Sniper Elite 5 | Review

A franquia Sniper Elite é uma daquelas que todo jogador já ouviu falar e, provavelmente, já jogou algum título. Mas parece ser um daqueles jogos de nicho que, por mais que cumpra seu proposito como jogo, acaba não atraindo muitos jogadores, ao menos no Brasil. No entanto, o sucesso fora daqui é evidente: em 2015, um ano depois de Sniper Elite III ser lançado, a franquia atingiu a marca de 10 milhões de cópias vendidas em todo o mundo. De lá pra cá, vieram Zombie Army Trilogy, Sniper Elite 4, Zombie Army 4: Dead War, Sniper Elite VR e, chegando na próxima quinta-feira, 26, Sniper Elite 5.

Desenvolvido e publicado pela Rebellion, o game segue a premissa já estabelecida na linha principal de jogos da série. Assumimos novamente o papel do atirador de elite Karl Fairburne durante a Segunda Guerra Mundial, com a missão de atrapalhar os planos nazistas. Mas em um novo território: dessa vez a França, palco importante da Grande Guerra, após aquela que ficou conhecida como a Batalha da França. E como será que Sniper Elite 5 se saiu? A resposta eu trago agora, em mais um review antecipado do Pizza Fria!

O exército de um homem só (ou não)

Dizem que é impossível mudar o mundo sozinho. Bom, isso é porque quem fala uma bobagem dessas não teve a honra de conhecer nosso amigo Karl Fairburne, que está em uma missão clara, mas ingrata: aproveitar o momento em que Aliados ocupam o território europeu para liquidar de vez as forças do Eixo. Estamos em maio de 1944, e nosso herói vai à França para encontrar um contato, mas acaba ficando preso no local após os nazistas destruírem o submarino que o deixou por lá. Assim, precisamos encontrar apoio de aliados e buscar a (re)conquista da França.

Distribuídas em oito missões e um prólogo, a história de Sniper Elite 5 avança de uma forma interessante, e acontece antes e durante o dia 6 de junho de 1944, que ficou conhecido como o Dia D, um dos mais importantes da história da humanidade. Ela não é brilhante, e nem chega a ser muito surpreendente, mas é interessante o suficiente para fazer o jogo avançar.

Sniper Elite 5
Karl Fairburne, o brabo (Imagem: Divulgação)

Além das missões principais, Sniper Elite 5 conta com muitas missões secundárias em cada mapa, incluindo eliminar alvos exclusivos de formas criativas, e encontrar colecionáveis, o que ajuda bastante a ampliar o tempo de término da campanha. No entanto, falta um pouco de profundidade nelas, que se baseiam a destruir instalações e assassinar inimigos. Ao todo, a Rebellion estima que os jogadores cerca de 20 horas para cumprir tudo, ou 12 horas para fazer apenas as missões principais. Eu terminei o jogo com cerca de 14 horas, uma boa média, deixando algumas side quests para trás.

Outra atração que está presente em Sniper Elite 5, e que já é conhecida dos fãs, é a missão de assassinar Adolf Hitler. No entanto, essa missão é exclusiva para os proprietários da Deluxe Edition – que nós não tivemos acesso no período de review.

Sniper Elite 5
Vapo! (imagem: Divulgação)

Stealth ou trocação: você decide

Uma das coisas que eu mais gosto na franquia Sniper Elite é a possibilidade de jogar como você quiser. Em enormes mapas ao estilo sandbox, é possível ser um assassino silencioso, atirando a distância ou matando inimigos ao se aproximar, ou você pode ligar o modo Rambo e atirar em tudo que se move. Esse elemento segue presente e vivo em Sniper Elite 5, o que conta bastante pontos para o game.

E você não precisa, necessariamente, de escolher um ou outro. Jogando na dificuldade padrão, é “ok” você voltar às sombras caso seja visto, ou decidir causar explosões para matar o máximo de nazistas possíveis ao mesmo tempo. A liberdade que o gameplay de Sniper Elite 5 proporciona torna a experiência mais divertida, porém, menos imersiva. Além disso, não há uma ordem necessária para cumprir as missões propostas pelo game, ficando a cargo do jogador essa decisão.

Sniper Elite 5
Descer de tirolesa (explodindo coisas) é uma das atrações de Sniper Elite 5 (Imagem: Divulgação)

E, por falar em gameplay, Sniper Elite 5 traz mais do mesmo. Ao usar nosso rifle, devemos calcular distância, vento e controlar os batimentos cardíacos de Karl para atirar com precisão. O game nos auxilia, é verdade, mostrando um alvo vermelho ao apertar o botão R1, assim como já acontecia em outros jogos. De movimentação, ao melhor estilo Nathan Drake, agora podemos usar tirolesa e também bordas de janelas para se esgueirar ou alcançar partes mais altas do mapa.

Além disso, seguindo o padrão que a desenvolvedora já apresentou em outros jogos, Sniper Elite 5 é um jogo cooperativo. Toda a campanha pode ser jogada com um amigo, incluindo o novo modo Invasão do Eixo, que permite que outros jogadores assumam o papel de um atirador de Elite e cacem Karl pelo mapa. Uma boa e divertida adição.

Sniper Elite 5
Agir pelas sombras também é uma opção (Imagem: Divulgação)

O game também traz bancadas de trabalho espalhadas por um dos mapas, que permitem que o jogador faça upgrade e customize sua arma como achar melhor, incluindo o uso de munições especiais. Isso é interessante pois não é necessário encerrar a missão para aplicar as melhorias. O mesmo vale para as habilidades, já conhecidas da franquia, que estão de volta em uma árvore expandida.

Por outro lado, Sniper Elite 5 peca em algumas “não inovações”, que a concorrência já trouxe. Enquanto em Sniper Ghost Warrior Contracts 2 o jogador pode acertar tiros a mais de 1 km de distância, os tiros mais longos do jogo ultrapassam por pouco a barreira dos 600 metros. Por mais um se passe nos dias atuais e o outro na Segunda Guerra Mundial, uma mudança de paradigma permitindo tal façanha seria extremamente bem vinda.

Sniper Elite 5
Sniper Elite 5 não permite dar tiros tão longos quanto o seu principal concorrente (imagem: Divulgação)

Além da campanha

Sniper Elite 5 não é um jogo que se resume apenas à campanha, oferecendo opções aos jogadores que vão além do modo história. O mata-mata com 16 jogadores retorna, permitindo criar seu atirador de elite como quiser e eliminar outros jogadores. Também é possível fazer partes de disputas cooperativas, dividindo as equipes em dois times de 8, ou 4 de 4 jogadores. Também é possível fazer disputas de sniper, em que os jogadores são colocados em partes separadas do mapa, e devem atirar a distância para eliminar os inimigos. E a melhor parte é que o game conta com crossplay opcional com outras plataformas.

Na parte audiovisual, Sniper Elite 5 cumpre bem seu papel. Segundo a Rebellion, os mapas foram todos escaneados usando fotometria de locais reais, e replicados no jogo. Isso criou um realismo gráfico inédito na série. Por outro lado, enquanto os ambientes ganharam em detalhes, os personagens não acompanharam essa evolução e seguem com movimento robotizado e rostos pouco detalhados, incluindo o protagonista.

Sniper Elite 5
Cabelinho na régua, hein? (Imagem: Divulgação)

Jogando em um PlayStation 5, pude explorar dois aspectos que funcionam muito bem no game: os gatilhos adaptáveis do DualSense e o Áudio 3D. Enquanto o primeiro foi uma “mão na roda” para “sentir” o retorno da arma e a respiração ofegante de Karl em alguns momentos, o segundo foi muito útil para localizar inimigos à espreita. O game também faz uso do potencial do SSD do console, com loadings muito rápidos.

No entanto, o ponto alto do jogo em termos gráficos são as kill cams. Elas passaram por melhorias consideráveis em relação ao antecessor, e apresentam toda a brutalidade que um tiro de rifle pode causar. Ossos quebrando, músculos rasgando, órgãos sendo estraçalhados, testículos esmagados… Tudo isso controlando a velocidade de cada cena. Está tudo bem interessante, como a marca que popularizou a série. Além disso, agora SMGs e pistolas também podem acionar as kill cams, de acordo com o ângulo do disparo.

Sniper Elite 5
Toda a brutalidade e estrago de um head shot (imagem: Divulgação)

Vale a pena comprar Sniper Elite 5?

Sniper Elite 5 foi anunciado com a ambição de ser o melhor jogo da franquia até aqui, e arrisco a dizer que conseguiu. O game traz inovações interessantes à franquia, como o modo de Invasão, as melhorias no gameplay e a reformulação da kill cam. De quebra, apresenta a maior campanha da série, com uma história interessante, e com uma possibilidade infinita de fator replay com o multiplayer e o crossplay. Se você admira a franquia, vá de olhos fechados. Agora, se o gênero nunca te chamou atenção, dificilmente o jogo será para você, pois, no fim das contas, é mais daquilo que já nos foi apresentado antes.

E, mesmo com as inovações, Sniper Elite 5 deixa a sensação de que poderia ter feito um pouco mais, permitindo tiros de distâncias maiores e trabalhado melhor o realismo gráfico dos personagens. Para mim, estes foram dois pontos que mereciam ser citados, com a ressalva de que não atrapalham a experiência como um todo, que ainda assim é muito boa.

Sniper Elite 5 chega nesta quinta-feira, 26, para Xbox One, Xbox Series X|S, PlayStation 4, PlayStation 5 e PC, via Epic Games StoreSteam e Windows Store. Assinantes Xbox Game Pass poderão jogar no lançamento, tanto no console, quanto no PC.

*Review elaborada no PlayStation 5, com código fornecido pela Rebellion.

Sniper Elite 5

+ R$ 93,99
8

História

6.5/10

Gráficos e Sons

8.0/10

Gameplay

8.5/10

Extras

9.0/10

Prós

  • Maior duração da franquia
  • Kill cam reformulada
  • Multiplayer com crossplay
  • DualSense e Áudio 3D
  • Legendado em PT-BR

Contras

  • Rostos dos personagens

Lucas Soares

Jornalista e fã de videogames desde criança. Já teve Mega Drive, Game Boy Color, PS1, PS2, PS3, PS4, PSVR, PS Vita, Nintendo 3DS e agora tem "só" um PS5 e um PC Gamer. Para ele, o melhor jogo da história é Chrono Trigger, mas Metal Gear Solid 3, Final Fantasy X, The Last of Us Part II e Red Dead Redemption 2 completam o Top-5.