Coffee Talk Tokyo | Review
Sou um grande degustador de café. Logo, um dos meus hobbies favoritos é visitar cafeterias e experimentar diferentes combinações usando essa bebida. Surpreendentemente, sempre acabo encontrando novos sabores que adicionam uma sensação de novidade à vida, por assim dizer. Outro aspecto interessante de estar sempre em busca de novos cafés é conhecer pessoas novas e compartilhar experiências sobre a vida ou até mesmo algo simples, como gostos parecidos na hora de tomar um café.
Portanto, já tendo esse apreço por café em mente, alguns anos atrás, enquanto explorava o catálogo do Xbox Game Pass naquela famosa busca por algo novo para jogar em uma lista com mais de 300 títulos, acabei me deparando com Coffee Talk. Um game que prometia combinar essa atmosfera de degustar novas bebidas e conhecer pessoas diferentes com um toque de fantasia, em um mundo no qual humanos e criaturas fantásticas convivem.
Logo, comecei a jogar e terminei a experiência sem nem perceber o tempo passar. Foi uma jornada bastante divertida e, por incrível que pareça, o jogo e sua narrativa me fizeram refletir sobre diversos aspectos da vida pelos quais todos nós passamos em algum momento, como mudanças de carreira e relacionamentos. Assim, me tornei um grande fã da franquia e, após curtir o segundo título, Coffee Talk Episode 2: Hibiscus & Butterfly, lançado em 2023, finalmente chegou a hora de descobrir se o novo título criado pela Chorus Worldwide Games e Toge Productions, Coffee Talk Tokyo, consegue manter a consistência da franquia e entregar mais uma experiência marcante, em outra review antecipada do Pizza Fria!
Conhecendo uma cafeteria aconchegando em Tokyo
Diferente dos games anteriores, que se passavam em Seattle, Coffee Talk Tokyo leva os jogadores até uma cafeteria em Tóquio, trazendo suas próprias peculiaridades, como um cardápio repleto de bebidas típicas da região e clientes que apresentam diversos aspectos da cultura local. Semelhante aos títulos anteriores da franquia, conhecemos uma grande variedade de personagens, todos com histórias bastante interessantes para contar. Dependendo do quão bem cumprirmos nosso papel como barista, servindo as bebidas corretas, conseguimos levá-los a diferentes desfechos ao longo da narrativa.
Coffee Talk Tokyo consegue, mais uma vez, fazer um excelente trabalho ao apresentar personagens bastante diversificados. Temos o nosso assistente na cafeteria, Vin, que está sempre presente e possui boas histórias para compartilhar, mesmo que, às vezes, se esforce demais no trabalho e se recuse a descansar quando claramente precisa.

Também conhecemos Jun, um cantor que está passando por uma crise de carreira e não consegue encontrar inspiração para compor novas canções, o que o leva a enfrentar diversas crises de ansiedade e autoestima. Além dele, há também a minha personagem favorita do game, Aymme, uma garota que, após falecer, se tornou um fantasma e agora precisa de ajuda para recuperar suas memórias e seguir de forma pacífica para a vida após a morte.
Além disso, Coffee Talk Tokyo conta com o retorno de alguns personagens dos jogos anteriores, e foi muito divertido reencontrá-los depois de acompanhar suas histórias no passado. Não que Coffee Talk Tokyo exija conhecimento prévio para que sua narrativa seja aproveitada, mas é interessante ver como o título adiciona esses pequenos extras para recompensar os jogadores que já vivenciaram as jornadas anteriores da franquia.

Apesar do elenco variado, Coffee Talk Tokyo consegue dar espaço e destaque para cada personagem, fazendo com que o jogador realmente se envolva com suas histórias. Além disso, é ainda mais interessante observar os diferentes personagens interagindo entre si e adicionando suas próprias perspectivas às situações apresentadas nas conversas, o que acaba gerando interações diversas e nem sempre amigáveis.
Isso adiciona um aspecto bastante realista aos diálogos de Coffee Talk Tokyo, mesmo que estejamos acompanhando conversas entre criaturas fantásticas na maior parte do tempo. E, de certa forma, essa parece ser justamente a principal intenção do game: mostrar que os problemas da vida, assim como os momentos felizes, são experiências das quais ninguém consegue escapar, nem mesmo as criaturas fantásticas de Coffee Talk, e que todos nós precisamos aprender a lidar com isso da melhor maneira possível.
Uma experiência relaxante mas que ainda tem alguns tropeços
Outro aspecto que Coffee Talk Tokyo consegue executar muito bem é criar uma imersão extremamente relaxante para o jogador. Além das conversas interessantes e de um ambiente visualmente agradável e bastante chamativo, também temos acesso a um celular dentro do game, no qual é possível escolher músicas ambientes para tocar na cafeteria e até mesmo utilizar uma rede social.
Entretanto, é justamente nesse ponto que Coffee Talk Tokyo acaba repetindo alguns dos mesmos tropeços dos títulos anteriores da franquia. Particularmente, sempre achei que a rede social presente em Coffee Talk possui um potencial muito maior do que aquilo que realmente entrega.

No jogo, podemos apenas curtir publicações e ler posts dos personagens com os quais interagimos ao longo da campanha e, dependendo das nossas escolhas, o nível de amizade com eles aumenta gradativamente. Apesar do novo título ter adicionado um sistema de Hashtags, ainda assim, esse sistema poderia ser muito mais elaborado, contando, por exemplo, com um sistema de mensagens privadas ou até mesmo comentários em determinadas publicações, algo que ajudaria a aprofundar ainda mais as relações entre os personagens e evidenciar aspectos importantes das nossas interações com eles.
Infelizmente, isso não acontece, e esse continua sendo um aspecto da franquia que espero ver mais bem desenvolvido em futuros jogos.
A experiência Barista
O principal aspecto de jogabilidade em Coffee Talk Tokyo é a criação de bebidas para servir aos visitantes da cafeteria. O sistema funciona da seguinte maneira: o personagem faz um pedido e precisamos selecionar três ingredientes principais para preparar a bebida. Cada ingrediente adiciona uma camada específica de sabor, deixando a receita mais amarga, doce, quente ou refrescante.
Além disso, o game conta com uma boa variedade de ingredientes, como sorvete, cafeína, leite e até mesmo chá-verde. É importante compreender bem quais sensações cada item adiciona às bebidas, porque, conforme a campanha avança, os personagens começam a fazer pedidos mais subjetivos, focando menos em bebidas específicas e mais nas sensações que desejam experimentar.

Por exemplo, um personagem pode pedir algo doce e quente, mas que ainda mantenha um forte gosto de café. Nessas situações, é preciso pensar cuidadosamente na combinação dos ingredientes para criar a bebida correta. Sempre que descobrimos novas receitas, elas são adicionadas ao nosso catálogo, que pode ser consultado a qualquer momento caso algum cliente peça novamente uma bebida já preparada anteriormente.
Além disso, também podemos criar artes em latte sobre determinadas bebidas, algo que inclusive faz parte de alguns pedidos dos clientes. Esse sistema adiciona um toque artístico muito interessante às bebidas e torna bastante divertido criar desenhos personalizados, deixando cada preparo com uma identidade única.

Apesar de eu gostar bastante desse sistema em Coffee Talk Tokyo, um dos seus maiores problemas presente desde o primeiro jogo da franquia, é que, em alguns momentos, certos personagens pedem bebidas com nomes muito específicos, tornando difícil deduzir quais ingredientes devem ser utilizados.
Algo que aconteceu comigo durante a campanha foi um momento em que uma personagem pediu uma bebida típica de Tóquio e, mesmo após eu fazer uma pesquisa real sobre o que compunha aquela receita, ainda tive bastante dificuldade para entender qual combinação o jogo esperava que eu criasse.
Nesse aspecto, eu até gosto dos desafios propostos pelo sistema quando precisamos nos guiar pelos sabores e pelas sensações descritas nos pedidos. Porém, em alguns momentos, o game exagera nesse nível de interpretação, tornando certas soluções mais frustrantes do que realmente desafiadoras.
Modo Infinito
Coffee Talk Tokyo também conta com um modo infinito, que funciona basicamente como um minigame totalmente focado no preparo e no serviço de bebidas. Esse é um extra presente desde o primeiro título da franquia e que, particularmente, eu gosto bastante, justamente por adicionar uma camada extra de desafio à experiência.
Nesse modo, os jogadores realmente precisam se tornar baristas de alto nível, já que o objetivo é atender todos os pedidos corretamente sem cometer erros. Conforme os pedidos vão aumentando e se tornando mais complexos, é necessário memorizar receitas, entender rapidamente as características de cada ingrediente e agir com eficiência para manter a sequência perfeita de atendimentos.
O game ainda possui uma conquista na Steam que exige servir 50 bebidas sem errar nenhum pedido em uma única sessão. Esse é um desafio que eu já gostava bastante desde o primeiro Coffee Talk e que, com certeza, pretendo completar novamente em Coffee Talk Tokyo.
Trilha sonora e Gráficos
Coffee Talk Tokyo possui um excelente visual retrô, que consegue transmitir muito bem a sensação relaxante da cafeteria onde o jogo é ambientado. A direção de arte aposta em uma estética aconchegante e extremamente charmosa, algo que combina perfeitamente com a proposta mais contemplativa da franquia.
Além disso, existe um detalhe muito interessante na apresentação do game: ao longo dos diferentes dias da campanha, a primeira cena costuma mostrar uma visão aérea da cidade, permitindo que o jogador observe parte dos prédios dessa versão de Tóquio criada pelo jogo, até que finalmente vemos o letreiro da cafeteria Coffee Talk sendo aceso naquela noite.
É um toque simples, mas extremamente eficiente para reforçar a imersão e fazer com que o jogador realmente sinta que está acompanhando a rotina daquele universo. Pequenos detalhes como esse ajudam bastante na construção da atmosfera.
Além disso, o jogo também conta com uma excelente trilha sonora, totalmente focada em reforçar o clima intimista da cafeteria e das conversas profundas e relaxantes entre os personagens. As músicas conseguem acompanhar muito bem tanto os momentos mais reflexivos quanto as interações mais leves e descontraídas.
A trilha foi composta novamente por Andrew “AJ” Jeremy, que também trabalhou em Coffee Talk Episode 2: Hibiscus & Butterfly, e mais uma vez entrega um trabalho excelente ao capturar toda a identidade sonora da franquia.
Desempenho
Minha experiência foi no PC, equipado com uma RX 9060 XT de 16 GB. O game é bem leve, rodando em na resolução 1440p em 240 FPS a todo momento. Além disso, não tive problemas envolvendo bugs e nem travamentos.
Vale a pena comprar Coffee Talk Tokyo?
Coffee Talk Tokyo é um jogo que eu recomendo fortemente e já adianto que provavelmente estará no meu top 5 de jogos favoritos de 2026. O título mantém o alto nível narrativo característico da franquia, apresentando personagens que realmente conseguem cativar o jogador e entregar histórias com momentos divertidos, engraçados e até mesmo emocionantes.
O game acerta mais uma vez ao introduzir um elenco bastante diversificado, tornando ainda mais interessante acompanhar essas diferentes personalidades interagindo entre si enquanto degustam uma bebida na cafeteria. Grande parte do charme da experiência está justamente em observar como cada personagem possui visões de mundo distintas e como essas perspectivas acabam entrando em conflito ou se complementando ao longo das conversas.
Apesar de ainda apresentar alguns aspectos que poderiam ser mais bem aproveitados, como o sistema de redes sociais, Coffee Talk Tokyo consegue entregar uma jornada extremamente marcante e um sistema de preparo de bebidas ainda mais divertido do que nos títulos anteriores. A adição de novos ingredientes e combinações deixa a gameplay mais variada e reforça a sensação de evolução da franquia.
No fim, Coffee Talk Tokyo oferece facilmente a experiência mais completa da série até agora, conseguindo expandir as qualidades dos jogos anteriores sem perder a identidade acolhedora e relaxante que transformouCoffee Talk em uma franquia tão especial.
Coffee Talk Tokyo foi desenvolvido pela Toge Productions e chega no dia 21 de maio para Xbox Series X|S, PlayStation 5 e PC, via Steam.
*Review elaborada em uma PC equipado com uma Radeon RX, com código fornecido pela Chorus Worldwide Games.
Coffee Talk Tokyo
BRL 85,50Prós
- Uma excelente narrativa com um elenco diversificado de personagens
- Boas adições no catalogo de bebidas que evidenciam a cultura de Tokyo
- O jogo é visualmente cativante e a trilha sonora faz um bom trabalho em criar uma atmosfera relaxante para interagirmos com os personagens
- O modo infinito é divertido e adiciona uma boa camada de desafio
- Legendas em PT-BR
Contras
- A dedução dos ingredientes de algumas bebidas poderia ser mais intuitivo
- A rede social presente no game poderia ser mais elaborada



