Re:Turn 2 – Runaway | Review

AnálisesNintendoPCSlideXbox

Re:Turn 2 – Runaway apresenta uma abordagem diferente no gênero survival horror. O game traz uma aventura de terror psicológico, na qual os jogadores irão assumir o papel de Saki em um trem que está sendo assombrado por uma criatura mística. A grande diferença em relação aos títulos de terror padrões é que está aventura entrega gráficos em 2D, com alguns elementos de visual novel. Assim sendo, nos segmentos de gameplay, exploraremos o game com uma jogabilidade em duas dimensões, enquanto a grande maioria dos diálogos seguirá um formato de VN.

Logo que vi o trailer de Re:Turn 2 – Runaway, fiquei intrigado pela premissa do título, pois, eu curto bastante games de terror em 3D, sendo que um tempo atrás pudesse experienciar o game Lamentum, que entrega uma excelente aventura aterrorizante. Portanto, será que temos aqui mais uma joia do terror psicológico e um título que consegue se destacar em meio a este gênero tão amado? A resposta eu trago agora, em mais uma review do Pizza Fria!

Youtube video

Um começo intrigante, mas que não mantém a consistência

Re:Turn 2 – Runaway começa narrando os acontecimentos do primeiro game. Saki, seu noivo e alguns amigos estavam em um trem a caminho de uma aventura, quando misteriosamente o local foi invadido por uma força sobrenatural chamada Ayumi. Durante os eventos do primeiro título, grande parte dos amigos da protagonista acabaram morrendo, entretanto, após muito esforço, ela e o noivo conseguiram supostamente derrotar a grande ameaça.

O game começa logo após estes eventos, com os dois personagens procurando uma saída do trem. Entretanto, logo fica evidente que algo ruim aconteceu, pois, o noivo de Saki começa a agir estranho e falar palavras incompreensíveis. Assim, ele adentra novamente o interior do ambiente e desaparece. Cabe a protagonista procurar seu noivo, fugir dos novos perigos sobrenaturais que irão aparecer em seu caminho e então escapar desde aterrorizante ambiente.

Re:Turn 2 - Runaway
Em Re:Turn 2 – Runaway, cabe a protagonista enfrentar os perigos sobrenaturais do título em busca do seu noivo (Imagem: Divulgação)

Como foi dito anteriormente, a narrativa de Re:Turn 2 – Runaway começa muito bem, apresentando o objetivo inicial da protagonista, entretanto, a obra não consegue manter a consistência. Durante a nossa jornada, não teremos grande reviravoltas ou um aprofundamento maior nos personagens e no storytelling dos desafios sobrenaturais que encontramos. Isto faz com que o rumo da história seja previsível e pouco aproveitado, sendo que o sentimento de “é só isso?” acaba se tornando constante a partir de determinado da narrativa.

Além disso, por mais que Re:Turn 2 – Runaway apresente um excelente trabalho de dublagem, a obra acaba não fazendo um bom uso desse recurso, pois, os diálogos da protagonista com os outros personagens que encontraremos durante a jornada deixam a desejar. Eles são simples, sem profundidade e não temos o sentimento que estamos compreendendo este universo fantástico e aterrorizante que o jogo tenta apresentar.

Este aspecto acaba sendo prejudicial na imersão do jogador no terror psicológico. Pois, embora possa ser usado o argumento de medo do desconhecido, em Re:Turn 2 – Runaway esta justificativa não funciona, já que manter o medo do desconhecido durante toda uma obra faz com que o interesse do jogador no mistério seja perdido.

Se escondendo do terror

O gameplay de Re:Turn 2 – Runaway se resume em explorarmos alguns locais, coletarmos itens para resolvermos puzzles e então nos escondermos de monstros. Não temos combate no título, assim, nossa única forma de lidar com as criaturas do título é se esconder. Existem lugares pré-determinados nos cenários que podemos usar para nos esconder e então sair e avançar pelo caminho quando o monstro passar.

Além disso, Re:Turn 2 – Runaway não pega leve neste aspecto, pois, os inimigos são 1 hit kill. Embora inicialmente, os monstros pareçam verdadeiramente assustadores, logo o jogo começa a repetir demais visualmente estas criaturas, o que torna estes confrontos pouco variados e até mesmo previsíveis.

Re:Turn 2 - Runaway
Os confrontos com as criaturas se tornam repetitivos rapidamente (Imagem: Divulgação)

Outro elemento importante, é que, pelo cenário, teremos alguns locais com velas, sendo que nestes ambientes poderemos salvar o nosso progresso. O jogo faz um bom trabalho de aos poucos ir aumentando a distância destes ambientes de salvamento, o que faz com o sentimento de desespero se torne frequente na reta final da obra. Logo, este foi um dos meus maiores problemas com este jogo. Pois, quando o sentimento de saves estarem mais distantes se torna mais aterrorizante do que o terror que o game apresenta, fica evidente que o título não está sendo eficaz na sua proposta.

Puzzles que poderiam ser mais desafiadores

Re:Turn 2 – Runaway apresenta quebra-cabeças que deixam muito a desejar. O título possui aquele característico elemento de leva e trás de itens em relação aos puzzles, entretanto, não existe um real desafio neste aspecto. Logo, funciona da seguinte maneira: chegamos a um local com uma porta fechada. Após isto, devemos explorar um determinado ambiente em busca de uma chave ou dois objetos para combinarmos e então interagir com aquela porta e ela se abrir. Portanto, o grande problema aqui é que iremos repetir este mesmo ciclo durante toda a jornada, não existindo uma variação, situação está que torna este aspecto do gameplay repetitivo e cansativo.

Re:Turn 2 - Runaway
Os quebra-cabeças do game são simples demais e não apresentam nenhum desafio para o jogador (Imagem: Divulgação)

Além disso, Re:Turn 2 – Runaway acaba perdendo a oportunidade de usar estes elementos enigmáticos para expandir a lore do título, assim como é feito em games do gênero, como Resident Evil e Silent Hill. Porém, o título simplesmente usa este segmento para abrirmos portas de um ambiente a outro, o que acaba não sendo uma boa abordagem de progresso.

Gráficos e trilha sonora

Re:Turn 2 – Runaway apresenta um gráfico 2D pixelado com alguns segmentos com cutscenes animados que lembram visual novel. Assim sendo, o grande destaque fica com a forma que o título consegue construir uma boa atmosfera, mesmo que a narrativa não acompanhe tão bem este aspecto. O ambiente central, o trem assombrado, possui várias salas para explorarmos, que vão desde bibliotecas, cômodos com bagagens e até mesmo a região na qual os passageiros deveriam estar.

O título entrega uma paleta de cores quase sempre escura e com um tom sujo nos locais que adentramos. Está escolha visual, torna os ambientes que adentramos aterrorizantes e com um aspecto sufocante. Estes elementos ajudam a construir uma excelente atmosfera de terror que acompanha a protagonista durante a jornada.

Re:Turn 2 - Runaway
O game possui uma excelente atmosfera, sendo este o ponto mais forte da obra (Imagem: Divulgação)

Além disso, Re:Turn 2 – Runaway possui alguns segmentos que se passam em locais abertos nas redondezas do trem. O game apresenta elementos ainda mais sombrios nestes locais, como arvores destruídas, uma chuva intensa e até mesmo uma nevoa que prejudica a visualização do cenário. Isto faz com que estes locais sejam interessantes de se adentrar, principalmente pelo fator atmosférico incrível transmitido pela junção dos elementos citados.

O game também faz um bom trabalho com a sua trilha sonora. De maneira acertada, o título dá prioridade para os sons ambientes, o que torna a jornada imersiva. Assim sendo, a todo momento o jogador irá escutar de forma alta o barulho de passos, portas se abrindo e até mesmo das criaturas que podem aparecer a qualquer momento. Dou o destaque mais uma vez para o segmento no qual temos um cenário com chuva, sendo que o trabalho de som neste cenário é simplesmente excelente.

Desempenho

Minha experiência foi em um PC, equipado com uma GTX 1650. O game rodou fluidamente em 60 FPS e não apresentou quedas e nem bugs durante a minha jornada. Além disso, os loadings são rápidos, o que tornou toda a experiência suave e rápida.

Vale a pena comprar Re:Turn 2 – Runaway?

Re:Turn 2 – Runaway é um game que deixa a desejar no aspecto narrativo e na profundidade da história dos personagens. Além disso, o game acaba se tornando repetitivo demais em suas mecânicas, sendo que o principal fator durante a gameplay sempre é se esconder de monstros, ter alguns diálogos, encontrar o item para a próxima porta e então ir para o cenário seguinte.

Entretanto, o título consegue compensar por apresentar uma atmosfera imersiva e um trabalho sonoro excelente. Assim sendo, recomendo o game para os jogadores que gostam de um terror focado na atmosfera e na imersão que a obra consegue inserir os players. Entretanto, para quem espera uma narrativa profunda e muitas reviravoltas emocionantes, podem se decepcionar.

Re: Turn 2 – Runaway foi desenvolvido pela Red Ego Games e lançado no dia 28 de janeiro para PC, via Steam, Xbox One, Xbox Series X|S e Nintendo Switch

*Review elaborada em um PC equipado com uma GeForce GTX, com código fornecido pela Red Ego Games.

Re:Turn 2 - Runaway

+R$ 16,59
6.5

História

5.0/10

Gameplay

6.0/10

Gráficos e Sons

8.0/10

Inovação

7.0/10

Prós

  • A atmosfera do game é excelente e imersiva
  • O design de aúdio é bom
  • Possui legendas em PT-BR

Contras

  • O gameplay é repetitivo
  • A história poderia ser melhor
  • Os puzzles não possuem nenhum desafio
  • O jogo não consegue transmitir um sentimento de terror convincente

Leandro Paiva

Jornalista, amante de survival horror, café e, provavelmente, o maior fã de Resident Evil do site, a menos que ele chame Revelations 2. Sou um jogador de PC em tempo integral, pois games são uma arte bela demais para não serem apreciados em suas melhores versões. E, com isso, claramente não quero dizer jogar com o MSI Afterburner aberto na tela, mostrando 100+ FPS!