Copa City | Review

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Os jogos de gerenciamento inspirados no futebol quase sempre seguem a mesma receita: montar elenco, negociar contratações, definir táticas e buscar títulos dentro das quatro linhas. Copa City vai na direção oposta. Em vez de colocar o jogador no banco de reservas ou na sala da diretoria, o título da Triple Espresso convida a assumir a responsabilidade por tudo o que acontece antes do apito inicial. Da segurança ao transporte, das áreas de alimentação às fan zones, cabe a você garantir que uma grande partida aconteça sem imprevistos.

Confesso que essa proposta foi justamente o que despertou minha curiosidade. Durante toda a minha experiência para esta análise, escolhi organizar os eventos do Flamengo, meu time do coração. Claro, a decisão foi muito mais emocional do que estratégica, já que, na prática, o clube escolhido funciona muito mais como um elemento de imersão do que como um fator que altera significativamente a estratégia.

Mas será que essa ideia consegue se sustentar por várias horas ou acaba sendo apenas um conceito interessante? É isso que você confere em mais uma análise no Pizza Fria!

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Um jogo onde o espetáculo acontece antes da bola rolar

A primeira coisa que chamou minha atenção foi justamente o quanto Copa City foge do convencional. Aqui não existe preocupação com escalações, esquemas táticos ou mercado de transferências. Meu trabalho era transformar a região da Tijuca, no Rio de Janeiro, em um ambiente preparado para receber milhares de torcedores.

Isso significa definir onde instalar fan zones, organizar estacionamentos, posicionar equipes de segurança, contratar fornecedores de alimentação, distribuir banheiros químicos, administrar campanhas de marketing, melhorar o fluxo de pessoas e garantir que todos consigam chegar ao Maracanã sem maiores problemas.

Copa City
Vamos, Flamengo! (Imagem: Divulgação)

Nas primeiras partidas, até tive a impressão de que administrar um evento seria relativamente simples. Bastou começar a equilibrar transporte, segurança, alimentação e fluxo de torcedores para perceber que havia muito mais camadas escondidas ali.

É justamente aí que Copa City encontra sua maior virtude. Existe uma satisfação verdadeira em observar uma operação complexa funcionando graças às escolhas que você fez durante a preparação. Ver os torcedores utilizando as rotas planejadas, ocupando as áreas de entretenimento e chegando ao estádio dentro do esperado transmite aquela agradável sensação de que o planejamento valeu a pena.

Um gerenciamento divertido, mas que nem sempre conversa com o jogador

Apesar da excelente ideia, Copa City tropeça justamente na forma como apresenta seus próprios sistemas.

Em diversos momentos eu sabia exatamente o que precisava fazer do ponto de vista lógico, mas o jogo simplesmente não conseguia comunicar isso de maneira clara. Objetivos pouco explicativos, indicadores que poderiam ser mais intuitivos e uma interface carregada fazem com que tarefas relativamente simples pareçam mais complicadas do que realmente são.

Isso não significa que o gerenciamento seja extremamente complexo. Na verdade, tive a impressão oposta: muitas das mecânicas são acessíveis, mas acabam escondidas atrás de menus que poderiam ter sido muito melhor organizados.

Copa City
Seria de bom grado que essas torcidas não se encontrem? (Imagem: Divulgação)

O tutorial também contribui para essa sensação. Embora cumpra sua função de apresentar os sistemas básicos, ele é mais longo do que deveria e demora para entregar a liberdade que faz o jogo realmente brilhar.

Felizmente, depois dessa curva inicial, o ritmo melhora bastante. Conforme fui entendendo como cada sistema se relacionava, comecei a experimentar diferentes formas de organizar os eventos, equilibrando orçamento, infraestrutura e satisfação dos torcedores. É nesse momento que o gameplay realmente encontra sua identidade.

Ainda assim, senti falta de uma evolução mais consistente ao longo da campanha. Depois que as principais mecânicas são apresentadas, alguns objetivos passam a transmitir uma sensação de repetição. Os desafios aumentam em escala, mas nem sempre introduzem novidades suficientes para manter o mesmo nível de empolgação das primeiras horas.

A atmosfera faz toda a diferença

Mesmo sem controlar uma única partida de futebol, Copa City consegue transmitir muito bem a sensação de estar organizando um grande evento esportivo.

Jogando com o Flamengo, foi impossível não imaginar como seria organizar um grande jogo no Maracanã. Já tendo ido diversas vezes ao estádio, foi interessante enxergar pelo lado de quem faz tudo acontecer antes da bola rolar. Não a partida em si, mas tudo aquilo que normalmente passa despercebido por quem está apenas na arquibancada: o transporte, a chegada das torcidas, as áreas de alimentação, a segurança e toda a operação necessária para que dezenas de milhares de pessoas tenham uma boa experiência.

As cidades (no meu caso, o Rio de Janeiro) ganham vida conforme o dia da partida se aproxima. As fan zones recebem torcedores, as ruas ficam movimentadas e toda a infraestrutura montada por você começa a fazer sentido dentro daquele contexto. Essa ambientação ajuda bastante na imersão e faz com que cada decisão tenha um peso maior.

Copa City
O Rio de Janeiro tem uma representação em escala menor em Copa City (Imagem: Divulgação)

Escolher o Flamengo durante toda a campanha também contribuiu para isso. Ver a identidade visual rubro-negra espalhada pelos espaços destinados aos torcedores, acompanhada da atmosfera criada em torno do clube, tornou a experiência mais envolvente. Ainda assim, vale destacar que a escolha da equipe não altera significativamente a experiência de jogo, funcionando mais como uma questão de preferência pessoal do que como uma mudança nas mecânicas.

Visualmente, Copa City apresenta uma direção de arte agradável e bastante funcional para um jogo de gerenciamento. A leitura geral da cidade é boa, permitindo acompanhar o fluxo de pessoas e identificar rapidamente onde estão os principais problemas operacionais.

A trilha sonora e os efeitos sonoros cumprem bem seu papel de reforçar o clima de um grande dia de jogo, sem chamar atenção excessiva para si.

Um lançamento que ainda precisa de alguns ajustes

No PC, encontrei um jogo competente na maior parte do tempo, mas que claramente ainda pode receber melhorias de qualidade de vida.

A interface é, sem dúvida, o aspecto que mais precisa evoluir. Diversas informações importantes poderiam ser apresentadas de maneira mais objetiva, reduzindo a necessidade de navegar por diferentes menus para entender o que realmente está acontecendo.

A localização em português do Brasil também está presente e ajuda bastante na leitura geral dos sistemas, especialmente por se tratar de um jogo com muitos menus e objetivos. Ainda assim, encontrei algumas inconsistências pontuais em textos e descrições, algo que não chega a comprometer a experiência, mas reforça a sensação de que Copa City ainda precisa de mais uma camada de revisão e polimento.

Copa City
A interface de Copa City é confusa e precisa ser melhor organizada (Imagem: Divulgação)

Também percebi pequenos problemas de polimento durante a campanha, embora nada que comprometesse completamente minha experiência. Ainda assim, é fácil perceber que há espaço para otimizações tanto na usabilidade quanto na clareza das informações exibidas ao jogador.

A boa notícia é que a desenvolvedora reagiu rapidamente ao feedback da comunidade. Em vez de ignorar as críticas, o estúdio admitiu que o estado inicial do jogo não justificava o preço cobrado, reduziu permanentemente seu valor e apresentou um roadmap bastante objetivo para os próximos meses. Somado aos patches que já começaram a ser distribuídos, fica evidente que existe um esforço para lapidar uma ideia que, por si só, já demonstra bastante potencial.

Por outro lado, fiquei com a impressão de que a Deluxe Edition aposta mais no apelo emocional do que em conteúdo realmente transformador. Os futuros pacotes dedicados ao Fluminense e ao Panathinaikos prometem reforçar a identidade visual, novos cânticos, tifos e alguns modificadores específicos, mas nada indica mudanças capazes de alterar significativamente a experiência de gerenciamento. Para torcedores desses clubes, certamente será um conteúdo bem-vindo. Para quem busca novas mecânicas ou campanhas substancialmente diferentes, entretanto, o valor agregado parece bastante limitado considerando o preço adicional da edição Deluxe.

Vale a pena comprar Copa City?

Copa City é um daqueles jogos que conquistam os fãs do esporte pela proposta antes mesmo de mostrar suas mecânicas. Poucos títulos tiveram a coragem de explorar os bastidores do futebol em vez do esporte propriamente dito, e essa originalidade merece reconhecimento.

Ao mesmo tempo, fica evidente que a execução ainda não alcança todo o potencial da ideia. A interface pouco intuitiva, o tutorial excessivamente longo e algumas decisões de design acabam criando barreiras desnecessárias para um sistema de gerenciamento que, na prática, é bastante divertido quando finalmente engrena.

Ainda assim, fiquei com a sensação de que existe uma base muito sólida aqui. Quando todos os elementos entram em sintonia, organizar um grande evento esportivo é extremamente satisfatório e entrega uma experiência diferente de praticamente qualquer outro jogo do gênero.

Se você procura um novo Football Manager, provavelmente sairá decepcionado. Agora, se gosta de jogos de gerenciamento e quer experimentar uma abordagem inédita para o universo do futebol, Copa City merece entrar no seu radar.

No estado atual, considero que a compra vale a pena principalmente para quem aprecia o gênero e está disposto a relevar algumas arestas que ainda devem ser refinadas em futuras atualizações. Afinal, por trás dos problemas de acabamento existe uma ideia criativa que tem potencial para se tornar referência dentro de um nicho praticamente inexplorado. Se a Triple Espresso conseguir cumprir o roadmap anunciado para os próximos meses, vejo um caminho bastante promissor para transformar um bom conceito em uma ótima experiência.

Copa City está disponível para PC, via Steam, PlayStation 5 e Xbox Series X|S.

*Review elaborada em um PC equipado com uma GeForce RTX, com código fornecido pela Triple Espresso.

Copa City

BRL 75,99
7

Apresentação

8.5/10

Gráficos e Sons

7.5/10

Gameplay

7.0/10

Extras

5.0/10

Prós

  • Uma proposta extremamente original ao colocar o jogador nos bastidores do futebol
  • Loop de gerenciamento que se torna bastante satisfatório quando todas as mecânicas se conectam.
  • Boa direção de arte e leitura visual da cidade
  • Desenvolvedora demonstrou rapidez ao responder às críticas com patches, redução de preço e roadmap de melhorias
  • Localizado em PT-BR

Contras

  • Interface pouco intuitiva dificulta o aprendizado das mecânicas
  • Tutorial longo e excessivamente restritivo
  • Progressão da campanha pode se tornar repetitiva
  • Deluxe Edition agrega pouco conteúdo relevante

Lucas Soares

Jornalista e fã de videogames desde criança. Já teve Mega Drive, Game Boy Color, PS1, PS2, PS3, PS4, PSVR, PS Vita, Nintendo 3DS e agora tem "só" um PS5, um Nintendo Switch e um PC Gamer. Para ele, o melhor jogo da história é Chrono Trigger, mas Metal Gear Solid 3, Final Fantasy X, The Last of Us Part II e Red Dead Redemption 2 completam o Top-5.