The Alters: The Last Variable | Review

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The Alters foi um dos jogos que gostei de jogar (e sentir) em 2025. Nunca vou esquecer a série de dilemas e questões trazidas pelas variações de Jan, bem como momentos épicos vividos ao gerenciar cada um deles. Agora, em 2026, poder voltar a esse mundo insano com The Alters: The Last Variable é uma oportunidade de poder reencontrar essa obra-prima criada pela 11 bit studios lançada para PC via Steam, GOG e Epic Games Store, PlayStation 5 e Xbox Series X|S.

Se o jogo base já partia de uma premissa forte, com Jan Dolski, preso em um planeta hostil, tendo de criar versões alternativas de si mesmo para sobreviver, administrar uma base e lidar com escolhas que misturavam ficção científica, trauma, trabalho e identidade, o DLC, que prossegue com esse mesmo estilo, munda totalmente não só a perspectiva, mas também as perguntas.

Aqui, a história não é mais sobre uma corrida contra o tempo para sair de um mundo completamente diferente. Além disso, não é sobre juntar recursos para voltar para casa. The Last Variable segue um caminho específico (e até renovador) após os eventos do jogo principal, explorando um cenário em que a versão de Jan Cientista decidiu permanecer no planeta, fascinado por um fenômeno que ninguém conseguiu explicar. Anos depois, velho, isolado e cercado por dúvidas, ele decide criar novos Alters para continuar sua pesquisa, pensando sempre na responsabilidade com a ciência.

A partir daí, o DLC nos coloca diante de uma nova rotina, novos Jans, novas tensões e um objetivo bem diferente: entender por que raios um oásis consegue sobreviver em um planeta que deveria destruir tudo ao nascer. Mas será que o jogo consegue de fato se reformular, ou repete mais do que era anteriormente? Isso e muito mais será explicado nessa análise. Confira!

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Uma continuação forte (e necessária)

Sendo sincero, eu tinha muita esperança de uma continuação para The Alters. Este jogo tem uma força narrativa incrível, e merecia uma sobrevida. Mas, ao mesmo tempo, quando comecei a jogar The Last Variable, me questionei sobre algo: como continuar o enredo depois de finais tão fechados? O jogo base tinha resoluções fortes, e qualquer DLC corria o risco de parecer um apêndice desnecessário. Felizmente, os desenvolvedores encontraram uma saída inteligente. Em vez de tentar criar uma continuação genérica, o DLC assume o que talvez seja um dos seus motes principais: “e se” outras possibilidades fossem apresentadas?

Neste arco narrativo, Jan Cientista decidiu ficar no planeta porque não conseguiu abandonar o mistério do Oásis. Como aquele espaço de natureza único, sobrevive aos ciclos devastadores do sol enquanto o resto do mundo é queimado repetidas vezes? Para alguém movido pelo amor e a curiosidade científica de responder perguntas, aquilo não é visto por ele apenas como uma anomalia. É quase uma provocação; e ele precisa entender o que se passa.

The Alters last variable análise review
Uma nova pergunta motiva os Alters nesta jornada. (Imagem: Divulgação)

Essa mudança de foco altera bem o tom da coisa. No jogo base, eu sentia a pressão de fugir dos ciclos do sol, com os constantes avanços da base móvel, em meio a gerir tudo o que acontecia com as variáveis e com o ambiente. Era uma luta contra o tempo. Em The Last Variable, a urgência ainda existe, [e claro, mas vem de outro lugar. Agora, a obsessão é compreender o Oásis. A pergunta deixa de ser “como escapar?” e passa a ser “o que esse lugar está tentando revelar?”.

Isso dá ao DLC uma identidade própria que traz uma lufada de ar fresco ao jogo, mesmo tendo uma estrutura próxima do jogo base. Felizmente, ele não tenta repetir exatamente a mesma experiência, e isso faz a gente querer desvendar junto das variáveis o que está acontecendo.

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Novas construções externas mudam a forma de jogar. (Imagem: Divulgação)

Um bunker para chamar de seu

Uma das maiores mudanças está na estrutura da base. Em The Last Variable, Jan Cientista não vive mais em uma base móvel. Agora, ele está instalado no subterrâneo, o que muda bastante a lógica da sobrevivência trazida pelo jogo. A ameaça da fase quente continua existindo, mas o objetivo agora é reunir material orgânico suficiente para colocar todos em estado criogênico para atravessar o ciclo.

Essa decisão é excelente porque preserva a essência de The Alters sem simplesmente deixar aquela sensação de reciclar o jogo principal. Ainda temos a necessidade de sair para coletar recursos, criar linhas de produção, pesquisar tecnologias, construir módulos, gerenciar tempo e cuidar dos Alters. Mas a sensação geral mudou. Em vez de um deslocamento constante para novos, há uma relação mais profunda com o território, que vai se transformando a cada nova intervenção.

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O abrigo muda toda a dinâmica em The Alters: The Last Variable. (Imagem: Divulgação)

O mapa parece um lugar a ser estudado, não apenas explorado às pressas. Com isso, cada instalação, cada módulo e cada descoberta acaba fazendo parte de um esforço científico muito maior. O novo S.A.M., módulo de análise de amostras, reforça essa pegada. Coletar materiais, analisar resultados e preencher o quadro de pesquisa dá uma sensação muito boa de investigação progressiva. É pura ciência!

Aliás, em um mundo cada vez mais ignorante e descrente em coisas palpáveis, gostei demais de como o jogo trata a ciência em uma espécie de rotina essencial para a sobrevivência, tal como a nossa vida. Não é ciência como decoração de roteiro. É trabalho. É processo. É tentativa, erro, amostra, hipótese, módulo quebrando, recurso faltando e Alter reclamando. Ou seja, é The Alters em sua forma mais pura, preservando aspectos tão realistas que nos fazem pensar em muita coisa da realidade.

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Os recursos seguem presentes no DLC. (Imagem: Divulgação)

Os novos Alters são brilhantes… mas cheios de ego

Como o foco agora é muito mais científico, os novos Alters claramente seguem essa linha. O DLC apresenta quatro versões acadêmicas de Jan: Físico, Biólogo, Químico e Geólogo. Na teoria, isso deveria facilitar a vida de Jan Cientista, certo? Afinal, todos são especialistas, todos têm algum tipo de conhecimento valioso e todos foram criados para ajudar na pesquisa do Oásis.

Mas, na prática, as coisas nunca são tão simples. Ainda bem! Cada versão tem personalidade, histórico, habilidades e problemas emocionais particulares. Sendo bem honesto, é impressionante como quase todo Jan acadêmico consegue ser genial e irritante ao mesmo tempo, se parecendo com alguns acadêmicos da vida real. Só quem viveu sabe…

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Uma das versões mais emblemáticas de Jan Dolski. (Imagem: Divulgação)

O Geólogo, por exemplo, parece uma escolha natural para começar, já que recursos e eficiência de mineração são fundamentais. Mas ele também tem suas manias, impulsos e projetos que nem sempre levam a algum lugar útil. Além disso, ele gosta de reclamar. Já o Físico carrega aquela energia de cientista celebridade, brilhante e cheio de si, um cara inseguro e que explora o conhecimento alheio para chamar de seu. Por fim, o Químico e o Biólogo também trazem suas próprias dores e delícias. No fim, o laboratório vira quase uma república de gênios problemáticos. Uma briga enorme de egos.

É aqui que The Last Variable brilha. O DLC entende que a melhor parte de The Alters nunca foi apenas administrar recursos. Era administrar pessoas que, tecnicamente, eram a mesma pessoa. Cada Jan representa uma possibilidade de vida, uma escolha que poderia ter sido tomada, um talento desenvolvido e uma fratura emocional diferente. O DLC reduz a variedade em relação ao jogo base, mas aprofunda bem o grupo que escolheu trabalhar; e isso é muito forte.

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Diferentes cientistas juntos podem mudar muita coisa, mas não é fácil. (Imagem: Divulgação)

A sobrevivência segue sendo indispensável

Apesar do tom mais contemplativo, The Alters: The Last Variable ainda sabe punir descuido. O DLC pode ser menos desesperado que o jogo base em alguns momentos, mas não é leve. Planejar mal um ciclo, esquecer recursos importantes ou subestimar uma necessidade da base pode custar caro. Isso é complicado.

A presença da criogenia muda bastante o planejamento. A cada período, eu precisava garantir material orgânico suficiente para manter todos vivos durante o final dos ciclos. Como a base não se move mais, a lógica de expansão externa, pilons e linhas de recursos ganham outro peso. O planeta ainda resiste, mas muitas construções, não. Além disso, diversos eventos inesperados lembram que aquele lugar não virou um laboratório seguro só porque Jan o transformou em projeto de vida.

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Lidar com diferentes versões de si é uma tarefa árdua, mas muito interessante.(Imagem: Divulgação)

Também há novos módulos, novas pesquisas e novas estruturas subterrâneas que deixam a progressão muito diferenciada e satisfatória. Aos poucos, tudo começa a ficar mais automatizado, mais eficiente e mais ambicioso. Tudo graças aos avanços científicos, é claro. Ainda assim, The Last Variable nunca deixa o conforto durar por muito tempo. Sempre existe uma nova crise, uma nova necessidade ou um novo conflito entre os Alters.

Em alguns momentos, é bem possível que vocês se sintam sobrecarregados. Eu passei por isso. Mas, para quem jogou o jogo base, The Alters sempre teve essa característica de empilhar problemas até a gente quase perder o controle, e o DLC não foge disso. A diferença é que, aqui, raramente senti que estava fazendo tarefas por obrigação. Quase tudo parecia conectado ao mistério central.

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Gerenciar um novo espaço, agora com mais módulos é um novo desafio. (Imagem: Divulgação)

Um DLC potente e grande como uma continuação

O que mais me surpreendeu em The Alters: The Last Variable foi o volume. A expansão não parece um pequeno conteúdo adicional, com algumas pequenas novidades. Ela tem cerca de 20 horas, novas mecânicas, novos personagens, novos eventos, novos sistemas e uma campanha sólida com começo, meio e fim. Em vários momentos, tive a sensação de estar jogando uma continuação, e isso é excelente para um DLC. Na verdade, é raro.

Muitos DLCs reaproveitam uma área, adicionam missões curtas e encerram antes de realmente justificar a volta. Aqui, os desenvolvedores entendem melhor do que ninguém bem que o universo de The Alters ainda tem bastante espaço para outra grande pergunta. Ou até mesmo outras (espero). Assim, em vez de ampliar tudo de maneira genérica, escolheram um recorte específico e o executaram com muita profundidade.

Claro, existem limitações. A menor variedade de Jans é sentida, principalmente para quem adorava a dinâmica mais ampla do jogo base. Também encontrei alguns pequenos bugs e momentos de repetição mais para perto do fim. Ainda assim, nada disso compromete a força geral da experiência.

Vale a pena jogar The Alters: The Last Variable?

Para quem gostou de The Alters, a resposta é fácil: é ÓBVIO que sim. The Last Variable é o tipo de expansão que conversa diretamente com os melhores elementos do jogo base e inova. Ela respeita o que veio antes, muda a estrutura sem descaracterizar a experiência e entrega uma história que amplia o significado de Jan Dolski e suas variações. Além disso, o “e se?” segue forte como premissa, nos fazendo pensar algumas vezes em nós mesmos. Além disso, a atuação de Alex Jordan é forte e segue sendo um grande destaque do jogo. Gráficos e sons estão no mesmo estilo, mantendo um excelente padrão de qualidade.

No entanto, é importante ressaltar que ele não é um DLC feito para quem nunca jogou o original. Ele depende do conhecimento prévio dos personagens, dos sistemas e das decisões do jogo base. Mas, para quem já passou por aquela jornada, voltar ao planeta com Jan Cientista é uma experiência muito recompensadora. Comecei curioso para entender como a continuação seria justificada e terminei emocionado, satisfeito e com a sensação de que The Last Variable não era muito necessário.

Mesmo com alguns momentos sobrecarregados, pequenos bugs e uma variedade menor de Jans, o DLC entrega uma campanha robusta, emocional e cheia de conteúdo. É uma daquelas expansões que não parecem apenas um complemento, mas uma parte importante da obra.

*Review elaborada em um PC equipado com uma GeForce RTX, com código fornecido pela 11 bit studios.

The Alters: The Last Variable

R$ 50,85
9.2

História

9.4/10

Jogabilidade

9.0/10

Gráficos e sons

9.2/10

Extras

9.0/10

Prós

  • O DLC é rico, parecendo muito mais uma continuação
  • Mudança para base subterrânea renova a rotina
  • Novos Alters têm personalidades marcantes
  • Jogo equilibra muito bem gestão, pesquisa e drama humano

Contras

  • Algumas rotinas podem parecer repetitivas no final
  • Pequenos bugs e glitches atrapalharam o andamento

Álvaro Saluan

Completamente apaixonado por videogames, escreve e pesquisa sobre o tema há uns bons anos. Vê os jogos para além do entretenimento, considerando todo o processo como uma grande e diversificada arte. Vai dos jogos de esporte aos RPGs tranquilamente, admirando cada experiência. Seu maior ídolo dos jogos é Hideo Kojima.