Windrose | Preview

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Há algo de irresistível na fantasia pirata, e Windrose é mais um jogo a tentar fazer com que essa experiência seja plena para nós, jogadores. Como sabemos, ao longo dos anos, diversos títulos tentaram capturar esse imaginário de liberdade, exploração e caos, mas poucos realmente conseguiram unir todos esses elementos em uma experiência coesa. Mas o que mais próximo chegou, ainda que com muitos problemas, foi Sea of Thieves. O tal Skull & Bones, infelizmente, flopou bonito…

Ainda em acesso antecipado para PC via Steam, Windrose já demonstra um espírito de ambição, misturando sobrevivência, exploração, combate com uma certa influência soulslike e navegação em mar aberto, criando uma proposta que, à primeira vista, pode parecer ousada demais. No entanto, será que o jogo funciona, ou é só mais uma lenda? Falarei sobre isso e muito mais nesta preview.

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História: sobrevivência em uma longa jornada

A proposta central da narrativa e da jogabilidade de Windrose é simples, mas extremamente eficaz. Você começa praticamente do zero, em uma ilha isolada, após ser traído por um pirata. Após um naufrágio, a tripulação é dividida, sendo nosso objetivo tentar reencontrar todos. Esse não é o ponto central da história, mas o seu início. Quando começamos, estamos cercados por recursos naturais e ameaças constantes como animais e criaturas que só surgem a noite. Porém, Windrose não é apenas um jogo de sobrevivência, tendo fortes motivações que nos levam a querer avançar, evoluir e sair da pindaíba inicial.

O jogo constrói uma sensação de urgência interessante. Não basta ficar parado desenvolvendo sua base indefinidamente, indo além do gênero survivor. Há um oceano inteiro esperando para ser explorado, ilhas para serem descobertas e perigos que exigem preparação constante, nos obrigando a tentar evoluir sempre, seja em nível ou criando novos acessórios e armas. Isso transforma tarefas básicas, como coletar madeira ou fabricar ferramentas, em etapas essenciais de uma jornada muito maior.

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(Imagem: Divulgação)

Particularmente, adoro o nível de desafio que o jogo traz. Essa abordagem dá um novo significado ao loop tradicional de sobrevivência, tendo uma narrativa sólida e diversas missões a serem feitas. Com, isso, em vez de parecer repetitivo, ele se torna parte de um processo maior, no qual cada ação contribui para a nossa evolução e para a expansão das possibilidades dentro do mundo do jogo. Ou seja: narrativa, exploração e jogabilidade estão intimamente interligadas. Mesmo com missões específicas, o jogo nos dá liberdade para fazer o que quiser e quando quiser.

Um mundo vasto a ser explorado

Um dos aspectos mais interessantes de Windrose é a escala do seu mundo, que é gerado proceduralmente a cada nova ilha iniciada pelo jogador. Mesmo em acesso antecipado, o título já apresenta um mapa amplo, composto por diversas ilhas e regiões interligadas por um oceano aberto que funciona como um espaço de transição, exploração e, obviamente, batalhas navais. A sensação de explorar o oceano, apenas seguindo a curiosidade, é extremamente gostosa. Cada nova ilha traz elementos diferentes, seja em termos de inimigos, recursos ou estruturas. Isso cria um ritmo natural de descoberta que nos mantém constantemente interessados em explorar.

O mais interessante é que essa imensidão não parece vazia. Há sempre algo para encontrar, seja um ponto de interesse, um desafio inesperado ou uma oportunidade de crescimento. Essa densidade de conteúdo, mesmo em uma versão ainda em desenvolvimento, reforça o quanto o projeto já está sólido em sua base. Fico pensando como será o jogo em sua versão 1.0, já que em acesso antecipado está entregando tanto conteúdo e com uma qualidade surpreendente.

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O navio é totalmente customizável. (Imagem: Divulgação)

A progressão valoriza cada conquista

Diferente de muitos jogos que dependem exclusivamente de combate para evoluir o personagem, Windrose adota uma abordagem mais equilibrada e justa, embora seja mais difícil aumentar de nível. A progressão acontece por meio de missões, exploração e conclusão de objetivos espalhados pelo mundo. Com isso, a cada nível, podemos gastar 4 pontos com aspectos como vitalidade, agilidade, força e outras características comuns em RPGs. Além disso, temos uma modesta árvore de habilidades a ser explorada, trazendo uma camada a mais para as batalhas.

Isso faz com que nós, jogadores e jogadores, se sintam recompensados por explorar e experimentar sem medo, e não apenas por enfrentar inimigos como forma de farmar XP. Cada nova área descoberta, cada objetivo concluído e cada melhoria construída representa um avanço real dentro da jornada. Mais importante é saber que as missões sugerem um certo nível para serem feitas, deixando claro que o progresso é necessário. Esse sistema também evita frustrações comuns do gênero. Mesmo quando o combate se mostra difícil, há sempre outras formas de evoluir, o que mantém o ritmo da experiência constante e agradável.

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As batalhas navais são incrivelmente surpreendentes. (Imagem: Divulgação)

Combate desafiador

Windrose é punitivo, mas nada exagerado quanto um soulslike. Seu sistema de combate, inicialmente intimidador, especialmente para quem não está acostumado com mecânicas mais exigentes como esquiva e defesa, vai se tornando mais fácil com o tempo. Leva tempo, é claro, mas nada que assuste quanto um Sekiro. Após ser dominado, o combate vira um dos pontos mais interessantes da vida pirata.

A combinação de esquivas, bloqueios e ataques exige atenção e precisão, como já é de se esperar. No começo, os inimigos representam uma ameaça real, e precisamos aprender com cada um dos erros cometido. Com o tempo, no entanto, o combate se torna mais fluido e recompensador, especialmente à medida que novas habilidades e equipamentos são desbloqueados. Em um tempo, criaturas difíceis de serem aniquiladas viram presas fáceis.

Non entanto, mais interessante é como Windrose incentiva a nossa evolução em todos os aspectos. Nos combates, não se trata apenas de melhorar atributos, mas de entender padrões, dominar mecânicas e desenvolver um estilo próprio de jogo. Essa sensação de aprendizado constante é um dos fatores que tornam a experiência tão desafiadora e, ao mesmo tempo, envolvente, sendo justamente o que eu procurava em um jogo do estilo.

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Alguns chefes trazem desafios absurdos. (Imagem: Divulgação)

Navegação e batalhas: a cereja do bolo

A navegação é um dos elementos mais incríveis da experiência, e Windrose acerta ao torná-la acessível. Porém, se engana você, caro marujo ou maruja, que não há imersão na experiência por isso. Muito pelo contrário. Os controles são simples, permitindo que qualquer jogador se adapte rapidamente, mas questões como posicionamento em batalha, aprimoramentos e customização vão sendo aprendidas com o tempo. Aqui, você é REALMENTE um capitão, evoluindo e até mesmo criando novos navios.

A sensação de comandar um navio em mar aberto é maravilhosa. O som das águas, os diferentes padrões de ondas, os dias e noites se passando… é tudo muito bonito, contribuindo para nos dar um senso de avanço. Essa evolução é perceptível e impacta diretamente na forma como o mundo de Windrose é explorado. Há uma beleza única nessa experiência, ainda mais quando você pede para que a tripulação cante músicas de pirata, tal como em Assassin’s Creed.

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Abordar um navio é uma tarefa insana! (Imagem: Divulgação)

Quando o jogo introduz o combate naval, a experiência ganha uma nova dimensão tática e de jogabilidade. As batalhas entre navios são intensas e, embora simplificadas, exigem estratégia, posicionamento e controle de tempo. O uso de canhões, a necessidade de escolher o melhor momento para atacar e a possibilidade de abordar embarcações inimigas criam situações dinâmicas e empolgantes, quase cinematográficas. Mesmo ainda em desenvolvimento, esse sistema já mostra um potencial enorme para se tornar um dos pontos mais incríveis da experiência.

A experiência de construir e criar coisas vai além

O sistema de construção de Windrose é um dos mais práticos dentro do gênero, mas ainda assim, traz uma variedade de coisas incrível. Ele permite criar estruturas de forma rápida e intuitiva, sem complicações desnecessárias. A possibilidade de construir múltiplos elementos de uma vez, aliada ao acesso direto aos recursos armazenados, torna o processo muito mais fluido. Outro ponto positivo e até mesmo prático que o jogo apresenta é a devolução de materiais ao destruir estruturas. Podemos cometer erros e recomeçar sem problema algum. Esses detalhes fazem uma diferença enorme na experiência geral e mostram um cuidado especial dos desenvolvedores.

Já o maravilhoso sistema de crafting também merece destaque. Ele é bem estruturado e oferece uma sensação constante de progressão. Precisamos constantemente evoluir a trama para abrir novos itens. Com isso, temos que coletar, refinar e utilizar recursos de forma estratégica para criar equipamentos e melhorar a base, que dá um bônus de descanso essencial para a jogabilidade, ganho através do nível de conforto gerado. Esse sistema também nos permite evoluir equipamentos constantemente, evitando uma possível obsolescência dos armamentos e armaduras, o que também é excelente.

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A construção nos permite criar verdadeiras maravilhas! (Imagem: Divulgação)

O que esperar de Windrose?

Talvez o maior mérito de Windrose seja sua capacidade de evoluir junto da experiência que temos em jogo. O título começa com mecânicas simples, mas rapidamente se expande, introduzindo novas camadas de complexidade, mas sem se tornar impossível. Aqui, você não precisa de um manual extenso. Aliás, o jogo ensina passo a passo, mas sem pegar nas nossas mãos. Essa progressão gradual mantém o interesse alto e evita a sensação de repetição. Digo isso com mais de 25 horas de jogo, sendo Windrose o meu novo vício. Os gráficos são lindos, os efeitos sonoros e músicas dão toda a imersão… é tudo muito bem feito.

Mesmo em acesso antecipado, Windrose já se destaca como um dos projetos mais promissores do gênero. Ouso dizer ser a melhor experiência pirata de todos os tempos do mundo dos games – e ela fica ainda melhor sendo jogada em multiplayer. Sua combinação de sobrevivência, exploração e combate cria uma experiência envolvente e cheia de personalidade. É claro, o jogo ainda tem bastante espaço para evoluir e se refinar, mas sua base é extremamente sólida. A identidade forte, o mundo vasto e as mecânicas bem integradas mostram que há algo especial aqui.

Para quem busca uma experiência diferente dentro do gênero survival, Windrose não é apenas uma promessa. É uma jornada que já vale a pena ser vivida, e que tem tudo para se tornar ainda mais grandiosa. Se o jogo estivesse sido lançado, já estaria surpreendendo. Porém, acho que podemos ousar em esperar mais coisas boas vindo por aí.

*Preview elaborada em um PC equipado com GeForce RTX, com código fornecido pela Pocketpair Publishing.

Álvaro Saluan

Completamente apaixonado por videogames, escreve e pesquisa sobre o tema há uns bons anos. Vê os jogos para além do entretenimento, considerando todo o processo como uma grande e diversificada arte. Vai dos jogos de esporte aos RPGs tranquilamente, admirando cada experiência. Seu maior ídolo dos jogos é Hideo Kojima.