Agefield High: Rock the School | Review

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Agefield High: Rock the School é uma aventura em mundo aberto desenvolvida pela Refugium Games que nos coloca no papel de Sam, um adolescente que acaba de se mudar para o interior e precisa começar uma nova vida em uma escola diferente.

Basta olhar por alguns minutos para o título para perceber que ele não faz muita questão de esconder uma de suas principais inspirações: Bully, clássico da Rockstar Games lançado originalmente em 2006. Temos aulas, horários, professores, confusões pelos corredores, bicicletas, pequenas tarefas espalhadas pela cidade e, naturalmente, muitas brigas entre adolescentes.

Some a isso uma proposta inspirada nas comédias adolescentes do começo dos anos 2000 e, pelo menos no papel, temos algo bastante interessante. Afinal, são poucos os jogos atuais dispostos a explorar esse tipo de ambientação.

Mas será que Agefield High: Rock the School consegue aproveitar a oportunidade? Infelizmente, depois de aproximadamente seis horas com o jogo, minha resposta é bastante simples: não. Os detalhes eu trago agora, em mais uma review antecipada do Pizza Fria!

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De volta aos anos 2000

Sabe aqueles jogos que despertam o interesse quase imediatamente por apresentarem uma proposta que não encontramos todos os dias? Esse é o caso de Agefield High: Rock the School. O título nos transporta para 2002 e acompanha Sam, um adolescente que acabou de chegar à pequena cidade de Agefield e precisa lidar com aquilo que qualquer jovem adoraria enfrentar simultaneamente: uma nova casa, novos colegas, uma nova escola e todas as confusões que podem surgir disso.

O título abraça sem muita cerimônia aquela estética das comédias adolescentes do início dos anos 2000. Temos estudantes querendo aproveitar os últimos momentos antes da formatura, festas, bebidas, romances, piadas de gosto duvidoso e personagens que parecem ter saído diretamente de algum filme adolescente perdido em uma locadora há mais de duas décadas.

Agefield High: Rock the School
O aviso foi dado. (Imagem: Captura de Tela/Lucas Soares/PC)

Mike é um bom exemplo. Mais velho que os protagonistas, ele exerce aquele clássico papel do sujeito que conhece todo mundo, participa de algumas reuniões da molecada, fornece bebidas e serve como uma espécie de tio da turma. É um arquétipo bastante reconhecível para quem cresceu assistindo aos filmes que claramente inspiram o jogo. O problema é que reconhecer referências e arquétipos não significa necessariamente construir uma narrativa interessante.

A história de Agefield High serve principalmente como justificativa para transportar Sam de uma atividade para outra. Os personagens cumprem suas funções, algumas situações conseguem arrancar um sorriso e existe certa simpatia na tentativa de recuperar aquele espírito adolescente, mas os diálogos frequentemente caem naquele território complicado da vergonha alheia.

Há uma linha relativamente tênue entre reproduzir propositalmente o humor de uma época e simplesmente apresentar diálogos que parecem constrangedores, e Agefield High nem sempre consegue ficar do lado certo dela. Ainda assim, a história está longe de ser o maior problema encontrado por aqui. Na verdade, ela acaba sendo uma das poucas coisas que ocasionalmente conseguem nos lembrar do jogo que talvez pudesse existir caso todo o restante tivesse recebido mais tempo de desenvolvimento.

Agefield High: Rock the School
Cadê as pessoas dessa cidade? (Imagem: Captura de Tela/Lucas Soares/PC)

Vida escolar complicada

A principal estrutura de Agefield High gira em torno de uma rotina escolar. De segunda a sexta-feira, Sam possui uma agenda com horários definidos para suas aulas, enquanto os intervalos podem ser utilizados para realizar missões, explorar a cidade ou simplesmente matar aula e lidar com as possíveis consequências disso. É uma ideia interessante.

Na prática, entretanto, praticamente cada sistema apresentado parece carregar alguma pequena decisão estranha junto dele. As aulas funcionam como minigames. Em Geografia, por exemplo, precisamos identificar países em um mapa-múndi. Em Inglês, completamos palavras. Já Alemão traz exercícios de tradução.

É justamente aqui que encontramos um dos problemas mais incompreensíveis da localização brasileira. Mesmo jogando em português do Brasil, diferentes elementos da interface continuam aparecendo em inglês. Objetivos, comandos e algumas mensagens permanecem sem tradução. Isso já seria inconveniente por si só, mas a situação se torna muito pior quando interfere diretamente nos minigames.

Na aula de Inglês, palavras precisam ser preenchidas no idioma original. Em Geografia, nomes de países aparecem em inglês. Mais curioso ainda é Alemão, onde fui colocado diante de palavras em inglês e deveria escolher sua correspondente em alemão. Eu falo inglês. Alemão, contudo, definitivamente não faz parte das minhas habilidades. O resultado foi uma gloriosa nota F.

Agefield High: Rock the School
Hora de aprender alemão? (Imagem: Captura de Tela/Lucas Soares/PC)

E existe um problema importante nisso: não falhei porque não compreendi alguma mecânica apresentada anteriormente, porque não tive habilidade suficiente ou porque não prestei atenção à aula. Falhei porque o jogo localizado para português brasileiro exigiu conhecimento de outros dois idiomas sem ensinar aquilo que estava cobrando. Isso deixa de ser apenas uma tradução incompleta e passa a afetar diretamente a jogabilidade.

A própria rotina escolar também possui comportamentos difíceis de compreender. Algumas missões interrompem completamente a passagem do tempo enquanto outras avançam o relógio normalmente. Durante os testes, consegui iniciar determinadas atividades entre duas aulas sem perder praticamente nenhum tempo, enquanto outras missões consumiram uma parcela considerável do dia.

Existe uma lógica por trás de alguns desses acontecimentos, especialmente em missões de história que precisam representar um determinado período, mas ela raramente é comunicada de maneira clara. Também é possível entrar em uma aula mesmo algum tempo depois de seu horário inicial, desde que ainda estejamos dentro da janela correspondente àquele período. A consequência é um sistema que até funciona, mas que faz o jogador aprender suas regras principalmente pela tentativa e erro.

Agefield High: Rock the School
Algumas atividades escolares impressionam pela simplicidade. Em Matemática, uma das questões apresentadas foi literalmente ‘1 + 1’. (Imagem: Captura de Tela/Lucas Soares/PC)

Brigar nunca foi tão complicado

E chegamos ao combate. A própria proposta de Agefield High nunca foi oferecer um sistema complexo. E tudo bem. Um jogo não precisa possuir dezenas de combos, esquivas perfeitas e uma árvore de habilidades gigantesca para que suas brigas sejam divertidas. O problema é que simples e ruim são coisas diferentes.

Sam pode socar, chutar, empurrar para quebrar a defesa de adversários e bloquear golpes. Individualmente, essas ações já apresentam pouca sensação de impacto e animações bastante artificiais. Quando dois inimigos aparecem simultaneamente, os problemas ficam ainda mais evidentes.

Não existe uma maneira eficiente de controlar qual adversário queremos atingir. Os dois podem atacar simultaneamente, enquanto o alcance de nossas ações parece inconsistente. Em alguns momentos, empurrar um inimigo cria uma distância grande o suficiente para que o soco usado imediatamente depois simplesmente não alcance o alvo.

Agefield High: Rock the School
Nocaute! (Imagem: Captura de Tela/Lucas Soares/PC)

O bloqueio é ainda mais curioso. Sam consegue defender ataques mesmo quando eles vêm diretamente de suas costas. A animação continua mostrando o personagem protegendo a parte frontal do corpo, mas o golpe é magicamente bloqueado. É um detalhe que resume boa parte da experiência: os sistemas existem, mas frequentemente parecem não conversar direito com aquilo que está acontecendo visualmente. A câmera também não ajuda. Durante os confrontos, ela nem sempre acompanha adequadamente o personagem e torna encontros com múltiplos adversários ainda mais confusos.

Missões de stealth e perseguições também aparecem durante a campanha, mas nenhuma das atividades experimentadas durante minhas seis horas conseguiu alterar substancialmente essa impressão. Há variedade de ideias. Falta refinamento para executá-las.

Agefield High: Rock the School
Seth é o rival em Agefield High: Rock the School (Imagem: Captura de Tela/Lucas Soares/PC)

Pegue sua bicicleta e vá

Fora da escola, Agefield oferece uma pequena cidade aberta para exploração. E quero deixar uma coisa bastante clara aqui: o problema não é ela ser pequena.

Um mundo aberto compacto pode funcionar muito melhor do que um gigantesco quando existe densidade suficiente de atividades e acontecimentos. Minha expectativa nunca foi encontrar uma Los Santos adolescente escondida dentro de Agefield High. Infelizmente, Agefield frequentemente parece vazia.

Podemos aumentar nas configurações gráficas a quantidade de estudantes dentro da escola, pedestres na cidade e veículos pelas ruas. Mesmo colocando essas opções em níveis elevados, a diferença prática não resolveu a sensação de estarmos explorando lugares pouco habitados.

Agefield High: Rock the School
Pedalando. (Imagem: Captura de Tela/Lucas Soares/PC)

Isso é particularmente perceptível dentro da escola. Estamos teoricamente em uma instituição cheia de adolescentes, mas corredores e áreas externas frequentemente possuem tão poucos NPCs que parece existir apenas uma pequena turma estudando no local.

Durante a exploração da cidade, o problema ganha outra dimensão por causa do áudio. Existem carros passando com músicas tocando, NPCs fazem comentários aleatórios e alguns elementos sonoros aparecem pontualmente. Entretanto, longos deslocamentos são acompanhados basicamente pelo ruído da bicicleta.

Faltam sons urbanos, conversas, vida acontecendo ao redor e até uma trilha sonora que acompanhe as viagens. Consequentemente, atravessar um mapa relativamente pequeno começa a parecer mais cansativo do que deveria. Uma opção de viagem rápida seria muito bem-vinda, principalmente depois que algumas missões passam a exigir deslocamentos repetidos entre regiões diferentes.

Agefield High: Rock the School
Gente suficiente pra encher uma Kombi (Imagem: Captura de Tela/Lucas Soares/PC)

Há lojas de roupas, barbearia, locais para conseguir diferentes bicicletas e estabelecimentos nos quais podemos comprar itens. Algumas dessas possibilidades ajudam a construir a ideia de uma pequena cidade navegável e existem atividades secundárias espalhadas pelo mapa. Entretanto, ao longo do período que joguei, muitos desses sistemas pareceram mais elementos colocados no mundo do que partes realmente significativas da experiência.

Alguém precisa conversar sobre essas animações

Visualmente, Agefield High é complicado. E, novamente, não falo em comparação com jogos AAA. Existe uma diferença enorme entre exigir tecnologias gráficas de última geração de um projeto independente e esperar que personagens consigam simplesmente se movimentar de maneira minimamente convincente.

Sam frequentemente parece rígido. Seu rosto possui pouquíssima expressividade durante várias conversas e chama ainda mais atenção porque outros personagens apresentam movimentos levemente aprimorados e pequenas expressões faciais enquanto o protagonista mantém um olhar praticamente perdido no horizonte.

Agefield High: Rock the School
Sam, o rei do carisma (Imagem: Captura de Tela/Lucas Soares/PC)

As animações corporais são ainda mais problemáticas. Caminhadas, corridas, golpes e transições entre movimentos podem produzir poses completamente artificiais. As colisões deixam Sam quase que quebrado. Também registrei o protagonista caminhando com uma das pernas esticada para frente enquanto a outra permanecia dobrada em uma posição tão incomum que a imagem parece muito mais um problema de animação do que um personagem andando normalmente.

Portas simplesmente se abrem quando nos aproximamos, sem qualquer interação convincente, e diferentes movimentos reforçam constantemente a sensação de estarmos diante de algo que ainda precisava passar por uma etapa considerável de refinamento. E infelizmente os problemas não terminam na apresentação visual.

Agefield High: Rock the School
Morreu ou passa bem? (Imagem: Captura de Tela/Lucas Soares/PC)

Desempenho escolar: F

Joguei Agefield High: Rock the School em um computador equipado com Ryzen 7 5700X, 32 GB de memória RAM e uma RTX 5070, utilizando resolução 4K e diferentes configurações de DLSS ao longo dos testes.O desempenho foi extremamente inconsistente.

Com as configurações gráficas no máximo, o jogo frequentemente oscilava entre aproximadamente 50 e 80 quadros por segundo. Alterar o DLSS entre diferentes modos produziu resultados variados, mas não eliminou as quedas. E aqui o problema não é simplesmente “não rodar a 60 FPS”.

Agefield High: Rock the School
Sam e sua turma (Imagem: Captura de Tela/Lucas Soares/PC)

Em determinados momentos, principalmente durante transições e cenas, a taxa de quadros despencou para valores próximos de dez FPS ou até menos. Em uma dessas situações, pausei o jogo por alguns instantes e, depois disso, a taxa voltou parcialmente ao normal. Segundos depois, uma cena terminava e o contador saltava novamente para dezenas de quadros por segundo. Isso torna evidente que estamos diante de um problema de consistência muito maior do que simplesmente exigir demais do hardware.

Também experimentei um congelamento completo durante uma missão. A imagem parou e o jogo deixou de responder aos comandos enquanto a música continuava tocando normalmente, obrigando-me a reiniciar a experiência. Curiosamente, ao retornar, meu progresso naquela atividade aparentemente havia sido registrado, indicando a existência de algum tipo de salvamento automático associado às missões.

Ainda assim, diante da quantidade de problemas encontrados, fica difícil escapar da impressão de que Agefield High precisava de muito mais tempo dedicado a otimização, testes e controle de qualidade antes de chegar às mãos dos jogadores.

Agefield High: Rock the School
Eu? (Imagem: Captura de Tela/Lucas Soares/PC)

Vale a pena comprar Agefield High: Rock the School?

Talvez essa seja a parte mais frustrante de toda essa review. Eu queria ter gostado de Agefield High: Rock the School. Sua proposta foi exatamente aquilo que despertou meu interesse. Uma aventura escolar inspirada claramente em Bully, ambientada em 2002 e influenciada pelas comédias adolescentes daquela geração é uma ideia que foge bastante daquilo que encontramos atualmente.

Eu sabia exatamente onde estava entrando. Não esperava um mundo aberto gigantesco. Não esperava centenas de estudantes. Não esperava um sistema de combate complexo. Não esperava valores de produção comparáveis aos de uma Rockstar Games. O próprio escopo reduzido do jogo nunca foi um problema. O problema é que, mesmo considerando todas essas limitações, fui surpreendido negativamente.

Durante as seis horas que joguei, encontrei uma experiência prejudicada por problemas de desempenho, animações extremamente artificiais, localização incompleta que interfere diretamente nos minigames, combate confuso, câmera problemática, ambientação vazia, sistemas pouco explicados e decisões de design que frequentemente parecem ter recebido menos refinamento do que precisavam. Mesmo entrando em Agefield High ciente das limitações de escala apresentadas pela própria desenvolvedora, não esperava encontrar uma experiência comprometida em tantos de seus sistemas fundamentais.

Existem pequenos momentos divertidos. Fugir dos responsáveis pela escola depois de arrumar confusão, acompanhar algumas das situações absurdas dos personagens ou simplesmente perceber o quanto determinada cena tenta reproduzir algum filme adolescente dos anos 2000 ocasionalmente mostra aquilo que Agefield High poderia ter sido.

Só que esses momentos são constantemente enterrados pelos problemas ao redor deles. A desenvolvedora estima uma duração de 8 a 10 horas para a campanha, mas optei por encerrar minha experiência antes. Nesse período, passei por diferentes aulas, missões principais e secundárias, exploração, combate, stealth, perseguições e boa parte dos sistemas centrais apresentados pelo título.

Não cheguei aos créditos e, portanto, não avalio aqui acontecimentos posteriores da história ou seu encerramento. Minha decisão de parar aconteceu porque os problemas descritos ao longo desta análise permaneceram recorrentes e porque continuar jogando começou a significar encontrar novas manifestações das mesmas deficiências em vez de elementos capazes de alterar significativamente minha percepção da experiência.

E esse talvez seja o resumo mais triste de Agefield High: Rock the School. Existe uma boa ideia aqui. Existe até um jogo que, em alguns pequenos momentos, consegue ser divertido. Mas, na versão que joguei para esta análise, existe principalmente a sensação de uma obra que chegou ao fim de seu desenvolvimento muito antes de estar realmente pronta para chegar ao fim de uma avaliação.

Agefield High: Rock the School chega nesta quarta-feira, 12 de agosto, somente para PC, via Steam.

*Review elaborada em um PC equipado com uma GeForce RTX, com código fornecido pela Refugium Games.

Agefield High: Rock the School

3

História

4.0/10

Gráficos e Sons

2.5/10

Gameplay

2.0/10

Extras

3.5/10

Prós

  • Premissa escolar inspirada em Bully e nas comédias adolescentes dos anos 2000
  • Boa variedade de atividades, entre aulas, missões, exploração e personalização
  • Alguns momentos conseguem transmitir o humor e a atmosfera que o jogo pretende recriar

Contras

  • Problemas graves de desempenho e estabilidade
  • Animações e apresentação visual pouco refinadas
  • Combate confuso, com câmera e direcionamento de ataques problemáticos
  • Localização incompleta que chega a prejudicar atividades escolares
  • Mundo pouco vivo e sistemas superficiais ou mal comunicados

Lucas Soares

Jornalista e fã de videogames desde criança. Já teve Mega Drive, Game Boy Color, PS1, PS2, PS3, PS4, PSVR, PS Vita, Nintendo 3DS e agora tem "só" um PS5, um Nintendo Switch e um PC Gamer. Para ele, o melhor jogo da história é Chrono Trigger, mas Metal Gear Solid 3, Final Fantasy X, The Last of Us Part II e Red Dead Redemption 2 completam o Top-5.