BLUE REFLECTION Quartet | Review

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Franquia irmã de Atelier, Blue Reflection é um RPG por turnos que adota uma abordagem ainda mais despretensiosa em suas interações entre personagens e em seu sistema de combate. Desde sua estreia, em 2017, a franquia recebeu outros dois jogos e uma adaptação em anime. Agora, esse conteúdo foi compilado e expandido em BLUE REFLECTION Quartet.

Vamos descobrir o quanto a Gust caprichou nesta coletânea e se vale a pena revisitar seus jogos em mais uma análise antecipada do Pizza Fria!

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O retorno das garotas mágicas

Começando pelo primeiro título incluído em BLUE REFLECTION Quartet, Blue Reflection acompanha a jornada de Hinako, uma garota que sonha em voltar a praticar balé após um acidente que deixou uma lesão permanente em sua perna. Ela descobre que é capaz de se transformar em uma Refletora, uma versão mágica de si mesma com o poder de remover o excesso de emoções das pessoas e combater criaturas que ameaçam seu colégio.

Com a promessa de que, eventualmente, terá um desejo concedido em troca de seus serviços, Hinako decide assumir o papel de Refletora. A história leva alguns capítulos para realmente ganhar força, mas, quando a narrativa adota uma estrutura mais episódica e o humor se torna mais presente, o ritmo melhora consideravelmente, assim como o interesse por seu universo.

A jogabilidade alterna entre a exploração do colégio, onde Hinako interage com outras estudantes e sai com elas pela cidade, e pequenas masmorras com inimigos vagando pelos cenários e objetivos simples e rápidos, como eliminar determinado adversário ou coletar uma quantidade específica de fragmentos. Apesar da simplicidade, o ciclo de jogo é bastante intuitivo e envolvente.

Como não existe um sistema tradicional de pontos de experiência, o jogador recebe pontos de habilidade ao avançar na história ou concluir tarefas secundárias. Dessa forma, a progressão não se torna maçante e ainda ajuda a equilibrar o ritmo lento e minimalista da narrativa.

BLUE REFLECTION Quartet
A história apresenta uma abordagem slice of life bastante introspectiva, mas a falta de riscos ou de urgência narrativa pode afastar alguns jogadores. (Imagem: Reprodução/Higor Nicoli/Pizza Fria)

O conteúdo “inédito” de BLUE REFLECTION Quartet: Ray e Sun

Ao lado dos dois jogos principais da série, Blue Reflection Ray e Blue Reflection Sun também estão presentes em BLUE REFLECTION Quartet. Começando por Ray, acompanhamos Hirahara Hiori e Hanari Ruka enquanto tentam encontrar uma forma de derrotar um adversário poderoso.

Embora os trailers tenham apresentado o título como uma adaptação do anime produzido pela J.C.Staff em 2021, o jogo funciona, na verdade, como um complemento aos acontecimentos da animação. Por isso, sua história faz pouco ou nenhum sentido até mesmo para quem concluiu o primeiro jogo da franquia. Infelizmente, o anime não está disponível para ser assistido na coletânea, o que pode tornar Ray dispensável para muitos jogadores.

BLUE REFLECTION Quartet
Não há combates em Ray: apenas exploramos os mapas enquanto avançamos pela história. (Imagem: Reprodução/Higor Nicoli/Pizza Fria)

Blue Reflection Sun é, certamente, o principal motivo para adquirir Quartet. Trata-se de um remake para consoles do jogo para dispositivos móveis lançado exclusivamente no Japão em 2023. Esta nova versão incorpora o sistema de combate de Second Light, elimina o criticado sistema de gacha e adota a progressão tradicional dos demais jogos da série.

A exploração é tão simples quanto a do primeiro título, mas se mostra ainda mais dinâmica devido à menor quantidade de diálogos e à maior ênfase nos combates, que não demoram a apresentar desafios e novos recursos. Diversos eventos e até personagens inéditos também foram adicionados.

O elefante na sala, neste caso, é o protagonista silencioso, mantido nesta versão apesar dos protestos de fãs que não aprovaram a decisão original. Embora sua presença seja praticamente inofensiva à narrativa e ao desenvolvimento das demais personagens, o “líder” representa uma oportunidade desperdiçada de alterar a dinâmica da história de maneira mais envolvente.

BLUE REFLECTION Quartet
Apesar da presença frequente de escolhas, elas afetam apenas o diálogo apresentado logo em seguida.(Imagem: Reprodução/Higor Nicoli/Pizza Fria)

As novidades insuficientes de BLUE REFLECTION Quartet

Quando comparado às versões DX que a Gust lançou para a série Atelier, BLUE REFLECTION Quartet fica um pouco atrás ao analisarmos individualmente as melhorias de cada jogo. O primeiro título recebeu apenas uma opção de salvamento automático e um aumento na velocidade de movimentação de Hinako.

Second Light conta com mais personagens jogáveis. No entanto, para aproveitar melhor o sistema de combate e suas possibilidades, o modo difícil seria essencial, mas ele só é desbloqueado após a conclusão da campanha pela primeira vez, exatamente como ocorria no lançamento original de 2021.

A versão para Nintendo Switch 2 deixa bastante a desejar em todos os jogos. Os títulos rodam a apenas 30 FPS e apresentam sombras e iluminação visivelmente inferiores às das versões originais para PlayStation 4. O primeiro jogo também recebeu censuras que, em alguns momentos, prejudicam completamente a visibilidade da ação, como na cena em que Hinako massageia as pernas na banheira.

BLUE REFLECTION Quartet
Ray utiliza quadros do anime original, mas eles parecem deslocados durante a narrativa.(Imagem: Reprodução/Higor Nicoli/Pizza Fria)

Vale a pena jogar BLUE REFLECTION Quartet?

Para jogadores que desejam explorar mais profundamente o universo dos RPGs, BLUE REFLECTION Quartet é uma boa opção. Pela quantidade de conteúdo reunida no pacote, a coletânea oferece dezenas de horas de jogo bem aproveitadas.

Individualmente, porém, os títulos poderiam ter recebido mais novidades. Somadas à censura e à ausência de ajustes solicitados pela comunidade, como mudanças no protagonista silencioso de Sun e a liberação imediata do modo difícil de Second Light, essas limitações fazem com que a experiência apresente mais tropeços do que deveria.

Para quem procura apenas o jogo considerado o melhor e mais popular da série, é mais recomendável adquirir a versão original de Blue Reflection: Second Light.

BLUE REFLECTION Quartet será lançado nesta quinta-feira, 30 de julho, para Nintendo Switch, Nintendo Switch 2, PlayStation 5 e PC, via Steam.

*Review elaborada em um Nintendo Switch 2 com código fornecido pela Koei Tecmo.

BLUE REFLECTION Quartet

BRL 284,90
6.5

História

8.0/10

Gráficos

6.0/10

Conteúdo

8.0/10

Novidades

4.0/10

Prós

  • Exploração e combates viciantes
  • Personagens divertidos e marcantes
  • A gameplay de Sun foi vastamente aprimorada

Contras

  • Performance e visuais para Nintendo Switch 2 inferiores ao lançamento original
  • Censura desnecessária
  • Sem legendas em PT BR
  • O jogo original e Second Light poderiam ter mais conteúdo inédito