Plants vs. Zombies Replanted | Review
Tem jogos que não são só jogos. São lugares, são lembranças, são pontos de parada na nossa memória. O primeiro Plants vs. Zombies, pra mim, é exatamente isso. É aquele jogo que apareceu no momento certo, antes de toda a febre de monetização dominar os celulares, antes de termos que pensar se a próxima fase vinha com uma loja acoplada. Era só comprar, baixar, jogar, e pronto. Era sobre se divertir, montar estratégias, e se perder naquele jardim maluco onde um girassol sorridente podia salvar sua casa de um apocalipse zumbi.
Por isso, quando anunciaram Plants vs. Zombies Replanted, eu soube que ia jogar. Mas confesso que fui com medo. A EA tem um histórico complicado com remakes e monetização. Será que iam mexer demais? Será que iam tentar enfiar microtransações num jogo que nasceu livre disso? Felizmente, posso dizer: Replanted é, sim, o retorno que eu queria. Ele não tenta reinventar nada. E é justamente por isso que funciona tão bem. Vem comigo em mais uma review do Pizza Fria!
Replantando memórias: o original, o 2 e o resgate
O PvZ original, de 2009, é um marco dos jogos casuais. Ele nasceu quando o mobile ainda era algo simples, direto, e principalmente: honesto. Você pagava, e o jogo era seu. Completo. Plants vs. Zombies nunca precisou te convencer a logar todo dia, ou a gastar para ganhar. Era carismático, divertido e perfeitamente balanceado. Tudo vinha com o seu tempo e sua habilidade. Não havia pressão.
Aí veio PvZ 2: It’s About Time, e com ele o começo do fim daquela filosofia. Apesar de trazer ideias legais (novos mundos, poderes diferentes, design mais elaborado), o jogo foi afundado por uma estrutura free-to-play cansativa. Fases trancadas atrás de grinding, plantas vendidas à parte, aquele sistema de “volte amanhã” pra continuar jogando. E o pior: não tinha uma opção de pagar e liberar tudo. Era uma esteira infinita de atualizações e sistemas feitos pra esticar artificialmente a vida útil. Joguei muito, mas larguei. Não era mais sobre estratégia. Era sobre insistência.
Replanted vem corrigir esse desvio. Ele volta às raízes. É o jogo original, com cara nova, algumas adições pontuais e, o mais importante: sem gacha, sem microtransações, sem enrolação.

Conteúdo de verdade, não loja disfarçada
A primeira coisa que me chamou atenção em Replanted foi exatamente essa: ele é um jogo fechado. Você compra, baixa, e pronto. O que ele oferece está ali, completo. Campanha, modos extras, mini-games, tudo incluso. Não tem loja, não tem moedas virtuais, não tem “planta premium”. Isso muda tudo. É um jogo feito para ser jogado, e não para ser monetizado.
A campanha principal segue a estrutura do original: cinco cenários (dia, noite, piscina, névoa, telhado), com suas 50 fases progressivamente mais desafiadoras. Cada nova planta introduzida é mais uma peça no quebra-cabeça, e o jogo te dá tempo pra testá-las, pra entender como combiná-las, sem te forçar a pagar por upgrades. Em 4 ou 5 horas, dependendo da sua familiaridade, você fecha a campanha. E é aí que os extras entram em cena.

Todos os mini-games clássicos estão de volta: o boliche de nozes, o caça-níqueis, o modo Sobrevivência. Além disso, há conteúdo inédito, como os modos “Dia Nublado” (onde os girassóis param de funcionar em clima nublado) e o modo “D.E.P.”, que basicamente é o hard mode da campanha: você só tem um cortador de grama por fase, em posição aleatória, e precisa jogar perfeitamente. Esse modo, em especial, me fez lembrar de como o jogo, apesar da fachada fofa, sabe ser cruel quando quer.
Também temos o “Aventura+”, que recomeça a campanha com 3 plantas aleatórias pré-selecionadas. Um detalhe besta, mas que muda completamente sua abordagem em várias fases. E mesmo esse desafio mais caótico nunca parece injusto. Ele só te incentiva a pensar diferente.
A nova pintura do jardim
Visualmente, Replanted não tenta ser moderno demais. Ele é fiel ao original, mas em alta definição. Plantas e zumbis ganharam novas animações, tudo está mais limpo e fluido, mas sem perder o charme cartunesco. As cutscenes estão mais polidas, o jogo roda em widescreen, e as cores são vivas, mas não exageradas. Alguns fãs mais puristas podem reclamar de detalhes perdidos ou efeitos sonoros ausentes (a trilha sonora dinâmica, por exemplo, parece ter sido simplificada em relação à original), mas no geral, o pacote visual entrega bem o que promete.
A trilha sonora continua sendo um dos grandes destaques. Mesmo com algumas ausências, as músicas que estão ali fazem o trabalho com perfeição. É aquele tipo de som que você ouve e imediatamente volta pra 2009. E sim, a musiquinha do Dave Doidão ainda está lá. Graças a Deus.

Jogabilidade no Steam Deck: uma surpresa agradável
Joguei Replanted quase que exclusivamente no Steam Deck, e posso dizer com tranquilidade: a adaptação é excelente. O jogo roda liso, 60 FPS cravados, e mesmo com os controles sendo originalmente pensados pra mouse (ou toque), o gamepad funciona muito bem. A seleção de plantas com os botões de ombro, o cursor com o analógico, tudo responde de forma intuitiva.
Os menus, as fases, a coleta de sóis (que agora tem um imã automático ao passar perto), tudo foi adaptado com inteligência. A sensação é que o jogo poderia ter sido feito pra esse tipo de controle desde o começo.
E mais: o jogo é leve. Rodou sem engasgos, sem queda de performance, e com carregamentos rápidos. Pra quem quer uma experiência portátil de qualidade, é uma opção sólida.

Acelerando o tempo: pequenos toques, grandes diferenças
Uma das melhores adições foi o botão de acelerar o tempo. Pode parecer bobo, mas isso muda o ritmo do jogo de forma considerável. Nas fases iniciais, quando os zumbis demoram pra aparecer, essa função elimina o tédio. E nos momentos finais de cada fase, quando você já está com o jardim todo montado, ativar o turbo e ver tudo explodindo em alta velocidade é satisfatório pra caramba.
É aquele tipo de melhoria de qualidade de vida que respeita o tempo do jogador moderno, sem comprometer o design original.
Vale a pena jogar Plants vs. Zombies, Replanted?
Talvez o maior mérito de Plants vs. Zombies Replanted seja esse: lembrar a gente de que jogos não precisam ser plataformas, nem serviços. Eles podem ser experiências fechadas, com começo, meio e fim. Podem ser feitos pra serem jogados no seu ritmo, sem check-in diário, sem moedas de ouro piscando, sem notificações pedindo pra voltar.
Em 2025, isso é raro.
Jogar Replanted me fez voltar no tempo, não só pelo visual ou pela música, mas pela sensação de estar jogando algo feito com foco em diversão e acessibilidade. É um jogo que respeita seu tempo, seu dinheiro, e sua memória.
Se você, como eu, já jogou Plants vs. Zombies no passado, Replanted é mais do que um remake. É uma chance de voltar pra aquele lugar. De lembrar como era simplesmente jogar, sem distrações. E se você nunca jogou o original, essa é, honestamente, a melhor forma de começar.
Plantar girassóis nunca foi tão reconfortante.
Plants vs. Zombies: Replanted, uma remasterização completa do clássico jogo de estratégia e defesa de torres, estreou por R$ 99,00 e está disponível para PC, via Steam, EA app e Epic Games Store, Nintendo Switch 2, Nintendo Switch, PlayStation 5, PlayStation 4, Xbox Series X|S e Xbox One.
*Review elaborada em um Steam Deck OLED, com código fornecido pela Electronic Arts.


