Invincible VS | Review

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Nem duas semanas se passaram desde o fim da temporada mais recente da série animada de Invencível e os fãs recebem um jogo baseado na franquia. Distribuído pela Skybound Games e sendo o título de estreia do estúdio Quarter Up, Invincible VS é um jogo de luta no formato tag de três contra três e está disponível para  Xbox Series X|S, PlayStation 5 e PC. A decisão de levar o universo para esse gênero foi acertada? Confira agora, em mais uma análise do Pizza Fria!

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Simples? Sim. Complexo? Com certeza!

À primeira vista, Invincible VS é um jogo extremamente simples no que se espera de um jogo de luta. Cada um dos 18 personagens jogáveis tem três botões de ataque e três golpes especiais. Como na maioria dos títulos do gênero, é possível vencer abusando das mecânicas mais simples, mas isso não vai te levar longe nas ranqueadas.

Existem dois medidores de recursos no jogo, a barra de super e o “recursômetro” – sim, esse é o nome. O primeiro regula os movimentos de especial. Cada lutador tem três e seu efeito depende da combinação de dois botões que forem apertados. O segundo… regula o resto, entre manobras ofensivas, por exemplo  golpes melhorados que aumentam o dano e ganham propriedades especiais ou defensivas, como o “Golpe Heroico” – um ataque com armadura que podem frear uma sequência adversária.

Invincible VS
Em Invincible VS, personagens podem ajudar seus companheiros em uma variedade de formas. (Foto: Divulgação)

Até mesmo a movimentação é impactada pelo segundo medidor, sendo possível gastar um pouco da barra para se movimentar rapidamente para frente ou para trás. Para balancear o número de ações que ele regula, cada personagem do time tem seu recursômetro próprio enquanto divide a mesma barra de super. Trocar de personagem te dá recursos novos de cara, enquanto preserva a mesma ameaça de superataques.

A ideia de fontes múltiplas de recursos é muito bem recebida para balancear o jogo e permitir que você ataque tanto quanto defenda. É possível gastar a barra de super para aplicar um dano enorme enquanto ainda existe o recursômetro pronto como uma carta na manga para impedir o adversário de reagir.

Além disso, mecânicas famosas de outros tag fighters como pushblock, o tipo de bloqueio especial que afasta o oponente e snapback, que força outro membro do time adversário a entrar em campo também estão presentes e implementadas de maneira bem natural ao ecossistema das batalhas. Tal refinamento é esperado da Quarter Up, mesmo em seu jogo de estreia, por ter vários desenvolvedores que trabalharam no excelente Killer Instinct de 2013. Muito daquele jogo pode ser visto aqui.

No geral, me diverti muito explorando o sistema e suas variações de técnicas em Invincible VS. Tem um chão simples, no sentido de que os comandos de cada personagem são fáceis e idênticos, enquanto preservam a identidade dos lutadores, mas um teto relativamente alto, ainda mais quando se considera que é um jogo de lutas em equipe.

Você não está sozinho

Aumentando a já mencionada complexidade, é preciso lembrar que estamos em um tag fighter então devemos nos acostumar não com um, mas com três personagens, cuja sinergia varia, dependendo de seus movimentos especiais e golpes de assistência – quando são chamados para auxiliar o lutador principal.

Aqui vemos um terceiro recurso: os próprios personagens que estão “no banco”. Além de ter dois golpes especiais de assistência, únicos para cada lutador, eles também podem ser utilizados de forma ofensiva e defensiva com manobras especiais. A “troca ativa” chama o seu companheiro para continuar um combo, aumentando o limite de acertos máximo que o jogo permite antes que ele se livre da sequência. 

Invincible VS
O jogo apresenta um elenco respeitável. (Foto: Divulgação)

Do lado que está defendendo, é possível, com o tempo certo, utilizar um “contragolpe de troca”, impedindo totalmente o avanço adversário e os colocando na defensiva. Em uma adição estratégica, o atacante pode atrasar ou adiantar sua troca ativa, de maneira a confundir o contragolpe inimigo – vemos, mais uma vez, que há complexidade nos sistemas aparentemente simples de Invincible VS.

A “Quebra com assistência” é outro movimento de destaque, que impede o combo do adversário de continuar, mas, depois disso, bloqueia seus companheiros por dez segundos, os impedindo de fazer qualquer ação – uma eternidade em um jogo assim. Então é preciso saber muito bem quando se quer sair de um combo e quando é melhor aguentar apanhar, sabendo que vai preservar recursos.

O elenco de Invincible VS faz um bom trabalho em representar as primeiras temporadas da animação, entre heróis, vilões e personagens moralmente ambíguos. Há uma diversidade satisfatória nos 18 personagens iniciais (quatro DLCs estão confirmados), com os personagens rápidos que pressionam o oponente, como o titular Invencível, quanto mais focados em manter a distância, como Eve Atômica e Ella Mental, a personagem criada exclusivamente para o jogo, além dos peso pesados e personagens que utilizam agarrões, tais quais a Menina Monstro e Titã.

Até mesmo os Viltrumitas, que possuem tecnicamente os mesmos poderes, são bem distintos entre si. Por exemplo, Lucan é focado em arremessos e combate corporal, enquanto Thula prefere controlar o espaço e está à vontade a média distância. 

A vida offline

Invincible VS oferece um modo online com o que se espera de um jogo de luta atual. Rollback e capacidade de enfrentar adversários em outras plataformas. É possível jogar partidas ranqueadas, casuais e em sala, com amigos. Mas caso sua vontade seja jogar sozinho, não há muito o que explorar.

O modo história de Invincible VS é, possivelmente, terminado em uma hora e, embora conte com boas animações entre lutas e tem um enredo bem fraco, se comparado ao material de origem.

Invincible VS
As animações mantem o visual sangrento da série original. (Foto: Divulgação)


Fora isso, há um tutorial bem robusto, útil para entender as mecânicas, um modo treino e o arcade, em que é possível ver um pequeno final (em imagens estáticas) para a história de cada personagem e abrir material ilustrativo ao terminar a sequência de batalhas. Pode ocupar durante um tempo, mas vai ser bem limitado se comparado ao online.

Vale a pena comprar Invincible VS?

Invincible VS é, na opinião desse que vos escreve, um jogo que retrata bem as batalhas da obra original, com direito a supergolpes que literalmente explodem o oponente se você terminar a luta com ele, combos enormes e um elenco satisfatório, com sistemas divertidos de se experimentar. Altamente recomendável se você gostou de Killer Instinct (2013) ou jogos de tag fighting e é um fã da franquia. Mas caso esteja esperando uma boa experiência offline, eu diria que é melhor reconsiderar.

*Review elaborada em um PlayStation 5, com código fornecido pela Skybound Games.

Invincible VS

R$ 199,00+
7

História

6.0/10

Jogabilidade

8.0/10

Gráficos e sons

7.0/10

Extras

7.0/10

Prós

  • Sistemas com balanço de complexidade adequada
  • Elenco com bastante variedade, mesmo com poucos golpes

Contras

  • Experiência solo extremamente limitada

João Gabriel Marques

Jornalista e Videomaker por formação, entusiasta de filmes e jogos por gosto. Gosta de coisas complicadas que explodem o cérebro e de coisas bestas que desligam o mesmo.