Solasta 2 | Preview
Solasta 2 é um cRPG que traz a promessa de elevar o gênero com mecânicas inovadoras e uma narrativa cativante, incluindo um twist na forma como os jogadores controlam os personagens principais durante a campanha. Vivemos em um mundo pós-Baldur’s Gate 3, no qual os jogadores passaram a esperar sempre um alto nível de qualidade desse gênero, que por muito tempo permaneceu nas sombras, restrito a um nicho específico. Nesse contexto, Solasta 2, mesmo em seus trailers iniciais, já demonstra grande potencial.
Trata-se de um RPG criado com base no sistema mais recente de D&D 5, prometendo maior fluidez nos movimentos dos personagens e nos combates por turno. O Pizza Fria pode jogar a versão em acesso antecipado do game, que oferece acesso a algumas missões do Ato 1. Confira agora nossas impressões em mais um preview.
Um começo intuitivo, mas que ainda tem um longo caminho pela frente
Quando falamos em cRPG, um dos primeiros aspectos que vêm à mente é o quão complicado ele pode ser inicialmente. Várias classes para se escolher, origens, subclasses e outros fatores logo na tela de criação de personagem podem, muitas vezes, afastar um jogador que não estava preparado para um fluxo tão grande de informações. Entretanto, Solasta 2 apresenta acertos e erros nesse aspecto.
Diferente de outros jogos do gênero, aqui temos que criar quatro personagens, sendo eles membros de uma mesma família. Falando do mais básico, a personalização dos personagens é um aspecto que deixou muito a desejar na versão em acesso antecipado do título. Existem pouquíssimas opções de personalização de rosto e cabelo, por exemplo, e mesmo alterando bastante o visual, os personagens parecem não mudar tanto, frequentemente mantendo feições muito semelhantes. Isso acaba sendo decepcionante, mas a desenvolvedora já confirmou que esse é um ponto que pretende melhorar em atualizações futuras, portanto, apenas o tempo dirá.

Por outro lado, é preciso elogiar a grande variedade de builds que podemos formar já nessa versão inicial de Solasta 2. Temos acesso, logo de cara, a várias classes, como magos, guerreiros e ladinos, com a promessa de mais opções no futuro. Além disso, outro destaque é a possibilidade de definir uma personalidade única para cada integrante da família, o que, em teoria, faz com que eles reajam de maneiras diferentes durante diálogos e determinadas situações. É uma boa premissa, mas que, ao menos no acesso antecipado, ainda apresenta alguns problemas que abordarei adiante.
Outro ponto positivo na criação de builds é que o jogo se mostra bastante intuitivo ao explicar seus diversos sistemas. Para um título que oferece tantas opções logo no início, é louvável o quão completas são as explicações sobre classes, habilidades e até mesmo os atributos de armas e armaduras. Além disso, para jogadores que não querem investir muito tempo na personalização, é possível automatizar esse processo com um clique, deixando que o próprio jogo otimize as escolhas. No entanto, esse é um aspecto que ainda precisa de ajustes, pois nem sempre funciona como deveria. Durante meus testes desse sistema, por exemplo, encontrei situações em que o jogo priorizava atributos de força em builds focadas em magia, o que claramente não era adequado.
Uma narrativa promissora, mas os personagens não são interessantes
Durante o acesso antecipado de Solasta 2, temos acesso apenas a um trecho do Ato 1. Portanto, fica difícil formar opiniões muito definitivas sobre os personagens em si. Ainda assim, com base nas interações com NPCs e na exploração do mundo do jogo, é possível dizer que esse é um aspecto que ainda precisa de bastante aprimoramento. Talvez isso seja consequência da possibilidade de escolher a personalidade dos personagens, o que naturalmente amplia as opções de diálogo além do padrão. No entanto, a sensação que tive é que a maioria das conversas em Solasta 2 soa robótica e sem personalidade, o que acaba sendo um problema significativo, especialmente em um jogo que dá tanto destaque a esse elemento logo na criação dos personagens.
Os diálogos, por sua vez, funcionam de maneira diferente aqui. Como criamos quatro personagens, durante as conversas precisamos escolher qual integrante da família irá responder, além de definir o tom da resposta. Assim, se criarmos um ladino debochado, por exemplo, suas falas tendem a ser mais bem-humoradas e carregadas de ironia. Por outro lado, um personagem com perfil mais heroico adota uma postura séria, buscando sempre ajudar os demais.

A premissa, portanto, é bastante interessante, mas ainda tem um longo caminho até se tornar verdadeiramente cativante. Pelo menos por enquanto, não há grande impacto nas escolhas de diálogo, tampouco um conflito real de personalidades dentro do próprio grupo, algo que eu esperava ver com mais frequência. Inclusive, na minha equipe, optei por criar personagens com perfis opostos justamente para testar esse tipo de dinâmica, mas isso raramente acontece, o que é, no mínimo, decepcionante.
Ainda assim, sendo justo, há potencial. A narrativa central de Solasta 2 começa de forma bastante promissora, com os personagens principais participando de um enterro que rapidamente se transforma em caos, colocando os protagonistas diante de uma força maligna poderosa e desconhecida. É o clássico ponto de partida de uma grande aventura de RPG, e, nesse caso, executado com competência. Confesso que fiquei genuinamente curioso para entender as motivações da antagonista principal e descobrir qual caminho os aventureiros irão trilhar em busca de respostas.
Além disso, mesmo restrito ao Ato 1, o jogo já apresenta uma boa quantidade de escolhas em determinadas quests, que podem gerar consequências relacionadas às facções envolvidas. Isso se traduz em diálogos adicionais e algumas situações inesperadas, algo que, na minha opinião, é sempre bem-vindo em um RPG.
Um bom sistema de exploração
A exploração em Solasta 2 é dividida em diferentes regiões. Para isso, contamos com um grande mapa no qual gastamos passos ao nos movimentarmos, sendo necessário, de tempos em tempos, realizar descansos longos para recuperar a energia do grupo. Trata-se de um sistema bastante intuitivo que, de forma inteligente, limita o acesso dos personagens a locais muito distantes, já que, no início da campanha, eles ainda não possuem suprimentos suficientes para jornadas mais longas.

Além disso, outro destaque é que, durante essa exploração no mapa, os personagens eventualmente se deparam com eventos nos quais precisam reagir de diferentes maneiras. Por exemplo, é possível ouvir alguém pedindo socorro. Nesse caso, podemos optar por investigar, ignorar ou, caso algum personagem possua uma habilidade específica, como avaliar a distância, realizar uma rolagem de dados. Se bem-sucedida, essa ação concede vantagens na abordagem da situação.
Esse é um sistema que me agradou bastante, pois evidencia a importância de montar um grupo com builds variadas. Mesmo na versão em acesso antecipado de Solasta 2, o jogo já apresenta uma boa diversidade de eventos, com uma quantidade interessante de formas de interação em cada encontro.

O jogo também permite a exploração de regiões mais amplas, como cidades e vilas. Esses locais contam com uma variedade significativa de personagens para interação, oferecendo quests e informações sobre o mundo explorado. Embora os diálogos ainda deixem a desejar, como mencionado anteriormente, há potencial nesse aspecto, especialmente considerando a quantidade de opções de conversa disponíveis durante a exploração.
Além disso, é possível encontrar áreas secretas, como cavernas, que geralmente escondem itens mais poderosos e, em alguns casos, até chefes secretos.
O sistema de progressão funciona bem
Solasta 2 apresenta um bom sistema de progressão. Durante a aventura, os personagens ganham XP e, ao subir de nível, podemos selecionar novas habilidades e, em alguns casos, até uma nova subclasse. Além disso, o avanço também libera novas opções de diálogo nas interações com NPCs, o que pode abrir caminhos alternativos para a conclusão de determinadas quests.

O jogo também conta com um sistema de equipamentos eficiente, no qual podemos adquirir e comprar novas armas e itens com mercadores espalhados pelas cidades. Além disso, derrotar inimigos poderosos costuma render boas recompensas, como dinheiro e equipamentos de alta qualidade, o que incentiva ainda mais a exploração.
Batalhas por turnos extremamente fluidas
Um dos maiores destaques de Solasta 2 durante a minha experiência foi a fluidez na movimentação dos personagens, especialmente nos trechos de combate. Nos confrontos, temos um número limitado de ações à disposição, como atacar e se movimentar, e, após isso, devemos encerrar o turno, tudo dentro do formato clássico de combate por turnos, com direito a marcações no mapa que indicam as áreas possíveis de deslocamento.
A dificuldade desses confrontos também me agradou bastante, sejam eles contra inimigos humanos comuns ou criaturas mais desafiadoras. Os combates realmente exigem que o jogador pense de forma tática e seja criativo ao lidar com cada situação, utilizando feitiços, ataques corpo a corpo, o próprio cenário, com objetos interativos, ou até mesmo sabendo o momento certo de recuar estrategicamente.

Solasta 2 recompensa jogadores que sabem se planejar durante as batalhas, explorando combinações de habilidades e o uso inteligente de itens. Avançar de forma impulsiva, atacando sem pensar, quase sempre resulta em derrota rápida, o que, na minha opinião, é um acerto, pois valoriza o aspecto estratégico da experiência.
Outro ponto que me chamou atenção é a possibilidade de abordar alguns confrontos de maneira furtiva, seja completando-os inteiramente dessa forma ou eliminando inimigos iniciais antes do combate direto. Isso adiciona uma camada tática extra ao jogo.
Gráficos e trilha sonora de Solasta 2
Solasta 2 foi desenvolvido utilizando a Unreal Engine 5. Em outras análises de jogos que utilizam essa engine, como a de The Outer Worlds 2, por exemplo, já critiquei como muitos títulos acabam pecando na direção de arte, entregando visuais excessivamente focados no realismo e que, no fim, não se destacam. Felizmente, Solasta 2 consegue evitar esse problema e me surpreendeu positivamente no aspecto visual, mesmo ainda em estado de acesso antecipado.

Os personagens são bem detalhados, e os cenários apresentam boa variedade, passando por cidades, cavernas, vilas e até castelos, conseguindo transmitir a sensação de que estamos explorando locais realmente distintos entre si. No entanto, como nem tudo é perfeito, ainda existem alguns problemas visuais. Por exemplo, ao transitar de ambientes escuros para áreas mais iluminadas, é comum que a iluminação e as sombras demorem a se ajustar corretamente. Isso pode gerar efeitos indesejados, como clarões excessivos ou sombras piscando de forma constante.
Além disso, o jogo apresenta inconsistências no carregamento de texturas, que por vezes demoram mais do que o esperado para aparecer, especialmente ao trocar de região ou durante transições para cenas de diálogo. São falhas técnicas que, embora compreensíveis em um contexto de acesso antecipado, ainda impactam a imersão.
No que diz respeito à trilha sonora, trata-se de um dos pontos de destaque do jogo. Principalmente durante os combates, as músicas com inspiração medieval conseguem construir muito bem a tensão dos confrontos.
Desempenho
Minha experiência foi no PC, equipado com uma RX 9060 XT de 16 GB. Em termos de desempenho, Solasta 2 se mostrou bastante inconstante. Quando o jogo funcionava como deveria, consegui jogar em 1440p, com os gráficos na qualidade máxima e usando o FSR 4 em qualidade, mantendo uma média de 70 FPS. Entretanto, em diversas ocasiões, o jogo apresentou vários crashes ainda na tela inicial, especialmente ao tentar carregar um save, sendo necessário reiniciá-lo repetidas vezes até conseguir prosseguir.
Além disso, ao longo das minhas horas de jogatina, enfrentei diversos momentos em que a tela ficava completamente preta e o sistema deixava de responder. Em outras situações, o jogo simplesmente travava sem qualquer aviso, interrompendo a experiência de forma abrupta.
O que esperar de Solasta 2?
Solasta 2 apresenta um grande potencial. Trata-se de um cRPG que se destaca pela profundidade de suas mecânicas principais e que, mesmo em estado de acesso antecipado, já consegue entregar bons momentos em combate, exploração e progressão de personagens.
Entretanto, ainda há diversos aspectos que precisam de melhorias, como a personalização dos protagonistas e, principalmente, a escrita da narrativa, que até o momento não oferece nada realmente marcante. Em muitos momentos, o jogo parece não aproveitar plenamente seu sistema de diálogos baseado em personalidades, deixando de explorar todo o seu potencial.
Além disso, Solasta 2 enfrenta problemas graves de desempenho no PC, algo que espero que seja corrigido o mais rápido possível, já que impacta diretamente a experiência do jogador.
Por fim, apesar das falhas, acredito que há algo especial sendo construído aqui. Resta aguardar para ver se a versão final do jogo será capaz de cumprir tudo o que promete.
Solasta 2 foi desenvolvido pela Tactical Adventures e lançado no dia 12 de março em acesso antecipado para PC, via Steam.
*Preview elaborada em uma PC equipado com uma Radeon RX, com código fornecido pela Kepler Interactive.


