MOTORSLICE | Review
MOTORSLICE é um jogo de aventura que propõe levar os jogadores a uma jornada relaxante, marcada por elementos de parkour e contemplação. Nele, assumimos o papel de uma garota sonolenta chamada P, cujo objetivo é escalar grandes construções e destruir máquinas robóticas gigantescas. Como grande fã de jogos que envolvem parkour, e considerando que algumas cenas do game me remeteram ao lendário Shadow of the Colossus, uma inspiração, aliás, confirmada pela desenvolvedora, todos os requisitos para chamar minha atenção estavam devidamente preenchidos.
Diante disso, resta a questão: será que MOTORSLICE realmente entrega uma aventura cativante e marcante? Confira agora em mais uma review antecipada do Pizza Fria!
Muito parkour e muita inconsistência
MOTORSLICE começa com a protagonista P e seu companheiro, um robô que, no game, atua como a câmera que controlamos do personagem, enquanto ambos têm como principal objetivo destruir várias máquinas que se rebelaram. Assim, nosso propósito é claro: explorar os diversos cenários do jogo, utilizar a motosserra de P para destruir algumas máquinas ocasionalmente e enfrentar os variados desafios de plataforma propostos.
O grande foco está na forma como os jogadores exploram os cenários e superam esses desafios. A protagonista pode andar, pular, correr pelas paredes, escalar objetos, subir em cordas e até deslizar para atravessar espaços mais estreitos. Dessa forma, cabe ao jogador dominar esse conjunto de movimentos para ultrapassar os obstáculos apresentados ao longo dos capítulos, que incluem armadilhas ambientais, pequenas máquinas que tentam nos atacar durante certos trechos e até o uso de elementos do cenário, como grandes cubos de pedra, para criar pontes e alcançar áreas mais elevadas.

Apesar da movimentação funcionar bem na maior parte do tempo, há alguns problemas que me incomodaram consideravelmente. O principal deles é a inconsistência na resposta aos comandos do jogador. Em diversos momentos, por exemplo, P precisa subir em uma parede e, em seguida, saltar para trás para alcançar uma borda e se agarrar a ela. Para executar esse movimento, é necessário pular na parede e pressionar o botão A duas vezes. No entanto, esse mesmo comando também faz com que a personagem corra pela parede. Como resultado, em várias situações, em vez de saltar para o lado oposto, P inicia a corrida na parede e acaba caindo para a morte.

Outro problema recorrente ocorre nas seções em que precisamos nos agarrar a barras de ferro e avançar pulando de uma para outra. Quando essas barras estão alinhadas em linha reta, a movimentação flui bem. Entretanto, em desafios mais complexos, que exigem saltos para trás em direção a outras barras ou superfícies, os controles novamente falham em responder de maneira adequada, ignorando os comandos inseridos. Assim, embora sejam falhas pontuais, esses problemas comprometem de forma significativa a consistência e a fluidez que um jogo focado em parkour deveria oferecer.
Além disso, MOTORSLICE apresenta áreas secretas nas quais P pode encontrar robôs escondidos. Esses colecionáveis garantem vidas extras em algumas batalhas contra chefes e adicionam desafios opcionais de parkour ao longo da jornada.
Boas batalhas contra chefes, mas faltou variação de inimigos comuns
Outro problema recorrente em MOTORSLICE é a falta de inimigos comuns. Durante a campanha, enfrentamos máquinas com formatos inspirados em equipamentos de construção, como escavadeiras e serras. No entanto, após alguns capítulos, esses adversários tornam-se excessivamente repetitivos e deixam de oferecer qualquer desafio relevante. É possível compreender que a proposta do título seja mais “cozy”, mas, mesmo considerando esse direcionamento, os desafios de parkour já apresentam um bom nível de dificuldade. Em contraste, os inimigos parecem carecer de um propósito mais bem definido dentro do design do jogo.
Por outro lado, as batalhas contra chefes são, sem dúvida, um dos pontos altos de MOTORSLICE. Nesses confrontos, enfrentamos grandes máquinas, como tratores, escavadeiras e até um helicóptero, que precisam ser escalados enquanto causamos dano com a motosserra. Aliás, a arma de P é um dos grandes diferenciais do jogo.

Além de ser utilizada no combate, a motosserra também tem papel importante na exploração. Em determinados trechos, encontramos paredes metálicas nas quais podemos deslizar utilizando a ferramenta, mecânica que também se aplica aos chefes, com a diferença de que, nesses casos, o movimento causa dano direto às estruturas inimigas. Assim, de maneira semelhante ao que ocorre em Shadow of the Colossus, as batalhas exigem que escalemos essas criaturas até encontrar pontos específicos de metal, onde podemos usar a motosserra para enfraquecê-las até sua destruição.
Infelizmente, vale destacar que alguns dos problemas de movimentação mencionados anteriormente também se manifestam durante essas batalhas. Isso acaba tornando certos confrontos ocasionalmente frustrantes, prejudicando o impacto de momentos que, em essência, são bastante criativos e envolventes.
Gráficos e trilha sonora
MOTORSLICE constrói seus cenários com a intenção de evocar um sentimento de estranheza ao explorar locais liminares. Em termos simples, isso significa que, ao explorar os ambientes do jogo, somos levados a experimentar sensações de transição, vazio ou deslocamento, como se estivéssemos em lugares familiares, mas ao mesmo tempo estranhamente desconectados da realidade. Esse efeito é alcançado principalmente pelo estilo minimalista adotado na construção dos cenários, aliado ao uso criativo de grandes estruturas, que conferem aos ambientes um aspecto quase uncanny.

Um exemplo marcante é uma área composta por diversas pilastras que formam múltiplos corredores e caminhos, criando uma espécie de labirinto a ser percorrido pela protagonista. Esse tipo de construção contribui diretamente para a sensação de estranheza, reforçando a proposta atmosférica que MOTORSLICE busca transmitir ao jogador.
No que diz respeito à trilha sonora, o game mantém essa abordagem minimalista. Durante os trechos de parkour, predominam músicas mais calmas, que ajudam a criar uma atmosfera relaxante, mesmo diante de desafios mais complexos. Em contrapartida, trilhas mais intensas e dinâmicas são reservadas para os momentos de combate, especialmente nas batalhas contra chefes.
Além disso, há momentos em que P pode descansar e interagir com o robô que a acompanha ao longo da campanha. Nessas ocasiões, os diálogos costumam ter um tom mais contemplativo, frequentemente voltado à apreciação do cenário explorado naquele instante.
Desempenho
Minha experiência foi em um PC equipado com uma RX 9060 XT de 16 GB. Jogando em resolução 1440p nativa, com todos os gráficos no máximo, obtive um desempenho acima dos 80 FPS na maior parte do tempo. No entanto, enfrentei alguns crashes ocasionais durante a jornada. Embora não tenham comprometido de forma significativa a experiência, ainda assim são ocorrências importantes de serem mencionadas.
Vale a pena comprar MOTORSLICE?
MOTORSLICE consegue cumprir sua proposta principal. O jogo entrega um parkour divertido, boas batalhas contra chefes, que realmente evocam uma sensação de grandiosidade dessas máquinas e ambientes bem projetados, capazes de transmitir o sentimento de estranheza e solidão característico dos cenários liminares.
Entretanto, o título apresenta problemas que podem comprometer a experiência, dependendo do quão responsivos os controles decidam ser. A movimentação da personagem, especialmente em desafios mais específicos, pode se tornar um obstáculo considerável e acabar prejudicando a jornada de forma significativa.
Ainda assim, MOTORSLICE entrega uma experiência sólida, especialmente para jogadores que buscam uma aventura casual focada em parkour, exploração e contemplação.
MOTORSLICE foi desenvolvido pelo estúdio brasileiro Regular Studio e chega no dia 5 de maio de 2026 para PC, via Steam e GOG, PlayStation 5 e Xbox.
*Review elaborada em um PC equipado com uma Radeon RX, com código fornecido pela Top Hat Studios.
MOTORSLICE
Prós
- Bons desafios de parkour
- As lutas contra chefes são excelentes
- O jogo faz um bom trabalho em evocar sentimentos de solidão em seus cenários liminares
- Legendas em PT-BR
Contras
- A movimentação não funciona sempre como deveria
- Os inimigos comuns poderiam ter mais variação
- Crashes no PC
- Poderia ter mais desafios opcionais




