NBA THE RUN | Review

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*por Asáfe Souza.

Quando NBA THE RUN foi anunciado, a comparação que fiz com NBA Street foi inevitável. Afinal, estamos falando de um jogo de basquete arcade 3 contra 3 que abandona a simulação pesada para apostar em enterradas absurdas, dribles desconcertantes e partidas rápidas.

Depois de várias horas jogando, posso dizer que ele acerta em cheio naquilo que se propõe, mas também deixa claro que ainda tem espaço para evoluir. Os detalhes dessa experiência eu trago agora, em mais uma review do Pizza Fria!

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Conhecendo NBA THE RUN

Minha primeira reação ao entrar em quadra foi de surpresa. Visualmente, NBA THE RUN chama atenção logo de cara graças ao seu estilo artístico estilizado, quase como uma animação feita à mão. Em vez de perseguir o realismo extremo, o jogo aposta em personalidade e movimento.

A resposta dos comandos também é um destaque. A movimentação é extremamente fluida e o rollback netcode faz um trabalho excelente ao eliminar aquela sensação clássica de atraso que costuma prejudicar jogos online.

Mais importante ainda: o título é divertido desde os primeiros minutos. A combinação de enterradas plásticas, pontes-aéreas e dribles espetaculares entrega aquela diversão instantânea que fez NBA Street e NBA Jam se tornarem tão marcantes.

NBA THE RUN
NBA THE RUN chega para resgatar os clássicos arcades do gênero (Imagem: Divulgação)

O foco está no gameplay

O coração de NBA THE RUN é sua jogabilidade, e é justamente aí que o jogo mais brilha. Os dribles funcionam muito bem e os ankle breakers acontecem de forma natural, recompensando timing e leitura do adversário. Existe uma profundidade competitiva enorme escondida por trás de controles simples, permitindo que qualquer pessoa jogue imediatamente enquanto os jogadores mais dedicados aprendem técnicas avançadas de movimentação, gerenciamento de estamina e controle de espaço.

O único ponto que me incomodou foi que a variedade de dribles depende bastante dos desbloqueios. Nas primeiras horas, algumas animações podem parecer repetitivas até que você consiga liberar novos pacotes. As enterradas são espetaculares visualmente, mas poderiam transmitir mais impacto físico. Em alguns momentos, elas parecem um pouco leves demais, principalmente quando o jogador permanece pendurado no aro.

NBA THE RUN
Voa, Harden! (Imagem: Divulgação)

Defesa: o grande diferencial

Se existe algo que me chamou mais atenção em NBA THE RUN, foi a defesa. Roubar a bola exige precisão e leitura das jogadas. Não existe espaço para apertar botões aleatoriamente esperando um resultado positivo. Se você errar o tempo da roubada, seu jogador fica completamente vulnerável.

Os tocos são extremamente satisfatórios e provavelmente proporcionam alguns dos melhores momentos do jogo. O sistema recompensa habilidade pura e cria situações em que jogadores experientes conseguem dominar uma partida tanto defendendo quanto atacando. A promessa dos desenvolvedores de tornar a defesa tão divertida quanto o ataque foi cumprida.

NBA THE RUN
LaMelo Ball ganhou um visual diferente (Imagem: Divulgação)

Estrelas que realmente parecem estrelas

Outro acerto enorme está na forma como o elenco foi construído. Jogar com Stephen Curry é completamente diferente de jogar com LeBron James. Enquanto Curry transforma qualquer espaço livre em uma ameaça do perímetro, LeBron domina através da força física e infiltrações.

Meu jogador favorito acabou sendo Giannis Antetokounmpo, principalmente pela capacidade de impactar a partida dos dois lados da quadra. O trio que mais gostei de utilizar foi Giannis, Curry e Ja Morant, oferecendo uma combinação quase perfeita de força física, velocidade e arremesso. O mais importante é que os atletas possuem identidade própria. Em nenhum momento tive a sensação de estar usando apenas skins diferentes.

NBA THE RUN
O astro LeBron James (Imagem: Divulgação)

Modos de jogo e online

Passei a maior parte do tempo no modo Torneio Knockout Solo, mas foi jogando Squads com amigos que tive os momentos mais divertidos. O matchmaking encontra partidas rapidamente e o rollback netcode funciona de forma excelente. Durante toda a minha experiência praticamente não encontrei lag, travamentos ou desconexões.

O jogo claramente foi pensado para o competitivo, mas consegue abraçar jogadores casuais graças à facilidade de aprender os fundamentos. O principal problema está na quantidade de conteúdo. Faltam modos offline mais robustos, como um modo carreira ou campeonatos estruturados contra a inteligência artificial.

NBA THE RUN
Embiid é outra estrela que marca presença em NBA THE RUN (Imagem: Divulgação)

Visual e ambientação

A direção artística merece muitos elogios. As sete quadras disponíveis possuem identidade própria e conseguem representar diferentes culturas do streetball mundial. Grafites, iluminação e elementos urbanos ajudam a criar uma atmosfera única.

Minhas favoritas foram Paris, Nova York (Rucker Park) e Tóquio. Cada uma possui personalidade suficiente para fazer as partidas parecerem diferentes mesmo mantendo as mesmas regras.

Além disso, por não depender do fotorrealismo, NBA THE RUN tem tudo para envelhecer muito melhor do que muitos simuladores esportivos atuais.

NBA THE RUN
O visual estilizado se estende para as quadras (Imagem: Divulgação)

Progressão

A progressão é equilibrada e respeita o tempo do jogador. Cada partida rende uma quantidade justa de moedas e experiência, criando uma sensação constante de evolução. Os cosméticos são bem produzidos e realmente dão vontade de continuar desbloqueando conteúdo.

O melhor de tudo é que os desbloqueios são puramente visuais. Isso mantém o equilíbrio competitivo intacto e evita qualquer sensação de pay-to-win.

Nem tudo é perfeito…

Por outro lado, NBA THE RUN traz alguns detalhes chatos. A inteligência artificial dos companheiros controlados pelo jogo ainda toma decisões estranhas, principalmente na defesa.

Também percebi problemas ocasionais de clipping durante disputas de rebote, onde os corpos dos jogadores acabam atravessando uns aos outros.

NBA THE RUN
Vai de 3, Jokic? (Imagem: Divulgação)

O balanceamento precisa de ajustes. Giannis Antetokounmpo atualmente parece dominante demais no garrafão, enquanto os arremessadores de perímetro sofrem para manter a mesma consistência ofensiva.

Mas o maior problema continua sendo a falta de conteúdo. O jogo chega ao mercado com poucas opções de modos e sem recursos comunitários mais avançados, como ligas organizadas pelos próprios jogadores.

Vale a pena comprar NBA THE RUN?

Pelo valor cobrado na edição padrão, NBA THE RUN entrega uma experiência extremamente divertida e diferenciada dentro do mercado atual de jogos de basquete. Já a edição Deluxe não me parece justificar o investimento extra, já que oferece basicamente cosméticos e moedas adicionais.

NBA THE RUN é exatamente o tipo de jogo que os fãs de basquete arcade esperavam há anos. Ele resgata o espírito de NBA Street sem tentar competir diretamente com NBA 2K e cria uma identidade própria baseada em jogabilidade acessível, partidas rápidas e um online extremamente sólido.

Ainda existem problemas de conteúdo, balanceamento e inteligência artificial que impedem o jogo de atingir seu potencial máximo, mas a base construída pela Play by Play Studios é excelente.

Se os desenvolvedores continuarem ouvindo a comunidade e expandindo a experiência nas próximas temporadas, existe um caminho muito claro para que NBA THE RUN se torne uma das principais referências do basquete arcade moderno.

NBA THE RUN está disponível digitalmente para PlayStation 5Xbox Series X|S e PC, via Steam, com suporte completo a cross-play entre todas as plataformas.

*Review elaborada em um PlayStation 5, com código fornecido pela Play by Play Studios.

NBA THE RUN

BRL 169,90
7.7

Gameplay

8.5/10

Gráficos e Sons

9.0/10

Extras

5.5/10

Prós

  • Jogabilidade extremamente divertida
  • Defesa profunda e recompensadora
  • Excelente rollback netcode
  • Estrelas com identidade própria
  • Direção artística marcante

Contras

  • Poucos modos de jogo no lançamento
  • IA inconsistente nos modos solo
  • Problemas ocasionais de clipping
  • Balanceamento ainda precisa de ajustes

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