Tales of Arise – Beyond the Dawn Edition | Review

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Tales of Arise é um JRPG de ação, lançado originalmente em 2021, desenvolvido e publicado pela Bandai Namco. Nele, acompanhamos a luta de um bando de desajustados contra um sistema que oprime, explora e extrai a energia, literalmente, daqueles que são considerados inferiores. Uma boa e velha história de rebeldia contra a opressão. Um clássico, não é mesmo?

Mas e aí, será que vale a pena conferir essa odisseia? É o que saberemos agora, em mais uma análise astral do Pizza Fria.

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Quebrando as correntes, novamente

Olá novamente, gente bonita, inteligente e totalmente excelente que acessa esse cantinho de amor e alegria nessa loucura chamada de internet. Estamos aqui reunidos, como costumamos fazer em certos pontos do tempo e espaço, para falar sobre um joguinho bem interessante que apareceu na praça. Bem, o mais correto seria dizer que reapareceu, como é a moda nos dias de hoje. Renovação sempre, não é mesmo?

Tales of Arise – Beyond the Dawn Edition chega alguns anos após o lançamento original com uma proposta bem simples: juntar tudo que foi lançado até hoje, do jogo base até o DLC e as roupinhas divertidas vendidas para os personagens. Sendo, inclusive, a versão definitiva do título e, sem dúvida, a melhor forma de mergulhar no mundo que ele criou para nós.

Eu fiquei bem interessado quando vi a proposta, principalmente por ser um fã da série Tales of e, também, por não ter passado tanto tempo quando gostaria com o título original. Felizmente, Tales of Arise – Beyond the Dawn Edition chegou para remediar esse problema. Mas, será que deu bom? É o que saberemos agora, minha gente.

Tales of Arise – Beyond the Dawn Edition
Será que vendem pizza aqui? (Imagem: Divulgação)

História

A narrativa principal de Tales of Arise – Beyond the Dawn Edition retrata um mundo no qual a classe dominante e mais avançada tecnologicamente, os Renan, oprimem e exploram a que é menos, chamada Dahnan, tanto como força de trabalho quanto como fonte de energia astral. Afinal, o lord Renan com as maiores quantidades desse recurso, eventualmente, acaba se tornando rei da coisa toda.

É nessa droga de vida que se encontra Alphen, um camarada em uma máscara de ferro, e uma amnésia daquelas, que trabalha feito um condenado nas minas astrais dia após dia. Um fatídico encontro com Shionne, uma Renan que luta contra os seus compatriotas, acaba fazendo com que nosso camarada quebre suas correntes, literalmente, e entre para a luta pela liberação de seu povo e pela destruição do regime vigente.

Além disso, a versão de Tales of Arise – Beyond the Dawn Edition também conta com a DLC, que continua a narrativa original e explora outras temáticas como a aceitação, o verdadeiro sentido da paz e até que ponto podemos chegar para alcançá-la. Além de ser bem legal ainda serve como uma continuação natural da narrativa e uma boa conclusão para as aventuras da galera.

O jogo explora alguns temas bem interessantes, principalmente quando se propõe a falar da desigualdade social de seu cenário, das razões por trás desses paradigmas e das lutas e sofrimentos de quem está na parte de baixo da cadeia de poder. Ainda que ele perca um pouco de gás quando isso acaba sendo deixado mais de lado, não dá para dizer que não é uma narrativa envolvente

Tales of Arise – Beyond the Dawn Edition
O mano da máscara de ferro. (Imagem: Divulgação)

Inclusive, vale a pena notar que Tales of Arise – Beyond the Dawn Edition tem um tom muito mais sério e pesado que os outros títulos da série, até se compararmos com alguns mais poucas idéias como Berseria, por exemplo. Eu particularmente acho que o jogo poderia ganhar mais com alguns momentos mais leves, no entanto.

Um bom exemplo disso são algumas coisas que foram mudadas, ou removidas, para acompanhar essa nova fase. Os skits, por exemplo, não usam mais desenhos anime dos personagens, mas são mostrados em painéis com os gráficos normais. Além disso, não temos mais as telas de vitória após os combates com as piadas e frases de efeito.

Em minha visão, Tales of Arise – Beyond the Dawn Edition acaba perdendo um pouco do brilho da série ao fazer essa mudança. Inclusive, o próprio Berseria, e até outros como Abyss ou Vesperia, também conseguiam passar algumas temáticas e momentos bem cabulosos sem deixar de serem um pouco mais caricatos em certos momentos.

Tales of Arise – Beyond the Dawn Edition
A dupla dinâmica. (Imagem: Divulgação)

Jogabilidade

Em termos gerais,Tales of Arise – Beyond the Dawn Edition é um JRPG de ação no qual exploramos uma série de mapas semi-abertos e interconectados, através de cidades e masmorras, enquanto acompanhamos a trama se desenrolar, tretamos em combates em tempo real e completamos missões secundárias e primárias. Além disso, podemos usar várias roupinhas super legais.

Cada personagem possui armas, habilidades e estilos de lutas distintos, além de painéis de habilidade que vamos preenchendo conforme subimos de nível e completamos missões. Cada um pode ser controlado livremente pelo jogador, e é bem divertido testar todos até conseguir encontrar um que se encaixe bem em seu estilo. Eu, cara comum que sou, acabei controlando o protagonista Alphen por boa parte do tempo trocando para a Shionne quando precisava lançar bolas de fogo na cabeça dos outros.

Falando em fogo, uma mecânica bem legal de Tales of Arise – Beyond the Dawn Edition envolve nosso mano Al e o uso de uma espada flamejante que, embora forte, consome uma boa quantidade de pontos de vida ao ser utilizada. Cada habilidade do protagonista, as chamadas artes, pode ser carregada para continuar em sua versão de fogo. Saber até onde ir, e como usar sem se matar, é tão recompensador quanto divertido.

O combate do jogo como um todo, inclusive, é bem legal. Ele segue o estilo da série de encontrarmos um inimigo no mapa e irmos para a tela de luta, mas adiciona uma série de mecânicas novas como golpes carregados, boosts para aumentar dano, ataques conjuntos e, inclusive, alguns específicos de personagens que tem efeitos bem úteis. Roubar magias dos inimigos, quebrar defesas, derrubar aqueles que voam e por aí vai. É uma boa evolução e renovação de uma forma que já era boa, mas sempre pode melhorar.

Tales of Arise – Beyond the Dawn Edition
Parceria forte. (Imagem: Divulgação)

Fora as tretas, passaremos um bom tempo passeando pelos mapas buscando por itens e completando missões secundárias que, infelizmente, não vão muito além de ir até um lugar matar x inimigos ou coletar y coisas. Isso, no longo prazo, acaba se tornando um tanto quanto repetitivo.

Isso, inclusive, também é um problema que se mostra quando jogamos a DLC, que reutiliza uma boa quantidade de espaços e assets do jogo base, o que pode incomodar mais principalmente aquele jogador que pegar a história lá do começo e seguir durante a expansão. Mais novidades seriam bem vindas, ainda que a narrativa seja boa.

Em se tratando de performance, Tales of Arise – Beyond the Dawn Edition roda liso tanto em modo portátil quanto de mesa, o que é muito bom e ajuda na hora de se aventurar fora de casa. O único ponto negativo é que estamos presos em 30 FPS para a ação independentemente do modo em que estivermos jogando, o que acaba sendo um pouco chato ao pensar que as outras versões possuem framerates mais altos.

Tales of Arise – Beyond the Dawn Edition
Artes! (Imagem: Divulgação)

Sons e visuais

Tales of Arise – Beyond the Dawn Edition tem visuais bem legais em cel shading, que se mantém bonitos e com uma boa resolução até no portátil. Eu curti muito a identidade do jogo, os cenários e, principalmente, o design dos personagens e roupas. Contudo, mantenho aquele ponto do reaproveitamento que vemos no DLC.

A trilha sonora segue uma beleza, como é padrão na saga, com músicas empolgantes para as batalhas e momentos mais intensos, e algumas bem legais para poder embalar a nossa exploração. As vozes também me agradaram bastante, e fico feliz em dizer que esse departamento mantém o padrão de qualidade que esperamos. E temos nossa legenda!

Tales of Arise – Beyond the Dawn Edition
O jogo tem uns cenários bem maneiros. (Imagem: Divulgação)

Vale a pena jogar Tales of Arise – Beyond the Dawn Edition ?

Tales of Arise – Beyond the Dawn Edition, senhoras e senhores, traz uma versão completa de um jogo que, mesmo na base, já era muito bom. Eu realmente curti o que vi, e acho que ele caiu como uma luva no Switch, sendo uma experiência agradável e positiva apesar de uma ou outra bola fora.

Temos uma narrativa complexa com temas interessantes que se mantém intrigante durante quase toda a duração, uma boa quantidade de conteúdo, boa performance e um sistema de batalha muito legal. Por outro lado, acho que alguns dos charmes da série se perderam, poderíamos ter 60 FPS e a DLC possui um tantinho bom de repetição.

Mas, tudo em tudo considerado, o saldo de Tales of Arise – Beyond the Dawn Edition é extremamente positivo. Eu realmente acho que ele é uma boa pedida para apreciadores de RPG como um todo, e representa uma boa guinada e mudança de paradigmas para uma série que, mais ou menos, estava se mantendo estagnada após os anos. Podem ir sem medo de serem felizes.

Tales of Arise – Beyond the Dawn Edition chega no dia 22 de maio para Nintendo Switch 2. Ela já pode ser adquirida para PC, via Steam, PlayStation 4, PlayStation 5, Xbox One e Xbox Series X|S.

*Review elaborada em um Nintendo Switch 2, com código fornecido pela Bandai Namco.

Tales of Arise – Beyond the Dawn Edition

BRL 284,90
9

História

9.0/10

Gameplay

9.0/10

Gráficos e Sons

8.0/10

Extras

10.0/10

Prós

  • Muito conteúdo entre o jogo base, DLC e extras
  • Trama envolvente e com temas interessantes, além de bem explorados
  • Combate frenético e divertido, com diversos personagens e mecânicas para aprender e usar
  • Personagens cativantes e interessantes, principalmente a dupla central
  • Legendado em português

Contras

  • Podia ser todo em 60 FPS
  • DLC repete um bocado de assets e localidades
  • O jogo perdeu alguns de seus charmes, como os skits com retratos desenhados e cenas pós combate

Matheus Jenevain

Redator de idade não especificada e habilidade excepcional (segundo o próprio, acredite se quiser). Curte Metroidvanias, RPGs e jogos de luta. Reza toda noite, intensamente, para receber um remake de God Hand. Nunca foi atendido.