Replaced | Review
Vou ser bem direto: Replaced já tinha minha atenção muito antes de eu colocar as mãos nele.
A temática cyberpunk sempre me pegou forte. Desde a época dos RPGs de mesa, como GURPS Cyberpunk, até aqueles clássicos filmes de ficção científica dos anos 80 e 90 que misturavam tecnologia, decadência e existencialismo. Esse tipo de universo sempre teve um apelo muito forte pra mim. Então quando Replaced apareceu pela primeira vez, foi impossível não ficar de olho.
E não era só pela temática.
O que realmente me chamou atenção foi o visual. Pixel art com uma iluminação absurda, cheia de nuance, profundidade e estilo. Algo que eu sinceramente nunca tinha visto sendo feito dessa forma. Ao mesmo tempo em que parece moderno e tecnicamente avançado, ele mantém uma estética meio crua, quase rústica. É uma mistura que funciona muito bem e cria uma identidade própria logo de cara.
Entre narrativa sensível, estética impecável e um loop repetitivo, Replaced entrega uma experiência marcante. Com um visual impressionante, uma narrativa profunda e um gameplay desafiador, o jogo também chega como uma opção interessante para quem assina o Game Pass. Veja os detalhes agora, em mais uma crítica do Pizza Fria!
Uma história sobre humanidade contada por quem não deveria senti-la
Um dos pontos mais interessantes de Replaced é a forma como ele constrói seu protagonista. Você controla R.E.A.C.H., uma inteligência artificial presa em um corpo humano, e o jogo trabalha essa premissa de maneira bem gradual.
No início, tudo parece distante, quase mecânico. As interações são mais frias, as reações mais objetivas. Só que aos poucos isso começa a mudar. Pequenos detalhes vão mostrando que existe uma transformação acontecendo, seja na forma como o personagem reage, seja na maneira como ele se relaciona com o mundo ao redor.
Não é uma narrativa expositiva. O jogo não fica explicando tudo o tempo inteiro, e isso pode ser tanto um ponto positivo quanto um obstáculo, dependendo do tipo de experiência que você busca. Para quem gosta de montar o quebra-cabeça aos poucos, funciona muito bem.

Direção de arte é o grande destaque
Se tem algo que realmente eleva Replaced é a direção de arte.
A pixel art aqui não é só bonita, ela é pensada nos mínimos detalhes. A iluminação é o ponto mais impressionante, com reflexos, sombras e efeitos que dão uma profundidade enorme para os cenários. Existe um cuidado muito grande com composição de cena, enquadramento e ambientação.
Em vários momentos, eu me peguei andando mais devagar só para observar o ambiente. Não é exagero dizer que o jogo tem uma qualidade quase cinematográfica em certos trechos. Tudo parece muito bem encaixado dentro da proposta.
E o mais importante é que isso não está ali só como enfeite. O visual ajuda a contar a história, reforça o clima e sustenta a identidade do jogo do começo ao fim.

Gameplay é desafiador e pode cansar
Quando o controle passa para o gameplay, a experiência muda um pouco de tom.
Replaced é um jogo difícil. Ele exige atenção, timing e um certo nível de paciência. O combate não perdoa erros facilmente e, em muitos momentos, você vai precisar repetir trechos até entender o padrão dos inimigos.

Isso cria uma sensação interessante de tensão, mas também pode gerar frustração. O problema principal não é nem a dificuldade em si, mas a repetição. O jogo segue uma estrutura bastante clara de progressão entre exploração e combate, e com o tempo isso começa a ficar previsível.
Existem momentos em que o desafio parece justo e recompensador. Em outros, parece mais um teste de insistência do que de habilidade. Essa oscilação de ritmo acaba impactando a experiência como um todo.
Combate tem peso, mas falta variedade
O combate tem boas ideias e uma base sólida. Os golpes têm impacto, a movimentação responde bem e existe uma sensação real de evolução conforme você avança.
Você começa mais limitado e aos poucos vai ganhando novas possibilidades, o que é sempre positivo. O problema é que o jogo nem sempre aproveita bem essas novas ferramentas.

Muitas situações acabam se repetindo, seja pela quantidade de inimigos ou pela forma como os encontros são construídos. Em vez de explorar novas abordagens, o jogo frequentemente aposta em repetir o que já funcionou antes.
Isso não chega a comprometer totalmente a experiência, mas deixa uma sensação clara de potencial não aproveitado.
Trilha sonora cumpre seu papel
A trilha sonora segue a linha esperada para esse tipo de ambientação, com uma pegada synthwave que combina bem com o universo apresentado.
Ela funciona muito bem como elemento de apoio. Ajuda a construir o clima, reforça momentos específicos e mantém a identidade do jogo consistente.
Ao mesmo tempo, não é algo que se destaca de forma isolada. Não é o tipo de trilha que vai ficar na cabeça depois de jogar, mas também não atrapalha em nenhum momento.

Vale a pena jogar Replaced?
Replaced é um jogo que se apoia muito mais na experiência sensorial do que na complexidade mecânica. Ele quer ser sentido, observado e interpretado mais do que dominado.
E nisso ele acerta bastante. A direção de arte, a ambientação e a proposta narrativa são fortes o suficiente para sustentar a experiência e torná-la memorável.
Por outro lado, o gameplay irregular e a repetição acabam impedindo que o jogo atinja um nível ainda mais alto. É aquele tipo de título que você admira bastante, mesmo percebendo suas limitações.
Para quem assina o Game Pass, a recomendação é praticamente automática. Vale muito a pena experimentar e tirar suas próprias conclusões.
Para compra direta, a decisão depende muito do seu perfil. Se você já curte cyberpunk, experiências mais contemplativas e jogos com forte identidade visual, a chance de gostar é grande. Caso contrário, pode ser uma experiência mais difícil de engajar.
No fim, Replaced é um jogo que não tenta agradar todo mundo, mas que entrega algo bem particular para quem entra na proposta.
Replaced está disponível para PC, via Steam, e Xbox Series X|S desde o dia 14 de abril.
*Review elaborada em um Xbox Series S, com código fornecido pela Thunderful Publishing.
Replaced
BRL 59,99Prós
- Visual extremamente impressionante e marcante
- Ambientação cyberpunk muito bem construída
- Narrativa interessante e com boa progressão
- Combate com impacto e sensação de desafio
Contras
- Gameplay repetitivo em alguns momentos
- Ritmo irregular ao longo da campanha
- Dificuldade que pode gerar frustração
- Pouca variedade em situações de combate



