Mafia: The Old Country – Man of Honor | Review

AnálisesPCPlayStationSlideXbox

Um ano depois de levar a franquia de volta às suas raízes com Mafia: The Old Country, a Hangar 13 retorna à Sicília com Man of Honor, expansão narrativa lançada em 14 de agosto de 2026 para PlayStation 5, Xbox Series X|S e PC. O conteúdo funciona como um “intermezzo” dentro da própria campanha, encaixado entre os capítulos 5 e 6, quando Enzo Favara já conquistou seu espaço na família Torrisi.

O grande chamariz é a presença de um jovem Ennio Salieri, figura que os fãs conhecem muito bem pelo primeiro Mafia. E é justamente aí que Man of Honor encontra sua melhor ideia. O problema é que, quando começa a aproveitá-la de verdade, os créditos já estão subindo.

Depois de pouco mais de três horas com os dois novos capítulos, e aproveitando a oportunidade para voltar ao jogo após suas atualizações, conto agora o que achei de Man of Honor, em mais uma análise do Pizza Fria!

Youtube video

Dois capítulos que poderiam estar no jogo base

Man of Honor se passa durante os acontecimentos de Mafia: The Old Country, aproximadamente na metade da campanha principal. É uma escolha natural para uma nova história protagonizada por Enzo e permite que a expansão recupere boa parte do elenco original sem precisar interferir diretamente nos acontecimentos finais do jogo.

Desta vez, Enzo e Cesare acabam envolvidos com Ennio Salieri, personagem que os fãs da série conhecem muito bem por sua importância no primeiro Mafia. Ver uma versão mais jovem de Salieri é facilmente o maior atrativo da expansão, principalmente porque Man of Honor consegue usar sua presença para criar uma ligação interessante entre as diferentes épocas da franquia.

Também é bom reencontrar Enzo, Cesare, Isabella, Don Torrisi e outros personagens depois de algum tempo longe deles. A estrutura faz Man of Honor parecer quase um par de capítulos perdidos da campanha original, e isso funciona tanto como elogio quanto como crítica. Porque, passado o reencontro, aparece rapidamente o principal problema da DLC: pouca coisa aqui parece realmente nova.

Mafia: The Old Country – Man of Honor
Mais do mesmo em Mafia: The Old Country – Man of Honor (Captura de tela: PS5 Pro/Lucas Soares)

O primeiro capítulo começa com uma sequência de furtividade e eventualmente parte para o tiroteio. Em outras palavras, exatamente aquilo que fizemos durante praticamente toda a campanha original. A segunda missão abre um pouco mais o espaço e até conta com uma quest opcional, mas a sensação permanece: são dois capítulos adicionais de The Old Country, e não exatamente uma expansão que procura fazer algo diferente.

Isso não seria necessariamente ruim se a história justificasse a existência do conteúdo. E ela quase consegue. A relação entre Enzo e Salieri começa a ficar mais interessante conforme percebemos que existe algo estranho acontecendo, enquanto o novo personagem ganha mais espaço para mostrar quem realmente é. Só que Man of Honor termina justamente quando parece estar começando.

Não é apenas curto. O encerramento é abrupto de uma maneira quase cômica. A sequência termina, surgem os créditos e fica aquela sensação de “é só isso mesmo?”.

Mafia: The Old Country – Man of Honor
Don Salieri, para os íntimos (Captura de tela: PS5 Pro/Lucas Soares)

Mais do mesmo também na jogabilidade

Se você jogou Mafia: The Old Country, sabe exatamente o que encontrará aqui. Furtividade simples, eliminações com faca, coberturas, tiroteios com as armas pesadas do início do século XX e sequências dirigidas entre uma cutscene e outra. Não existe uma mecânica relevante criada especificamente para a expansão. Isso também significa carregar os mesmos problemas.

Na análise original, critiquei uma Sicília linda, mas extremamente limitada para exploração. O mapa frequentemente parecia muito mais um cenário construído ao redor das missões do que propriamente um lugar para conhecer. Man of Honor não muda essa impressão.

Mafia: The Old Country – Man of Honor
A Direção Livre ganhou novidades na expansão. (Captura de tela: PS5 Pro/Lucas Soares)

Pelo contrário: voltar depois das atualizações e passar algum tempo no modo Direção Livre tornou essas limitações ainda mais evidentes. Existe um mundo enorme diante do jogador, mas é impressionante a quantidade de lugares que simplesmente não podem ser acessados. Um mato um pouco mais alto vira uma parede invisível. Cercas e muros baixos não podem ser pulados. Pequenos obstáculos obrigam Enzo a dar voltas enormes porque o jogo decidiu que aquele não é o caminho correto.

Para um mapa tão bonito, há pouca vontade de permitir que o jogador realmente interaja com ele. E talvez esse tenha sido o maior benefício pessoal de voltar para The Old Country: eu não jogava desde a época da análise e pude conhecer melhor o Direção Livre e outras adições feitas ao longo do último ano. O DLC também adiciona atividades e recompensas relacionadas ao modo, incluindo desafios, armas, veículos e outros itens. Ainda assim, nada disso muda muito minha antiga impressão de que esse mundo foi construído para ser observado, não explorado.

Mafia: The Old Country – Man of Honor
Mas o mapa segue com poucas atividades (Captura de tela: PS5 Pro/Lucas Soares)

Bonito como sempre

Aqui existe um problema curioso na hora de avaliar uma expansão. Graficamente, Man of Honor continua excelente. Os modelos de personagens, expressões faciais, iluminação e cenários mantêm exatamente o nível apresentado no jogo base. O mesmo vale para as atuações, efeitos sonoros e direção cinematográfica. Mas é justamente isso: mantém.

Não existe uma evolução audiovisual significativa porque estamos essencialmente visitando novamente o mesmo jogo. Seria injusto diminuir a nota simplesmente porque uma DLC reutiliza sua base técnica, da mesma maneira que seria estranho tratar esses elementos como novidades. Salieri ajuda bastante nesse aspecto. A caracterização do personagem e sua atuação estão entre os melhores elementos do pacote.

Mafia: The Old Country – Man of Honor
É um jogo visualmente bonito (Captura de tela: PS5 Pro/Lucas Soares)

Vale a pena comprar Mafia: The Old Country – Man of Honor?

Man of Honor é uma expansão difícil de avaliar porque seu maior argumento de defesa também mascara vários de seus problemas: ela é barata.

Custando menos de R$ 60 nas plataformas brasileiras, estamos falando de aproximadamente duas horas de história, que trazem dois novos capítulos, e um conteúdo adicional para o modo Direção Livre. Isso torna mais complicado exigir uma campanha enorme ou grandes mudanças de gameplay. Mas preço baixo também não transforma automaticamente pouco conteúdo em ótimo conteúdo.

A Hangar 13 entrega mais Mafia: The Old Country. Nem melhor, nem pior. As missões seguem exatamente a estrutura que já conhecemos, o gameplay não apresenta nenhuma novidade significativa e o mundo continua absurdamente restritivo. O grande destaque é Salieri e a oportunidade de entender um pouco mais sobre um dos personagens mais importantes da franquia.

Só que esse é justamente o ponto frustrante: quando sua presença começa a deixar a narrativa realmente interessante, Man of Honor termina.

Pelo preço, não considero Man of Honor um mau negócio para quem gostou de The Old Country e quer passar mais algumas horas com Enzo, Cesare e companhia. Para fãs antigos de Mafia, Salieri sozinho já oferece alguma curiosidade. Só não espere uma expansão capaz de mudar sua opinião sobre o jogo base. Man of Honor é mais do mesmo e, quando finalmente ameaça ser mais do que isso, acaba.

Mafia: The Old Country, e a DLC Man of Honor, já estão disponível globalmente para PlayStation 5Xbox Series X|S e PC, via Steam, e NVIDIA GeForce NOW.

*Review elaborada em um PlayStation 5 `Pro, com código fornecido pela 2K.

Mafia: The Old Country – Man of Honor

BRL 57,90
7

História

6.0/10

Gráficos e Sons

9.0/10

Gameplay

6.5/10

Extras

6.5/10

Prós

  • Ennio Salieri é o principal destaque da nova história
  • Reencontrar o elenco de The Old Country
  • Apresentação audiovisual continua excelente
  • Preço ajuda a justificar a curta duração

Contras

  • Apenas cerca de duas horas de campanha
  • Missões extremamente semelhantes às do jogo base
  • História termina de maneira abrupta
  • Exploração continua excessivamente limitada

Lucas Soares

Jornalista e fã de videogames desde criança. Já teve Mega Drive, Game Boy Color, PS1, PS2, PS3, PS4, PSVR, PS Vita, Nintendo 3DS e agora tem "só" um PS5, um Nintendo Switch e um PC Gamer. Para ele, o melhor jogo da história é Chrono Trigger, mas Metal Gear Solid 3, Final Fantasy X, The Last of Us Part II e Red Dead Redemption 2 completam o Top-5.