Thick as Thieves | Review
Thick as Thieves é um jogo focado em furtividade que promete levar os jogadores a missões de assalto empolgantes, nas quais precisam roubar o máximo possível de itens sem serem vistos. O título é fortemente inspirado em immersive sims como Thief e Dishonored, adicionando algumas peculiaridades, como a possibilidade de jogar toda a campanha em modo cooperativo.
Contando com apenas dois personagens e dois mapas em seu lançamento, mas trazendo a promessa de um alto fator replay, será que o jogo consegue entregar algo interessante para os fãs do gênero stealth? Confira agora em mais uma review antecipada do Pizza Fria.
Uma mudança de rumo que pode ter prejudicado o jogo final
Thick as Thieves é um jogo com muitas inconsistências e, infelizmente, isso é algo profundamente enraizado em suas mecânicas centrais. Isso acontece porque, quando foi anunciado inicialmente, o game teria foco em PvP, no qual vários jogadores disputariam entre si para roubar os tesouros espalhados pelo mapa. Claro, o título ainda apresentava diversos elementos voltados à furtividade e aos immersive sims, como o sistema de pistas pelos cenários e as diferentes formas de invadir os locais. Entretanto, o núcleo da experiência estava muito mais direcionado para esse aspecto competitivo online.

No entanto, alguns meses atrás, a desenvolvedora decidiu mudar completamente o foco de Thick as Thieves para solo ou cooperativo, em que dois jogadores precisam invadir um local juntos. Porém, essa mudança repentina pode ter prejudicado bastante o resultado final, já que o game acaba falhando em quase todos os aspectos que se propõe a entregar.
Mecânicas que não funcionam como deveriam
Para entender melhor essa situação, é preciso explicar como funciona o loop de gameplay de Thick as Thieves. O jogo conta atualmente com dois mapas disponíveis e permite selecionar dois personagens diferentes, cada um com seu próprio conjunto de habilidades. A gameplay acontece em primeira pessoa, com um dos ladrões possuindo um gancho que permite alcançar locais mais altos, enquanto o outro é mais focado em invisibilidade.
O primeiro grande problema de Thick as Thieves aparece justamente no sistema de habilidades, que simplesmente se recusa a funcionar da forma como deveria.

O gancho, por exemplo, um elemento claramente herdado de jogos do gênero, como Thief, é praticamente inútil durante as invasões. Isso acontece porque seu funcionamento é extremamente inconsistente em relação aos locais onde pode ser utilizado. Em diversos momentos, pensei em estratégias de infiltração usando o equipamento, mas o jogo simplesmente não permitia seu uso, inclusive em áreas que claramente pareciam planejadas para isso.
Outro grande problema envolvendo as mecânicas é que o título incentiva a furtividade o tempo inteiro, mas os apetrechos disponíveis não possuem a versatilidade necessária para sustentar esse estilo de gameplay. Um exemplo disso é a bomba de fumaça, que pode ser utilizada para cegar câmeras de segurança e guardas. Entretanto, em mais de uma ocasião, ela simplesmente não funcionou corretamente, fazendo com que eu fosse detectado e atordoado por inimigos mesmo após utilizá-la.
Mas os problemas de Thick as Thieves não se limitam apenas às mecânicas. Existe outro aspecto que agrava ainda mais a situação do jogo: o level design.
Dois mapas extremamente mal projetados
Thick as Thieves conta atualmente com apenas dois mapas. Dando certo crédito ao jogo, eles realmente oferecem um bom fator de replay, com diferentes maneiras de realizar infiltrações… ao menos quando as mecânicas funcionam corretamente.
Fica evidente que esses cenários foram originalmente projetados com foco no PvP online, tendo inimigos controlados por IA espalhados pelo mapa apenas como obstáculos secundários. Entretanto, da forma como foram implementados na versão final, eles passam longe do ideal. Cada fase possui alguns guardas patrulhando o cenário, mas a inteligência artificial, mesmo nas dificuldades mais elevadas, é extremamente inconsistente. Em alguns momentos, os inimigos conseguem avistar o jogador a grandes distâncias; em outros, falham em perceber sua presença mesmo estando praticamente ao lado dele.
Além disso, apesar de os mapas oferecerem múltiplas rotas de infiltração, o design das fases não funciona em sintonia com as mecânicas apresentadas pelo jogo. Seguindo suas raízes nos immersive sims, o título utiliza um sistema de pistas, no qual encontramos documentos com relatórios sobre locais e horários que aumentariam as chances de roubar determinados itens valiosos.

Porém, rapidamente fica claro que buscar essas pistas pouco acrescenta ao gameplay, já que, na maioria dos casos, os itens mencionados nesses documentos acabam sendo encontrados naturalmente durante a exploração. Dessa forma, faltou um cuidado maior na criação de desafios mais interessantes, capazes de realmente incentivar os jogadores a perseguirem esses tesouros opcionais.
O jogo também possui um sistema que permite esconder itens em determinadas fendas espalhadas pelos mapas e recuperá-los posteriormente caso o jogador seja capturado. Na teoria, a ideia é interessante, mas isso funciona mais como um remendo para o fato de que as infiltrações precisam ser repetidas diversas vezes desde o início. Como o game não possui combate direto, ser visto pelos guardas normalmente significa fracasso imediato.
Claro, ainda é possível utilizar bombas de fumaça para fugir ou derrubar inimigos com ataques furtivos ao se aproximar silenciosamente por trás deles. Contudo, ambas as alternativas estão longe do ideal e acabam prejudicando ainda mais o gameplay, principalmente por conta de todos os problemas já citados anteriormente.
Outro grande problema relacionado à inteligência artificial dos inimigos é a tentativa de Thick as Thieves de introduzir mecânicas mais elaboradas de furtividade, como distrair guardas com garrafas ou apagar luzes para se esconder nas sombras, inclusive contando com um indicador na tela que mostra o nível de exposição do jogador à iluminação. Entretanto, devido às inconsistências da IA, interagir com essas mecânicas frequentemente se torna mais uma fonte de frustração do que uma ferramenta estratégica, já que as chances de algo simplesmente não funcionar como deveria são altas demais.
Personalização e esconderijo
Thick as Thieves também conta com um esconderijo entre as fases, no qual podemos personalizar o personagem e desbloquear novos itens. Para isso, é necessário cumprir desafios extras durante as missões, como roubar itens exclusivos ou realizar infiltrações de maneiras predeterminadas.

Entretanto, o jogo também deixa a desejar nesse aspecto. Os desafios rapidamente se tornam repetitivos e pouco criativos, além de não oferecerem recompensas realmente interessantes o suficiente para incentivar o jogador a completar todas as atividades disponíveis. Como resultado, a sensação de progressão acaba sendo bastante limitada, prejudicando ainda mais o fator de rejogabilidade que o game tenta promover.
Gráficos e trilha sonora
Visualmente, Thick as Thieves aposta em uma direção de arte cartunesca que lembra bastante os visuais de Dishonored. Nesse aspecto, o game realmente acerta, trazendo ambientes bem construídos e com uma estética que puxa levemente para o noir. Além disso, o game apresenta um sistema de iluminação bastante impressionante, principalmente no uso dos neons espalhados pela cidade e das lanternas durante as infiltrações. Para um título em que permanecer nas sombras é essencial, é evidente que houve um cuidado especial nesse aspecto, algo que me agradou bastante.

Entretanto, o mesmo não pode ser dito sobre o design dos personagens. O título reutiliza excessivamente os mesmos modelos de guardas ao longo das fases, aplicando apenas pequenas variações visuais, como versões fantasmagóricas em determinados mapas, por exemplo. Isso acaba prejudicando a identidade dos cenários e reforçando a sensação de repetição durante as missões.
Já no aspecto sonoro, Thick as Thieves não chega a impressionar. A trilha sonora permanece muito presa ao básico e não entrega faixas realmente marcantes ou capazes de ampliar a imersão no universo do jogo.
Desempenho
Minha experiência foi em um PC equipado com uma RX 9060 XT de 16 GB. Apesar de ser um game desenvolvido na Unreal Engine 5, não tive problemas de desempenho. Na resolução 1440p nativa, e os gráficos no alto, tive uma média de 80 FPS durante toda a experiência. Em relação a bugs, infelizmente esse é um aspecto que tive muitos problemas. Texturas não carregando direito, personagens sumindo e até mesmo alguns crashs. Realmente fica evidente que Thick as Thieves ainda precisava de um melhor polimento nesse sentido.
Vale a pena comprar Thick as Thieves?
Thick as Thieves é um jogo que, em muitos momentos, mais parece uma versão alpha do que um produto realmente finalizado. O título oferece pouco conteúdo e infelizmente falha até mesmo em aspectos básicos de suas principais mecânicas. Muitas das ideias presentes aqui têm potencial, e não dá para negar que existe uma boa base conceitual por trás do projeto. Talvez a mudança repentina de direção durante o desenvolvimento tenha prejudicado bastante a visão original dos desenvolvedores. Ainda assim, o resultado entregue atualmente está longe de ser uma experiência satisfatória e, principalmente, funcional.
Mesmo com todos esses problemas, o game chegará ao mercado com preço reduzido em relação aos demais jogos. Além disso, a desenvolvedora afirma que esta versão representa apenas o início de um projeto maior. Portanto, apesar de todas as críticas levantadas aqui, existe a possibilidade de que, com futuras atualizações e melhorias, Thick as Thieves eventualmente se torne uma experiência mais interessante e que realmente valha a pena dentro dessa faixa de preço.
Thick as Thieves foi desenvolvido pela OtherSide Entertainment e chega no dia 20 de maio para PC, via Steam.
*Review elaborada em uma PC equipado com uma Radeon RX, com código fornecido pela Megabit Publishing.
Thick As Thieves
Prós
- Fases visualmente bonitas
- O game oferece uma boa variedade de maneiras de infiltração
- Legendas em PT-BR
Contras
- Sistema de habilidades que não funciona como deveria
- Poucos cenários e mal projetados
- A IA dos inimigos deixa muito a desejar
- Falta de combate
- Muitos problemas visuais e crashs no PC




