Mortal Shell II | Review

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Mortal Shell II é um souslike de ação desenvolvido pela Cold Symmetry e publicado pela Playstack. Nele, controlamos um ser poderoso e quase divino que precisa desbravar terras estranhas e perigosas em busca de itens arcanos e antigos conhecidos como… ovos. De uma divindade, é verdade, mas o fato ainda não tira a graça da coisa, não é mesmo?

Mas e aí, será que vale a pena encarar essa missão tão importante? E as horas e mais horas rolando pelo cenário enquanto levamos uma surra de inimigos impiedosos e mecânicas brutais? É o que saberemos agora, em uma análise fenomenal do Pizza Fria!

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A pele que habitamos

Qual é a boa, leitores e leitoras deste que pode até ser conhecido como o site que melhor representa tudo que há de bom, justo, moral e legal no mundo mágico dos jogos eletrônicos de computador e outros. Hoje estamos aqui, como todo outro dia e noite, para fazer uma de nossas coisas favoritas: tentar dominar o mundo falar de jogos! O que mais seria?

Nosso assunto do momento é Mortal Shell II, um jogo que, me disseram na boca miúda, é a continuação do primeiro jogo lançado em 2020. Jogo esse que, se me recordo bem, possuía uma mecânica interessante envolvendo habitar corpos (os tais shells) e como cada um poderia nos dar habilidades e facilidades diferentes.

Fiquei bem interessado, então, ao saber que pretendiam expandir tudo isso nessa sequência. O primeiro jogo era bem divertido, embora fosse meio cru em alguns aspectos, e sinto que agora pode ser a oportunidade de termos algo realmente arrojado em nossas mãos. Mas, será que deu bom mesmo? Venham e descubram, caros e caras.

Mortal Shell II
Pizza show começando agora. (Imagem: Divulgação)

História

A narrativa de Mortal Shell II segue a jornada do Harbinger, também conhecido para os mais chegados como lavender. O camarada é um ser escolhido que, após despertar, recebe uma missão bem simples de uma entidade divina chamada Undermether: sair pelas terras devastadas e amaldiçoadas para recuperar todos os ovos perdidos e roubados da dita cuja. Bem direto, não é mesmo?

Esse lugar já foi próspero um dia, inclusive, mas uma sucessão de infortúnios acabou deixando as terras em seu estado atual onde a única coisa que cresce é a violência, onde a humanidade se vê cada vez mais perdida e onde os monstros ganham cada vez mais espaço. Definitivamente não é um lugar no qual gostaríamos de viver, minha gente.

Daí em diante seguimos lutando e destruindo enquanto aprendemos pouco a pouco sobre o mundo de uma maneira bem indireta e fragmentada. Admito que não acho essa forma tão interessante e, sinceramente, fiquei perdido durante boa parte da duração.

Vejam, isso é algo que já vimos feito em outras obras, como Dark Souls que, inclusive, fez muito para popularizar o conceito. Mas o que vimos aqui, acredito, acaba por ser diluído e confuso a ponto de não desenvolver bem os personagens e acontecimentos, fazendo com que a narrativa seja mais algo que está por trás da ação do que algo realmente vital. Funciona, mas nada além disso.

Mortal Shell II
Venha tranquilo. (Imagem: Divulgação)

Jogabilidade

Em essência, Mortal Shell II é um soulslike no qual utilizamos diversos shells, que para todos os efeitos funcionam como classes, para lutar com diversos monstros enquanto exploramos os mapas e encontramos seus perigos e segredos. Para isso, contamos com uma série de armas de curto ou longo alcance, habilidades e itens.

Para começar, vamos falar dos famosos shells. Dentro da narrativa, eles são corpos de guerreiros e guerreiras poderosos que nosso protagonista pode “habitar”. Em termos práticos, são classes que nos dão diferentes atributos e habilidades passivas ou ativas. Podemos trocar livremente entre as que tivermos desbloqueadas, assim como evoluir cada uma com pontos recebidos em cada level up.

Algumas delas nos deixam ficar invisíveis, outras eletrocutar inimigos e algumas até stunnar. Mortal Shell II oferece mais opções que seu predecessor, e achei bem legal o fato de podermos mudar de shell sempre que quisermos, e também que aumentar nossa familiaridade com cada uma (através do uso de recursos) fornece tanto melhorias práticas quanto mais sobre a história de cada uma ainda quando estava em vida.

Também é possível lutar sem shell, o que geralmente acontece quando tomamos dano demais e somos lançados para fora da que estivermos usando. O Harbinger ainda pode lutar normalmente, mas se ficarmos sem vida é morte na certa e, também, não podemos usar nenhuma habilidade. Contudo, é uma maneira legal de dar um mão para o jogador em momentos nos quais só nos restaria morrer e aceitar.

Mortal Shell II
Proxima, uma das shells que podemos equipar. (Imagem: Divulgação)

Além das shells, Mortal Shell II nos permite usar algumas armas que funcionam de maneiras bem diferentes e, também, que podem equipar certos itens modificadores, ativos e passivos. Além disso, podemos coletar vários tipos de um mesmo equipável para fazer com que ele tenha um efeito maior, o que recompensa o jogador que procura em todos os cantinhos e aumenta as opções.

Eu curti bastante esse esquema, tanto por me permitir fazer uma build bem a minha cara quanto por facilitar com os diversos tipos de desafios que aparecem. Está em uma zona com muitos inimigos de veneno? Simples, farme itens que protegem contra isso e equipe. É algo bem simples que faz a diferença, e foi bem implementado.

Contudo, senti que Mortal Shell II poderia nos dar um pouco mais de opções de armas para utilizar, visto que ainda que elas sejam bem diferentes não temos um número tão grande assim. Por exemplo, temos tipos diferentes de espadas que possuem velocidades e movesets diferentes, mas que não adicionam tanta variedade assim.

Outro tipo de equipamento bem interessante são os selos, que modificam a forma como nos defendemos de ataques. Um deles, por exemplo, transforma nosso boneco em pedra (importado do primeiro jogo) anulando um ataque e permitindo seguir nosso ataque logo em seguida. Outros dão parry e aumentam mais a barra de atordoamento, e por aí vai.

Mortal Shell II
A espingarda é fortíssima. (Imagem: Divulgação)

Outro ponto legal de Mortal Shell II é que podemos ajustar a dificuldade através de itens, deixando a ação menos ou mais desafiadora. Recomendo sempre jogar no mais difícil (se a paciência e perseverança permitir) porque ganhamos mais recompensas e até interações com NPCs e quests.

De negativo, me senti um pouco perdido em relação a onde ir e o que fazer após iniciar minha aventura, ainda que tenhamos acesso a um mapa. Acredito que isso possa ser devido ao meu hábito de gostar de direções diretas, mas admito que gostaria de ao menos uma direção maior sobre onde ir ou, ao menos, qual chefe enfrentar inicialmente.

Chefes que, inclusive, achei bem legais de enfrentar. Mortal Shell II nos agracia com algumas aberrações bem estranhas, mas divertidas de encarar e, também, finalizar. As animações são bem legais, tanto para chefes quanto contra inimigos comuns, e sempre é bom ver nosso boneco estraçalhando a oposição.

Por fim, Mortal Shell II é bem acessível para todos os públicos devido ao fato de não ter gerenciamento de stamina, apenas de vida e resolve usado para armas de alcance e habilidades. Ainda que possa torcer o nariz dos mais puristas, eu achei uma boa e sempre é bom ter opções que saem dos moldes nesses quesitos para podermos aproveitar e apresentar.

Mortal Shell II
Deitando geral. (Imagem: Divulgação)

Sons e visuais

Mortal Shell II possui visuais legais, com texturas detalhadas e animações bem feitas. Além disso, gostei do design dos chefes, shells e alguns inimigos. Contudo, também senti que não há muita variação nos cenários, e nem tanta inspiração assim.

Por exemplo, viajamos pelos cenários habituais de obras de baixa fantasia como essa. Logo, vemos um tanto de vilas devastadas por pragas, pântanos, brejos, florestas e tudo mais. Acredito que seria legal ter mais vistas, e um pouco mais de variação cairia bem.

O mesmo rola com o som, com Mortal Shell II nos entregando algumas músicas legais mas nada que realmente deixe o sangue fervendo e o coração pulsando. Contudo, podemos tocar um alaúde bolado enquanto aparamos ataques e damos bicudas nos outros. E temos legenda em português!

Mortal Shell II
Que cara estranho. (Imagem: Divulgação)

Vale a pena jogar Mortal Shell II?

Mortal Shell II, gente incrível, é um soulslike bem legal que apresenta algumas ideias bem interessantes e, no geral, consegue entregar aquilo que se propõe. Fiquei contente em jogar, me senti adequadamente desafiado e construir minha build foi uma experiência bem agradável durante toda a duração da minha aventura.

Temos um combate visceral e divertido, uma boa quantidade de opções entre shells e equipamentos, um jogo bem acessível e bons designs de inimigos e chefes. Como contra, senti que poderíamos ter cenários mais únicos e variados, além de uma quantidade maior de armas e uma direção mais clara no começo da jornada.

No fim das contas, Mortal Shell II é um jogo divertido que conseguiu saciar minha eterna vontade por soulslikes de qualidade. O jogo também evoluiu bem as fundações sólidas de seu anterior, ainda que simplificando certos pontos, e certamente vale a pena conferir.

Mortal Shell II chega oficialmente no dia 20 de agosto para PC, via Steam, PlayStation 5 e Xbox Series X|S. No entanto, compradores da Edição Devoto, têm acesso a partir desta segunda-feira, 17 de agosto.

*Review elaborada em um PC equipado com GeForce RTX, com código fornecido pela Playstack.

Mortal Shell II

BRL 159
8

História

7.0/10

Jogabilidade

9.0/10

Sons e Visuais

8.0/10

Extras

8.0/10

Prós

  • Sistema de shells fiou bem legal
  • Design interessante de monstros e chefes
  • Boas opções para criação de builds
  • Excelente pronto de entrada para o gênero
  • Maneira simples e efetiva de controlar a dificuldade

Contras

  • Cenários pouco inspirados
  • Poderíamos ter mais variedade nas armas, ainda que elas possuam movesets únicos
  • Poderia ser menos nebuloso no começo

Matheus Jenevain

Redator de idade não especificada e habilidade excepcional (segundo o próprio, acredite se quiser). Curte Metroidvanias, RPGs e jogos de luta. Reza toda noite, intensamente, para receber um remake de God Hand. Nunca foi atendido.