Marathon | Review

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Marathon, game da Bungie lançado para PlayStation 5, Xbox Series X|S e PC via Steam, com suporte a progressão multiplataforma e integração entre plataformas, é um daqueles jogos de tiro competitivos que trazem muitas camadas. Mesmo sendo um extraction shooter, ele se apresenta aos poucos, nos testando, desafiando nossas expectativas e, principalmente, exigindo que nos adaptemos antes de compreender plenamente o que está em jogo. Logo de início, é um jogo meio solto e confuso, mas acredite, tudo vai se encaixando.

Ambientado na colônia abandonada de Tau Ceti IV, o jogo nos coloca como um Runner, uma espécie de mercenário cibernético que entra em ambientes hostis com um objetivo simples, mas brutal: coletar o máximo de recursos possível e conseguir escapar vivo. O conceito é bem familiar, não vou negar, mas Marathon constrói sua própria personalidade ao redor dessa base, combinando tensão constante, design audiovisual refinado e uma filosofia de risco e recompensa bem hardcore.

A questão central, no entanto, não está apenas em entender o que Marathon é, mas sim em compreender o que ele exige do jogador e o que ele oferece em troca. Desta forma, esta análise focará em todos os detalhes sobre o novo shooter da Bungie. Confira!

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Extrações em um mundo hostil

O cenário de Marathon não é apenas um pano de fundo. O planeta Tau Ceti IV funciona como um organismo vivo, repleto de ameaças, segredos e oportunidades que coexistem de forma dinâmica. Cada incursão começa com uma escolha: onde entrar, o que buscar e até onde você está disposto a arriscar. Tudo isso é muito rápido e intenso, com o jogo apresentando poucas munições para lidar com diversos inimigos PvE e PvP.

A estrutura básica do jogo é simples: você entra no mapa, explora pontos de interesse, coleta loot e tenta evacuar antes que seja tarde demais. Mas essa simplicidade é apenas aparente. Na prática, cada partida é um jogo psicológico. A tensão não vem apenas dos inimigos, mas da consciência constante de que tudo o que você carrega pode desaparecer em segundos. E isso muda completamente a forma de jogar. Confesso que sempre jogo tenso e preocupado com a possibilidade de perder tudo.

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O mundo de Marathon é bem hostil. (Imagem: Divulgação)

Portanto, Marathon não é um jogo que se trata de correr e atirar. Trata-se de observar, escutar, calcular rotas e decidir quando lutar e, principalmente, quando fugir. A cada passo, o jogo nos força a pensar em termos de sobrevivência real, e não apenas de desempenho. No entanto, como a dinâmica é muito rápida, somos constantemente surpreendidos, algo que deixa a gente 100% tenso durante cada raid.

Um extraction shooter extremo

Para quem não está familiarizado, o gênero extraction shooter gira em torno de um ciclo muito específico: entrar, arriscar, sair. E esse é um ciclo que parece ser repetitivo, é verdade, mas cada incursão é simplesmente única, acredite. Felizmente, Marathon abraça esse conceito com convicção e o leva a um nível mais intenso. Aqui, o risco não é simbólico. Ele é concreto e está em toda parte.

Se você morre, perde tudo. Equipamentos, recursos, progresso imediato, tudo vai para o saco. Isso cria uma relação quase emocional com cada partida. Um item raro deixa de ser apenas um upgrade e passa a ser uma responsabilidade. Esse sistema de risco e recompensa é o coração do jogo e, convenhamos, de todos os extraction shooters. Ele gera momentos de tensão genuína, daqueles que nos fazem segurar o controle com mais força enquanto espera pela extração. O coração vai na boca! E é justamente aí que Marathon se destaca: através da pressão constante.

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Prepare-se para explorar diversos mapas. (Imagem: Divulgação)

Jogabilidade e habilidades dos runners

Se há algo que a Bungie domina, sem dúvidas é o design de combate em primeira pessoa, algo que Marathon carrega consigo. O controle das armas é preciso, responsivo e extremamente satisfatório. Cada arma tem peso, identidade e feedback consistente. Os disparos são limpos, os impactos são explícitos e o som reforça cada ação de forma quase tátil. Mas o combate não é apenas sobre atirar bem. Ele vai muuuuito além…

O tempo para matar (TTK) é relativamente curto, o que significa que decisões erradas são duramente punidas. Emboscadas são comuns, e muitas vezes não teremos sequer tempo para reagir. Isso torna cada confronto imprevisível, mas de uma maneira bem brutal. Um vacilo e já era! Ainda assim, há um equilíbrio interessante aqui. Embora seja punitivo, o jogo raramente parece injusto. Quando perdemos, há o sentimento de frustração, mas isso faz parte da ideia.

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A qualidade da gunplay é incrível! (Imagem: Divulgação)

Um destaque de Marathon está presente no sistema Runner Shells. Em vez de classes tradicionais, o jogo nos apresenta personagens com habilidades únicas que influenciam o estilo de jogo. Alguns são focados em furtividade, outros em suporte, outros em mobilidade ou reconhecimento. Há, por exemplo, habilidades de invisibilidade, drones de exploração e sistemas de cura que podem mudar completamente o rumo de uma partida. Não é nada radical, mas traz uma profundidade extra bem bacana.

Essa variedade adiciona uma camada estratégica importante, especialmente em partidas em equipe. A composição do grupo passa a ser relevante, e jogar junto faz toda a diferença. Mais do que isso, os Shells ajudam a dar identidade ao jogador. Em um gênero que muitas vezes tende à homogeneidade, essa diferenciação é bem-vinda. O problema é que, em alguns momentos, é impossível encontrar uma partida. Sofri por dias com esse problema, que me deteve de avaliar o jogo.

Progressão, economia e o peso das decisões tomadas

Um dos elementos mais impactantes de Marathon é a forma como ele trata progressão. Diferente de jogos, onde o avanço é constante e previsível, aqui ele é instável, condicionado ao desempenho e, principalmente, à sobrevivência. Ou seja, podemos passar várias partidas acumulando bons equipamentos, recursos valiosos e melhorias significativas, e perder tudo em poucos minutos por uma decisão equivocada. Essa lógica cria um tipo de progressão desafiadora.

Aprendemos a valorizar cada item, cada arma, cada melhoria. O inventário deixa de ser um simples menu e passa a ser uma extensão da sua estratégia. Decidir o que levar para uma missão não é apenas uma escolha, mas um cálculo de risco, muuuuito risco. Isso fica ainda mais complexo quando observamos que a curva de aprendizado é alta, e o jogo não oferece muitas redes de segurança. Isso significa que erros iniciais podem custar caro, sobretudo para jogadores muito casuais, que podem procurar outras alternativas. Ainda assim, há mérito nessa abordagem: aqui, só os fortes sobrevivem.

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Os inimigos PvE são cruéis, surgindo de todos os lados.(Imagem: Divulgação)

Jogar sozinho ou em equipe?

Marathon muda dependendo da forma como é jogado. Em equipe, o jogo ganha uma dimensão completamente diferente. A comunicação, a coordenação e o planejamento transformam cada partida em uma operação tática. Decidir quando atacar, quando recuar e como dividir recursos se torna parte essencial da experiência.

Já no modo solo, o jogo assume um tom mais furtivo, algo que aumenta ainda mais a tensão. Sem suporte direto, o jogador precisa agir com cautela, evitando confrontos desnecessários e priorizando sobrevivência. É quase como um jogo de infiltração, onde cada movimento precisa ser calculado. Ambas as abordagens funcionam, mas oferecem sensações muito diferentes.

O problema surge quando o jogador depende de equipes aleatórias, o que foi meu caso nas análises. A falta de comunicação ou o desinteresse dos jogadores em se unirem pode comprometer partidas inteiras, especialmente contra grupos organizados. Isso não é exclusivo de Marathon, mas se torna mais evidente aqui devido ao alto nível de exigência do jogo. Desta forma, recomendo demais jogar com amigos, isso melhora significativamente a experiência.

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Jogar com amigos muda radicalmente a experiência de Marathon. (Imagem: Divulgação)

Som e direção de arte brilham

Como mencionei anteriormente, um aspecto em que Marathon realmente se destaca, é no design de áudio. Com isso, cada som importa muito para nós, jogadores. Passos, disparos distantes, movimentação de inimigos, alertas ambientais, todos esses ruídos são construídos de forma a fornecer informação. O áudio não é apenas ambientação; é uma ferramenta de sobrevivência. Portanto, jogar sem fones de ouvido é praticamente uma desvantagem competitiva.

Mesmo com uma atmosfera opressiva, onde o silêncio pode ser tão ameaçador quanto o combate, Marathon nos deixa tenso. Muitas vezes, o momento mais complicado das partidas não são os tiroteios, mas os momentos em que caímos na real de que é bem possível que estejamos sendo observados pelos inimigos. Esse tipo de tensão é difícil de construir, mas Marathon faz isso com excelência.

Visualmente, Marathon segue um caminho interessante. Em vez de apostar em gráficos realistas, ele adota uma estética sci-fi estilizada, com cores vibrantes e contrastes fortes. É tudo muito futurista, algo que caiu muito bem na proposta. À primeira vista, pode parecer meio exagerado. Mas, com o tempo, fica claro que essa escolha tem propósito. A impressão que tenho é de que os menus se inspiraram em Evangelion, sei lá.

A ambientação dos mapas funciona perfeitamente bem. Objetos importantes, pontos de interesse e elementos interativos são facilmente identificáveis, o que é essencial em um jogo onde decisões rápidas fazem diferença. Além disso, o estilo visual reforça a identidade bem particular do jogo, em um mercado saturado de shooters visualmente semelhantes. Marathon não tenta ser mais um. De certa forma, ele consegue.

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O estilo estético do jogo é maravilhoso. (Imagem: Divulgação)

Um jogo de nicho totalmente desafiador

É importante deixar bem claro nesta review: Marathon está longe de ser um jogo acessível. Ele não facilita a entrada de novos jogadores. O tutorial é breve, muitas mecânicas não são explicadas com profundidade e as primeiras horas podem ser confusas e frustrantes. Mas isso parece ser uma escolha consciente, vai saber. A Bungie não quis criar uma porta de entrada para o jogo, mas parece buscar uma disputa de espaço com os títulos mais exigentes do mercado, tipo Arc Raiders.

Para alguns jogadores, essa abordagem será um obstáculo. Para outros, será exatamente o que torna o jogo especial. Um dos pontos mais relevantes na análise de Marathon é observar como o jogo se comporta após o lançamento inicial. Na altura do lançamento, a própria Bungie pediu para que os reviewers esperassem novos conteúdos para falar sobre a experiência, algo que fez sentido, embora tenha soado bem estranho para a comunidade.

Vale lembrar outro detalhe relevante: assim como outros títulos como serviço, sua longevidade depende diretamente do suporte contínuo. Felizmente, parece que Marathon tem “pano pra manga”. A Bungie já deixou clara a intenção de trabalhar com temporadas, resets de progressão e adição constante de conteúdo. Esse sistema, embora controverso, pode ajudar a manter o jogo competitivo e equilibrado ao longo do tempo. Porém, isso cria um desafio: convencer os jogadores a recomeçar repetidamente.

Vale a pena comprar Marathon?

A resposta é: depende. Se você gosta de experiências intensas, competitivas e que exigem aprendizado constante, aí sim, Marathon valerá muito a pena. O jogo entrega um dos melhores gunplays da atualidade, aliado a um loop extremamente envolvente de risco e recompensa, onde cada partida gera tensão real.

Além disso, o jogo se destaca pela atmosfera, pelo design de som e pela sensação de conquista a cada extração bem-sucedida. É uma experiência frustrante, mas também viciante, com momentos de altos e baixos muito marcantes.

Agora, se você não gostar de tensão constante, ficar facilmente frustrado e não quiser entender o jogo em sua totalidade, é melhor procurar jogos mais leves e diretos. Afinal, a experiência do jogo deve ser divertida, certo!? De qualquer forma, é inegável não dizer que Marathon é um ótimo jogo, ainda que tenha sido meio difícil encontrar partidas com outros jogadores.

*Review elaborada em um PC equipado com GeForce RTX, com código fornecido pela Bungie.

Marathon

R$ 131,90+
8

História

7.8/10

Jogabilidade

8.8/10

Gráficos e sons

8.8/10

Extras

6.4/10

Prós

  • Gunplay funciona muito bem
  • Atmosfera e design de som extremamente imersivos
  • Sistema de habilidades (Runner Shells) adiciona variedade de estilos de jogo
  • Mapas bem construídos e estratégicos ajudam a dar mais tensão às partidas

Contras

  • Curva de aprendizado muito alta pode espantar alguns jogadores
  • Pouca acessibilidade para jogadores casuais
  • Comunicação e matchmaking ainda limitados e, em alguns momentos, sem jogadores

Álvaro Saluan

Completamente apaixonado por videogames, escreve e pesquisa sobre o tema há uns bons anos. Vê os jogos para além do entretenimento, considerando todo o processo como uma grande e diversificada arte. Vai dos jogos de esporte aos RPGs tranquilamente, admirando cada experiência. Seu maior ídolo dos jogos é Hideo Kojima.