Arashi Gaiden | Review

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Arashi Gaiden foi desenvolvido pelos estúdios brasileiros Statera Studio, em parceria com a Wired Dreams, e publicado pela também tupiniquim Nuntius Games, fazendo sua estreia para consoles no dia 11 de junho de 2026. Trata-se de um jogo de ação por turnos com combates rápidos no estilo dash and slash.

Quebre o fluxo dos turnos e elimine todos os inimigos em uma jornada repleta de desafios variados e múltiplas soluções. Arashi Gaiden apresenta um sistema de combate inovador chamado Dash and Slash, no qual você utiliza mecânicas de arrancada para atravessar as fases rapidamente, derrotando adversários de forma estilosa ao combinar sua lâmina com shurikens, teletransportes e correntes.

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Shinji Arashi em busca das relíquias orientais.

Ambientado no mesmo universo de Pocket Bravery, o jogo expande uma importante parte da mitologia japonesa presente nesse mundo, colocando os jogadores no controle do ronin Shinji Arashi em uma jornada marcada por confrontos intensos, fantasmas do passado e uma missão que rapidamente se torna muito maior do que aparenta ser.

A trama tem início quando Arashi recebe a missão de recuperar três poderosas relíquias orientais roubadas por uma organização criminosa conhecida como Matilha. O que inicialmente parece ser apenas mais um trabalho para um guerreiro experiente logo se transforma em uma jornada repleta de desafios, levando o protagonista a atravessar diferentes regiões do Japão.

E assim, sem recorrer a longas sequências de diálogos ou a interrupções constantes da jogabilidade, Arashi Gaiden constrói sua narrativa de forma eficiente, utilizando encontros, personagens e acontecimentos espalhados pela aventura para desenvolver gradualmente seu universo e seus conflitos.

Arashi Gaiden
Arashi Gaiden começa sem enrolação, o game possui uma jogabilidade simples, e rapdinho você estará picotando seus inimigos. (Imagem: Reprodução/Filipe Villela/Pizza Fria)

O mais interessante é que, embora a história funcione principalmente como combustível para a ação e para os desafios estratégicos, ela consegue abordar temas relevantes sem comprometer o ritmo da aventura. Dessa forma, Arashi Gaiden entrega uma narrativa simples, mas envolvente o suficiente para manter a curiosidade do jogador acesa até os momentos finais da campanha.

Um jogo para se divertir, desviar e retalhar.

Arashi Gaiden se encaixa perfeitamente na categoria dash and slash, e não é por acaso. O jogo foi pensado para quem possui reflexos rápidos e gosta de desafios em que cada movimento importa. Basta um único passo em falso para que o ninja encontre um fim prematuro.

O funcionamento é simples, o jogador pode mover Shinji Arashi nas quatro direções, cima, baixo, esquerda e direita. Ao pressionar o direcional para o lado desejado, o protagonista executa um dash até encontrar o limite da tela ou algum obstáculo que bloqueie seu caminho. Caso exista um inimigo nesse percurso, ele será eliminado instantaneamente pelo ataque.

É basicamente dessa forma que você avançará ao longo de toda a campanha. No entanto, conforme Arashi progride em sua jornada, novas habilidades são desbloqueadas, ampliando as possibilidades estratégicas durante os confrontos. Entre elas, estão:

  • Shuriken, consome apenas um ponto de mana e pode atingir uma área muito maior do que os ataques convencionais, incluindo alvos posicionados nas diagonais.
  • Seta de Desvio, custa dois pontos de mana e consiste em um selo colocado no chão que altera a direção da investida do personagem.
  • Corrente do Tempo, também exige dois pontos de mana e imobiliza todos os inimigos que estiverem dentro de sua área de efeito.
  • Teletransporte, consome quatro pontos de mana e permite que Arashi se desloque instantaneamente para outra área dentro do alcance da habilidade.
Arashi Gaiden
Ao encontrar Lobo durante os estágios você poderá optar por um, entre três reforços permanentes. (Imagem: Reprodução/Filipe Villela/Pizza Fria)

Durante cada estágio, o jogador também encontrará o Lobo, personagem responsável por oferecer melhorias permanentes. Ao interagir com ele, é possível escolher uma entre três opções de aprimoramento, que podem aumentar a vida máxima, ampliar a quantidade de mana disponível ou expandir a área de alcance das habilidades e da Shuriken. Esse sistema adiciona uma camada extra de estratégia e incentiva a adaptação do estilo de jogo de acordo com os desafios encontrados pelo caminho.

Audiovisual de Arashi Gaiden

Durante minha jornada por Arashi Gaiden, infelizmente encontrei alguns problemas técnicos que prejudicaram bastante a experiência. Entre eles, tive um crash durante uma batalha contra um chefe, quando faltava apenas um ponto de vida para derrotá-lo, o jogo fechou inesperadamente, obrigando-me a recomeçar tudo do zero. Também fiquei preso em objetos do cenário, especialmente durante o confronto contra Wataru, o chefe é capaz de alterar a posição de elementos do ambiente, em uma dessas situações, ele me teleportou para dentro de uma pedra, forçando-me a pressionar L1 para reiniciar o combate.

O problema mais grave, porém, envolveu o sistema de salvamento. Em algumas ocasiões, precisei repetir estágios inteiros porque o progresso simplesmente não foi registrado. Essa foi, sem dúvidas, a situação mais frustrante que enfrentei durante a campanha.

Visualmente, Arashi Gaiden é um jogo muito bonito, seus gráficos em pixel art são extremamente bem definidos, acompanhados por uma paleta de cores agradável e cheia de personalidade. O level design também merece elogios, apresentando cenários variados que vão de cidades iluminadas por neon a florestas repletas de bambus, passando por templos e fontes termais. O que senti falta foi de uma maior diversidade de inimigos. Apesar da criatividade presente nos ambientes, a sensação é de que os mesmos tipos de adversários aparecem com frequência excessiva ao longo da aventura.

Arashi Gaiden
Arashi Gaiden é um jogo muito bonito, mas que infelizmente peca na diversidade dos inimigos. (Imagem: Reprodução/Filipe Villela/Pizza Fria)

Além disso, admito que senti falta de um filtro para suavização da imagem. No vídeo de abertura, é possível observar o jogo utilizando scanlines e um efeito inspirado em monitores CRT, mas não encontrei nenhuma opção que permitisse ativar esse recurso durante a campanha. Quem sabe isso não apareça em uma atualização futura? Já a trilha sonora e os efeitos sonoros estão excelentes. As músicas combinam perfeitamente com a temática de cada cenário e contribuem significativamente para a imersão e o ritmo da aventura.

Por fim, Arashi Gaiden conta com localização completa em português do Brasil, algo que certamente merece destaque. Embora os personagens não possuam dublagem, um dos chefes chega até mesmo a gritar algumas palavras em nosso idioma durante o confronto, um detalhe simples, mas que ajuda a reforçar a identidade nacional do projeto.

Vale a pena jogar Arashi Gaiden?

Arashi Gaiden é rápido, bonito e, o melhor de tudo, um produto nacional que demonstra o talento dos estúdios brasileiros na criação de experiências criativas e divertidas. Com uma proposta acessível de entender, mas desafiadora de dominar, ele consegue prender a atenção do jogador logo nos primeiros minutos.

Grande parte desse mérito está em seu sistema de combate dash and slash, que transforma cada fase em uma espécie de quebra-cabeça de ação. A necessidade de planejar cada movimento, combinada com a rapidez das partidas e a introdução de novas habilidades, faz com que a campanha mantenha um ritmo envolvente do início ao fim. É um prato cheio para quem procura desafios que recompensam raciocínio rápido e precisão.

Além disso, Arashi Gaiden apresenta uma direção de arte bastante competente, com cenários variados e uma pixel art caprichada que ajuda a dar personalidade à aventura. A ambientação inspirada na cultura japonesa, somada à boa trilha sonora e à localização em português do Brasil, contribui para tornar a experiência ainda mais agradável e acessível para o público nacional.

Isso não significa que o jogo esteja livre de problemas. Os bugs encontrados durante a campanha, especialmente os relacionados a travamentos e ao sistema de salvamento, podem gerar momentos de frustração, ainda assim, seus acertos superam os tropeços. Para os fãs de jogos de ação estratégica, desafios intensos e jogos indies brasileiros, Arashi Gaiden é uma recomendação fácil e um título que merece entrar no radar.

Arashi Gaiden, spin-off ambientado no universo de Pocket Bravery, já está disponível para PlayStation 4, PlayStation 5Xbox One, Xbox Series X|SNintendo Switch e Nintendo Switch 2

*Review elaborada em um PlayStation 5, com código fornecido pela Nuntius Games.

Arashi Gaiden

BRL 36,90
7.3

História

7.5/10

Gameplay

8.5/10

Gráficos e Sons

7.0/10

Extras

6.0/10

Prós

  • Localizado em português do Brasil
  • Preço extremamente convidativo
  • Sistema de combate Dash and Slash criativo e desafiador
  • Produção brasileira com identidade própria

Contras

  • Crashes que podem ocorrer durante momentos importantes da campanha
  • Falhas no sistema de salvamento podem resultar em perda de progresso
  • Pouca variedade de inimigos ao longo da jornada

Filipe "Bdama" Villela

Aficionado por jogos desde cedo, de Bomberman, Zelda, Sonic ou Mário, indo dos clássicos das gerações passadas, até os indies e mais variados AAA atuais. Viciado em desafios, colecionador de platinas e consoles antigos, para mim não importa a plataforma ou gráficos de um jogo, sou movido pela emoção da aventura de conhecer e desbravar novos mundos, uma viagem única que apenas cartuchos e cd's podem nos levar. Embarque comigo nesse mundo de possibilidades infinitas e venha descobrir novos mundos e maneiras de se aventurar!