GRIME II | Review
GRIME II é um metroidvania de ação em duas dimensões (o melhor que existe), desenvolvido pela Clover Bite e publicado pela Kwalee, no qual controlamos um ser sem forma que precisa explorar uns lugares bem doidos para descobrir quem é. Ou tentar, ao menos.
E aí, será que vale a pena encarar mais essa aventura bidimensional recheada de riscos e horas? É o que saberemos agora, em mais uma análise atemporal do Pizza Fria!
Formado e aprovado
Leitores e leitoras, nos reunimos aqui mais um dia de maneira digital (estou fugindo de contatos e presenciais, obrigado) para conversar sobre mais um metroidvania que cai do metafórico céu em nossos metafóricos colos. O melhor tipo de surpresa para termos em qualquer momento, não é mesmo? De fato, é uma ocasião agradável e feliz.
O nome de nosso floco de neve hoje é GRIME II. Jogo que, na verdade, poderia ter mais a ver com mofo, viscosidade e algo que parece ser argila do que com a mais pura e doce forma sólida e cristalizada da água. Bom, ao menos acredito que aquilo seja argila. De toda forma, como muitas coisas na vida, isso não é tão importante e, por isso, me basta mais a convicção que a certeza real.
Meu interesse inicial foi capturado, como costuma acontecer nesses casos, pela premissa do jogo. Sou fã do estilo e, dentro do possível, gosto de jogar tudo que aparece na praça. Contudo, sua estética e foco em um combate mais pesado e reativo também foi a cereja do bolo para capturar meus sentimentos. Mas, será que o título entrega? É o que saberemos agora.

História
GRIME II conta a história do formless, um cara (ou coisa?) que surge de algo que aparenta ser um ovo sem a mínima noção do que é, de quem é ou do que veio fazer nesse mundão de nosso Deus. Com a habilidade de absorver outras criaturas tão bizarras quanto ele, e um sonho em seu quase coração, nosso troço-herói sai pelo mundo em busca de respostas.
E elas chegam, de uma maneira ou de outra. O mundo do título é bem estranho, e boa parte de sua narrativa é contada através de pequenas coisas do cenário ou diálogos mais longos com outras aberrações artísticas como nós. Isso vai, pouco a pouco, nos mostrando mais sobre como aquele mundo funciona, nosso papel nele e a real situação das coisas.
Dito isto, achei a narrativa de GRIME II demasiada confusa em alguns pontos e leve demais em outros. O jogo tem um mundo e premissa interessantes e explore temas como o ser e o que é a consciência, mas muitas coisas ou ficam no ar ou são apresentadas de uma maneira tão atrapalhada que fica difícil se envolver ou, até, acompanhar o que diabos está acontecendo em alguns momentos.

Jogabilidade
Em se tratando de jogabilidade, GRIME II se apresenta como um metroidvania com um grande enfoque no combate e na exploração, além de uma mecânica na qual absorvemos nossos inimigos para usar suas habilidades como se fossem nossas. Algumas enquanto tivermos energia e outras apenas por uma vez sempre que usamos a absorção no dito cujo.
Absorver a galera é bem fácil. Certos inimigos possuem um limite em sua vida que, ao ser suficientemente abaixada, os deixa abobados e abre espaço para que usemos nosso dash para dar um encontrão neles. Isso absorve a habilidade de cada um para usarmos uma vez e, após repetir um número específico de vezes com outros bichões, libera o poder para ser equipado e utilizado sempre que quisermos.
É um sistema já conhecido, mas que é bem aplicado por GRIME II e ajuda a aumentar o leque de possibilidades no arsenal do jogador. Somado aos diversos tipos de armas acabamos por ter uma boa variedade de maneiras de quebrar o inimigo. Eu, por exemplo, usava um porrete gigante com habilidades que facilitavam o contra-ataque ou aumentavam o dano da arma. Bom, simples e confiável.
Além disso, o jogo tem um foque grande em um sistema bem responsivo de aparos e esquivas que são essenciais para nossa sobrevivência, seja complementando o dano nos inimigos ou pelo simples fato de evitar que usem nossa cara como pincel para pintar as paredes das salas de vermelho.

Outro lance legal que GRIME II faz é com a barra de fôlego, tão famosa nos tempos de hoje. Nosso herói tem uma, mas ela não influencia em nada a capacidade de bater ou esquivar. Na verdade, atacar com ela acima de determinado nível é bom porque causamos dano extra, entre outras coisas, então passa a ser uma estratégia diferente do que é visto. Eu curti bastante.
As partes de plataforma também são bem legais, usando tudo que sabemos e temos para poder nos desafiar enquanto exploramos as cavernas e lugares bizarros do mundo. Eu não achei nada demasiadamente difícil, e o nível de desafio caiu perfeitamente para mim.
O que mais notei de problemático em GRIME II foi enfrentar mais de um inimigo de cada vez, o que pode ser confuso dado o visual do jogo e, o mais grave, quedas ocasionais de frames. O famoso stutter que, em jogos de precisão como esse, acaba sendo um motivo severo de raiva. E em minha defesa digo que coloquei o máximo possível de lenha em meu PC para garantir aquela performance diferenciada.

Sons e Visuais
GRIME II tem uns visuais bem legais e cheio de cores, apresentando um mundo igualmente bonito, bizarro e aterrador. Pontos extras, inclusive, pelo design da maiores dos personagens e de alguns chefes que ficaram bem maneiros. Contudo, senti uma certa fadiga conforme as horas avançavam, e as vistas começavam a ser mais repetidas pelo backtracking que temos que fazer.
A trilha sonora e efeitos ficou bem legal, caindo como uma luva na temática do título e pontuando bem os momentos de treta e os mais leves nos quais apenas tentamos não ser devorados ou cair em um buraco cheio de espinhos. E temos nossa legenda!

Vale a pena jogar GRIME II?
GRIME II, galerinha, é um metroidvania que sabe ao que veio e, no somar das coisas, acaba entregando uma experiência bem redondinha e completa ao jogador. Eu curti bastante o que vi e, salvo um ou outro escorregão ocasional, senti que a experiência teve um saldo bem positivo.
Temos um mundo legal de explorar e com um visual bem diferenciado, além de um sistema de combate bem completo, muitas habilidades para absorver e utilizar e um controle bem responsivo. Contudo, a história confusa pode frustrar, temos lentidões ocasionais e os cenários ficam meio repetidos mais do meio para a frente.
Mas, de toda forma, ainda posso recomendar GRIME II tranquilamente tanto para os fãs do gênero das vania quanto para aqueles que curtem um combate maneiro em 2D. O jogo entrega o que promete e, salvo uma coisa ou outra, o faz com maestria. Diria, até, que foi uma das boas surpresas do estilo que tivemos até o momento neste ano.
GRIME II já está disponível para PC, via Steam, PlayStation 5 e Xbox Series X|S.
*Review elaborada em um PC equipado com GeForce RTX, com código fornecido pela Kwalee.
GRIME II
BRL 75,99Prós
- Combate responsivo e muito divertido
- Sistema de aparos e esquivas dá um ar tático e de habilidade para as lutas
- Muitas habilidades para obter e utilizar
- Visuais bem legais
- Legendado em português
Contras
- Quedas de frames mais do que ocasionais incomodam um pouco
- Certa repetição nos cenários conforme o jogo avança
- História confusa de acompanhar


