Gallipoli | Review

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Gallipoli é um jogo que trata um tipo de guerra que os videogames nem sempre exploram com atenção. Quando se fala em Primeira Guerra Mundial, é comum pensar imediatamente nas trincheiras enlameadas da Europa Ocidental, nos campos da França, nos alemães, britânicos e franceses se enfrentando em cenários conhecidos. No entanto, aqui, a proposta é olhar para outro lado do conflito, trazendo a Península de Galípoli, a Mesopotâmia e frentes ligadas ao Império Otomano para o centro da experiência, em uma abordagem nada comum.

Assim, esse recorte já dá ao jogo uma identidade própria. Gallipoli não parece apenas mais um FPS histórico tentando reproduzir armas antigas e uniformes de época. Ele tenta vender a sensação de estar preso em uma parte complexa da guerra, em meio a um clima quente, seco, montanhoso, muitas vezes ingrato e quase sempre mortal. A praia, as colinas, os arcos antigos, as fortificações, os arames farpados e os corredores de avanço criam uma presença histórica que vai além da decoração.

Como parte da WW1 Game Series da BlackMill Games, iniciada com Verdun e continuada por Tannenberg e Isonzo, o jogo carrega consigo uma proposta bem clara: ser mais lento (mas nem tanto), mais tático e mais cruel do que a maioria dos FPS multiplayer. A pergunta, então, é se esse novo front consegue manter a força da série sem parecer apenas uma mudança de cenário. Será? É o que vamos descobrir nesta análise. Vamos lá!

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O preparo é uma parte muito importante

Uma das coisas mais legais que percebi em Gallipoli foi a forma como o jogo tenta criar um clima de batalha épica antes mesmo da ação começar. A apresentação não aposta em menus genéricos e telas modernas demais. Há uma sensação de documento antigo, mapa militar, papel envelhecido e registro histórico que combina muito com o tema.

Isso importa porque Gallipoli depende bastante de atmosfera. Ele não tem a mesma pegada cinematográfica exageradamente explosiva de um Battlefield, nem a agilidade imediata de um Call of Duty. O que ele oferece é outro tipo de envolvimento, algo mais tático, um pouco mais realista. É o peso de estar em uma operação que parece condenada desde o início, subindo colinas sob fogo inimigo, tentando atravessar terreno aberto ou segurando uma linha enquanto o outro lado avança lentamente.

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Preparar o cenário antes da batalha começar é importante. (Imagem: Divulgação)

A abertura de uma partida na praia, por exemplo, diz muito sobre a proposta apresentada. A chegada de barcos, a névoa, os soldados olhando para as falésias e a sensação de que o inimigo está esperando o momento certo para abrir fogo criam uma tensão particular bem legal para um FPS sobre uma guerra real. Quando os tiros começam, tudo fica claro: aqui, a vida dura pouco, a cobertura é algo essencial e correr sem pensar é praticamente pedir para ser abatido pelas milhares de balas inimigas.

Esse impacto inicial é forte. Gallipoli não se apresenta como um jogo confortável ou prático. Ele quer que a gente sinta o desconforto do avanço das tropas, a vulnerabilidade dos soldados e a violência de um campo de batalha em que um disparo bem colocado encerra qualquer plano. É exatamente assim: um tiro bem dado e já era, estamos de volta à tela de respawn.

Ritmo mais lento, morte rápida (muito rápida)

Gallipoli é um FPS em que a pressa, por muitas vezes, é altamente punitiva e cruel com os jogadores. Nos primeiros minutos, morri várias vezes sem entender exatamente de onde veio o tiro. Levantei a cabeça um pouco mais do que deveria na trincheira e pronto, caí. Cruzei uma área aberta achando que daria tempo de achar uma nova cobertura. Novamente, fui ao chão. Tentei mirar com calma, errei o disparo, recarreguei devagar demais e caí mais uma vez.

Esse ciclo pode assustar quem chega esperando um FPS permissivo e “rushador” como vários outros. Mas aqui, as armas são antigas, os disparos precisam ser pensados e o tempo de recarga tem peso. A arma trava… enfim, acontece de tudo. Em vez de esvaziar carregadores contra qualquer movimento, em muitas vezes precisei parar, respirar, observar, escolher o momento e torcer para que o tiro realmente encontrasse o alvo. Mas aqui, temos ideia de quando o inimigo é derrubado, algo que nos ajuda, mas tira um pouco da imersão. Não há scores em uma guerra, certo?

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O ritmo lento do início logo toma outra forma ao invadir trincheiras e pontos de controle inimigos. (Imagem: Divulgação)

Fora isso, a sensação é dura, mas totalmente coerente. As armas não são automáticas e perfeitas. Rifles como os clássicos Lee-Enfield, Mauser e Martini-Henry carregam peso, recuo e personalidade próprias das armas da Primeira Grande Guerra. O disparo é forte, o som impõe respeito e errar custa caro.

Isso torna Gallipoli menos acessível, mas também muito mais memorável. Quando eu conseguia acertar um inimigo em uma distância complicada, depois de calcular movimento, elevação e tempo, a satisfação era enorme. Não porque o jogo me deu uma medalha colorida na tela, mas porque eu sabia que aquele disparo teve sucesso em meio a tantos acontecimentos simultâneos.

O modo Expedition entende a lógica das ofensivas de guerra

A grande novidade estrutural de Gallipoli está no modo Expedition. Na superfície, ele parece seguir a lógica clássica de atacantes contra defensores, mas está longe disso. Um lado precisa avançar e tomar objetivos, enquanto o outro tenta resistir bravamente a hordas de inimigos que surgem na névoa. A diferença está no sistema de Momentum, que traduz bem a ideia de que uma ofensiva não depende apenas de ocupar espaço, mas de manter a pressão sobre as trincheiras inimigas.

Os atacantes ganham força ao capturar objetivos e causar perdas importantes aos defensores. Já o lado que defende precisa resistir, segurar terreno e desgastar o avanço inimigo. É um refinamento interessante da velha lógica de tickets, porque dá mais sentido ao empurra-empurra da partida.

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Se recarregar na hora errada, já era! (Imagem: Divulgação)

Eu gostei desse sistema porque ele combina com a temática. Em uma batalha como Galípoli, avançar não é simplesmente correr de um ponto para outro. É conquistar alguns metros pagando caro por eles. É manter gente viva o suficiente para sustentar a pressão. É criar uma brecha, aproveitá-la e tentar não perder tudo em seguida.

Quando o modo funciona bem, a partida ganha uma narrativa própria. O ataque começa hesitante, abre caminho, perde força, tenta retomar o ritmo. A defesa parece prestes a cair, mas segura no último segundo. Esses momentos são o coração de Gallipoli. O jogo não precisa inventar grandes cenas roteirizadas porque o próprio campo de batalha cria drama.

Mapas diferenciados e com peso histórico

Os mapas são um dos maiores trunfos apresentados por Gallipoli. Por exemplo, a praia de ANZAC Cove, vista de baixo, com colinas enormes à frente, transmite uma sensação de desvantagem assustadora. Não é apenas um mapa bonitinho. É um cenário que comunica exatamente a dificuldade da manobra tomada pelos atacantes. Subir morros sob fogo inimigo é tão medonho quanto deveria ser em um jogo que tenta levar esse conflito tão importante a sério.

Em outros mapas, a presença de marcos históricos e estruturas antigas reforça essa sensação. Lutar próximo ao Arco de Ctesifonte, ver arames farpados à frente e operar uma metralhadora em um cenário que mistura ruína, poeira e guerra moderna cria um contraste visual muito forte, caótico e até aterrorizante. Gallipoli entende que mapas históricos não precisam ser apenas arenas equilibradas. Aliás, dane-se o equilíbrio! Aqui é guerra!

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Não existe balanceamento na guerra. (Imagem: Divulgação)

A variedade geográfica também ajuda. A experiência não fica limitada à península que dá nome ao jogo. Há frentes na Mesopotâmia e em outras regiões ligadas ao conflito entre britânicos, otomanos e aliados. Isso dá personalidade ao pacote e ajuda a diferenciar Gallipoli de outros shooters sobre a Primeira Guerra Mundial.

Nem todos os espaços são fáceis de serem compreendidos no começo, e alguns pontos podem parecer cruéis demais para quem está atacando. Mas essa crueldade faz parte da proposta. O terreno é um inimigo tão importante quanto o soldado do outro lado.

Armas contam com peso realista

A experiência com o uso de armas em Gallipoli é excelente. O jogo entende que, em um FPS de infantaria, o arsenal precisa ser o centro do jogo. Os rifles de ferrolho são detalhados, pesados e letais. Eles não têm a praticidade das armas modernas, mas justamente por isso criam uma dinâmica mais tensa. Portanto, esqueça a ideia de “descer o pente” nos inimigos. Aqui, isso dificilmente funcionará.

Inclusive, gostei muito da diferença entre cada arma. Algumas parecem mais estáveis, outras mais lentas, outras carregam uma personalidade histórica própria. O Martini-Henry, por exemplo, tem um charme especial pela cadência e pelo impacto. Já os rifles britânicos e alemães entregam aquela sensação de precisão pesada que combina com combates de média e longa distância. Tudo isso faz diferença nas escolhas que tomamos.

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Sempre tenha sua baioneta preparada! (Imagem: Divulgação)

As baionetas também contam com um papel importante, sobretudo nas invasões. Em trincheiras, corredores estreitos e avanços desesperados, elas viram um último recurso para derrubar o inimigo. Não é algo que eu uso o tempo todo, é verdade, mas ter a baioneta equipada muda a forma como entramos nas áreas inimigas. É perceptível em Gallipoli que há uma tensão grande em avançar sabendo que o próximo encontro pode ser resolvido em um confronto quase corporal.

Outro destaque são as granadas de rifle e equipamentos mais exóticos, como catapultas de trincheira. A recarga lenta e a preparação cuidadosa tornam essas armas situacionais, mas muito satisfatórias quando funcionam. Elas adicionam variedade ao estilo de jogo, mas sem transformá-lo em um festival de explosões descontroladas e aleatórias.

Metralhadoras pesadas são extremamente complexas

As metralhadoras pesadas merecem destaque aqui. Em Gallipoli, assumir uma Maxim ou uma Vickers é sentir, por alguns segundos, que você virou a coisa mais perigosa do mapa. O som, a cadência e a capacidade de travar um avanço inimigo são impressionantes. Porém, essa sensação dura pouco. Assim que uma metralhadora começa a fazer estrago, o outro time percebe. Porém, é preciso acertar os tiros, algo que também não é fácil.

Quando os rivais percebem sua presença, a coisa fica ainda mais complicada: todo mundo te coloca como alvo prioritário. Morri muito usando metralhadora, mas quase sempre tive a sensação de que meu sacrifício fez sentido. Bem, nem sempre… em muitas vezes errei tiros demais. Ainda assim, segurei o avanço inimigo por alguns segundos, os fazendo ter medo de avançar. Só por isso, seu uso já é válido. Acertar é bom, claro, mas não é o único papel das metralhadoras, muito úteis para fogo de supressão.

(Imagem: Divulgação)
A metralhadora pesada é excelente para repelir ataques inimigos e criar fogo de supressão. (Imagem: Divulgação)

Esse equilíbrio é muito bom. A metralhadora é poderosa, mas não é totalmente invencível. Inclusive, ela nos coloca à postos como um alvo. Assim, ela precisa de posição, proteção, munição e bom senso. Colocar uma dessas em um lugar errado é basicamente pedir para levar um tiro. Colocar no lugar certo pode mudar bastante o ritmo de uma ofensiva inteira.

Esse tipo de papel reforça a ideia de que Gallipoli não é sobre destaque individual vazio. Às vezes, sua função é ficar parado, controlando um corredor de avanço, sabendo que todos querem te eliminar. E isso pode ser tão emocionante quanto correr para capturar um objetivo. Tudo aqui precisa ser trabalhado em grupo.

Uma guerra que precisa ser coordenada

Como todo bom FPS tático, Gallipoli funciona melhor quando os jogadores entendem que não estão sozinhos. Assim, sair correndo para fazer heroísmo raramente dá certo. Na verdade, quase nunca funciona. Com isso, o jogo recompensa avanços em grupo, cobertura, supressão, posicionamento e uso inteligente dos papéis disponíveis.

A estrutura de classes e kits exige algum tempo para ser aprendida. No início, pode ser meio confuso entender qual função escolher, qual equipamento levar e como ajudar melhor o time. Mas, depois de algumas partidas, o sistema começa a ir fazendo algum sentido. Cada soldado tem um papel dentro da linha de frente, seja atacando, defendendo, curando, abastecendo, construindo ou segurando posição.

(Imagem: Divulgação)
Em Gallipoli, a ideia está longe de ser a de chegar e atirar. (Imagem: Divulgação)

Também gostei das mecânicas de construção e suporte. Montar uma posição defensiva, colocar uma arma de apoio ou preparar uma linha para resistir ao avanço inimigo tira o jogo do ciclo simples de nascer, correr, matar e morrer. Você sente que está contribuindo para a frente de batalha, algo que faz sentido, sobretudo se você estiver fazendo certo.

Em partidas cheias, essa estrutura aparece com mais força. Quando há jogadores suficientes ocupando funções diferentes, o campo de batalha parece um grande organismo vivo. Quando o servidor esvazia, a experiência perde parte do impacto. Gallipoli depende de comunidade ativa, e esse talvez seja um dos pontos mais importantes para seu futuro. Ainda assim, o jogo nos permite jogar com bots em alguns momentos. Não é o ideal, mas ajuda a nos dar uma dimensão do que o nos aguarda no multiplayer.

Atmosfera é apoiada por gráficos e sons

Visualmente, Gallipoli tem momentos muito fortes. Os modelos de armas, uniformes e cenários passam uma sensação de cuidado por parte dos desenvolvedores. A iluminação dramática ajuda bastante, principalmente em mapas ao amanhecer, ao entardecer ou em situações de baixa visibilidade. O jogo não tenta competir diretamente com blockbusters de orçamento absurdo, óbvio, mas tem uma direção visual surpreendente.

O que mais me marcou foi a escala dos cenários. As colinas parecem ameaçadoras. As praias parecem expostas. As ruínas parecem carregar memória. Isso dá ao jogo uma gravidade que muitos shooters históricos não conseguem alcançar. Você não está apenas em uma mapa aleatório com textura antiga. Você está em um lugar que parece ter saído dos livros de História.

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Lugares históricos trazem uma experiência realista e diferenciada de apresentar uma guerra real. (Imagem: Divulgação)

O som também é excelente. Os rifles têm impacto, as metralhadoras dominam o espaço, as explosões assustam e a trilha dinâmica entra com cuidado. Normalmente prefiro shooters realistas com pouca música, mas aqui ela funciona, ainda que bem tímida ao fundo. Ela não invade a partida o tempo todo, mas aparece em momentos certos para reforçar o drama.

Há espaço para melhorar alguns elementos de ambientação, como mais vozes, gritos e caos humano ao redor, trazendo a parte mais visceral do conflito. Ainda assim, o conjunto sonoro já sustenta muito bem a experiência. Em vários momentos, o áudio foi o que me manteve tenso antes mesmo de eu ver qualquer inimigo. Bombas caindo, fumaça se espalhando e a constante sensação de que meu personagem pode ser abatido ou até mesmo explodido fazem com que Gallipoli consiga trazer um pouco da Primeira Guerra para nossas telas.

Vale a pena jogar Gallipoli?

Sinceramente, Gallipoli vale a pena para quem gosta de FPS histórico, com ritmo mais tático e armas que exigem paciência e mais técnica do que habilidade. Não é um jogo para quem quer ação moderna, corrida constante, slides mentirosos, pulos sobrenaturais, mira fácil e recompensas a cada cinco segundos. Ele é mais duro, mais lento e menos interessado em ser mais um FPS. Aqui, ele tenta misturar um pouco de simulação com a experiência final, algo que dá certo.

Para fãs de Verdun, Tannenberg e Isonzo, a recomendação é bem mais fácil. Gallipoli parece ser uma evolução natural da série, com mapas marcantes, melhor apresentação e uma ambientação pouco explorada nos videogames. Ele mantém a brutalidade característica da BlackMill, mas adiciona um peso histórico especial por mudar o foco para frentes que geralmente são ignoradas.

No meu caso, o jogo me conquistou justamente por essa personalidade ousada. Ele não tenta parecer maior do que é. Não tenta competir com os gigantes do gênero nos mesmos termos. Ele aposta em focar em um recorte histórico, imersão, armas bem representadas e batalhas de infantaria em que sobreviver por alguns minutos já parece uma conquista.

Gallipoli às vezes é duro, ingrato e pouco preocupado em facilitar a nossa vida. Mas também é atmosférico, respeitoso com seu recorte histórico e muito satisfatório quando você entende seu ritmo. É um jogo que não tenta transformar a Primeira Guerra em parque de diversões. Ele tenta fazer o jogador sentir o peso de cada avanço. Nisso, acerta bastante.

Gallipoli está disponível para PC, via Steam, Microsoft Store e Epic Games StorePlayStation 5 e Xbox Series X|S, com suporte a crossplay entre todas as plataformas.

*Review elaborada em um PC equipado com GeForce RTX, com código fornecido pela BlackMill Games.

Gallipoli 

R$ 169,.90
8.3

Mapas, armas e ambientação

8.8/10

Jogabilidade

8.4/10

Gráficos e sons

8.6/10

Extras

7.4/10

Prós

  • Armas têm ótimo impacto e personalidade
  • Som e trilha reforçam a imersão
  • Mapas com forte peso histórico
  • Atmosfera de guerra é intensa e convincente

Contras

  • Curva de aprendizado pode afastar iniciantes
  • IA ainda tem algumas falhas
  • Depende bastante de servidores cheios

Álvaro Saluan

Completamente apaixonado por videogames, escreve e pesquisa sobre o tema há uns bons anos. Vê os jogos para além do entretenimento, considerando todo o processo como uma grande e diversificada arte. Vai dos jogos de esporte aos RPGs tranquilamente, admirando cada experiência. Seu maior ídolo dos jogos é Hideo Kojima.