007 First Light | Review
Quando anunciaram 007 First Light, confesso ter ficado extremamente animado. Afinal de contas, sou daqueles fãs que já assistiram todos os filmes e jogou todos os jogos. Além disso, sou muito fã das tramas de espiões, detetives e tudo que envolva Scotland Yard, MI6 ou qualquer agência secreta. Porém, como também sou um jogador precavido, fiquei preocupado com os rumos que este jogo poderia tomar.
O título, que será lançado inicialmente para PlayStation 5, PC, via Steam e Epic Games Store, Xbox Series X|S e chegará para Nintendo Switch 2 futuramente, trouxe uma premissa de contar a história do espião mais famoso do mundo, usando e abusando de mecânicas variadas da IO Interactive, conhecida pelo sucesso com os jogos da franquia Hitman.
Mas afinal de contas, vocês devem estar se perguntando: será que 007 First Light merece todo esse hype, ou ele é um Hitman com uma roupagem nova? O título traz boas novidades ou inventa uma história de pura ação para o mundo da espionagem britânica, repetindo algo já conhecido? Pois é, eu me fiz essas mesmas perguntas antes de jogar. Se você está curioso, venha comigo nesta análise antecipada (e sem spoilers)!
“Bond, James Bond” em ótima forma
Essa é uma história totalmente diferente das outras contadas até então. Em 007 First Light, James Bond não é um civil que teve treino ou algo do gênero. Aqui, ele inicia sua jornada ainda como um jovem aviador naval antes de se tornar o lendário agente secreto conhecido e amado por todos nós. Tudo começa quando ele realiza um ato heroico que chama a atenção das autoridades britânicas, que o convidam para um programa de espiões conhecido como 00. Essa oportunidade rara o coloca em uma divisão de elite da espionagem, destinada aos agentes mais preparados, ousados e letais do serviço secreto.
No entanto, aqui estamos diante do nascimento de uma lenda. Ou seja, o personagem demonstra ao longo da narrativa uma personalidade bem complexa, estando distante da figura experiente e refinada que conhecemos dos filmes. Ou seja, esse James Bond é mais impulsivo e corajoso que o normal, mostrando-se sem medo algum e cheio de potencial. Porém, ao longo desse processo de formação, o personagem entende que precisa aprender que a espionagem exige muito mais do que bravura. Sua entrada nesse universo o coloca diante de missões perigosas, ambientes sofisticados, perseguições intensas e decisões que testam todos os seus limites.

Sem dar spoilers, como dito anteriormente, posso dizer para vocês, fãs do double-oh-seven, que 007 First Light não fere em nada a história deste icônico personagem. Muito pelo contrário, traz para ele uma nova aura, uma história de origem e uma versão parecida com a que já conhecemos, mas ainda no princípio de carreira. Fora isso, temos nosso espião galanteador de sempre, com sua marra única e jeitos nada peculiares de lidar com as situações que surgem ao longo de toda a sua jornada.
Narrativamente falando, 007 First Light traz até mesmo um lado mais espião do personagem, algo que acaba sendo ofuscado nos filmes por cenas insanas de ação. Felizmente, elas também estão presentes no jogo, sendo o pacote completo para os fãs deste personagem incrível. Aliás, 007 First Light conta com CGI, tendo atuações reais. No papel principal temos o ator Patrick Gibson, encarnando Bond de um jeito espetacular. Como brinde, ainda temos o cantor Lenny Kravitz no papel de Bawma, além de um grande e competente elenco. Sendo assim, o jogo não deixa NADA a desejar para os filmes.

Jogabilidade explora bem as capacidades do personagem
Até onde me recordo, todos os jogos baseados na franquia contavam com muitas cenas de ação e combates intensos, tendo assim poucos momentos de stealth e até mesmo espionagem, algo que Bond faz de melhor. Porém, em 007 First Light, contamos com uma mistura muito bem-vinda, sobretudo para um jogo, apresentando puzzles que podem ser resolvidos através das habilidades e ferramentas do personagem. No entanto, em alguns desses momentos de puzzles, fiquei com a sensação de que o jogo sofre com uma “quebra” no ritmo. Não no sentido de ser ruim, mas em alguns pontos específicos, acaba demorando mais do que o normal.
Obviamente, isso não tira o brilho da conquista da IO Interactive. Pelo contrário! Os desenvolvedores conseguiram aproveitar toda a liberdade criada em Hitman e colocar habilidades únicas que só um James Bond da vida pode ter. Porém, o jogo oferece menos oportunidades de resolução das missões se comparado ao da franquia Hitman, o que também não é demérito. Mesmo assim, 007 First Light nos possibilita uma variedade legal de oportunidades, sendo quase um sandbox. Isso fica ainda mais legal no modo TacSim, que dá alongada na experiência, nos permitindo repetir missões com modificadores, sistema de pontuação e desbloqueios.

Na questão da espionagem, 007 First Light nos apresenta o interessante sistema Creative Approach (ou Aproximação Criativa), que combina exatamente com os dotes de espionagem do protagonista. Essa mecânica nos permite escolher como avançar pelos objetivos, seja observando o ambiente cuidadosament, escutando conversas importantes, coletando informações estratégicas ou encontrando brechas para agir no momento certo. Essa liberdade de abordagem reforça a sensação de estar no controle do personagem, sendo um ponto extremamente divertido da jogabilidade.
Provavelmente você deve estar se perguntando se há alguma ação neste jogo, não é mesmo? Pois é, e 007 First Light tem isso de sobra, contando ainda com todas aquelas manobras que misturam parkour, técnica e um pouco de loucura, o que é bem legal de ver um jogo, lembrando cenas de ação de Uncharted, sobretudo quando dirigimos veículos. Outro ponto bacana é que o jogo nos dá a escolha de jogar mais stealth ou simplesmente sair matando todo mundo. Além disso, Bond é um personagem bom de porrada, algo que até nos faz esquecer das armas em alguns momentos.

Com sua visão em terceira pessoa perfeita para o estilo de jogo, 007 First Light traz uma jogabilidade redondinha e praticamente impecável, nos possibilitando uma série de escolhas de abordagem, momentos de espionagem e também de muita ação. Com isso, temos o equilíbrio perfeito em questão de termos uma jogabilidade excelente e, ao mesmo tempo, uma ótima história de ação e espionagem para seguir.
Aparatos tecnológicos? Temos!
O que seria de James Bond sem seus vários aparatos tecnológicos únicos? Pois é, seria bem diferente do que conhecemos. Felizmente, em 007 First Light, temos acesso a uma variedade de ferramentas à disposição. Através de relógio, celular e outras ferramentas, surge a mecânica Bond’s Instinct, muito útil para ampliar as possibilidades durante a infiltração e o combate. Com ela, podemos distrair inimigos, manipular suspeitas e explodir tudo através de ferramentas simples. Uma caneta por exemplo, faz um estrago absurdo, você vai ver… Q, cientista do MI6, é um verdadeiro às quando o assunto é invenções. Você verá.
Somado a isso, os gadgets da Q Branch trazem ainda mais a identidade da franquia para a jogabilidade, oferecendo recursos para invadir sistemas, criar distrações e realizar eliminações silenciosas com elegância, algo que o jogo parece nos influenciar fortemente, já que as armas encontradas contam com um número limitado de munição. Toda essa combinação torna a jogabilidade de 007 First Light em uma experiência dinâmica, criativa e altamente rejogável. Muito bom!

Gráficos, sons, problemas e excelentes atuações
Uma coisa que achei bem legal e impactante em 007 First Light, foi a atuação dos personagens. Sem precisar necessariamente especificar os atores e atrizes, posso dizer que o jogo traz toda a sua carga emocional e de tensão através das expressões dos personagens, algo muito bem captado pelo CGI. Isso fica ainda mais claro quando unido a gráficos incríveis e a atuação impecável da dublagem. Assim, temos o melhor dos dois mundos em um jogo incrível: podemos encarnar e assistir James Bond, tal como nos filmes.
No geral, confesso que minha experiência antecipada em 007 First Light foi extremamente positiva no que diz respeito a problemas. O máximo que tive de problema foi em crashes pontuais em dois momentos, algo que as atualizações pré-lançamento pareceram resolver. Fora isso, a jogabilidade não apresentou nenhum bug ou glitch perceptível, nem falhas no desenvolvimento de missões ou algo do tipo. Com isso, parece que, ao menos na versão de PlayStation 5, 007 First Light está redondinho e pronto para ser lançado – o que é muito bom, dado o cenário atual, repleto de lançamentos bugados e incompletos.

Ah, vale lembrar também que temos dois modos de rodar o jogo no PlayStation 5 base: o modo desempenho, que nos traz maior fluidez com 60 quadros por segundo, e o modo qualidade, que aprimora a qualidade gráfica, mas com a metade dos frames. A maior parte da experiência foi jogada aqui em modo desempenho, rodando perfeitamente bem e sem quedas.
Vale a pena jogar 007 First Light?
007 First Light é um jogo que nos apresenta um James Bond diferenciado, tratado com o peso, o charme e a complexidade que o personagem de Ian Fleming merece. A IO Interactive parece ter entendido perfeitamente que Bond não é apenas um agente clichê como nos filmes, que entra em cena atirando, dirigindo carros luxuosos e soltando frases de efeito. Mais do que isso, a equipe de desenvolvimento viu que o personagem é um espião nato, um observador e alguém capaz de transformar qualquer ambiente em vantagem estratégica.
É justamente nesse equilíbrio que 007 First Light se destaca. Essa ideia de história de origem funciona bem, e o melhor: sem descaracterizar o que faz do personagem um ícone. Essa nova abordagem, de um espião em formação, amplia sua figura, dando ao Bond uma camada interessante de crescimento e descoberta, algo que humaniza a lenda. Para fãs da franquia, é uma oportunidade incrível de acompanhar o nascimento do agente 007 sem sentir que o jogo está “traindo” os filmes (algo que sei eu vão reclamar) ou tentando reinventar tudo de maneira forçada.
Outro ponto que torna 007 First Light em uma experiência maravilhosa é a jogabilidade. Inevitavelmente, as pessoas irão comparar a jogabilidade com a de Hitman, e até parece mesmo, algo que não me soa nada mal, mas que traz aspectos únicos e que diferenciam nosso agente secreto do matador calvo. Assim, essa fórmula de sucesso é adaptada à sua maneira para o mundo da espionagem. As mecânicas como a Aproximação Criativa, os momentos de observação, escuta, infiltração, uso de gadgets e combate direto são o exemplo disso.
A variedade de escolher os estilos de jogar em stealth ou caindo na mão e na bala com todos os inimigos, torna a experiência de 007 First Light em algo muito mais envolvente, principalmente porque o jogo não parece preso a um único estilo. Ele sabe ser furtivo, explosivo e elegante quase que o tempo todo. Mesmo quando alguns puzzles quebram um pouco o ritmo, isso não chega a comprometer a experiência, pois a sensação geral é de estar na “parte chata, mas necessária” da espionagem.
Portanto, para quem gosta de James Bond, histórias de espiões, ação cinematográfica e jogos em terceira pessoa com liberdade de abordagem, 007 First Light surge como uma aposta extremamente promissora, tanto para fãs ou novatos. Ele não é um “Hitman com outra roupa”, mas sim uma adaptação inteligente da experiência de jogabilidade da IO Interactive para um personagem que combina perfeitamente com infiltração, improviso, combate, gadgets e missões cheias de estilo.
As atuações, os gráficos, a dublagem e o cuidado com a atmosfera reforçam ainda mais essa sensação de estar diante de um produto feito com respeito ao legado de 007. Com uma campanha envolvente, boas possibilidades de rejogabilidade no TacSim e uma jogabilidade consistente e divertida, 007 First Light certamente pode agradar fãs antigos e também aqueles que estão chegando de paraquedas ao universo do agente secreto mais famoso do mundo.
*Review elaborada em um PlayStation 5, com código fornecido pela IO Interactive.
007 First Light
BRL 299,90Prós
- 007 First Light respeita a essência de James Bond, mesmo apresentando uma história de origem inédita
- Legendado em português brasileiro
- O combate corpo a corpo é divertido e combina com a personalidade do protagonista
- A narrativa mistura muito bem espionagem, ação, conspiração e clima cinematográfico
- Variedade na jogabilidade pode ser agradável para vários tipos de jogadores e jogadoras
Contras
- Alguns puzzles quebram um pouco o ritmo da aventura
- A liberdade de abordagem é boa, mas não parece tão ampla quanto em Hitman


