Diablo II: Resurrected – Reign of the Warlock | Review

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Diablo II foi lançado originalmente há 26 anos e, um ano depois, recebeu a excelente expansão Lord of Destruction. Desde então, e até setembro de 2021, quando Diablo II: Resurrected chegou ao mercado, ele sempre foi o meu favorito da franquia.

Com o lançamento da remasterização, que já incluía a crocante expansão, o segundo título da série voltou aos holofotes. Ainda assim, por um bom tempo, Diablo II entrou em hiato, sem grandes novidades, enquanto a desenvolvedora parecia concentrar seus esforços em Diablo IV e na versão mobile, Diablo Immortal. Eis que, para comemorar os 30 anos da franquia, a expansão Reign of the Warlock foi anunciada e lançada no mesmo dia, trazendo uma nova classe, o Warlock, traduzido aqui como Bruxo, além de diversas melhorias de qualidade de vida.

Use a magia proibida do Bruxo, a nova classe forjada a partir de pactos demoníacos e do próprio inferno. Descubra builds com itens inéditos, conjuntos e palavras rúnicas totalmente novas. Explore áreas de terror dinâmicas, enfrente os Ancestrais Colossais em batalhas finais desafiadoras e aproveite melhorias modernas que deixam a experiência de Diablo II ainda mais refinada.

Quer saber como a nova expansão de Diablo II está rodando no PlayStation 5? Então bora para aquela pausa rápida de cinco minutinhos, pegue um café coado bem quentinho, resgate aquela pizza de ontem na geladeira e venha comigo em mais uma análise do Pizza Fria!

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Jornada que transcende décadas.

Quando Diablo II foi lançado no ano 2000, ele rapidamente se tornou um divisor de águas para o gênero de RPG de ação. A história dá continuidade direta aos acontecimentos do primeiro jogo, mostrando que a vitória contra Diablo teve um preço alto, o herói que o derrotou acabou corrompido pela Pedra das Almas, transformando-se no Andarilho Sombrio. A partir daí, o jogador percorre o mundo de Santuário seguindo os rastros dessa presença maligna, enfrentando cultistas, demônios e criaturas que anunciam o retorno dos Grandes Males.

A jornada se desenrola inicialmente em quatro atos, cada um com ambientação própria e um senso crescente de urgência. De vilas tomadas pelo medo a regiões exóticas e decadentes, a narrativa mantém um tom sombrio e opressivo, enquanto revela que o plano de Diablo envolve libertar seus irmãos, Mephisto e Baal. O peso da corrupção, da fé distorcida e da guerra celestial é sentido não apenas nos diálogos e nas cutscenes, mas também na construção dos cenários e na própria progressão do jogador.

Com a chegada de Diablo II: Lord of Destruction, incorporada no remake, Diablo II: Resurrected, a campanha foi ampliada com um quinto ato que leva o confronto ao extremo norte, culminando na batalha definitiva contra Baal. Além de expandir a história, a expansão introduziu novas classes, itens e sistemas que se tornaram parte essencial da identidade do jogo. Hoje, é impossível dissociar Diablo II de Lord of Destruction, especialmente na versão remasterizada, que preserva todo esse conteúdo com visual modernizado e melhorias de qualidade de vida.

Diablo II: Resurrected - Reign of the Warlock
O bruxo domina as artes proibidas, controla o fogo do inferno e as sombras, e domina demônios. (Imagem: Reprodução/Filipe Villela/Pizza Fria)

É justamente sobre esse alicerce clássico que Reign of the Warlock se apoia. A nova expansão parte do legado estabelecido pelo jogo base e por Lord of Destruction para ampliar o universo de Santuário, trazendo um novo ponto de vista sobre o conflito entre os mortais e as forças infernais, com um personagem que não é apenas adversário dos demônios, mas alguém que os manipula como parte central de sua identidade e história, se apresentando como um novo capítulo dentro de uma mitologia que, mesmo após décadas, continua encontrando maneiras de se reinventar.

Seja bem-vindo ao reino do Bruxo

A nova classe em Diablo II: Resurrected, introduzida na expansão Reign of the Warlock, chega com uma proposta ousada, transformar o Warlock, Bruxo, em um manipulador direto das forças que antes eram apenas enfrentadas. Diferente de classes focadas puramente em combate físico ou magia elemental, ele orbita em torno de três pilares distintos de poder, que definem sua identidade em campo de batalha, o Caos, Sobrenatural e Demônio. Cada árvore oferece uma abordagem própria de progressão, permitindo ao jogador moldar o Bruxo como um conjurador destrutivo, um controlador arcano ou um mestre da invocação infernal.

A árvore de Poderes do Caos concentra-se na destruição bruta e instável. Aqui, o Warlock canaliza energias imprevisíveis, capazes de causar dano massivo em área, aplicar efeitos degenerativos e alterar o ritmo do combate com explosões de poder que fogem ao controle convencional. É uma vertente ofensiva, pensada para jogadores que preferem limpar hordas rapidamente e pressionar inimigos com dano contínuo e habilidades que escalam bem em confrontos mais intensos.

Já a vertente Sobrenatural aposta no controle e na manipulação do campo de batalha. Em vez de apenas causar dano, o Bruxo interfere diretamente no estado dos adversários, aplicando maldições, drenando atributos, enfraquecendo resistências e manipulando recursos vitais. Trata-se de uma árvore mais estratégica, que recompensa planejamento e sinergia entre habilidades, funcionando quase como um maestro sombrio que dita o ritmo do confronto enquanto corrói seus oponentes aos poucos.

Diablo II: Resurrected - Reign of the Warlock
Inque Carprinos, Maculados e Profanadores para lutar por você. Diferente dos Necromantes, que precisa de corpos, com Bruxo, você só precisa de mana para fazer a conjuração. (Imagem: Reprodução/Filipe Villela/Pizza Fria)

Por fim, a árvore Demônio, a minha preferida, é aquela que abraça de vez a temática central da classe, o domínio sobre criaturas infernais. Nela, o Warlock invoca servos demoníacos e até consome suas próprias invocações para obter benefícios táticos. É uma construção que mistura risco e recompensa, oferecendo versatilidade e presença constante em campo. Dependendo da combinação escolhida, o Bruxo pode alternar entre um comandante das forças infernais ou combatente que utiliza seus próprios pactos como combustível para ampliar seu poder.

Melhorias de qualidade de vida e novos conteúdos

Além da nova classe, Diablo II: Resurrected – Reign of the Warlock recebeu diversas melhorias de qualidade de vida. Entre elas, destacam-se os filtros de saque, agora configuráveis no menu de opções, um recurso extremamente útil, principalmente para jogadores mais avançados.

Nos filtros de saque, é possível personalizar regras para coleta automática, exibir apenas itens únicos, runas, elites e conjuntos, ou até mesmo ocultar determinados tipos de equipamentos com base em raridade, qualidade ou categoria. É aquela ajuda extra que faltava nos rushes e farms de Diablo II, tornando a experiência mais dinâmica e organizada.

O baú revisado também merece destaque. Antes, contávamos apenas com o baú pessoal, exclusivo do personagem em uso, e o partilhado, utilizado para transferir itens entre heróis. Agora, o sistema está muito mais organizado. Além dessas divisões, há abas específicas para joias, materiais e runas, cada uma com slots dedicados para armazenar pedras, recursos e combinações rúnicas. Essa mudança melhora significativamente a gestão de inventário em Diablo II, especialmente para quem investe horas em coleta e otimização de builds.

Diablo II: Resurrected - Reign of the Warlock
Olha esse baú, que coisa linda e organizada, e me diz se não é o sonho para quem tem TOC!? (Imagem: Reprodução/Filipe Villela/Pizza Fria)

E as novidades não param por aí. No menu de opções, foi adicionada a aba “Crônica”, um sistema de rastreamento que registra itens únicos, conjuntos e palavras rúnicas já obtidos. Para quem não está familiarizado, palavras rúnicas são combinações específicas de runas inseridas na ordem correta em itens com engastes, concedendo atributos extremamente poderosos. Agora, além de acompanhar o progresso, o jogador ainda recebe recompensas ao completar coleções.

Por fim, uma nova classe exige novos equipamentos. A expansão adiciona mais de 30 itens inéditos, incluindo conjuntos completos, palavras rúnicas focadas na construção do Bruxo e o próprio livro da classe, com aprimoramentos exclusivos. Esse novo arsenal amplia as possibilidades de build e reforça a longevidade de Diablo II nesta nova fase.

Zonas de Terror aprimoradas

A expansão Reign of the Warlock também trouxe atualizações para as Zonas de Terror, mecânica introduzida originalmente em setembro de 2022, com o patch 2.5 de Diablo II: Resurrected. Para quem não está familiarizado, as Zonas de Terror são um recurso de pós-game que transforma áreas comuns do mapa em regiões de altíssima dificuldade, e também de grandes recompensas.

O funcionamento é simples, após concluir a campanha no Normal, basta criar uma nova partida nessa dificuldade e habilitar a opção Terror. Ao iniciar o jogo, dois locais aparecerão destacados em roxo no canto superior direito do mapa, são essas as áreas afetadas.

Nessas zonas, o sistema aplica uma espécie de corrupção ligada a Diablo, modificando diversos parâmetros. Os monstros deixam de ter nível fixo e passam a escalar acima do nível do personagem, tornando-se mais desafiadores e aumentando significativamente a experiência obtida nos combates. Esse escalonamento dinâmico trouxe uma nova camada de desafio ao endgame de Diablo II.

Diablo II: Resurrected - Reign of the Warlock
Com as Zonas de Terror ativas, até mesmo as primeiras áreas do jogos podem ser seu melhor local para formar. (Imagem: Reprodução/Filipe Villela/Pizza Fria)

Além disso, qualquer inimigo nessas áreas pode derrubar itens de elite, aqueles mais raros que normalmente aparecem apenas em chefes específicos. Também há chance de obter os importantes Patuás de Ruptura, exclusivos dessa modalidade. Na prática, se você joga, por exemplo, com um mago focado em fogo, um patuá específico permite quebrar a imunidade a fogo de monstros que antes eram totalmente resistentes, abrindo novas possibilidades de build e estratégia.

No fim das contas, as Zonas de Terror se mostraram uma excelente forma de revitalizar todo o mapa de Diablo II, fazendo com que o melhor local para explorar e farmar esteja sempre mudando. Isso mantém a experiência dinâmica e incentiva o jogador a revisitar áreas que antes eram ignoradas no pós-game.

Vale a pena jogar Diablo II: Resurrected – Reign of the Warlock?

Sem dúvidas alguma vale a pena jogar a expansão de Diablo II: Resurrected – Reign of the Warlock, especialmente para os jogadores de longa data. A expansão não tenta reinventar a roda, mas constrói com respeito sobre o alicerce sólido que tornou Diablo II um dos RPGs de ação mais importantes da história.

A nova classe Bruxo adiciona uma camada interessante ao combate, com builds baseadas em pactos demoníacos e manipulação das forças infernais, enquanto novos itens ampliam significativamente as possibilidades de personalização. As melhorias de qualidade de vida também fazem diferença real.

Filtros de saque configuráveis, baú reformulado e o sistema de Crônicas tornam a experiência mais organizada e moderna, sem comprometer a essência clássica. Já as atualizações nas Zonas de Terror reforçam o endgame, incentivando a exploração dinâmica do mapa e mantendo o ciclo de farm sempre relevante.

No fim das contas, Diablo II: Resurrected – Reign of the Warlock é uma expansão que entende o legado que carrega. Ela não substitui o impacto histórico do jogo base, mas o fortalece, trazendo ajustes inteligentes e conteúdo suficiente para justificar o retorno a Santuário, seja para os veteranos nostálgicos ou para novos jogadores que desejam conhecer um dos pilares do gênero em sua forma mais refinada.

Se você já investiu centenas de horas em Diablo II, essa é uma excelente desculpa para voltar. E, se ainda não voltou desde o lançamento de Resurrected, talvez essa seja a hora.

Diablo II: Resurrected – Reign of the Warlock está disponível para Xbox One, Xbox Series X|S, PlayStation 4, PlayStation 5, Nintendo Switch e PC, via Battle.net e Steam.

*Review elaborada em um PlayStation 5, com código fornecido pela Blizzard.

Diablo II: Resurrected - Reign of the Warlock

BRL 109,90
8.7

História

8.6/10

Gameplay

9.0/10

Gráficos e Sons

8.8/10

Extras

8.4/10

Prós

  • Totalmente localizado para nosso idioma
  • Nova classe Bruxo com identidade própria
  • Melhorias reais de qualidade de vida
  • Alto fator replay

Contras

  • Por se tratar de um jogo de 25 anos atrás, talvez o preço da expansão afaste jogadores
  • Possui crossave, mas não é possível jogar entre plataformas

Filipe "Bdama" Villela

Aficionado por jogos desde cedo, de Bomberman, Zelda, Sonic ou Mário, indo dos clássicos das gerações passadas, até os indies e mais variados AAA atuais. Viciado em desafios, colecionador de platinas e consoles antigos, para mim não importa a plataforma ou gráficos de um jogo, sou movido pela emoção da aventura de conhecer e desbravar novos mundos, uma viagem única que apenas cartuchos e cd's podem nos levar. Embarque comigo nesse mundo de possibilidades infinitas e venha descobrir novos mundos e maneiras de se aventurar!