um jab direto, a sensação foi ótima. Mas quando fui punido pela IA por insistir no mesmo movimento, também me pareceu muito justo e inteligente.

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Essa imprevisibilidade melhora muito na hora dos nocautes. Confesso que não senti que estava vendo a mesma queda repetida (minha ou do oponente… inicialmente mais do meu avatar do que do rival) com outra roupa. Cada nocaute traz consigo uma variação, um peso diferente, uma maneira própria de o corpo ceder. Em algumas vezes, o resultado é brutal, como uma boneca de pano caindo após ser apagada por uma muqueta bem dada. Mas em outras ocasiões chega a ser meio absurdo… talvez quase engraçado, como acontece em jogos com física mais solta. Mas, na maior parte do tempo, isso funciona bem.

O sistema de dano também teve alterações, ainda que não percebamos no início das lutas. Cortes, inchaços, sangue no rosto e marcas pelo corpo deixam a luta ainda mais dramática e visceral. Ver o rosto do adversário (ou o do seu avatar) se derretendo em sangue ao longo dos rounds cria uma leitura visual clara de domínio, cansaço e castigo acumulado, algo também mostrado por barras detalhadas. UFC 6 pode até exagerar um pouco vez ou outra, mas prefiro esse exagero a uma apresentação limpa demais para um esporte tão… sangrento.

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Grandes palcos das lutas estão presentes no UFC 6. (Imagem: Divulgação)

A estamina traz o realismo necessário, ainda que com alguns probleminhas

Mesmo com o striking mais gostoso, UFC 6 ainda traz consigo a polêmica barrinha de estamina. Entendo a importância dela, já que o jogo tenta simular esse esporte. Assim, MMA não é um jogo de apertar botão sem consequência. Quem solta golpes demais, erra muito ou força o ritmo tem que pagar o preço. Não estamos jogando Tekken, caras. No entanto, ainda me incomoda que, em algumas lutas, a energia parece cair rápido demais, quebrando o fluxo do combate. Ou seja, você precisa saber segurar bem para não chegar exausto no terceiro round.

Isso não destrói a experiência, mas pode trazer incômodos para jogadores menos habituados. Há momentos em que eu realmente queria manter a pressão, variar combinações e buscar o nocaute, mas o jogo me puxava de volta para uma administração burocrática da energia. Mas aceito pela proposta trazida. Em tese, isso é realista e, aceitem bem ou não, é algo necessário. Afinal, imagine só Anderson Silva com energia infinita dando pernada pra tudo que é lado?

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As lutas em pé são incríveis. (Imagem: Divulgação)

Porém, em UFC 6 senti uma certa quebra no ritmo das lutas, que vão ficando estranhas. Você tem um sistema de golpes bem mais fluido, físico e satisfatório, mas precisa lidar com essa limitação que nem sempre acompanha essa evolução. Quando tudo encaixa, a estamina torna o combate em uma experiência realmente tensa. Quando não encaixa, ela parece atrapalhar um pouco o ritmo da luta.

Flow State deixou um pouco a desejar e a luta no chão segue complexa

Uma das novidades mais interessantes de UFC 6 é, sem dúvidas, o Flow State. A ideia é dar mais identidade aos atletas, recompensando o jogador por lutar de acordo com as características reais de cada um. Um striker agressivo ganha embalo ao pressionar. Um contragolpe cresce quando espera o momento certo. Um lutador mais técnico pede outra leitura. A intenção é boa, claro. Mas o problema é que o sistema também acaba sendo um pouco… artificial. Em vez de reagir livremente ao que o adversário está fazendo, temos que ficar repetindo a tônica de cada lutador. Em alguns momentos, parece menos uma simulação orgânica de luta e mais uma mecânica de videogame tentando nos empurrar para um estilo específico.

Com isso, não acho totalmente que o Flow State estrague o jogo. Pelo contrário, ele traz personalidade e cria bons momentos de virada. Mas entendo os jogadores e jogadoras que olharem para isso e pensarem que a série se aproximou um pouco de um sistema arcade. Para mim, funciona mais do que atrapalha, mas não é uma adição invisível, sendo tranquilo de se perceber ao longo das partidas do UFC 6.

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Flow State traz mais pontos positivos do que negativos. (Imagem: Divulgação)

Se a luta em pé é acerta em cheio no UFC 6, o jogo de chão continua sendo um bocadinho frustrante. O grappling funciona, mas não empolga. Quedas, clinch, transições e finalizações seguem com um ritmo duro, travado e menos natural do que deveriam. Dá para aprender, dá para usar bem e dá para vencer lutas com isso, mas raramente é prazeroso. Esse é um problema técnico da franquia. O MMA é metade trocação, metade luta agarrada, e até hoje a EA não conseguiu fazer uma transição 100% fluida entre um e outro. A agarração vira um grande mini game entre dois lutadores ou lutadoras, e é isso.

Isso cria uma divisão muito clara entre os dois estilos de luta. Quando os atletas estão em pé, fico sempre atento, envolvido e empolgado. Quando ela vai para o chão, a energia muda totalmente. Não porque eu não goste de grappling no esporte real, algo que acho um saco, mas porque UFC 6 ainda não consegue transformar esse aspecto em algo tão bom quanto a boa e velha trocação.

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Os nocautes são surreais! (Imagem: Divulgação)

O modo carreira tem boas ideias, mas menus demais

O modo carreira do UFC 6 vem forte, com muitas novidades. Há mais eventos narrativos, interações por mensagens, gerenciamento de treino, controle de forma física, redes sociais e decisões que tentam vender a fantasia de uma carreira no MMA. No começo, isso funciona bem. Criar um lutador, treinar, subir no ranking, lidar com rivalidades e tentar construir popularidade tem seu charme.

O problema é a burocracia que existe através dos menus. Escolher opções, confirmar atividades, navegar por telas e repetir ciclos começa a ficar bem chato. O jogo tenta criar a sensação de bastidor, o que é interessante, mas esses excessos acabam sendo muito mecanizados. Em vez de eu sentir que estava vivendo uma carreira, às vezes parecia que estava otimizando uma planilha de treino e popularidade, só isso.

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A imersão dos eventos em UFC 6 é surreal. (Imagem: Divulgação)

Isso não acaba com a experiência, já que o modo carreira do UFC 6 traz bons conteúdos, progressão e momentos bacanas para quem curte o estilo brutal do esporte. Mas ainda carrega aquele problema comum de jogos esportivos modernos: muita promessa, mas escolhas igualmente rasas. Há mais texto, mais eventos e mais decisões, mas nem sempre mais impacto real. Isso fica um pouco pior na parte da customização, que traz poucas opções para criarmos nosso avatar. De toda forma, o modo carreira vale a pena, nem que seja para ir aprendendo um pouco sobre o MMA.

A parte audiovisual de UFC 6 impressiona

Na parte visual, confesso que EA SPORTS UFC 6 entrega alguns dos melhores momentos da franquia. Para se ter uma dimensão, minha companheira quando me viu jogando, achou que era uma luta real. Não é pra tanto, claro, mas é bom demais. Os lutadores têm pele, cabelo, expressões e movimentos mais convincentes. A iluminação do octógono, as entradas, os replays e os elementos de transmissão ajudam a criar uma atmosfera bem próxima de um evento real do UFC.

O detalhe que mais me chamou atenção foi a combinação da física entre movimentos e impactos. Alguns atletas realmente carregam trejeitos reconhecíveis como a forma de defender, de andar no octógono, dentre outros traquejos únicos de cada um. A forma como avançam, esperam, explodem ou pressionam ajuda a vender a identidade de cada lutador. Quando o UFC 6 acerta nessa grande representação, a imersão sobe bastante.

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A qualidade audiovisual é surreal. (Imagem: Divulgação)

Vale a pena jogar EA SPORTS UFC 6?

Para quem gosta de UFC, MMA ou jogos de luta esportiva, EA SPORTS UFC 6 vale a pena, obviamente. A experiência dentro do octógono é intensa, bonita e cheia de momentos únicos que só esse esporte consegue nos apresentar. Quando uma luta entra no ritmo certo, com trocação franca, esquivas precisas e um nocaute brutal no fim, o jogo entrega exatamente o que promete.

No entanto, para quem jogou muito o UFC 5, a resposta é um pouco mais complicada. Há melhorias claras, principalmente na luta em pé, na física e na apresentação. Mas algumas estruturas continuam ainda bem familiares. Sendo assim, se você esperava uma mudança completa, pode sair com a sensação de que a EA preferiu evoluir com segurança.

No meu caso, confesso que no início me frustrei, mas depois me diverti bastante. Só não consegui ignorar o quanto o jogo ainda poderia ser melhor se tratasse o chão, a carreira e a customização com a mesma ambição que colocou na pancadaria em pé, que é a grande delícia do UFC 6.

Concluindo, EA SPORTS UFC 6 é um jogo forte, pesado e divertido quando as lutas estão no octógono. A pancadaria é o grande destaque, com golpes impactantes, nocautes imprevisíveis e uma sensação física que coloca esta edição entre as melhores da franquia nesse aspecto. Visualmente, o jogo também impressiona em muitos momentos, especialmente na atmosfera de evento e na brutalidade das lutas. Porém, ainda existem pontos a serem melhorados como a luta no chão e o excesso de menus.

*Review elaborada em um PlayStation 5, com código fornecido pela Electronic Arts.

EA SPORTS UFC 6

R$ 349,00
8.2

Lutadores e licenciamento

9.2/10

Jogabilidade

7.8/10

Gráficos e sons

9.0/10

Extras

6.8/10

Prós

  • Trocação está mais pesada e satisfatória
  • Boa atmosfera dos eventos do UFC, bem como um grande número de lutadores e lutadoras
  • Visual impressiona em muitos momentos
  • Nocautes e física estão muito mais imprevisíveis

Contras

  • A parte da luta no chão segue sendo complicada e pouco fluida
  • Modo carreira ainda depende demais de menus, algo burocrático e que quebra o ritmo
  • Customização de lutador é limitada
  • Curva de aprendizado pode ser complexa para muitos jogadores

Álvaro Saluan

Completamente apaixonado por videogames, escreve e pesquisa sobre o tema há uns bons anos. Vê os jogos para além do entretenimento, considerando todo o processo como uma grande e diversificada arte. Vai dos jogos de esporte aos RPGs tranquilamente, admirando cada experiência. Seu maior ídolo dos jogos é Hideo Kojima.