O que são metroidvanias?

Metroidvania, leitores e leitoras, é um dos meus gêneros jogabilísticos favoritos no mundo, ao lado dos bons e velhos RPGs e simuladores de uma honesta vida rural. De fato, nada me deixa mais animado do que pegar um joguinho nesse estilo para analisar, e devo dizer que há algo de relaxante e libertador em ficar zanzando por um mapa que se revela de pedacinho em pedacinho.

Mas, os mais jovens entre vocês, ou aqueles que fizeram a viagem interdimensional há pouco, podem se perguntar? Mas o que diablos será um metroidvania? O que comem, onde vivem? E para sorte de vocês, meus caros, que eu apareci das sombras com a singela proposta de elucidar essa simples, porém complexa, questão. Prontos ? Então sentem, porque lá vem a aula.

Castlevania: Symphony of the Night
Castlevania: Symphony of the Night – O pioneiro. (Imagem: Divulgação)

Origens

Embora tenha deixado meu chapéu de historiador em casa, pequenas pizzas, posso compartilhar um pouco do que aprendi sobre metroidvanias ao longo do tempo. Principalmente levando em conta que eu já estava na praça quando esse estilo começou a dar seus pequenos passinhos vampirescos. Quantos anos eu tenho, você pergunta? Para fora da sala, nesse instante!

Pelo que me recordo, e uma rápida pesquisa bibliográfica me mostrou, os jogos que iriam começar a lançar algumas ideias do gênero já apareciam no mercado japonês desde a década de oitenta. Contudo, duas franquias foram essenciais para que a coisa tomasse forma de verdade, seja em seus elementos ou, até, na definição de um nome para o estilo? Metroid e Castlevania.

Do primeiro, a ideia de um mapa não linear com espaços que só podem ser acessados após adquirir alguma habilidade específica. Do segundo, elementos de RPG (como progressão de nível e atributos) e combate misturando habilidades de exploração e treta. Podemos até adicionar uma pitada de Zelda, levando em conta que temos portas com chaves especificas para que possamos abrir e avançar pelos cenários.

Tudo isso culminou no lançamento de Castlevania Symphony of the Night, apontado por muitos (comigo incluso) como o definidor do gênero, além de um de seus melhores representantes. Koji Igarashi, diretor dessa belezura, conseguiu unir tudo de bom que suas inspirações forneciam, criando uma experiência realmente única, avassaladora e atemporal.

Tales of Kenzera: ZAU
Tales of Kenzera: ZAU. Metroidvania com temática bantu. (Imagem: Reprodução)

Como é a jogabilidade de um metroidvania ?

Em termos gerais, como falei acima, a jogabilidade de um metroidvania revolve em torno de explorar mapas, em duas ou mais dimensões, enquanto encontramos chaves e obtemos habilidades que nos permitem ir até novos lugares. Um exemplo clássico disso é o pulo duplo. Podemos encontrar uma porta logo no começo do jogo, que é inalcançável com o pulinho básico de nosso boneco. Contudo, adquirir esse skill em determinado momento permite que voltemos para descobrir o que há atrás desse lugar secreto.

Esse é um dos pontos mais legais do estilo, em minha opinião. Primeiro, porque nos dá motivos para zanzar pelo mapa todo em busca de novos cenários, itens e inimigos. Segundo, porque permite que o jogo explore melhor todas as áreas em que o jogador passa, evitando aquele velho problema de irmos em um lugar e nunca mais voltar. Terceiro, porque garante que sempre estaremos curiosos para descobrir quais segredos o jogo esconde.

Além disso, alguns metroidvanias (os Castlevanias são um excelente exemplo) sabem casar muito bem suas habilidades de exploração com as de combate. O pulo duplo e a habilidade de dar um dash no ar são exemplos clássicos disso, assim como a capacidade de manipular o cenário através de magia ou coisas do tipo. Novamente, a diversão da coisa está em nos fazer pensar em formas criativas de usar o que o jogo nos fornece.

Metroidvania Dead Cells
Dead Cells é um metroidvania clássico moderno. (Imagem: Divulgação)

Além disso, temos os elementos de RPG. Presentes em uma boa parte deles, essas mecânicas ajudam a aumentar a ideia de progressão do jogador, que vê seu personagem se tornando cada vez mais forte e cheio de habilidades e magias conforme o jogo avança. Ele pode ser implementado tanto em um estilo clássico, com sistema de experiência e níveis, quanto com o simples ato de comprar novas Skills.

Outro ponto interessante é que metroidvanias são jogos que, de maneira geral, se dão muito bem quando misturados com gêneros diferentes. Por exemplo, alguns lançamentos mais recentes têm colocado pitadas de roguelike no meio da coisa, ou de aventuras 3D, que dão certo demais. É a mesma revolução do gênero ocorrida nos anos noventa, o que prova que ainda temos muita coisa boa para pela frente.

Blasphemous
Blasphemous é bem bonito. (Imagem: Divulgação)

E aí, se interessaram ?

Meu objetivo com essa prosa, leitores e leitoras, foi acender a chama da paixão em seus frios coraçõezinhos. Afinal, eu defendo e divulgo metroidvanias sempre que posso, e acho que é um gênero bem divertido e digno de ser apreciado. Para ajudar vocês, provando que sou um ser astral benevolente e justo, irei indicar alguns jogos que já apresentei aqui, com intuito de guiar aqueles que quiserem trilhar esse belo caminho. Dito isto, apreciem.

Castlevania Advance Collection

Mecânicas diferentes, tramas, trilhas sonoras, luta com chefes, enfim. O que já era bom fica ainda melhor com todas as opções extras que foram adicionadas. Sério, um botão de voltar ao tempo que nega completamente o fato de que sou terrível em tudo que jogo? Como nunca pensaram nisso? Ou melhor: como eu vivi sem isso até hoje? Que absurdo.

E então, leitor, o que mais resta para dizer? Que Castlevania Advance Collection foi uma das surpresas mais agradáveis que tive nesses tempos recentes? Que jogar todos esses jogos novamente foi um uso maravilhoso de meu tempo? Que meu coração queima de esperança por um DS Collection? Nada disso importa, no fim das contas. O que importa é que Castlevania Advance Collection ficou um mimo e merece ser apreciado. Recomento fortemente.

Blasphemous 2

Por fim, digo que Blasphemous 2 é um jogo muito agradável, em todos os departamentos. Curti todo meu tempo com ele, e ouso dizer que talvez seja um dos melhores metroidvanias que joguei em 2023. Para os fãs do gênero, a recomendação é certa. Mas, até os desconhecidos deveriam dar uma chance. Acredito que irão curtir bastante.

Dead Cells

Ao fim e ao cabo, leitores e leitoras, Dead Cells vale cada centavo e segundo despendido explorando as novidades e lutando contra suas aberrações. Eu gostaria de mais biomas, mas tudo que é oferecido é feito com tanto esmero que esse pequeno revés pode ser facilmente ignorado. Temos uma oferta excelente de conteúdo, feita com carinho e por um preço camarada. Precisamos pedir algo mais? Podem jogar sem medo, garanto que irão aprovar. Recomendo fortemente.

Aeterna Noctis

Eu me diverti com o jogo, muito mais do que me frustrei. Tentei a dificuldade mais alta, fui surrado e agradeci ao pequeno menino Jesus que tenham lançado um modo mais agradável para pessoas de refino como nós. Ao fim e ao cabo, fãs de metroidvanias vão curtir a parada. Novatos ao estilo podem ficar meio assustados, mas a experiência vale de todo modo. Recomendo.

Infernax

Se você curte metroidvanias, jogos de aventura em 2D, ou coisas boas no geral, irá gostar bastante do que verá aqui. Infernax contra bem, é bonito aos olhos e ouvidos e te dá motivos o suficiente para querer uma segunda dose das presepadas de nosso herói. Salvo o trabalho que tive para limpar o sangue e pedaços de zumbi do teclado, não tenho o que reclamar. Recomendo fortemente.

Matheus Jenevain

Redator de idade não especificada e habilidade excepcional (segundo o próprio, acredite se quiser). Curte Metroidvanias, RPGs e jogos de luta. Reza toda noite, intensamente, para receber um remake de God Hand. Nunca foi atendido.