Final Fantasy VII Rebirth (Nintendo Switch 2) | Review

AnálisesNintendoPCPlayStationSlideXbox

Quando analisei Final Fantasy VII Rebirth pela primeira vez, em 2024, minha atenção estava voltada para a expansão da narrativa, o mundo aberto e as mudanças promovidas pela Square Enix em relação ao clássico de 1997. Anos depois, a chegada ao PC me permitiu observar outro aspecto do projeto: sua otimização e capacidade de escalar para diferentes configurações de hardware. Agora, chega a vez do Nintendo Switch 2 receber um dos RPGs mais ambiciosos da atualidade.

Por isso, esta review terá um foco bastante específico. Se você deseja saber minha opinião sobre a história, os personagens, o sistema de combate ou a estrutura do mundo aberto, recomendo a leitura da análise original publicada aqui. Desta vez, a pergunta é outra: como Final Fantasy VII Rebirth se comporta no Nintendo Switch 2?

Como esta é minha terceira análise do jogo, não refiz toda a campanha de mais de 60 horas. Meu foco esteve concentrado nos primeiros capítulos e, principalmente, nas regiões abertas que começam a ser exploradas a partir do fim do segundo capítulo, justamente onde o game passa a exigir mais do hardware e onde suas limitações ficam mais evidentes. E os detalhes eu trago agora, em mais uma review antecipada do Pizza Fria!

Youtube video

Mais bonito do que o Remake

A primeira impressão que tive ao iniciar Final Fantasy VII Rebirth no Nintendo Switch 2 foi melhor do que a experimentada anteriormente com Final Fantasy VII Remake Intergrade. Isso pode soar estranho considerando que estamos falando de um jogo claramente mais exigente, mas a evolução visual é evidente.

Os cenários são maiores e muito mais variados. As regiões abertas ajudam a transmitir uma sensação de escala que simplesmente não existia em Midgar. A iluminação continua chamativa em diversos momentos, os modelos dos personagens permanecem detalhados e várias cutscenes mantêm o padrão visual que transformou a segunda parte da trilogia em uma das produções mais impressionantes da Square Enix.

Em vários momentos, foi difícil acreditar que eu estava vendo um jogo desse porte rodando em um console portátil. Há uma sensação constante de que o Switch 2 está entregando algo que parecia improvável poucos anos atrás. Entretanto, diferente do que aconteceu com Final Fantasy VII Remake Intergrade, essa ambição cobra um preço.

Final Fantasy VII Rebirth (Nintendo Switch 2)
Final Fantasy VII Rebirth no Switch 2 tem um visual inferior às versões de PS5 e PC (Imagem: Reprodução/Switch 2/Lucas Soares)

Quando o hardware chega ao limite

Se no Remake eu senti um jogo extremamente estável dentro da proposta de 30 FPS, em Rebirth a percepção é diferente. Não estou falando de números ou medições técnicas, mas da experiência prática durante a jogatina.

Durante os momentos iniciais, a experiência permanece bastante consistente. Foi a partir do momento em que o mundo começou a se abrir de verdade, especialmente nas primeiras grandes áreas exploráveis, que passei a notar oscilações mais frequentes na fluidez da experiência.

Final Fantasy VII Rebirth (Nintendo Switch 2)
A baixa resolução de assets é uma constante em boa parte do game. (Imagem: Reprodução/Switch 2/Lucas Soares)

Nada disso torna Final Fantasy VII Rebirth injogável. Longe disso. O combate continua responsivo, as magias funcionam bem e a aventura permanece perfeitamente aproveitável. O problema é que, diferente do que aconteceu em Final Fantasy VII Remake Intergrade, raramente tive a sensação de estar diante de uma experiência totalmente confortável para o hardware.

Também percebi alguns casos de carregamento tardio de elementos do cenário, especialmente vegetação, pedras e outros objetos espalhados pelos mapas. Em determinados momentos, o console claramente parece estar tentando equilibrar qualidade visual e desempenho ao mesmo tempo, nem sempre conseguindo esconder completamente esse esforço.

A impressão que ficou é que o Switch 2 consegue executar Final Fantasy VII Rebirth, mas está constantemente trabalhando próximo do seu limite para fazê-lo.

Final Fantasy VII Rebirth (Nintendo Switch 2)
Pop-ins de vegetação são frequentes na Pradaria (Imagem: Reprodução/Switch 2/Lucas Soares)

Portátil ou TV? A resposta é mais simples do que parece

Durante meus testes, alternando entre o modo portátil e o modo dock, uma conclusão ficou bastante clara: Final Fantasy VII Rebirth parece ter sido pensado principalmente para ser jogado na tela do próprio Switch 2.

No modo portátil, boa parte das limitações visuais desaparecem naturalmente. A tela menor ajuda a mascarar imperfeições, suaviza a percepção de serrilhados e torna a imagem mais agradável como um todo. O resultado é uma experiência bastante consistente e que impressiona pela mobilidade.

Final Fantasy VII Rebirth (Nintendo Switch 2)
As animações, por outro lado, mantém um bom nível de qualidade (Imagem: Reprodução/Switch 2/Lucas Soares)

Já conectado a uma TV 4K, comecei a notar algo que me chamou atenção desde os primeiros minutos. Os textos da interface, menus e alguns elementos visuais não apresentam a mesma nitidez que eu esperava. O uso de upscaling é perceptível em diversos momentos, especialmente para quem já experimentou o jogo em outras plataformas.

Isso não significa que a imagem seja ruim. Longe disso. Mas existe uma diferença clara entre aquilo que vemos em uma televisão de alta resolução e o que é apresentado na tela portátil.

Ao longo das cinco horas que testei Rebirth no Switch 2, fiquei com a sensação de que esta versão encontra seu melhor equilíbrio justamente fora da TV. É um daqueles casos em que o modo portátil não é apenas uma alternativa, mas talvez a melhor forma de aproveitar o port.

Final Fantasy VII Rebirth (Nintendo Switch 2)
Eita! (Imagem: Reprodução/Switch 2/Lucas Soares)

O retorno de um velho problema

Assim como aconteceu com Final Fantasy VII Remake Intergrade, outro ponto que merece destaque é o tamanho da instalação.

Final Fantasy VII Rebirth ocupa, atualmente, 91,5 GB de armazenamento. Considerando que o Nintendo Switch 2 possui 256 GB internos, estamos falando de mais de um terço do espaço do console sendo consumido por um único jogo.

Final Fantasy VII Rebirth (Nintendo Switch 2)
Aqui ficou bonito, ein?! (Imagem: Reprodução/Switch 2/Lucas Soares)

É verdade que estamos diante de uma aventura gigantesca, repleta de conteúdo e com uma escala muito superior à do Remake. Ainda assim, o impacto é significativo para quem pretende manter vários títulos instalados simultaneamente. Na prática, jogadores que utilizam o console como plataforma principal provavelmente precisarão investir em um cartão microSD Express mais cedo ou mais tarde.

É bom citar, no entanto, que assim como a versão de PC, a Square Enix incluiu alguns recursos de qualidade de vida interessantes. O principal deles é a possibilidade de iniciar a aventura utilizando o modo fortalecido, permitindo revisitar o jogo com personagens mais preparados desde o início. Para quem já conhece a história e deseja focar apenas na exploração ou em conteúdos específicos, trata-se de uma adição bastante bem-vinda.

Final Fantasy VII Rebirth (Nintendo Switch 2)
Começou a aventura! (Imagem: Reprodução/Switch 2/Lucas Soares)

Vale a pena jogar Final Fantasy VII Rebirth no Nintendo Switch 2?

Final Fantasy VII Rebirth continua sendo um dos RPGs mais impressionantes dos últimos anos, mas sua chegada ao Nintendo Switch 2 deixa evidente que nem toda adaptação consegue reproduzir a mesma experiência encontrada em plataformas mais robustas.

Graficamente, temos uma uma aventura gigantesca em um console portátil. Ao mesmo tempo, as limitações de desempenho, a nitidez inconsistente da imagem em televisores 4K e alguns problemas ocasionais de carregamento de assets do cenário tornam esta uma versão claramente inferior às disponíveis no PlayStation 5 e no PC.

Isso não significa que o trabalho da Square Enix seja ruim. Muito pelo contrário. Existe um mérito enorme em conseguir transportar uma experiência dessa escala para um aparelho híbrido. Porém, em vários momentos, tive a sensação de estar diante de um hardware tentando acompanhar a ambição do software.

Se a sua prioridade for jogar Final Fantasy VII Rebirth em uma televisão, continuo recomendando as versões de PlayStation 5 ou PC. Agora, se a possibilidade de levar uma aventura desse porte para qualquer lugar pesa mais na sua decisão, o Nintendo Switch 2 entrega uma adaptação competente e respeitosa com a obra original, ainda que fique um degrau abaixo das demais versões disponíveis.

Ela não é a melhor forma de jogar Final Fantasy VII Rebirth. Mas é, sem dúvidas, a mais portátil.

Final Fantasy VII Rebirth chega nesta quarta-feira, 3 de fevereiro, para Nintendo Switch 2 e Xbox Series X|S. O título fez sua estreia em 2024 para PlayStation 5 e chegou em janeiro de 2025 para PC, via Steam e Epic Games Store

*Review elaborada em um Nintendo Switch 2, com código fornecido pela Square Enix.

Final Fantasy VII Rebirth (Switch 2)

BRL 284,90
7.9

História

8.5/10

Gráficos e Sons

7.5/10

Gameplay

8.0/10

Extras

7.5/10

Prós

  • Visual impressionante para um console portátil
  • Experiência completa preservada no Nintendo Switch 2
  • Funciona muito bem no modo portátil
  • Novo Jogo (Fortalecido) agiliza a progressão para veteranos
  • Tempos de carregamento rápidos

Contras

  • Desempenho menos estável que em Final Fantasy VII Remake Intergrade
  • Upscaling perceptível ao jogar em TVs 4K
  • Carregamento tardio de texturas e elementos do cenário
  • Ocupa mais de 90 GB de armazenamento

Lucas Soares

Jornalista e fã de videogames desde criança. Já teve Mega Drive, Game Boy Color, PS1, PS2, PS3, PS4, PSVR, PS Vita, Nintendo 3DS e agora tem "só" um PS5, um Nintendo Switch e um PC Gamer. Para ele, o melhor jogo da história é Chrono Trigger, mas Metal Gear Solid 3, Final Fantasy X, The Last of Us Part II e Red Dead Redemption 2 completam o Top-5.