Mixtape | Review

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Há jogos que buscam impressionar pelo desafio, outros pela grandiosidade técnica, e alguns poucos que simplesmente querem fazer você sentir alguma coisa. Mixtape se encaixa com facilidade neste último grupo. Mais do que um game tradicional, o título da Beethoven & Dinosaur funciona quase como uma experiência interativa, sendo uma carta de amor à amizade, à juventude e àquele momento agridoce em que tudo começa a mudar.

Com uma duração curta, que dificilmente ultrapassa três horas, o game não tenta se estender além do necessário. E talvez seja justamente aí que mora uma das suas maiores qualidades: saber exatamente o que quer ser.

E o que exatamente Mixtape busca entregar? A resposta para esta pergunta eu trago agora, em mais uma review antecipada do Pizza Fria!

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Uma última noite para lembrar

Mixtape acompanha Stacey Rockford em seu último dia na pequena cidade do interior dos Estados Unidos onde cresceu. Prestes a partir para uma nova fase da vida, ela decide se reunir com seus amigos inseparáveis, Cassandra Molina e Van Slater, para uma despedida que mistura festa, nostalgia e, claro, algumas decisões questionáveis, como sair em busca de bebida para encerrar a noite, sendo menores de idade.

Com esse ponto de partida, Mixtape se desenrola como uma colagem de memórias. O jogador acompanha diferentes momentos da amizade entre os três, revisitados de forma estilizada, às vezes exagerada, e frequentemente flertando com o surrealismo juvenil. Não se trata de uma narrativa linear convencional, mas sim de fragmentos que, juntos, constroem a essência daquele vínculo.

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Isso DEFINITIVAMENTE aconteceu (Imagem: Reprodução/PS5 Pro/Lucas Soares)

E é justamente nesse tom quase onírico que o jogo encontra sua identidade. Sequências como uma perseguição policial com carrinhos de supermercado ou uma corrida em que o trio praticamente flutua não estão ali para fazer sentido literal. Elas representam como essas lembranças são sentidas, não como realmente aconteceram.

Mais experiência do que desafio

Se você procura sistemas complexos, progressão elaborada ou decisões que mudam drasticamente o rumo da história, é melhor ajustar as expectativas. Mixtape não é esse tipo de jogo.

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Será mesmo, minha cara Rockford?(Imagem: Reprodução/PS5 Pro/Lucas Soares)

A experiência aqui é guiada, com interações simples e objetivos claros. Há momentos de exploração leve, pequenas ações contextuais e alguns minigames pontuais, alguns deles baseados em Quick Time Events (QTE), que exigem apenas atenção básica do jogador. Não chega a ser um walking simulator, mas também não se distancia muito dessa proposta.

Essa simplicidade pode afastar parte do público, especialmente quem busca um desafio mais tradicional. No entanto, dentro da proposta do título, ela funciona. O foco nunca esteve na dificuldade, mas sim na imersão emocional.

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O primeiro beijo! (Imagem: Reprodução/PS5 Pro/Lucas Soares)

Outro elemento que reforça isso é a ausência quase completa de HUD. A interface é extremamente minimalista, aparecendo apenas quando necessário para indicar comandos específicos. Essa escolha contribui para manter o jogador conectado à experiência, sem distrações desnecessárias.

O poder da amizade (e da despedida)

Se fosse preciso resumir Mixtape em uma ideia central, ela seria simples: este é um jogo sobre amizade.

Mas não qualquer amizade. É sobre aquele tipo de conexão que se forma na juventude, quando tudo parece mais intenso, mais definitivo. É sobre dividir momentos que, na época, parecem triviais, mas que depois se tornam memórias fundamentais.

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Nossos protagonistas (Imagem: Reprodução/PS5 Pro/Lucas Soares)

Ao mesmo tempo, o jogo também fala sobre despedidas. Sobre o fim de ciclos. Sobre perceber que, por mais fortes que sejam os laços, a vida inevitavelmente segue caminhos diferentes.

Esse equilíbrio entre leveza e melancolia é o que dá peso à experiência. Mixtape não tenta dramatizar excessivamente suas situações, mas também não ignora o impacto emocional desse momento da vida.

E talvez por isso ele funcione melhor para um público específico. Acredito que jogadores que já passaram dos 30, por exemplo, tendem a se identificar com mais facilidade com essas sensações. Existe um componente geracional aqui, especialmente na forma como o jogo retrata amizades dos anos 80, 90 e 2000, que pode não ter o mesmo impacto para todos.

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Mixtape guarda uma beleza peculiar (Imagem: Reprodução/PS5 Pro/Lucas Soares)

Direção artística e trilha sonora

Visualmente, Mixtape aposta em um estilo estilizado, com animações que remetem ao stop-motion e uma apresentação que prioriza a expressividade em vez do realismo. É um jogo bonito, mas que não busca impressionar tecnicamente. A direção de arte cumpre bem seu papel ao reforçar o tom da narrativa, sem roubar a cena.

Já a trilha sonora é um dos pilares da experiência. São mais de 25 faixas licenciadas que compõem essa “mixtape” fictícia, posicionadas de forma estratégica para acompanhar os momentos vividos pelos personagens. Mesmo que muitas delas não façam parte do repertório do público brasileiro, a curadoria é precisa ao ponto de fazer com que todas se encaixem naturalmente no contexto do game.

Mais do que ambientação, a música conduz o ritmo da narrativa e ajuda a definir o impacto emocional de cada cena, funcionando como um dos principais motores da experiência.

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Cada música que compõe a mixtape de Rockford é real! (Imagem: Reprodução/PS5 Pro/Lucas Soares)

Vale a pena jogar Mixtape?

Mixtape é o tipo de jogo que depende muito do momento em que você está vivendo.

Para alguns, pode parecer simples demais, curto demais ou até limitado em termos de gameplay. Para outros, pode ser uma experiência tocante, capaz de despertar lembranças e provocar reflexões sobre amizade, crescimento e despedidas. No fim das contas, ele não tenta ser tudo para todo mundo, e isso fica claro desde o início.

Se você entrar esperando um videogame tradicional, talvez se decepcione. Mas, se estiver aberto a uma experiência mais contemplativa, guiada pela música e pelas emoções, há valor aqui.

Mixtape não quer desafiar seus reflexos. Ele quer tocar suas memórias. E, quando isso acontece, dificilmente passa despercebido.

Ainda assim, suas limitações como jogo tradicional acabam sendo evidentes. É uma experiência que funciona muito bem dentro daquilo que se propõe, mas que pode não ter o mesmo impacto para todos os jogadores.

Mixtape chega nesta quinta-feira, 7 de maio, para PC, via Steam e Epic Games Store, Nintendo Switch 2, Xbox Series X|S (disponível no Dia 1 no Game Pass), e PlayStation 5.

*Review elaborada em um PlayStation 5 Pro, com código fornecido pela Annapurna Interactive.

Mixtape

BRL 59,99
8.9

História

10.0/10

Gráficos

8.0/10

Sons

10.0/10

Gameplay

7.5/10

Prós

  • Narrativa sensível e bem construída sobre amizade e despedidas
  • Trilha sonora com curadoria marcante e integrada à experiência
  • Direção artística consistente com a proposta do jogo
  • Experiência coesa do início ao fim, sem excessos
  • Abordagem emocional que pode gerar forte identificação com o jogador

Contras

  • Gameplay muito simples e pouco desafiador
  • Duração curta, com menos de três horas
  • Estrutura pode afastar quem busca um jogo mais tradicional
  • Impacto emocional depende do momento e perfil do jogador

Lucas Soares

Jornalista e fã de videogames desde criança. Já teve Mega Drive, Game Boy Color, PS1, PS2, PS3, PS4, PSVR, PS Vita, Nintendo 3DS e agora tem "só" um PS5, um Nintendo Switch e um PC Gamer. Para ele, o melhor jogo da história é Chrono Trigger, mas Metal Gear Solid 3, Final Fantasy X, The Last of Us Part II e Red Dead Redemption 2 completam o Top-5.