33 Immortals | Review

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Existe uma ideia muito específica por trás de 33 Immortals, jogo da Thunder Lotus lançado na versão 1.0 para Xbox Series X|S e PC, via Steam e Epic Games Store: pegar a sensação de enfrentar chefes brutais em raids de MMORPGs e compactar isso em partidas mais curtas, diretas e acessíveis, sem muito mistério nos comandos.

Em vez de passar centenas de horas e horas upando o nosso personagem, entrando em guildas, combinando horários com várias pessoas e estudando mecânicas por semanas, aqui, somos colocado diante de várias almas condenadas no mesmo mapa, algo que obriga a todos presentes a sobreviver, lutar e avançar, mas sempre juntos.

Mas será que essa ideia ousa demais, ou simplifica muito o conhecido formato de MMORPG misturado com roguelite? Esse e vários outros detalhes serão trazidos nesta análise. Vem ver!

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Narrativa conta com inspiração literária

Antes de mais nada, é legal demais falar que 33 Immortals pega emprestada uma premissa que parte da Divina Comédia, de Dante Alighieri. Ou melhor: de uma releitura sobre a obra e os círculos do Inferno. Assim, nós controlamos nada mais, nada menos, que uma alma condenada, mas que se recusa a aceitar o próprio destino. Com isso, esta alma penada decide se rebelar contra o julgamento divino e vai para a porrada!

Mas, para isso, essas almas precisam atravessar regiões como Inferno, Purgatório e Paraíso, enfrentando criaturas, completando objetivos em grupo e tentando chegar aos grandes chefes de cada área. É uma proposta curiosa, principalmente porque mistura ação isométrica, roguelike, progressão permanente e cooperação em larga escala, além, claro, dessa premissa em uma obra épica da literatura mundial.

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33 Immortals tem um caos único! (Imagem: Divulgação)

Porém, a história de 33 Immortals não é exatamente lá o grande centro da experiência. Ela serve mais como uma moldura bem bonita para o caos do que como motor principal da jornada. Assim, as almas condenadas que habitam esses círculos infernais se encontram no universo criado por Alighieri, tendo o apoio de figuras conhecidas da obra literária. Esses personagens aparecem em uma espécie de “lobby” para oferecer informações, melhorias, roupas, armas e vantagens, mas o jogo não tem lá esse interesse de falar muito sobre a trama. A ideia aqui é partir para a ação com mais 32 jogadores.

Concluindo esta parte, 33 Immortals tem uma narrativa por trás de tudo o que ocorre, mas não a explora. Assim, ela não empolga tanto quanto o conceito do jogo. A ideia de almas se rebelando contra Deus é realmente algo forte, mas o título parece mais preocupado em transformar isso em estrutura de gameplay do que em um aspecto narrativo. Funciona, mas deixa a sensação de que havia espaço para algo mais marcante.

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Dante em pessoa está contigo nesta aventura. (Imagem: Divulgação)

Ação simples e pancadaria constante

O combate de 33 Immortals é extremamente fácil de se entender e dominar. A coisa funciona assim: entramos em um mapa, escolhemos uma arma, vamos para o mapa com outros jogadores e começamos a limpar loucamente hordas de inimigos, coletando recursos, melhorias temporárias, cumprindo assim os objetivos, que não são nada demais. A câmera isométrica lembra um pouco Hades, e o ritmo é acelerado, com muitos golpes e ataques inimigos acontecendo simultaneamente na tela. É um caos gostoso!

Cada arma do jogo define um pouco o papel que queremos desempenhar nas partidas. Há opções voltadas para dano, suporte ou resistência. Algumas atacam de longe, outras funcionam melhor de perto, e cada uma possui uma habilidade cooperativa que depende da participação de outros jogadores para ser ativada, como se fosse um combo. Essa ideia de golpes em conjunto faz todo o sentido com a proposta do jogo. Quando três jogadores se juntam para disparar uma habilidade poderosa ou gerar um escudo em um momento crítico, a sensação de cooperação aparece de forma ainda mais clara e necessária.

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A gente fica perdido com tanta coisa na tela. (Imagem: Divulgação)

O problema é que o combate básico não demora muito para mostrar suas limitações e se tornar algo mais do mesmo. Normalmente, alternamos ataques comuns, golpes pesados, esquivas e a habilidade cooperativa quando há oportunidade, mas fica só nisso. Os ataques pesados são importantes para quebrar a defesa de certos inimigos, mas, fora isso, o jogo raramente exige uma leitura muito sofisticada. Em muitas situações, me vi repetindo a mesma sequência de golpes por vários minutos, desviando de áreas marcadas no chão e tentando não me perder dos outros imortais.

Mas vale ressaltar que isso não torna o combate ruim de todo. Ele é funcional, responsivo e satisfatório em curtos períodos. O problema é que, para um jogo construído em torno de repetição, faltam camadas para manter tudo interessante por mais tempo, algo essencial nesse estilo de jogo. A variedade de armas ajuda, mas a estrutura das partidas segue sendo sempre muito parecida.

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Os combos dão uma certa sensação de parceria, mesmo que sem trocar uma palavra sequer com os outros jogadores. (Imagem: Divulgação)

Jogar com 33 pessoas é algo insano

O grande diferencial de 33 Immortals está justamente em um aspecto de seu nome: o número de jogadores. Começar uma run com dezenas de pessoas aleatórias no mesmo mapa cria uma energia única de poder e parceria, mesmo sem trocar muitas palavras com os outros. O cenário fica barulhento, confuso, cheio de efeitos e, em alguns momentos, quase ilegível. Mas essa bagunça faz parte do espetáculo e é bem gostosa.

No Inferno, o grupo pode chegar a 33 jogadores, o que é uma loucura. No Purgatório, esse número diminui. No Paraíso, a escala fica menor ainda. Essa redução gradativa ajuda a criar uma sensação de avanço e dificuldade, como se cada etapa fosse um filtro que só recebe os sobreviventes mais preparados. Isso também muda a variedade de decisões; com muita gente, é mais fácil se sentir protegido pela massa. Agora, com menos jogadores, cada erro pode custar muito mais.

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Tal como em outros títulos, 33 Immortals nos permite escolher melhorias a cada run. (Imagem: Divulgação)

A estrutura de 33 Immortals é prática e até mesmo um pouco repetitiva. Primeiro, o grupo se espalha pelo mapa, derrota inúmeros inimigos e coleta recursos e benefícios. Depois, equipes menores precisam completar câmaras ou objetivos específicos, como libertar almas ou sobreviver a desafios. Quando objetivos suficientes são concluídos, todos se reúnem para os combates de ascensão, que abrem caminho até o tão aguardado chefão.

Na prática, a premissa funciona muito bem, mas mais nas primeiras horas. Em minha experiência, eu gostava de entrar em uma partida e sentir que estava participando de algo maior do que uma simples fase cooperativa. Mesmo sem conhecer ninguém, existe uma certa sensação de comunidade. A comunicação realmente poderia ser melhor, mas marcações no mapa e emoticons já conseguem dar uma direção ao caos de 33 Immortals.

A progressão demora a recompensar

Como diversos títulos de seu gênero, 33 Immortals trabalha com duas camadas de progresso. Dentro da partida, coletamos melhorias temporárias, aumentamos atributos e fortalecemos a alma para aquela partida específica. Fora dela, desbloqueamos vantagens permanentes, armas, aumentamos possibilidades de build e avançamos em sistemas ligados à conta.

No início, essa progressão parece funcionar bem. Completamos objetivos, ganhamos moedas, desbloqueamos melhorias e sentimos que estamos ficando cada vez mais preparados. Com isso, 33 Immortals nos oferece motivos para testar armas diferentes e cumprir pequenos desafios, como usar determinadas armas ou derrotar uma quantidade específica de inimigos.

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O jogo oferece inúmeras possibilidades. (Imagem: Divulgação)

A questão é que o ritmo desacelera bastante depois de um certo tempo. Algumas melhorias exigem esforço repetitivo demais para recompensas praticamente sem valor. Aumentar um pouco o dano, ganhar uma vantagem discreta ou até mesmo abrir espaço para mais habilidades passivas pode exigir várias partidas que soam muito similares. Isso faz sentido dentro da lógica de longevidade proposta, mas também contribui para cansar os jogadores.

A repetição pesa ainda mais porque 33 Immortals não tem uma quantidade tão grande de áreas e chefes principais. Até existem variações, objetivos e builds, mas a espinha dorsal das partidas mesmo, muda muito pouco. Depois de enfrentar os mesmos fluxos uma, duas ou dez vezes, começamos a perceber o esqueleto por trás da experiência. Quando isso acontece, a progressão lenta fica mais evidente, algo que é meio chato. Fora isso, a repetição do restante das coisas torna 33 Immortals em uma experiência até viciante.

Visual desenhado é um bonito diferencial

Sinceramente, a direção de arte é um dos grandes atrativos de 33 Immortals. Isso é percebido claramente no estilo da arte, totalmente desenhada à mão, algo que dá personalidade ao jogo e ajuda a compensar algumas limitações já mencionadas acima. Monstros, armas, personagens e ambientes têm uma identidade forte, ligados a tipos de Infernos possíveis.

Já os cenários não contam sempre o mesmo impacto, mas funcionam dentro da proposta. O Inferno, o Purgatório e o Paraíso possuem atmosferas distintas, e os inimigos carregam presença visual. No entanto, nesta parte, os chefes acabam sendo os grandes destaques. Eles parecem grandes, ameaçadores e adequados ao tom épico do jogo.

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Olha a estileira desse desenho! (Imagem: Divulgação)

O problema é que a clareza visual vez ou outra sofre quando a tela fica cheia demais. Com muitos jogadores atacando, inimigos surgindo, habilidades cooperativas acontecendo e ataques de área cobrindo o chão, nem sempre é fácil entender tudo ou até mesmo se achar no meio da multidão. Isso não destrói a experiência, mas provoca mortes meio bizarras ou injustas. Em alguns momentos, eu não morri por erro de leitura, mas por não conseguir me ver. Doideira.

Vale a pena jogar 33 Immortals?

Essa resposta não é simples. Olha só, 33 Immortals vale a pena para quem gosta da ideia de raids, mas não tem paciência ou tempo para entrar de cabeça em um MMORPG, que toma horas, dias e até mesmo anos. Ele pega o melhor da fantasia de enfrentar chefes enormes com muita gente e transforma isso em algo mais direto. Entramos, escolhemos uma arma, lutamos, cooperamos, tentamos sobreviver a todo custo, esperando chegar ao final da aventura junto do grupo. Agora, se você não gostar de repetição, sugiro procurar outros ares.

O jogo é uma boa pedida para quem gosta de ação cooperativa com partidas relativamente curtas. Ele tem identidade e excelente inspiração, visual bonito e uma proposta que ainda parece rara no mercado. Não é todo dia que aparece um roguelike de ação com dezenas de jogadores tentando derrubar Lúcifer no mesmo campo de batalha.

Mas é preciso aceitar as limitações. O combate não tem lá tanta profundidade, a estrutura das runs se repete constantemente e a progressão permanente pode ficar lenta demais. Assim, 33 Immortals é divertido, mas não escapa da sensação de que poderia ser mais robusto. É um jogo que, mesmo na versão 1.0, parece estar incompleto, mas no sentido de ter limitações de conteúdo.

Particularmente, me diverti mais do que me frustrei. A verdade é que 33 Immortals não é uma grande revolução cooperativa, mas é uma experiência diferente, estilosa e cheia de bons momentos quando o grupo funciona. Ele acerta bastante no espetáculo das batalhas e tropeça no conteúdo ao redor delas, mas tem lá seu charme.

*Review elaborada em um PC equipado com uma GeForce RTX, com código fornecido pela Thunder Lotus.

33 Immortals

R$ 53,14+
7.5

História

7.4/10

Jogabilidade

7.4/10

Gráficos e sons

8.2/10

Extras

7.0/10

Prós

  • Boa sensação de raid em partidas curtas
  • Visual desenhado à mão se destaca
  • Conceito cooperativo diferente e interessante
  • Loop gostoso nas primeiras horas de jogo

Contras

  • Progressão permanente é muito lenta
  • Tela pode ficar confusa em momentos caóticos
  • Com o tempo, a estrutura das runs se torna repetitiva

Álvaro Saluan

Completamente apaixonado por videogames, escreve e pesquisa sobre o tema há uns bons anos. Vê os jogos para além do entretenimento, considerando todo o processo como uma grande e diversificada arte. Vai dos jogos de esporte aos RPGs tranquilamente, admirando cada experiência. Seu maior ídolo dos jogos é Hideo Kojima.