SENARA: The Sacrament | Review

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SENARA: The Sacrament é um survivor horror em primeira pessoa desenvolvido e publicado pela Influsion Inc. Nele, precisamos explorar um navio a deriva enquanto fugimos de monstros das profundezas e cultistas enlouquecidos enquanto tentamos não morrer ou ficar malucos também.

E aí, será que vale a pena encarar essa situação e ver no que dá? É o que saberemos agora, em mais uma análise assustadoramente maravilhosa do Pizza Fria.

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Loucuras (literalmente) em alto mar

Saudações leitores e leitoras deste que pode ser considerado como um dos grandes tesouros virtuais da era moderna em que vivemos. Hoje, venho fazer uma pergunta interessante: quem sabe os próximos números vencedores da loteria? Ou a localização do tesouro perdido do Barba Negra, talvez ? Pergunto para um amigo, que não sou eu, que precisa desesperadamente de conseguir o macete do dinheiro infinito na vida real.

Feitas as perguntas importantes, vamos ao que interessa de fato: fofocar sobre videojogos eletrônicos, nosso melhor passatempo nessa vidinha de meu Deus. Mais precisamente sobre SENARA: The Sacrament, um título que chega com a promessa de nos fazer passar muito medo em um navio. Como se o simples fato de estar boiando em toneladas de aço no oceano já não fosse terror o suficiente.

Me interessei bastante pelo título por seu gênero e, também, por onde se passa. Um de meus survivor horrors preferidos da época do PS2 era Cold Fear, com uma temática similar, e só a esperança de reviver a experiência me deixou cheio de sonhos e esperanças. Mas será que fui contemplado com estes belos sentimentos? É o que veremos agora.

SENARA: The Sacrament
Hora de buscar nossa review. (Imagem: Divulgação)

História

SENARA: The Sacrament começa com nosso personagem acordando atordoado e perdido no Senara, um navio enorme e imponente que se encontra parado em algum lugar do oceano. A ideia original era que ele fosse refúgio de um culto, certamente benevolente e cheio de alegria, mas em algum momento os planos saíram muito, muito errado.

A primeira coisa que percebemos é que o lugar está de pernas por ar, sujo, bagunçado e cheio de sangue para todo lado. Não bastasse essa zona (que absurdo), o lugar também está tomado por cultistas malucos e monstros das profundezas que estariam em casa em algum conto do Lovecraft. E em algum lugar no meio disso tudo está a explicação que buscamos e, se dermos sorte, uma maneira de sair com vida desse rolo.

SENARA: The Sacrament conta o restante de sua narrativa, e as ramificações baseadas em nossas escolhas, através de nossas interações com alguns dos sobreviventes e com uma série de notas e documentos (como manda o manual) que encontramos nas cabines e salas do navio.

Eu achei a trama suficiente para engajar, ainda que não seja nada demasiadamente complexo ou fora do que já vimos em obras que exploram cultos, fanatismo religioso e monstros de além do véu da realidade. Contudo, ela nos pega e faz querer acompanhar para ver no que vai dar.

SENARA: The Sacrament
Lugarzinho bagunçado, né? (Imagem: Divulgação)

Jogabilidade

SENARA: The Sacrament, em essência, é um jogo de terror em primeira pessoa no qual devemos explorar o Senara enquanto resolvemos alguns puzzles, coletamos itens chave, gerenciamos nossos recursos e tentamos não ser engolidos por homens peixe ou esfaqueados por cultistas calvos malucos. Podemos tanto correr quanto enfrentar os perigos, embora o último seja desencorajado pela escassez de munição.

Além disso, passamos boa parte do tempo indo e vindo pelos andares e cabines do navio procurando por chaves e pistas, com muitos momentos necessitando voltar em lugares já explorados apenas para pegar uma coisinha. Isso até que é legal, mas pode ser tornar maçante e repetitivo com o tempo, principalmente após algumas horas de jogatina. Felizmente, o mapa é bem implementado e informativo.

SENARA: The Sacrament nos dá algumas formas de nos defender, começando com uma singela faquinha e indo até armas mais fortes como escopetas e pistolas. Ainda que elas quebrem o galho, não compensa muito bater de frente com os monstros que são bem resistentes, o que reforça a ideia de que somos bonecos frágeis e o melhor curso de ação sempre é correr e nos esconder.

O jogo também conta com um sistema de sanidade que, de forma geral, faz com que o personagem fique mais frágil conforme vai se assustando ou ficando perto de monstros, com distorções visuais e o risco adicional de podermos ser executados de cara caso pegos. É algo simples, mas que adiciona uma boa dose de pressão no momento a momento da experiência.

SENARA: The Sacrament
A toda poderosa. (Imagem: Divulgação)

Outro ponto interessante de SENARA: The Sacrament é sua locação, feita com base em imagens e plantas de um barco de verdade. Os devs realmente fizeram um bom trabalho, e o realismo do lugar e os pequenos detalhes realmente ajudam na construção da atmosfera.

Contudo, a experiência é muito prejudicada por uma série de fatores que vão do conceitual ao técnico. Para começar, senti que passamos muito tempo sem risco real nem nada acontecendo além de andar de um lado para o outro caçando chaves, códigos e outras coisas. Nessas horas me sentia mais como um arrumador do navio do que um sobrevivente em risco.

Mas o que mais me incomodou em SENARA: The Sacrament foram os diversos problemas técnicos que enfrentei, alguns mais persistentes que os outros. Em um momento, por exemplo, não podia avançar porque os inimigos corriam na velocidade da luz. Em outros, morria de tédio porque eles andavam de cara para uma parede ou nunca me viam. Em outros, não podia ver o que tinha em uma sala porque ela nunca renderizava.

Isso, infelizmente, foi suficientemente comum para que os bons momentos do título fossem manchados para mim, matando a tensão e fazendo com que tudo que foi construído se quebrasse como que num passe de mágica (dos antigos, claro).

SENARA: The Sacrament
A atmosfera é boa. (Imagem: Divulgação)

Sons e visuais

Em se tratando de visuais, SENARA: The Sacrament entrega cenas competentes e cenários bem feitos, ainda que repetitivos, e uma boa representação do navio. Tudo constrói muito bem a atmosfera, e acho que esse é um dos pontos altos da experiência.

A parte sonora segue a mesma linha, ajudando muito para construir um ambiente opressor e assustador. Sons os inimigos, dos cultistas, no navio, enfim. Tudo muito bem feito para nos transportar diretamente para ele. Ah, e temos legenda!

SENARA: The Sacrament
Socorro! (Imagem: Divulgação)

Vale a pena jogar SENARA: The Sacrament?

SENARA: The Sacrament, gente bonita, é um título que chegou com umas ideias bem legais mas não conseguiu executar todo seu potencial da maneira que poderia e deveria. Contudo, apesar dos pesares, há o que se aproveitar nessa jornada, sem dúvidas.

Eu curti bastante o navio e sua representação, achei a atmosfera do jogo muito boa (principalmente na construção dela), curti alguns momentos tensos mais aterradores. Contudo, as falhas técnicas do jogo quebram muito a magia, assim como a repetição inerente do navio e o fato de boa parte do tempo ser andando de um lado para o outro em busca de uma ou outra coisa.

No fim das contas, SENARA: The Sacrament é um survivor horror que pode agradar os fãs do gênero, ainda que não faça tudo da maneira devida e deixe muito a desejar em alguns quesitos. Se curte a temática, ou o setting naval, acredito que valha a pena conferir.

SENARA: The Sacrament já está disponível para PC, via Steam. O jogo de terror de sobrevivência em primeira pessoa custa R$ 62,99.

*Review elaborada em um PC equipado com uma GeForce RTX, com código fornecido pela Influsion Inc..

SENARA: The Sacrament

BRL 62,99
6.6

História

7.0/10

Gameplay

5.5/10

Gráficos e Sons

8.0/10

Extras

6.0/10

Prós

  • O cenário do navio é bem construído e realmente parece baseado em algo real
  • Boa atmosfera em diversos momentos
  • Consegue ser bem tenso em determinadas partes
  • Legendado em português

Contras

  • IA não oferece nenhuma dificuldade ao jogador, raramente sendo realmente perigosa
  • Cenário se repete muito, com pouquíssima variação
  • Bugs frequentes quebram a imersão
  • Muitas partes sem perigo e sem nada realmente interessante acontecendo
  • Excesso de backtracking

Matheus Jenevain

Redator de idade não especificada e habilidade excepcional (segundo o próprio, acredite se quiser). Curte Metroidvanias, RPGs e jogos de luta. Reza toda noite, intensamente, para receber um remake de God Hand. Nunca foi atendido.