Grim Trials | Review
Grim Trials é um roguelike de ação desenvolvido pela Glory Jam e publicado pela Soft Source. Nele, controlamos uma ceifadora recém ascendida que precisa encarar uma série de testes para provar que está pronta para o trabalho que vem pela frente. Clássico, não é mesmo?
E aí, será que vale a pena encarar essa missão? É o que veremos agora, em mais uma análise açucarada do Pizza Fria.
Morrendo de estudar
Saudações, gente maravilhosa que me dá o prazer de ler ou escutar minhas opiniões verdadeiramente importantes e nada, nada enviesadas. Estamos reunidos aqui hoje, como das outras vezes, para papear sobre mais um joguinho que aparece em nossas vidas com a singela proposta de afastar o tédio e ajudar a tornar a vida cotidiana menos desinteressante.
Grim Trials, nosso assunto da vez, aparece com a proposta de entregar um roguelike de ação com combates rápidos e frenéticos, um toque de bullet hell em alguns momentos e um foco considerável em coleta de materiais e crafting de itens e equipamentos, além de uma customização de habilidades e atributos de armas que a personagem pode utilizar.
O motivo que me fez interessar pelo título foi sua promessa de jogabilidade e gênero, visto que sou um confesso apaixonado pelos rogues da vida e sempre tento jogar todos que tenho a chance. Mas, e aí. Será que o título entrega o que esperamos dele? É o que descobriremos agora.

História
Grim Trials conta a história de Avelin, uma garota que morreu antes do que (segundo ela mesma) deveria e agora se encontra em uma situação curiosa. Vejam, nossa querida descobriu que, na verdade, bateu as botas porque foi escolhida para ser uma nova ceifadora, e que o começo de seu pós vida será justamente em uma escola preparatória para esses importantes profissionais.
Contudo, Avelin deixou seu amado no mundo dos vivos e quer voltar para o lado dele a qualquer custo. Sendo assim, nossa missão passa a ser completar todos os desafios da academia enquanto conhecemos seus habitantes e mais sobre a situação na qual nos encontramos.
Embora a premissa de Grim Trials seja interessante, admito que não consegui me interessar tanto pelos personagens ou narrativa. Achei a personalidade de muitos demasiadamente forçada e rasa, principalmente da protagonista.
O jogo até tenta expandir seu elenco através das missões secundárias e mais documentos que descobrimos ao completá-las. Esses, também, acabam sendo uma maneira pouco efetiva e dinâmica de nos apresentar para cada um e tentar fazer com que tenhamos apreço e interesse por eles.

Jogabilidade
Grim Trials, em essência, é um roguelike no qual desafiamos uma série de salas, cada qual com seus monstros e armadilhas variadas, enquanto coletamos recursos, experiência permanente e melhorias temporárias. Cada um dos trials (conjunto de salas que desafiamos, basicamente) é bem curtinho e tem um chefe ao final. Se vencemos, liberamos o próximo. Se morremos, mantemos os recursos e XP para melhoria e voltamos ao início.
A experiência que adquirimos pode ser utilizada (e redistribuída a vontade) para melhorar tanto os atributos básicos de nossa heroína quanto para adquirir novas habilidades ou conferir melhorias para nossos equipamentos. Saber quando fazer cada coisa é essencial para poder otimizar nossa build para enfrentar os inimigos mais cabulosos que aparecem em nosso caminho.
Grim Trials também possui um grande foco na criação de equipamentos, o que fazemos coletando recursos de inimigos derrotados e criando tanto elementos base quanto as armas e armaduras propriamente ditas. Cada uma delas conta com seus próprios atributos e benefícios, abrindo o leque de possibilidades e nos dando certa liberdade.
O combate é em tempo real, com Avelin utilizando armas de diferentes pesos, algumas habilidades especiais e poções que conferem cura, dano aumentado e coisas do tipo. Não temos uma variedade tão grande, mas é possível adequar para nosso jeito de jogar e combater se necessário.

Infelizmente, Grim Trials peca muito em tudo que implementa. Primeiro, as salas em que passamos são sempre as mesmas, com inimigos pouco variados e quase nenhuma mudança em suas mecânicas ou níveis de desafio. Além disso, a confusão visual de cada uma é considerável, com vários inimigos soltando projéteis ao mesmo tempo que, além de nos frustrar, dificultam a visibilidade e criam uma dificuldade bem desigual.
Além disso, o jogo conta com quedas de performance constantes tanto durante a ação quanto durante coisas mais simples como o crafting. Isso é terrível, principalmente porque os minigames exigem apertos precisos que, muitas vezes, acabam sendo atrapalhados por isso. É uma coisa muito comum e frustrante, infelizmente.
Por fim, Grim Trials não apresenta uma diferença muito grande em seu ciclo de jogo, o que acaba fazendo com que ele caia no marasmo após pouco tempo de jogatina. É uma pena, porque as fundações são sólidas, ainda que não sejam nada que já não tenhamos visto antes.

Sons e visuais
Grim Trials entrega visuais bem coloridos e uma ação explosiva, cheia de efeitos na tela e coisas voando pelos ares. Eles são agradáveis, ainda que sejam mais do mesmo e não contem com retratos de personagens muito memoráveis.
A trilha sonora também conta com algumas músicas legais mas que são usadas em excesso e acabam não nos marcando demais, nem pontuando os momentos como deveriam. Mas temos nossa legenda!

Vale a pena jogar Grim Trials?
Grim Trials, leitores e leitoras, chegou com uma proposta interessante prometendo focar-se em um combate intenso com crafting e exploração de personagens. Contudo, pouco do que foi proposto acabou sendo entregue da maneira que era devida.
De positivo, curti o sistema de crafting, o fato de termos legendas e a opção de melhorar tanto personagens quanto armas com respec gratuito. De negativo, achei o combate repetitivo e com pouca variação, o lag me incomodou bastante, achei os personagens pouco interessantes e também penso que um visual mais único seria interessante.
Por fim, gente boníssima que tenho o prazer de conversar, me resta dizer que Grim Trials infelizmente ficou um pouco abaixo do que eu esperava. Estava empolgado pela aventura, mas acabei me frustrando mais do que devia e sinto que jogo apresentou boas ideias que, infelizmente, não conseguiu explorar com todo o carinho devido.
Grim Trials será lançado em 20 de agosto de 2026 para PC, via Steam, PlayStation 5, Xbox Series X|S, Nintendo Switch e Nintendo Switch 2.
*Review elaborada em um Nintendo Switch 2, com código fornecido pela Soft Source.
Grim Trials
BRL 110,00Prós
- Crafting é uma boa ideia
- É bem fácil colocar e mudar os pntos de habilidade
- Legendas em português
Contras
- Lags e lentidão tanto no modo portátil quanto de mesa
- Pouca variação de cenários, inimigos e salas
- Personagens pouco interessantes e carismáticos
- Excesso de projéteis na tela dificulta a visão e atrapalha sem adicionar dificuldade real
- Se torna repetitivo muito rápido



