Ex Sanguis | Preview
Jogos com combates por turno estão cada vez mais fazendo seu retorno. Baldur’s Gate 3, Solasta 2 e até mesmo títulos que utilizam grandes IPs, como o recém-lançado Star Wars Zero Company, mostram como esse estilo de jogo ainda tem muita força atualmente. Entretanto, não são apenas os grandes nomes que acabam se destacando nesse gênero. Também existem títulos que, às vezes, passam batidos pelo radar, mas que prometem entregar uma experiência única.
Um desses títulos é Ex Sanguis, jogo desenvolvido pela Lightbulb Crew, mais conhecida por Othercide, um jogo que também conta com um sistema de combate por turnos e apresenta várias semelhanças com o novo projeto do estúdio. Prometendo, portanto, uma aventura bastante desafiadora e com muito sangue na tela, será que Ex Sanguis consegue impressionar? O Pizza Fria teve acesso a uma versão prévia do game e, agora, você confere as nossas impressões.
Direto no combate intenso
Ex Sanguis não perde muito tempo explicando uma grande narrativa. Somos apresentados a um conceito simples, no qual as personagens do game precisam recuperar suas memórias por meio do sangue, e logo somos jogados no tutorial de combate, em que aprendemos as principais mecânicas do jogo. E aqui já tenho um primeiro aspecto que não me agradou: a forma corrida como o game explica seus principais elementos de jogabilidade.
Eu até entendo que vivemos em uma época em que muitos jogadores não gostam de tutoriais muito convolutos, mas realmente acredito que, em algumas mecânicas, Ex Sanguis deveria ser mais claro sobre suas principais funcionalidades. Digo isso porque Ex Sanguis introduz um sistema no qual, caso os personagens ultrapassem um determinado número de ações, eles têm seu turno adiado. O problema é que o game não consegue explicar essa mecânica de maneira adequada, o que me deixou um pouco perdido durante os primeiros confrontos.

Além disso, Ex Sanguis falha em explicar de forma clara o sistema de classes. No acesso antecipado, temos três opções disponíveis e, considerando as habilidades e os atributos, não fica tão evidente quais são os principais pontos fortes de cada uma delas. Com exceção desses dois aspectos, o jogo faz um bom trabalho ao introduzir o restante de suas mecânicas, que não são muito diferentes do que se espera de um título com combates por turno.
Cada personagem possui um determinado número de pontos de ação, que são gastos quando nos movimentamos pelo cenário de combate ou realizamos ataques. Gostei bastante da forma como Ex Sanguis incentiva o jogador a pensar de maneira tática antes de cada ação. Podemos, por exemplo, utilizar ataques à distância para movimentar os inimigos e, em seguida, realizar ataques em área capazes de atingir mais de um adversário. Mas não se engane: o game consegue ser bastante desafiador durante esses confrontos, e poucos erros podem ser fatais.
Além disso, Ex Sanguis conta com um sistema de manipulação da linha do tempo por meio de algumas habilidades, permitindo que os jogadores alterem a ordem dos turnos para realizar emboscadas contra os inimigos. Esse foi o aspecto de que mais gostei no jogo, apesar de ainda ser algo bastante básico nesta versão de acesso antecipado. Ainda assim, é o fator que mais me divertiu e que me deixa curioso para descobrir como esse sistema irá evoluir nas futuras atualizações.
O combate precisa de aperfeiçoamento
Falando em erros fatais, existem dois aspectos que não me agradaram tanto no combate de Ex Sanguis. O primeiro deles é justamente o sistema de atraso de turnos quando ultrapassamos o limite de pontos de ação. No papel, até entendo que a ideia tenha sido adicionar mais tensão ao gameplay, fazendo com que o jogador precise escolher o momento certo para utilizar esses pontos extras, mas não senti que isso realmente acrescenta uma diferença significativa aos confrontos.
Em vez disso, a mecânica acaba atrapalhando o fluxo das batalhas, pois, caso o jogador ultrapasse acidentalmente o limite de pontos, acaba prejudicando totalmente seus personagens durante o confronto e deixando-os vulneráveis aos ataques inimigos. Também destaco que a interface de Ex Sanguis não deixa muito claro quando esses pontos estão sendo gastos, o que prejudica ainda mais a dinâmica do combate e torna mais fácil cometer esse tipo de erro.
O segundo aspecto que não me agradou, embora acredite que possa ser melhorado no futuro, é o sistema que permite utilizar os cenários a nosso favor durante os confrontos. Isso porque a mecânica nem sempre parece funcionar como deveria.

Mais de uma vez, me encontrei em situações nas quais tentei jogar inimigos em buracos ou contra objetos explosivos, mas nada aconteceu. Além disso, o jogo apresenta poucas oportunidades para que o ambiente seja utilizado de maneira estratégica, o que vai totalmente contra o que é apresentado no tutorial, que trata essa mecânica como um elemento essencial dos confrontos.
O aspecto roguelite funciona mas não impressiona
Outro aspecto de destaque em Ex Sanguis é a introdução do sistema de progressão. Apesar de não fugir muito do que se espera de um roguelite, contando com habilidades permanentes que podem ser adquiridas com pontos obtidos durante nossas runs, o sistema funciona de maneira competente. No entanto, mesmo com uma variedade razoável de opções, senti que o jogo precisa melhorar o impacto dessas skills, já que a maioria delas altera apenas alguns atributos dos personagens, como vida ou pontos de ação, sem necessariamente modificar a forma como jogamos, como poderiam.
Além disso, podemos escolher a classe dos personagens e até mesmo alterar seus nomes e algumas de suas habilidades. Porém, mais uma vez, são opções que não adicionam muita variedade ao combate quando ele realmente começa. Esse é um aspecto que espero que seja aperfeiçoado nas futuras atualizações: a individualidade de cada personagem.

Agora, um aspecto de que gostei foi a progressão pelas fases. Temos acesso a um mapa no qual gastamos pontos de sangue para entrar em cada missão. Cada uma delas possui um objetivo específico que deve ser cumprido para avançarmos, como eliminar inimigos principais, derrotar determinadas criaturas de maneiras específicas e outros desafios nessa mesma linha.

As fases também possuem diferentes níveis de desafio, e temos acesso a uma luta contra um chefe que pode ser enfrentada a qualquer momento, o que é bem legal, apesar que se tentarmos encarar esse confronto sem os upgrades necessários provavelmente será fatal.
Falando em melhorias, após finalizarmos cada fase, temos acesso a alguns upgrades aleatórios, que são perdidos caso morramos ou finalizemos a run. É algo bastante padrão em um roguelite, mas funciona bem aqui e adiciona aquela tensão constante de precisar fazer escolhas a todo momento, um dos elementos que ajudaram a popularizar o gênero.
Gráficos e trilha sonora
Ex Sanguis tem um visual bastante marcante, contando com diversos cenários acinzentados que evocam uma sensação de vazio. Isso acaba criando um grande contraste com o vermelho do sangue, uma cor bastante predominante durante os confrontos e até mesmo no visual dos personagens principais. Apesar de seguir uma identidade visual bastante característica, o jogo apresenta uma boa variedade no design dos cenários, o que faz com que cada ambiente tenha sua própria identidade durante os confrontos por turno.

A trilha sonora também foi um fator que me surpreendeu. O jogo conta com diversas faixas voltadas para o rock, que dão bastante intensidade aos confrontos e combinam muito bem com a atmosfera mais brutal apresentada pelo título.
Desempenho
Minha experiência foi com um PC equipado com uma RTX 5060 Ti de 16 GB. Ex Sanguis é bem leve e, na resolução 1440p, com os gráficos no máximo, tive um desempenho acima dos 150 FPS durante todo o tempo. Claro, por ser um jogo de turnos, altas taxas de FPS não fazem tanta diferença aqui, mas, ainda assim, para um título em acesso antecipado, é bom ver que ele já apresenta um bom desempenho e não possui problemas de performance.
O que esperar de Ex Sanguis?
Ex Sanguis é um jogo que tem potencial, mas, em seu estado atual de acesso antecipado, não apresenta muitos aspectos que realmente impressionem em meio ao gênero. O game possui um combate interessante, mas sinto que suas principais mecânicas ainda não estão balanceadas de maneira satisfatória, o que acaba prejudicando o potencial de cada uma delas. Além disso, o jogo ainda falha em tornar cada classe realmente única, fazendo com que parte do seu sistema tático não seja tão bem aproveitada quanto poderia.
Entretanto, existem pontos fortes aqui que podem fazer com que o game ganhe mais força futuramente. A estética é marcante, o sistema roguelite funciona bem e, claro, o grande destaque fica por conta do recurso de manipulação temporal durante os combates, que é, de longe, o aspecto mais interessante do jogo. Logo, apesar de ter me divertido com alguns dos sistemas de Ex Sanguis, acredito que, em seu estado atual, vale a pena aguardar mais algumas atualizações antes de embarcar nessa aventura.
Ex Sanguis está sendo desenvolvido pela Lightbulb Crew e será lançado em 10 de setembro de 2026 no acesso antecipado da PC, via Steam.
*Preview elaborada em um PC equipado com GeForce RTX, com código fornecido pela Firesquid.


