Far Far West | Preview

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Far Far West é um jogo cooperativo no qual os jogadores assumem o papel de robôs cowboys que devem realizar missões no Velho Oeste, enquanto tentam sobreviver a hordas de monstros e chefes desafiadores.

O game se inspira bastante em shooters de extração, nos quais os jogadores precisam cumprir uma série de objetivos e, depois, correr para sair da missão. Entretanto, o diferencial aqui é que o novo título desenvolvido pela Evil Raptor promete focar totalmente em uma experiência PvE, sem aquela corrida contra o tempo para realizar os objetivos das missões ou escapar após sua conclusão.

Diante disso, em um cenário já saturado de jogos cooperativos, será que Far Far West consegue se destacar? Confira agora em mais uma preview antecipada do Pizza Fria!

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Solucionando puzzles e sobrevivendo no Velho Oeste

Far Far West apresenta uma aventura bem direta ao ponto. Assumimos o controle de um cowboy robô, selecionamos uma das missões em uma das regiões do game e partimos para o mapa, onde devemos sobreviver a hordas de inimigos e cumprir o objetivo principal, que geralmente envolve a criação de uma armadilha para atrair o chefe da região. O jogo me impressionou bastante com a variedade de objetivos nas fases: a maioria envolve a resolução de puzzles para construir uma bomba ou, em outros casos, realizar ataques com alguma grande arma do cenário, como um canhão.

Entretanto, o diferencial está na forma como esses objetivos são conduzidos. Para concluí-los, precisamos executar diversas ações enquanto sobrevivemos a hordas de inimigos, o que gera uma tensão constante. Em uma dessas missões, por exemplo, os jogadores devem ativar um projetor que exibe uma sequência de itens por alguns segundos. Em seguida, é necessário decorar essa ordem e reproduzi-la corretamente em uma máquina.

Far Far West
Os objetivos principais nas fases são desafiadores na medida certa. (Imagem: Divulgação)

Em outra missão, precisamos completar um jogo da memória em tumbas, formando pares de símbolos na ordem correta. Há ainda desafios mais complexos que envolvem até mesmo contas matemáticas. O game consegue apresentar uma boa variedade de atividades, que surgem de forma aleatória durante as missões, ajudando a reduzir a sensação de repetição, embora, em sessões mais longas, essa estrutura ainda possa dar sinais de desgaste.

Outro aspecto importante são os inimigos que enfrentamos ao longo das missões. Far Far West apresenta uma boa quantidade de adversários básicos e adiciona ainda mais variações em níveis de dificuldade mais elevados. Além disso, essas criaturas, em sua maioria caveiras e espíritos, atacam de maneira coordenada, exigindo atenção constante dos jogadores. Em dificuldades mais altas, o jogo também introduz áreas mais perigosas no mapa, capazes de desencadear tempestades nas quais é preciso sobreviver a grandes ondas de inimigos. Isso eleva consideravelmente o desafio e torna cada sobrevivência bem-sucedida genuinamente satisfatória.

Lutando usando armas e magias

O título conta com um hub que pode ser explorado entre as missões, no qual encontramos diversos NPCs com os quais podemos interagir para realizar upgrades, comprar skins para os personagens e até mesmo adquirir novas armas.

Apesar de ainda não oferecer uma grande variedade de armamentos, Far Far West disponibiliza uma arma primária e uma secundária, com opções dentro de categorias como pistolas, metralhadoras, espingardas e até uma minigun. Essa limitação inicial é parcialmente compensada pelo amplo sistema de upgrades disponível para cada arma. As melhorias exigem ouro, que pode ser obtido ao explorar os mapas e completar missões. Vale destacar também que nem todas as armas estão disponíveis desde o início, sendo necessário coletar fragmentos durante as fases, seja ao derrotar chefes ou ao descobrir áreas secretas.

Far Far West
Coletar ouro nas fases permite comprar novas armas e habilidades. (Imagem: Divulgação)

Outro elemento relevante são os upgrades por meio de cartas, que podem ser equipadas em slots das armas. Conforme progredimos em Far Far West, desbloqueamos uma variedade considerável de cartas, que incluem bônus como aumento de dano, recarga mais rápida e até efeitos temporários, como maior velocidade após recarregar. Há também modificadores mais descontraídos, como a adição de sons de patos a cada passo do personagem, claramente pensados para momentos mais leves em partidas cooperativas.

Além do arsenal tradicional, os jogadores têm acesso a magias elementais, como fogo, eletricidade, ácido e até vodu, que permite converter inimigos em aliados por um curto período. O jogo apresenta uma boa variedade de habilidades desse tipo, que evoluem conforme o uso, tornando-se mais fortes e desbloqueando novas capacidades ao longo do tempo. Na prática, focar em magias de fogo e eletricidade se mostrou bastante eficiente, especialmente contra os chefes. Ainda assim, algumas vertentes precisam de ajustes, as habilidades de ácido, por exemplo, permanecem pouco impactantes mesmo em níveis mais avançados, o que compromete a diversidade de builds.

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Magias de fogo e eletricidade são boas contra chefes. (Imagem: Divulgação)

Por fim, há também um sistema de equipamentos que adiciona ações extras durante o combate, como a possibilidade de posicionar armadilhas ou criar áreas de cura para os aliados. Algumas habilidades chegam a permitir até mesmo reviver de forma automática os companheiros. No entanto, esse é outro ponto que carece de balanceamento mais refinado, já que, no estado atual, poucas opções competem de fato com as habilidades de cura, tornando a escolha menos estratégica do que deveria.

Boas quests opcionais no mapa, mas precisa de mais

Um dos pontos altos de Far Far West são as quests opcionais que podem ser realizadas em algumas regiões do mapa. Em cada missão, há um NPC marcado, e, ao interagir com ele, recebemos um objetivo secundário a ser cumprido. O jogo consegue entregar uma boa variedade nesse aspecto, com atividades que vão desde seguir uma sequência de fotos para encontrar um tesouro, até completar trajetos a cavalo ou encarar desafios mais criativos, como sincronizar feixes de luz por diferentes áreas do mapa utilizando espelhos.

Entretanto, apesar da boa qualidade dessas tarefas, a quantidade de NPCs disponíveis ainda é limitada, e cada um oferece apenas três objetivos, que normalmente podem ser concluídos dentro de uma única missão. Isso faz com que todo esse conteúdo seja completado rapidamente, até porque não se trata de desafios particularmente longos ou complexos. No fim, fica a sensação de que Far Far West poderia investir mais nesse sistema, ampliando a variedade e a quantidade de atividades opcionais para reforçar o fator de replay das fases.

Far Far West falha em entregar uma boa variedade de chefes

O maior problema de Far Far West é o número limitado de chefes presentes no game. É verdade que estamos falando de um título em acesso antecipado, mas, ainda assim, ele já apresenta uma quantidade considerável de regiões, com ambientações bem variadas. Isso torna ainda mais evidente a escassez de chefes e, principalmente, o quão fáceis eles se tornam conforme os jogadores avançam alguns níveis.

Far Far West
Far Far West falha em entregar uma boa variação de chefes. (Imagem: Divulgação)

Apesar disso, há batalhas que se destacam bastante, como o confronto contra um pássaro reaper gigante, um trem fantasma e até mesmo uma casa assombrada colossal, que me lembrou à icônica luta contra a casa em Final Fantasy VII Remake. No papel, são ideias criativas e visualmente interessantes, mas o jogo falha ao equilibrá-las em níveis de dificuldade mais elevados.

Na prática, ao jogar em coop com mais um amigo, ambos com personagens por volta do nível 20, os chefes eram derrotados com rapidez excessiva. Isso acaba comprometendo o impacto dessas batalhas, que deixam de ser momentos desafiadores e memoráveis para se tornarem confrontos tediosos.

O modo solo precisa de melhorias

Far Far West simplesmente não funciona bem no modo solo. O balanceamento do jogo foi claramente pensado para partidas com, no mínimo, duas pessoas, especialmente no que diz respeito aos objetivos principais, que frequentemente exigem divisão de tarefas. Em muitos casos, um jogador precisa resolver um puzzle enquanto o outro lida com hordas de inimigos, ou ainda realizar ações simultâneas, como em missões que exigem a ativação de alavancas ao mesmo tempo.

Além disso, o game não conta com um sistema de auto-revive. Isso significa que, ao morrer jogando sozinho, a missão falha imediatamente, o que torna extremamente frustrante completar todos os objetivos, incluindo as quests opcionais, que beiram o impossível nesse formato.

Acertaram na tensão nos momentos de extração

Agora, voltando aos pontos positivos, é realmente incrível o quanto Far Far West acerta na criação de momentos de tensão, especialmente nos trechos finais das missões. Após derrotar o chefe, os jogadores precisam subir em seus cavalos enquanto uma enorme quantidade de inimigos avança em sua direção. A partir daí, é necessário correr a todo vapor, tocar o sino e resistir por um determinado período até que o trem finalmente chegue, permitindo a extração.

Far Far West
Os trechos de extração entregam bastante tensão, sendo um dos grandes destaques do game. (Imagem: Divulgação)

São nesses momentos que Far Far West realmente se destaca. A pressão constante, somada à sensação de urgência, cria sequências intensas e caóticas, nas quais qualquer erro pode custar caro. Ao mesmo tempo, quando tudo dá certo, a conclusão da missão traz uma sensação de satisfação genuína, especialmente pelo contraste entre o aparente desespero da situação e a superação do desafio. É, sem dúvida, um dos aspectos mais bem executados da experiência.

Gráficos e trilha sonora

Far Far West é um jogo visualmente bastante bonito. Seu estilo cartunesco remete claramente a Borderlands em diversos momentos, e a variedade de biomas, que inclui desertos, áreas congeladas e regiões montanhosas, contribui para manter a experiência visual interessante ao longo das partidas.

Far Far West
Far Far West impressiona com a grande variedade de biomas. (Imagem: Divulgação)

Em relação à trilha sonora, no entanto, o jogo poderia apresentar maior diversidade. As músicas que acompanham os momentos de combate e exploração acabam se repetindo com frequência, independentemente do mapa, o que reduz o impacto da ambientação e pode tornar a experiência sonora um pouco monótona com o passar do tempo.

Desempenho

Minha experiência foi em um PC equipado com uma RX 9060 XT de 16 GB. Jogando com os gráficos no máximo, em resolução 1440p, obtive uma média superior a 100 FPS de forma consistente, sem enfrentar travamentos ou bugs. Considerando que se trata de um jogo ainda em acesso antecipado, esse nível de desempenho e estabilidade surpreende positivamente.

O que esperar de Far Far West?

Atualmente, Far Far West entrega uma experiência divertida no modo cooperativo, mas que pode gerar frustrações consideráveis quando jogado solo. O game apresenta uma boa variedade de mapas e quests envolventes, porém a quantidade limitada de chefes não acompanha esse ritmo, o que faz com que a experiência se torne repetitiva mais rapidamente do que deveria.

Embora conte com um sistema de progressão robusto, os problemas de balanceamento entre armas e habilidades acabam se destacando de forma negativa. Caso não sejam ajustados, esses pontos podem se tornar um obstáculo significativo para a longevidade do jogo.

Far Far West foi desenvolvido pela Evil Raptor e chega nesta terça, 28 de abril, em acesso antecipado para PC, via Steam.

*Preview elaborada em uma PC equipado com uma Radeon RX, com código fornecido pela Fireshine Games.

Leandro Paiva

Um estudante de jornalismo e o primeiro estagiário do site. Degustador nato de coxinha e pizza fria com ketchup. Amante de RPG, principalmente aqueles em que é possível pescar em vez de fazer a missão principal. Piadista em tempo integral e um grande degustador de café. Defensor de Birds of Prey e da DC em geral nas horas vagas.