Dracula: Dark Reign | Review
Dracula: Dark Reign é um jogo de ação e plataforma com elementos de metroidvania, previsto para ser lançado em mídia física no final de junho de 2026 para, pasmem… o clássico Game Boy Color, famigerado portátil da Nintendo que conquistou o mundo na década de 90 com sucessos como Tetris e Pokémon Red/Blue.
Desenvolvido pela indie Spacebot Interactive em parceria com a Incube8 Games, Dracula: Dark Reign faz parte do StokerVerse e foi desenvolvido sob licença oficial do The StokerVerse Project, autorizado pela família Stoker. A proposta apresenta um prólogo único baseado nas anotações pessoais de Bram Stoker, introduzindo elementos inéditos dentro do universo do famoso vampiro.
O game promete colocar os jogadores para reviver a ousada fuga de Jonathan Harker do Castelo do Drácula, explorando um dos momentos mais intrigantes da obra original. Ficou curioso? Então bora para aqueles cinco minutinhos de pausa, prepare aquele café coado bem quentinho e venha conferir comigo mais uma análise retrô do Pizza Fria!
Antes de mais nada, entenda o Strokerverse
O StokerVerse é um universo transmídia inspirado diretamente nas obras e anotações originais de Bram Stoker, criador de um dos vampiros mais icônicos da cultura pop. Porém, diferente das releituras modernas que costumam reinventar a figura do Conde Drácula, a proposta aqui é justamente expandir os acontecimentos descritos pelo próprio autor, utilizando manuscritos, rascunhos e ideias que ficaram de fora das versões publicadas dos livros. O resultado é um universo sombrio e interligado, que busca respeitar ao máximo a essência gótica criada por Stoker no século XIX.
A proposta do StokerVerse vai muito além de simplesmente revisitar Drácula. O projeto funciona quase como uma grande expansão oficial daquele universo literário, trazendo novas histórias, personagens e interpretações conectadas diretamente ao material original. Tudo isso acontece sob autorização da própria família Stoker, algo que dá ainda mais peso à iniciativa, principalmente para fãs curiosos em descobrir detalhes pouco explorados da obra clássica.
E é justamente aí que Dracula: Dark Reign encontra espaço para existir. O jogo utiliza esse universo expandido para revisitar um dos momentos mais importantes da história original, a desesperada fuga de Jonathan Harker do castelo de Drácula. Porém, em vez de apenas adaptar os acontecimentos já conhecidos pelos fãs, o título introduz novos elementos inspirados nas anotações pessoais de Bram Stoker, criando situações inéditas que ajudam a aprofundar ainda mais o clima de horror e mistério que sempre cercou o personagem.

O mais interessante do StokerVerse é justamente a forma como ele tenta conectar diferentes mídias sem abandonar suas raízes literárias. Seja em jogos, quadrinhos ou futuras adaptações, tudo parece girar em torno da preservação daquela atmosfera clássica de horror gótico, tensão psicológica e criaturas sobrenaturais que transformaram Drácula em uma lenda eterna. E, sinceramente, meus amigos… para quem cresceu mergulhando em histórias sombrias de vampiros, castelos amaldiçoados e criaturas da noite, é muito difícil não ficar curioso para descobrir até onde esse universo ainda pode chegar.
Incursão ao castelo de Drácula
No coração sombrio da Transilvânia, dentro das muralhas imponentes do castelo de Drácula, um verdadeiro pesadelo se desenrola. O ano é 1897, e Jonathan Harker, um advogado inglês azarado, se vê preso nas garras do enigmático Conde Drácula. A determinação toma conta de Jonathan quando ele percebe que sua única chance de sobrevivência está na fuga. Porém, o castelo é um verdadeiro labirinto de passagens secretas, criaturas horrendas e forças malignas.
Passando pelos corredores encharcados por séculos de sangue, Jonathan vislumbra Drácula na chamada Sala Vermelha, confirmando o retorno do vampiro antes de conseguir escapar. Traumatizado pelos acontecimentos e, após se recuperar em um convento próximo, ele jura acabar de uma vez por todas com a ameaça do Conde e seu terror demoníaco.
E assim, a história de Dracula: Dark Reign avança 19 anos no tempo, chegando ao ano de 1916. Agora, acompanhamos Alexander Holmwood e Quincy Harker, filho de Jonathan Harker, durante a Batalha do Somme, na França. Ambos são enviados rio acima para investigar o campo de batalha, mas rapidamente percebem que uma terrível maldição paira sobre o local, carregando o ambiente com medo e morte.

Holmwood e Quincy seguem em frente para descobrir o destino daqueles que ainda permanecem no campo de batalha, e o que encontram são mortos-vivos controlados por uma oficial vampírica que, após ser derrotada, deixa para trás um artefato coberto por inscrições demoníacas. Inquieto com o ocorrido, Quincy sugere levar o objeto ao Instituto Van Helsing, em Londres.
E é justamente após encontrar um segundo artefato na capital inglesa que a jornada dos protagonistas de Dracula: Dark Reign se entrelaça com a da jovem Elizabeth Morris. Curiosa sobre os misteriosos objetos, ela decide acompanhar os rapazes em uma nova expedição rumo ao castelo do temível conde Drácula.
Gameplay de qualidade na telinha do portátil
Dracula: Dark Reign é um jogo de ação e plataforma com elementos de metroidvania, trazendo uma jogabilidade simples e intuitiva, até porque, convenhamos, realmente não há muito espaço para complicação no clássico Game Boy Color, que possui apenas dois botões de ação e o direcional para movimentação.
O botão Start no game possui duas funções, pressionando normalmente, você acessa o mundo de inventário dos personagens, enquanto segurar o direcional para cima e pressionar o Start abre o mapa do jogo, que vai sendo desbloqueado à medida em que você avança, assim como também mostra os pontos de interesse, como locais de salvamento e itens de cada local.
Além disso, a jogabilidade de Dracula: Dark Reign é bastante responsiva. Preciso confessar que inicialmente tive dificuldades com o pulo duplo de um dos personagens, mas logo percebi que o problema estava em mim mesmo. Para executar corretamente o segundo salto, é necessário esperar o personagem começar a cair antes de ativá-lo, e, depois de entender isso, tudo passou a funcionar perfeitamente.

Dito isso, vamos aos protagonistas e suas peculiaridades. Jonathan Harker é o primeiro personagem jogável, sendo responsável pelo prólogo da aventura. Ele também é o personagem mais básico do grupo, contando com habilidades simples, como atacar, saltar e executar uma rasteira para deslizar pelo cenário.
Como mencionado anteriormente, após o prólogo, Dracula: Dark Reign avança 19 anos no tempo, mostrando os acontecimentos após os eventos envolvendo Jonathan. Um novo grupo de protagonistas então parte em direção ao castelo do Conde Drácula, e o jogador pode alternar entre eles a qualquer momento simplesmente pressionando o botão Select. São eles:
- Quincy Harker, além de utilizar armas primárias e secundárias, possui a habilidade de realizar saltos duplos no ar, tornando-se a melhor opção para alcançar plataformas mais elevadas.
- Alexander Holmwood, também utiliza armas principais e secundárias, mas seu diferencial está na rasteira deslizante, permitindo atravessar espaços baixos impossíveis de acessar com os outros personagens.
- Elizabeth Morris, é capaz de manipular magia. Apesar de também utilizar espadas como arma principal, seu foco está nos ataques mágicos à distância e em sua habilidade de metamorfose, podendo se transformar em lobo para executar saltos mais baixos, porém muito mais longos.

Ah, e vale destacar o cuidado da equipe na construção dos personagens, as diferenças entre eles vão muito além das habilidades especiais, alcançando também atributos e os tipos de armas disponíveis para cada protagonista. Apenas Quincy Harker, por exemplo, pode utilizar o machado pesado, capaz de destruir caixas e paredes para liberar caminhos ocultos, já Alexander Holmwood é o único que utiliza lanças para atacar, enquanto Elizabeth Morris permanece como a única personagem capaz de usar magia e se transformar em lobo.
Recurso de acessibilidade
Seguindo os passos dos clássicos da década de 90, Dracula: Dark Reign é um jogo desafiador, mas sem chegar a ser excessivamente punitivo. O game conta com pontos de salvamento espalhados em locais estratégicos do mapa, permitindo que o jogador recupere sua vida e registre o progresso da aventura.
Apesar disso, o game não possui checkpoints automáticos. Morreu? É fim de jogo. Você retorna para a tela de título e recomeça a partir do último ponto de salvamento utilizado. Por isso, meus amigos, sempre que possível, trate de salvar seu progresso.
E pensando em acessibilidade e também em jogadores mais casuais, ou simplesmente naqueles que não estão acostumados a sofrer como nos velhos tempos, a desenvolvedora adicionou um modo com vida infinita.

Basta acessar o menu de opções na tela inicial do game e ativar a função. Não é necessário inserir códigos ou realizar qualquer procedimento secreto, é só habilitar, relaxar e aproveitar a aventura sem passar tanta raiva… embora também sem poder se vangloriar de ter superado todos os desafios da forma tradicional.
Audiovisual de Dracula: Dark Reign no Game Boy Color
Primeiramente, é importante destacar o desempenho de Dracula: Dark Reign no portátil e, sim, ele está extremamente satisfatório. A movimentação dos personagens, as transições entre cenários e a fluidez geral do jogo funcionam muito bem, e, durante toda minha jornada, não presenciei bugs. Logicamente, em momentos com muitos monstros na tela, o jogo apresenta alguns gargalos, mas quem já está acostumado com os clássicos do Game Boy Color sabe o quão comum isso é no portátil.
Quanto aos gráficos, Dracula: Dark Reign está simplesmente lindo. Os mapas possuem um level design excelente, com cenários muito bem trabalhados e detalhes impressionantes para o console, como chuva e relâmpagos ao fundo. Os monstros também apresentam boa variedade dentro das limitações do hardware e contam com sprites muito bem produzidos.
Assim como os protagonistas, a maioria dos inimigos se destaca bem dos cenários. E deixo claro, a maioria, porque os morcegos acabam sendo a exceção, por serem muito pequenos, às vezes acertam o jogador justamente por não se destacarem visualmente no ambiente. Ainda assim, pode acreditar, o trabalho em pixel-art de Dracula: Dark Reign na telinha do portátil está incrível.

Quanto às músicas e aos efeitos sonoros, ambos cumprem muito bem seu papel e combinam perfeitamente com a proposta sombria do jogo. A única má notícia é que o game não possui localização em português do Brasil, o que infelizmente acaba tornando a jornada pelo castelo do Conde Drácula um pouco menos imersiva para os jogadores da nossa região.
Vale a pena jogar Dracula: Dark Reign?
Sem dúvidas, Dracula: Dark Reign é um excelente motivo para tirar a poeira daquele velho Game Boy Color guardado na estante. O jogo consegue explorar muito bem os recursos do portátil da Nintendo, entregando uma aventura divertida, bonita e desafiadora, mas sem se tornar injusta ou excessivamente punitiva.
O mais impressionante é como Dracula: Dark Reign captura perfeitamente a essência dos clássicos da década de 90. A exploração pelos corredores do castelo, os segredos espalhados pelo mapa e a alternância entre protagonistas com habilidades únicas trazem aquela deliciosa sensação de descoberta típica da era de ouro dos metroidvanias.
Além disso, existe um cuidado enorme com a ambientação e com a construção do universo do jogo. O uso do StokerVerse expande muito bem a história clássica de Drácula, enquanto o trabalho em pixel-art entrega cenários lindos, repletos de detalhes e criaturas que ajudam a reforçar toda a atmosfera sombria da aventura.
É claro que a ausência de localização em português do Brasil pode incomodar parte do público, mas isso está longe de apagar o brilho do jogo. Para quem sente saudade dos clássicos portáteis da Nintendo e quer embarcar em uma aventura gótica cheia de personalidade, Dracula: Dark Reign é praticamente obrigatório. E pode acreditar, meus amigos… quando os trovões começarem a ecoar pelos corredores do castelo, será impossível não sentir aquele gostinho mágico da era de ouro dos videogames.
Dracula: Dark Reign está disponível em dois formatos através do site da Incube8 Games: digital, onde a ROM é vendida por US$ 14,99, e a física, cujo lançamento está previsto para o dia 30 de junho, custando US$ 49,99.
*Review elaborada em um Game Boy Color equipado com flashcard, com ROM fornecida pela Incube8Games.
Dracula: Dark Reign
USD 19,99Prós
- Atmosfera gótica muito bem construída e pixel-art linda e extremamente detalhada.
- Jogabilidade com alternância entre protagonistas com habilidades únicas.
- Acessibilidade com modo de vida infinita para jogadores casuais.
- Ousado e competente, ideal para quem quer tirar a poeira do portátil na estante.
Contras
- Ausência de localização para o português do Brasil.
- Se acostumar com o pulo duplo pode ser complicado no inicio.



