Toy Story: Retro Roundup! | Review
Não é sempre algo muito bom quando vemos jogos clássicos retornarem no formato de uma coletânea? Eu realmente aprecio quando isso acontece, pois é a oportunidade perfeita para que novos jogadores conheçam alguns títulos que fizeram parte da infância de tantas pessoas. Além disso, os fãs de longa data, que tiveram suas vidas de certa forma influenciadas por esses games, podem revisitá-los e apreciar o que eles tinham de melhor. Ou, em alguns casos, perceber que, infelizmente, eles não envelheceram tão bem assim.
Com a coletânea que irei avaliar, Toy Story: Retro Roundup!, tenho um pouco de todos os sentimentos que mencionei acima. O pacote reúne vários jogos clássicos: alguns deles pude vivenciar quando era mais novo, outros estou experimentando pela primeira vez e, no caso de alguns, talvez tivesse sido melhor deixá-los apenas na lembrança. Mas, além dessa viagem ao passado, a nova coletânea, desenvolvida pela Digital Eclipse, promete diversas melhorias de qualidade de vida e conteúdos extras para os fãs. Portanto, venha comigo nessa jornada em mais uma análise antecipada do Pizza Fria!
O retorno dos clássicos de Mega Drive e Super Nintendo
Minha primeira aventura em Toy Story: Retro Roundup! começou com o clássico Toy Story (1995). A coletânea conta com as versões de Mega Drive e Super Nintendo, incluindo todas as edições lançadas oficialmente, tanto a americana quanto a japonesa. Em relação às principais diferenças entre elas, estas estão mais presentes na forma como os vídeos e as cinemáticas são apresentados, com algumas variações na taxa de quadros por segundo (FPS). Entretanto, independentemente da versão escolhida, é possível jogar a 60 FPS, então é realmente difícil perceber diferenças significativas nesse aspecto.
Ainda assim, existe uma diferença visual perceptível entre as versões de Mega Drive e Super Nintendo presentes em Toy Story: Retro Roundup!, com a do console da Nintendo me agradando bem mais por apresentar cores mais vibrantes. Agora, em relação à minha primeira experiência com esses jogos, devo dizer que fui surpreendido positivamente.
No game, assumimos o papel do grande cowboy Woody em uma aventura que nos leva a vários cenários do filme clássico. E, embora a maior parte da jogabilidade siga a fórmula de um jogo de plataforma em 2D, alguns momentos realmente me surpreenderam pela criatividade, quebrando completamente minhas expectativas de maneira positiva. Há trechos que contam com segmentos em primeira pessoa e até mesmo uma fase de corrida.

De certa forma, essa variedade na estrutura das fases estabeleceu um modelo que seria aproveitado nos jogos seguintes, até atingir seu ápice em Toy Story 3. Como um grande fã desse clássico, foi muito bacana encontrar várias das características que tanto aprecio no terceiro jogo já presentes, de certa forma, em um título lançado em 1995.
A temida versão de Gameboy
Ok, preciso dizer isso logo de cara: fãs de Game Boy que estiverem lendo esta análise de Toy Story: Retro Roundup!, não fiquem bravos comigo, mas não serei muito gentil ao falar dos jogos portados para esse console. Eu até tento compreender que o portátil tinha muitas limitações e reconheço que, pelo menos entre alguns dos títulos que abordarei aqui, existem versões razoáveis. No entanto, em sua grande maioria, os ports acabaram perdendo boa parte de suas características originais, tornando-se versões extremamente limitadas dos jogos que tentavam adaptar.
E isso já fica evidente no primeiro título de Toy Story: Retro Roundup! para o Game Boy, Toy Story (1996). Toda a fluidez do jogo original se perde nessa versão, com a movimentação sendo bastante prejudicada. Isso torna os segmentos de plataforma extremamente frustrantes, já que Woody simplesmente parece se recusar a subir em determinados lugares ou apresenta um atraso tão grande nos comandos que não executa os saltos no momento em que aperto os botões.

Além disso, essa versão é visualmente muito inferior à original, algo que já era esperado devido às limitações técnicas do console. Entretanto, especificamente nesse jogo, que conta com diversos objetos espalhados pelos cenários com os quais precisamos interagir, a falta de detalhes acaba se tornando um problema ainda maior. Afinal, fica difícil identificar os locais em que podemos subir ou as plataformas sobre as quais podemos saltar.
De forma geral, essa adaptação presente em Toy Story: Retro Roundup! é bastante inferior à versão original e, infelizmente, não conseguiu me cativar. Entendo as limitações do Game Boy, mas acredito que isso não elimina os problemas de jogabilidade que tornam a experiência tão frustrante.
Um dos jogos que eu mais joguei na infância retorna
Agora é hora de falarmos de um jogo realmente bom em Toy Story: Retro Roundup!: Toy Story 2 (1999), lançado para o grandioso PlayStation. Joguei muito esse game durante a minha infância, e ele foi um dos meus favoritos da franquia por muito tempo. Inclusive, como curiosidade, foi justamente esse jogo que me levou a assistir aos filmes pela primeira vez. Por isso, fico ainda mais feliz ao constatar que, ao revisitar essa aventura na nova coletânea, ela continua tão incrível quanto eu me lembrava, mesmo depois de tantos anos.
Diferentemente do game anterior, agora assumimos o papel do grande herói Buzz Lightyear, que precisa partir em uma missão para resgatar Woody. Dessa vez, temos uma aventura inteiramente em 3D, com cenários bastante abertos, mas que mantém diversos dos elementos de plataforma que se destacaram no jogo anterior.

Com os cenários tridimensionais, o game consegue inovar bastante em suas mecânicas de plataforma. Buzz pode empurrar caixas, se pendurar em beiradas e até mesmo executar movimentos mais elaborados, utilizando elementos do cenário para se locomover ou escalando estruturas em pontos específicos. A grande evolução está na maneira como os ambientes se tornaram muito mais interativos, seja para resolver quebra-cabeças em busca de segredos ou para encontrar caminhos que nos permitam avançar pela aventura.
Outra grande novidade é a presença de segmentos de combate, nos quais o herói precisa utilizar seu raio laser para destruir robôs inimigos espalhados pelos cenários. Embora seja um jogo voltado ao público infantil e apresente um nível de dificuldade praticamente inexistente, a grande variedade de situações e fases conseguiu me manter bastante envolvido com a aventura. Mesmo sem oferecer grandes desafios, Toy Story 2 continua sendo uma experiência extremamente divertida, e revisitar esse clássico em Toy Story: Retro Roundup! foi uma ótima oportunidade para relembrar por que ele marcou tanto a minha infância.
Toy Story 2 em uma versão mais próxima do jogo original
Diferentemente da versão para PlayStation, que representou uma evolução impressionante em comparação com Toy Story (1995), a edição para Game Boy Color presente em Toy Story: Retro Roundup! tomou um rumo diferente e permaneceu mais próxima da estrutura do jogo original. Apesar de ainda controlarmos Buzz Lightyear, a jogabilidade continua sendo em 2D, com elementos de plataforma e poucas novidades. Entre elas, temos algumas mecânicas características do novo protagonista, como a possibilidade de disparar tiros de laser contra os inimigos.

Embora represente uma melhoria em relação ao primeiro Toy Story para Game Boy, ainda senti que essa versão não oferece nada de particularmente especial ou que realmente se destaque. É uma adaptação que cumpre seu papel, mas que não consegue apresentar novidades suficientes para tornar a experiência memorável. Para ser justo, porém, gostei de como as cores foram utilizadas em algumas fases, conferindo mais personalidade aos cenários e dando um pouco mais de vida ao visual, mesmo diante das limitações técnicas do portátil.
Em serviço do Comando Estelar
O próximo título de Toy Story: Retro Roundup! coloca novamente Buzz Lightyear sob os holofotes, mas, desta vez, com um jogo baseado na animação derivada da franquia, Buzz Lightyear of Star Command. Apesar de manter a perspectiva em 3D, a aventura toma um rumo diferente dos jogos anteriores, apostando mais na ação e na ficção científica. Aqui, nosso herói precisa perseguir vilões e capturá-los dentro de um tempo determinado, dando à experiência um ritmo bem diferente daquele que vimos nas aventuras anteriores.
O título também conta com diversos inimigos espalhados pelos cenários, contra os quais Buzz pode utilizar diferentes armas a laser. Entretanto, admito que o combate com tiros em terceira pessoa é o aspecto mais fraco do game. O sistema de mira não é muito fluido e transmite uma sensação de lentidão e peso excessivos, o que acaba prejudicando os confrontos e tornando essa mecânica menos agradável do que poderia ser.

Além disso, o jogo apresenta ambientes ainda mais abertos e novas formas de locomoção para o personagem, como uma mochila a jato e uma prancha voadora. Esses recursos ajudam a dar mais variedade à exploração e reforçam a proposta de uma aventura voltada para a ação.
De forma geral, gostei dessa mudança de direção, com o game apostando mais na ação e na exploração do que nos elementos tradicionais de plataforma. Ainda assim, em certos momentos, senti falta justamente das mecânicas que tornaram os títulos anteriores tão divertidos. Mesmo com algumas ressalvas, Buzz Lightyear of Star Command em Toy Story: Retro Roundup! foi uma experiência bastante divertida e representou uma ótima primeira oportunidade para conhecer esse capítulo da franquia.
Em serviço do Comando Estelar, agora no Game Boy Color
Certo, primeiramente, será que existe algum jogo de Game Boy Color em que a movimentação não seja horrível? Em segundo lugar, Buzz Lightyear of Star Command até consegue ser interessante em alguns aspectos. O game presente em Toy Story: Retro Roundup! adota uma perspectiva top-down, na qual precisamos avançar por diversos cenários, disparando tiros de laser contra os inimigos até chegarmos ao final de cada fase. Também existem moedas espalhadas pelos ambientes que podemos coletar para acumular mais pontos e, basicamente, é isso que a aventura tem a oferecer.
De certa forma, consegui me divertir explorando os cenários e tentando coletar todas as moedas. O combate também funciona razoavelmente bem dentro da proposta. Mas, nossa, a movimentação do personagem acabou destruindo boa parte da experiência para mim! Os movimentos de Buzz são extremamente pesados e pouco responsivos, transmitindo constantemente a sensação de que existe um atraso entre os comandos e as ações executadas na tela. Em alguns momentos, parecia até que eu estava jogando por meio de algum serviço de streaming de games com um ping absurdamente alto.

Foi realmente difícil ter uma experiência agradável com esse título em Toy Story: Retro Roundup!, apesar de alguns aspectos em que ele acerta. No fim das contas, fica a torcida para que essa tenha sido minha última experiência ruim com uma versão de Game Boy Color durante esta análise. Afinal, depois de tantos problemas com a movimentação, já estou começando a perder as esperanças.
Spoiler: não foi a última. O pior ainda está por vir!
Hora da corrida!
Hora de falarmos sobre outro jogo que fez parte da minha infância e que também está presente em Toy Story: Retro Roundup!: Toy Story Racer (2001). Desta vez, temos um título inteiramente focado em corridas em cenários 3D, no qual os jogadores precisam acumular pontos acertando determinadas caixas espalhadas pelas pistas e, claro, cruzar a linha de chegada em primeiro lugar.
Eu realmente gosto desse game, principalmente pela qualidade e pela criatividade de suas fases, que são construídas de maneira bastante inteligente em 3D. Além disso, as corridas fogem da fórmula tradicional de simplesmente seguirmos por uma pista até a linha de chegada, fazendo com que os competidores interajam constantemente com os ambientes. Em uma das corridas, por exemplo, percorremos os diversos cômodos de uma casa, descendo escadas com os veículos literalmente saltando pelos degraus. Em outros momentos, podemos alcançar áreas mais elevadas para encontrar atalhos, além de explorar os cenários em busca de segredos.

O game também conta com personagens desbloqueáveis, que podem ser encontrados ao descobrir determinados segredos espalhados pelas fases. Obviamente, quando era criança, eu não conseguia descobrir boa parte dessas surpresas, mas revisitar o jogo agora, como adulto, e sair em busca desses conteúdos extras foi uma experiência muito divertida.
No fim das contas, jogar Toy Story Racer em Toy Story: Retro Roundup! continua tão divertido quanto eu me lembrava. Junto de Toy Story 2, do PlayStation, este é um dos títulos da coletânea que melhor resistiram à passagem do tempo e que mais conseguiram reproduzir a experiência que eu guardava na memória. É muito bom reencontrar um jogo da infância e perceber que, mesmo depois de tantos anos, ele ainda consegue proporcionar a mesma sensação de diversão.
Finalmente uma versão de Game Boy Color divertida
Ok, para a surpresa de todos, inclusive a minha, Toy Story Racer (2001), em sua versão para Game Boy Color, foi bastante divertido! Em Toy Story: Retro Roundup!, o jogo aposta em uma proposta mais simples: as corridas voltam ao formato tradicional de percorrer circuitos, deixando de lado aqueles impressionantes cenários tridimensionais presentes na versão para PlayStation.
Entretanto, mesmo com essas limitações, a jogabilidade consegue ser bastante fluida e ainda proporciona um nível interessante de desafio em algumas corridas. Certas curvas, por exemplo, exigem que eu calculasse cuidadosamente a velocidade para conseguir contorná-las sem perder o controle ou comprometer meu desempenho. Foi uma surpresa bastante agradável encontrar uma adaptação que consegue oferecer uma experiência tão divertida mesmo com as restrições técnicas do portátil.

Visualmente, também gostei bastante do que o jogo oferece. Mais uma vez, temos um bom uso das cores, acompanhado de detalhes variados nos cenários que remetem aos ambientes clássicos dos filmes. Tudo isso ajuda a dar mais personalidade às corridas e demonstra que, mesmo sem os recursos técnicos de sua versão para PlayStation, ainda era possível criar algo visualmente interessante para o Game Boy Color.
No fim das contas, temos aqui em Toy Story: Retro Roundup! uma experiência bastante sólida, que conseguiu me surpreender positivamente. Depois de algumas adaptações frustrantes no portátil, foi muito bom encontrar um jogo que não apenas respeita as limitações do hardware, mas também consegue transformá-las em uma experiência divertida por seus próprios méritos.
O jogo do Vida de Inseto
Então, admito que, quando vi esse jogo na coletânea Toy Story: Retro Roundup!, tive alguns flashbacks nada agradáveis da minha infância. Na minha memória, esse era um dos jogos de que menos gostei na vida. Inclusive, lembro que, na época, cheguei a voltar à loja onde havia comprado o disco para pedir uma troca, tamanha era minha insatisfação com o game. Mas tudo bem, agora sou uma pessoa adulta, formada e com uma nova perspectiva sobre os jogos que marcaram minha infância. E, ao revisitar Vida de Inseto… bom, não mudou muita coisa: esse jogo continua sendo bastante decepcionante.
Em A Bug’s Life (1998), temos uma aventura que reconta os acontecimentos do filme, inclusive utilizando cenas da obra original em suas cinemáticas. Até aí, tudo bem! Afinal, muitos jogos baseados em filmes lançados naquela época seguiam essa mesma fórmula. O problema começa quando deixamos de assistir às cenas e passamos efetivamente para a jogabilidade, momento em que as coisas começam a desandar consideravelmente.
O jogo segue a mesma estrutura tridimensional que também encontramos em Toy Story 2 (1999). Entretanto, diferentemente da aventura de Buzz Lightyear, aqui praticamente nenhum dos elementos de jogabilidade funciona de maneira satisfatória. A movimentação é extremamente travada, a câmera se comporta de maneira errática e, para piorar, não temos controle sobre ela. Além disso, a própria progressão pelas fases é pouco intuitiva, tornando difícil entender para onde devemos ir ou como superar determinados obstáculos.

O game também conta com segmentos de plataforma, mas eles estão longe de funcionar adequadamente. Com uma movimentação tão travada, fica bastante complicado calcular os saltos e aterrissar nas plataformas de maneira consistente. O maior problema que enfrentei nesse aspecto, porém, foi justamente a câmera. Em diversos momentos, precisei saltar entre plataformas, mas ela simplesmente se recusava a permanecer no ângulo adequado. Em vez de me ajudar a enxergar onde deveria pousar, a câmera insistia em dar um zoom no rosto de inseto do protagonista e parecia não ter a menor intenção de sair daquela posição.
Outro aspecto que também não foi bem implementado é o combate. A mecânica consiste basicamente em arremessar frutas contra os insetos hostis, mas, como não existe um sistema de mira eficiente, acertar os inimigos se torna uma tarefa pouco prática. Na maioria das vezes, parece muito mais sensato simplesmente desviar dos adversários e continuar seguindo pelo cenário do que perder tempo tentando acertá-los.
Apesar de ser uma adição interessante a Toy Story: Retro Roundup!, afinal, quanto mais jogos disponíveis em uma coletânea, melhor, A Bug’s Life infelizmente continua sendo uma experiência bastante decepcionante. Revisitar um jogo da infância pode ser uma ótima oportunidade para redescobrir qualidades que passaram despercebidas quando éramos crianças. Infelizmente, esse não foi o caso aqui. Se antes eu já não guardava boas lembranças dessa aventura, agora tenho ainda mais motivos para entender por que ela me decepcionou tanto naquela época.
O jogo do vida de inseto mas com controles ainda piores
Em Toy Story: Retro Roundup!, A Bug’s Life para PlayStation foi o jogo de que menos gostei em toda a coletânea. Logo, seria extremamente poético se a versão para Game Boy Color conseguisse tirar esse título do posto de pior experiência, não é mesmo? Bom, foi exatamente isso que aconteceu.
Diferentemente da versão para PS1, que aposta em ambientes tridimensionais, aqui voltamos ao formato 2D, com uma aventura focada em elementos de plataforma. De certa forma, o jogo é bastante semelhante a Toy Story 2 para Game Boy Color, mas apresenta os piores problemas de atraso nos comandos de toda a coletânea. E sim, sei que bati bastante nessa tecla ao longo desta análise, mas, neste caso, as coisas realmente atingem outro patamar.
Além dos atrasos nos comandos de movimentação, as ações do personagem também sofrem com uma demora considerável para serem executadas. E isso é um problema gravíssimo em um jogo de plataforma! Afinal, ações básicas como andar, correr e pular para desviar de obstáculos ou inimigos precisam responder de maneira rápida e precisa. Aqui, porém, executar qualquer uma dessas tarefas se transforma em uma verdadeira luta contra o próprio jogo, tornando a experiência praticamente injogável.

É frustrante perceber que problemas tão básicos comprometem completamente uma aventura que, em outras circunstâncias, poderia até funcionar bem. Quando o jogador não consegue confiar nos próprios comandos, superar os desafios deixa de ser uma questão de habilidade e passa a ser um exercício de paciência. Infelizmente, foi exatamente essa a sensação que tive durante boa parte da experiência.
Mas, para não terminar falando desse último jogo de maneira totalmente negativa, preciso reconhecer um aspecto que realmente me agradou: sua direção de arte. Pelo que pude constatar, essa versão é uma adaptação da edição para Super Nintendo e, considerando essa perspectiva, acredito que o trabalho de conversão visual foi bastante competente. Os cenários apresentam um estilo interessante e demonstram que havia potencial para criar uma adaptação agradável no portátil.
Infelizmente, porém, uma direção de arte competente não é suficiente para salvar uma jogabilidade tão problemática. No fim das contas, A Bug’s Life para Game Boy Color acabou se tornando uma experiência ainda mais frustrante do que sua versão para PlayStation.
Melhorias de qualidade de vida e extras
Além de reunir uma boa quantidade de títulos clássicos, Toy Story: Retro Roundup! também conta com diversas melhorias de qualidade de vida que buscam aperfeiçoar a experiência nesses jogos. Entre as opções disponíveis, podemos utilizar diferentes filtros visuais, incluindo aqueles que simulam o efeito das antigas televisões CRT, além de ajustar a resolução da imagem, utilizar o modo de tela cheia ou até mesmo preservar o formato de tela original de cada jogo, algo que certamente agradará aos jogadores mais puristas. Os títulos também podem rodar a 60 FPS, proporcionando uma experiência mais fluida e responsiva, a não ser, é claro, que estejamos falando de algum jogo de Game Boy Color, haha!

Além disso, a coletânea oferece opções de trapaças em praticamente todos os jogos, permitindo ativar recursos como vidas infinitas, desbloquear personagens imediatamente ou até mesmo pular fases caso o jogador esteja enfrentando dificuldades. São recursos bastante interessantes, especialmente para quem deseja revisitar esses clássicos sem precisar lidar com todos os desafios que faziam parte das versões originais.
Em relação aos conteúdos extras, o pacote também oferece uma seleção de arquivos de áudio com músicas clássicas dos jogos, galerias de artes conceituais e até mesmo entrevistas com os desenvolvedores, além de materiais de bastidores. É um conjunto bastante completo, que permite aos fãs conhecer melhor o processo de criação desses títulos e descobrir mais sobre as pessoas responsáveis por dar vida a essas aventuras tão queridas.
Vale a pena comprar Toy Story: Retro Roundup!?
Toy Story: Retro Roundup! é uma coletânea completa e divertida, que vale a pena para todos os fãs que vivenciaram esses clássicos durante a infância e desejam reviver essas lembranças. Para os jogadores mais novos que querem conhecer esses títulos pela primeira vez, também recomendo a experiência, mas já adianto que será necessário ter certa paciência, dependendo dos jogos escolhidos. Principalmente no caso das versões para Game Boy Color, alguns títulos não envelheceram tão bem, e jogá-los pode se tornar um verdadeiro exercício de resiliência e paciência. Já no caso de A Bug’s Life, talvez seja necessário um pouco de autocontrole para não arremessar o controle contra a tela!
Brincadeiras à parte, Toy Story: Retro Roundup! é uma coletânea que vale muito a pena. Apesar dos problemas que encontrei em alguns dos jogos, ainda considero que foi uma experiência gratificante revisitar esses títulos e conhecer outros pela primeira vez. Mais do que simplesmente reunir uma série de jogos clássicos, o pacote oferece a oportunidade de compreender melhor o que tornou essas aventuras tão especiais em suas respectivas épocas e por que elas marcaram a infância de tantos jogadores.
No fim das contas, é justamente esse sentimento de nostalgia, acompanhado da possibilidade de descobrir ou redescobrir essas experiências, que faz a coletânea valer a pena. Nem todos os jogos resistiram bem à passagem do tempo, é verdade, mas isso não apaga a importância que tiveram para a história da franquia e para as memórias de tantos fãs. E, para mim, poder reencontrar algumas dessas aventuras e entender melhor seu legado foi uma jornada que valeu cada minuto.
Toy Story: Retro Roundup! foi desenvolvido pela Digital Eclipse e chega no dia 15 de outubro de 2026 para PlayStation 5, PlayStation 4, Xbox Series X|S, Nintendo Switch 2, Nintendo Switch e PC, via Steam.
*Review elaborado em um PC equipado com uma Geforce RTX, com código fornecido pela Atari.


