Mina the Hollower | Review

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Mina the Hollower finalmente está entre nós! O novo jogo da Yatch Club Games, estúdio responsável pelo clássico moderno Shovel Knight, traz uma nova história, uma abordagem inédita e um universo totalmente novo.

Até então, este era o título que eu mais estava ansioso para jogar em 2026. Tenho um carinho especial por games com estética retrô modernizada, que conseguem entregar uma sensação diferente, algo que dificilmente encontro nos títulos atuais. Somado à pixel art impressionante exibida nos trailers, isso aumentou ainda mais minha expectativa pelo que a Yatch Club Games poderia entregar com Mina the Hollower.

Então, sim: eu estava mais animado para jogar Mina the Hollower do que títulos como Grand Theft Auto VI ou Crimson Desert.

E, graças a Deus, assim como aconteceu com Shovel Knight, que herdava superficialmente elementos de clássicos jogos de plataforma, como Castlevania, mas construía algo extremamente sólido e moderno sobre essa base antiga, Mina the Hollower também se inspira claramente em clássicos como The Legend of Zelda: Link’s Awakening e outros games 2D da franquia Zelda.

Minha grande dúvida ao assistir aos trailers era se os desenvolvedores conseguiriam entregar algo realmente moderno em cima dessa fórmula clássica de Zelda, da mesma forma que fizeram anteriormente com Shovel Knight.

E foi justamente para descobrir isso que a Yatch Club Games nos convidou para testar o game e trazer para vocês nossa análise antecipada de Mina the Hollower, que, para mim, já é o melhor jogo do ano.

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O que é Mina the Hollower?

Mina the Hollower é um jogo de ação e aventura em 2D inspirado no clássico The Legend of Zelda: Link’s Awakening, lançado originalmente para o Game Boy. Essa referência é importante porque a base e a estrutura de gameplay do novo título da Yatch Club Games são bastante semelhantes às do clássico da Nintendo. Entretanto, aqui tudo ganha uma escala muito maior, algo que explicarei em mais detalhes ao longo desta análise.

A história de Mina the Hollower acompanha Mina, uma ratinha guerreira, heroína e, acima de tudo, cientista, que retorna à misteriosa Ilha Tenebrosa após uma série de acontecimentos estranhos. As torres de Geradores de Centelha, criadas pela própria Mina para afastar criaturas malignas da região, pararam misteriosamente de funcionar, colocando em risco todos os habitantes da ilha, agora tomada por monstros e criaturas grotescas.

Diante dessa ameaça, Mina embarca em uma jornada para restaurar os geradores e devolver paz e prosperidade ao povo da Ilha Tenebrosa. Cabe ao jogador descobrir o que causou o colapso dessas máquinas enquanto explora os segredos dessa aventura sombria e repleta de mistérios.

Mina the Hollower
Imagem: Divulgação

A estrutura e a exploração do jogo

A estrutura de Mina the Hollower é relativamente simples de entender. Existe uma cidade central chamada Ossex, que funciona como um grande hub do jogo. É lá que você compra itens, desbloqueia melhorias, interage com personagens e recebe missões secundárias.

Ao redor de Ossex estão espalhados os seis Geradores de Centelha quebrados que Mina precisa restaurar. Cada um deles funciona como uma grande dungeon, recheada de puzzles, seções de plataforma, segredos, itens escondidos, missões secundárias e chefes.

O mais interessante é que cada uma dessas áreas apresenta uma mecânica inédita, e toda a construção daquele trecho do game gira em torno dela. As seções de exploração, os desafios de plataforma e até os combates contra os inimigos são pensados com base nessa mecânica específica, fazendo com que cada dungeon tenha identidade própria e introduza novas formas de jogar.

Vale destacar também que o mapa de Mina the Hollower é gigantesco, e o jogador passa boa parte da aventura sem acesso a um mapa tradicional, diferentemente de jogos como Hollow Knight. Isso significa que você precisa memorizar caminhos, atalhos e passagens secretas praticamente por conta própria.

Pode parecer algo frustrante em um primeiro momento, mas a verdade é que os cenários são tão bem construídos e possuem identidades visuais tão marcantes que navegar pela Ilha Penumbra se torna algo bastante natural. Honestamente, a inclusão de um mapa mais detalhado provavelmente atrapalharia parte da sensação de descoberta que o título tenta construir.

Falando em exploração, Mina the Hollower recompensa constantemente o jogador curioso. O game está repleto de segredos, puzzles inteligentes, detalhes escondidos e desafios opcionais que incentivam você a investigar cada canto da ilha. E o melhor é que essas descobertas quase sempre são recompensadoras, trazendo momentos em que você realmente se sente inteligente ao encontrar soluções ou revelar caminhos secretos escondidos pelo cenário.

Mina the Hollower
Imagem: Divulgação

O combate de Mina the Hollower

Por incrível que pareça, o combate de Mina the Hollower é um dos grandes pilares da experiência. Antes de qualquer coisa, o título é bastante desafiador e não perdoa jogadores desatentos ou impacientes. O ritmo dos confrontos é mais cadenciado, exigindo posicionamento preciso para atacar, desviar e reagir aos movimentos inimigos no momento certo.

E isso funciona justamente porque os inimigos são extremamente complexos. Cada criatura possui comportamentos distintos, padrões de ataque variados e uma agressividade constante, obrigando o jogador a prestar atenção o tempo inteiro.

O sistema de combate lembra bastante a filosofia dos jogos do gênero souls-like, nos quais é necessário pensar antes de agir. Você precisa analisar o momento certo para atacar, se curar ou esquivar, além de aprender as aberturas e vulnerabilidades de cada adversário. Isso cria um loop de gameplay extremamente tenso, em que até mesmo os inimigos mais básicos podem eliminar Mina rapidamente caso o jogador se descuide por alguns segundos.

Outro ponto que merece destaque é a impressionante variedade de inimigos presentes no game. Cada região da Ilha Penumbra apresenta criaturas únicas, com visuais próprios, ataques diferentes e comportamentos específicos. Isso faz com que cada novo trecho da aventura traga desafios inéditos, exigindo que o jogador aprenda constantemente novas formas de atacar, desviar e sobreviver aos confrontos.

Mina the Hollower
Imagem: Divulgação

É realmente impressionante ver o nível de dedicação que os desenvolvedores colocaram nesse aspecto de Mina the Hollower. E, claro, uma variedade tão grande de inimigos só funciona bem quando o jogo também oferece maneiras interessantes de enfrentá-los. Felizmente, esse é mais um dos grandes acertos do título da Yatch Club Games.

Logo no início da aventura, você pode escolher entre três armas diferentes: um chicote, um martelo e uma dupla de adagas. Cada uma funciona exatamente da forma que você imagina. O chicote é mais equilibrado, o martelo é lento, porém extremamente poderoso, enquanto as adagas priorizam velocidade em troca de menor dano.

Conforme a campanha avança, novas armas são desbloqueadas, cada uma trazendo estilos de gameplay diferentes. E o mais interessante é que determinados armamentos funcionam melhor contra certos tipos de inimigos e chefes, incentivando o jogador a experimentar constantemente novas abordagens durante os combates.

Além disso, todas as armas podem ser aprimoradas com modificadores que adicionam novos comportamentos e habilidades, expandindo ainda mais as possibilidades estratégicas do sistema de combate.

Mas, acima de tudo, existe uma mecânica que define completamente tanto o combate quanto a exploração de Mina the Hollower: a habilidade de cavar.

No game, os inimigos podem atacar em três alturas diferentes: no chão, no subsolo e no ar. Para evitar determinados golpes, Mina precisa alternar constantemente entre pular e cavar no solo. Alguns projéteis, por exemplo, só podem ser evitados cavando; outros exigem um salto no momento exato, enquanto permanecer parado no chão normalmente significa levar dano.

O detalhe mais interessante é que Mina não cava instantaneamente. Primeiro, você precisa saltar e, apenas durante a queda, consegue iniciar a escavação. Isso cria uma espécie de delay proposital, obrigando o jogador a antecipar os movimentos dos inimigos e prever os ataques antes que eles aconteçam.

Toda essa dinâmica, somada ao ritmo mais lento e estratégico do combate, cria um sistema extremamente divertido e satisfatório. Existe uma sensação constante de aprendizado e domínio das mecânicas, algo que faz cada confronto parecer recompensador. Honestamente, é aquele raro “gostinho de novidade” que poucos jogos conseguem entregar hoje em dia.

Mina the Hollower
Imagem: Divulgação

A arte de Mina the Hollower

É impossível falar de Mina the Hollower sem destacar seus gráficos absolutamente maravilhosos. O título apresenta uma das pixel arts mais bonitas que já vi nos últimos anos. E o mais interessante é que ele aposta em um visual genuinamente retrô, diferente dessas pixel arts modernas ultra detalhadas que vemos atualmente.

Aqui, a proposta é mais simples, com menos cores e um visual que realmente remete aos games clássicos da era 8-bits e 16-bits. Mas simplicidade, nesse caso, está longe de significar falta de qualidade. Muito pelo contrário: Mina the Hollower impressiona justamente pelo cuidado colocado em cada detalhe visual.

Cada área do mapa possui pequenos elementos de cenário extremamente bem trabalhados, recheados de animações e efeitos visuais que ajudam a dar vida ao mundo do jogo. Tudo se movimenta de forma fluida, desde os personagens até os efeitos sonoros e animações especiais durante os combates e interações.

E toda essa identidade visual ganha ainda mais força graças à estética de fantasia sombria adotada pelo game. Existe uma dinâmica curiosa entre os personagens visualmente fofinhos e os cenários grotescos e perturbadores da Ilha Penumbra. É uma combinação estranha, mas extremamente fascinante, que desperta constantemente a vontade de explorar esse universo e entender o que aconteceu com aquelas criaturas e habitantes.

Mina the Hollower
Imagem: Divulgação

Sinceramente, é muito difícil encontrar defeitos na direção de arte de Mina the Hollower. Minha única ressalva é que, em alguns momentos específicos, o excesso de detalhes pode prejudicar um pouco a legibilidade da tela. Existem cenários muito carregados visualmente, o que ocasionalmente dificulta identificar alguns elementos rapidamente. Ainda assim, isso nunca chega a atrapalhar de verdade a gameplay, já que bastam poucos segundos explorando o ambiente para entender perfeitamente o que está acontecendo.

A trilha sonora é outro aspecto simplesmente fenomenal. Cada mapa, chefe, cidade, loja e menu possui músicas extremamente marcantes, daquelas que ficam na cabeça mesmo depois de desligar o jogo.

Retrô vs Moderno

Como eu disse anteriormente, Mina the Hollower, assim como o título anterior da Yatch Club Games, não é exatamente uma experiência 100% retrô. O título utiliza a base de jogos clássicos e a moderniza de maneira extremamente inteligente. Então, apesar de existir uma clara inspiração em The Legend of Zelda: Link’s Awakening, as semelhanças praticamente param por aí.

Isso acontece porque o título incorpora diversas ideias modernas de game design. O combate, por exemplo, possui uma abordagem muito mais próxima dos Souls-like, com esquivas mais complexas, gerenciamento de posicionamento, múltiplas armas e equipamentos consumíveis que expandem bastante as possibilidades durante as batalhas. Como já falei bastante sobre o combate anteriormente, não vou me aprofundar novamente nesse ponto.

Além disso, Mina the Hollower traz várias conveniências típicas dos jogos modernos. Existem sistemas de teleporte, itens cosméticos para personalizar a toca e as roupas da Mina, além de melhorias permanentes de atributos, como ataque, defesa e magia.

O game também conta com uma mecânica de morte claramente inspirada em Dark Souls. Ao morrer, você deixa para trás todo o dinheiro acumulado e precisa retornar ao local para recuperá-lo. Caso morra novamente antes disso, perde tudo definitivamente.

Mina the Hollower
Foto da toca decorável da Mina (Imagem: Divulgação)

Outro aspecto interessante é a construção dos mapas. Existem inúmeros atalhos, caminhos alternativos e formas rápidas de locomoção, algo bem diferente de muitos jogos antigos, que frequentemente aumentavam artificialmente a dificuldade para compensar campanhas mais curtas. Mina the Hollower continua sendo um game difícil, mas trabalha essa dificuldade dentro de parâmetros muito mais modernos e equilibrados.

Ainda assim, para quem se interessa pelo game, mas não necessariamente pela dificuldade elevada, existe uma quantidade impressionante de opções de acessibilidade. O jogador pode praticamente rebalancear toda a experiência, ajustando dano recebido, quantidade de vida, dificuldade geral e até mesmo modificando sistemas específicos, como a mecânica de recuperar dinheiro após morrer.

Ou seja, se o desafio estiver acima do que você procura, vale muito a pena explorar essas opções e adaptar a experiência ao seu gosto. Afinal, o mais importante aqui é aproveitar tudo o que Mina the Hollower tem a oferecer.

E é justamente essa mistura entre nostalgia e modernidade que torna o título tão especial. Mesmo claramente inspirado em clássicos do passado, Mina the Hollower atualiza essa fórmula com ideias modernas de design, criando uma experiência que consegue ser nostálgica e inédita ao mesmo tempo.

Mina the Hollower
Algumas opções de acessibilidade de Mina the Hollower. (Imagem: Matheus Feldmann/PC/Reprodução)

Vale a pena jogar Mina the Hollower?

Como eu disse anteriormente, Mina the Hollower é um jogo até difícil de analisar, justamente porque é complicado encontrar defeitos reais na experiência. Tudo aquilo que o game se propõe a fazer, ele executa com um nível impressionante de qualidade. É um game lindo, extremamente prazeroso de jogar, com personagens carismáticos, missões divertidas, um combate desafiador e satisfatório, além de uma exploração constantemente recompensadora.

Por isso, é muito difícil não recomendar Mina the Hollower.

Se você tem o mínimo interesse pelo jogo, ou gosta de aventuras focadas em exploração, como Hollow Knight, Castlevania, TUNIC e principalmente The Legend of Zelda, então Mina the Hollower é praticamente obrigatório. Para mim, é facilmente um dos melhores títulos do ano e mais uma prova do talento absurdo da Yatch Club Games em reinterpretar fórmulas clássicas de maneira moderna e criativa.

Mina the Hollower será lançado no dia 29 de maio para PC, via Steam e Humble Bundle Store, PlayStation 5, Nintendo Switch, Nintendo Switch 2 e Xbox Series X|S. O jogo conta com tradução e localização completas em português do Brasil, trazendo um trabalho de adaptação extremamente bem-feito.

*Review elaborada em um PC equipado com uma GeForce RTX, com código fornecido pela Yatch Club Games.

Mina the Hollower

10

História

10.0/10

Gameplay

10.0/10

Gráficos e Sons

10.0/10

Extras

10.0/10

Prós

  • Arte de cair o queixo
  • Gameplay diferente e gostosa de jogar
  • Tradução e localização em PT-BR
  • Várias opções de acessbilidade

Contras

  • Infelizmente o jogo acaba

Matheus Feldmann

Game Designer de formação, preservador de jogos antigos, amante de MMORPG's, Jogos de Luta, jogos indies e RPG's em geral. Também assumo o posto de maior defensor de jogos ruins, especialmente Daikatana.