Avatar Legends: The Fighting Game | Review
Avatar – A Lenda de Aang, da Nickelodeon, é uma das séries animadas mais unanimemente aclamadas na história da ficção. Com personagens carismáticos, uma história cheia de profundidade e equilíbrio entre drama, comédia e ação em um universo ficcional maravilhoso que revolve entre pessoas que conseguem manipular elementos da natureza.
Esses elementos parecem uma receita garantida para o sucesso, também, no mundo dos jogos. Se você é um fã da série e de videogames sabe que até hoje, quase duas décadas depois da exibição original do desenho, nenhuma empreitada chegou perto de entregar o que procuramos. Porém, como o retorno do Avatar na série, uma nova esperança surge na forma de Avatar Legends: The Fighting Game, que, já adiantamos, é verdadeiramente um jogo bom!
O título foi desenvolvido pelo Gameplay Group International e distribuído por Paramount Games Studio, Skydance Games e PM Studios, Inc. Está disponível para pré-venda nas lojas do Playstation 5, Xbox Series X|S e PC, via Steam. Uma versão para Nintendo Switch 1 e 2, também está prevista. Vem ver os detalhes em mais uma análise antecipada do Pizza Fria!
Há guerra (interdimensional) em Ba Sing Se
Como o nome já diz, Avatar Legends: The Fighting Game é um jogo de luta, um gênero que nunca tinha representado a franquia, mas cai como uma luva nos combates envolvendo dominação de elementos e artes marciais. O sistema do jogo é bem interessante e divertido de se aprender.
O que chama atenção antes mesmo de jogarmos é o estilo artístico. Cada personagem selecionáveis tem todas as suas animações desenhadas a mão, no estilo exato da série animada, isso, combinado com os bonitos cenários contribuem para criar algo, que além de ser bom de jogar é bonito de se ver.
Estão disponíveis dez personagens que representam as diferentes nações e estilos de dominação elemental (ou apenas um cara com um bumerangue), somados a duas versões alternativas de Aang e Korra, totalizando um elenco de 12. Nada mal para um título que envolve combate 1v1.

Talvez a seleção de lutadores, que incluem dominadores do mesmo elemento, possa levantar algum temor do gameplay ser parecido demais entre diferentes personagens, mas já garanto que não é o caso. Aang e Zaheer são ambos dominadores de ar, mas têm estilos de luta bem distintos.
Enquanto o avatar tem golpes rápidos e longos, usando seu bastão e pode evocar vendavais para auxiliar na sua alta mobilidade, o vilão é mais lento e tem botões mais curtos, mas compensa com a flexibilidade de um modo de vôo livre e a capacidade de chamar seus companheiros da Lotus Vermelha para atacar junto com ele. A outra versão de Aang também é bem diferente, focando em seu estado de Avatar e no domínio dos outros elementos.

Avatar Legends: The Fighting Game , além dos modos de versus competitivo e online, tem uma experiência de um jogador bem limitada, o que não é tão incomum no gênero.
São oferecidos um arcade com sete adversários por lutador e um modo história com uma trama em 27 capítulos que é bem divertida, na sua bizarrice. Envolve um incidente interdimensional, com uma duração de 3 a 4 horas e a oportunidade de jogar com todo o elenco. O conteúdo para se desbloquear é praticamente nulo, sendo uma série de ilustrações no modo arcade e dois personagens no modo história.
Certamente é um jogo cuja longevidade depende de conexão com a internet ou um amigo para jogar localmente.
Domine sua energia e fique equilibrado
Avatar Legends: The Fighting Game funciona em um esquema de três botões – A (fraco), B (médio) e C (forte) – que, combinados com direções, formam golpes especiais para cada lutador. O diferencial fica por conta do quarto botão, que governa a mecânica de Flow.
Flow representa uma série de manobras defensivas e de movimento que custam quantidades variáveis de um medidor específico, que enche conforme o tempo.
Manter pressionado o botão Flow coloca você em uma postura que defende automaticamente contra todos os ataques recebidos e aciona animações defensivas especiais. Usar essa técnica permite que você se recupere mais rápido do que a defesa comum, permitindo virar a maré do jogo.
Apertar o mesmo botão combinado com direções gera diferentes técnicas para cada lutador, o que também ajuda a reforçar as habilidades únicas dos personagens, mesmo que dominem o mesmo elemento.
Tomemos como exemplo a realeza da nação do fogo e seus usos da mecânica: Azula tem acesso a dois dashes aéreos em qualquer direção, que possibilitam deslocamento bem rápido e combos aéreos longos. Zuko, por outro lado, pode apenas se deslocar levemente para direita ou esquerda no ar, mas possui um movimento terrestre melhor do que o da irmã, podendo ser cancelado em uma série de ataques especiais.
Além disso, também é possível realizar um golpe invencível que arremessa o oponente para o outro lado da tela e uma “fuga especial” que tira seu personagem da pressão adversária, ambos com um custo alto da barra.

Esgotar o medidor de Flow coloca o personagem escolhido em um “estado de desequilíbrio” (unbalanced), em que não é possível usar nenhuma das manobras que descrevemos e os golpes do adversário tem dano aumentado, além de propriedades adicionais. Então é importante gerir bem seus recursos.
Um segundo recurso de luta são os pontos de energia, obtidos quando acertamos golpes especiais. Eles são gastos para usar versões melhoradas das técnicas comuns e também dão acesso aos movimentos de super. São totalmente distintos da barra de Flow, então é possível usar mesmo no estado de desequilíbrio.
Por fim, cada lutador pode escolher entre três personagens de suporte que melhoram partes distintas de sua jogabilidade, além de aparecerem fisicamente no cenário do combate. Um personagem pode ser jogado de maneiras bem diferentes, dependendo da escolha no apoio. Ao escolher Toph, podemos privilegiar um estilo voltado a controlar o espaço, com a plataforma móvel, investir em defesa aprimorada com armadura nos movimentos de flow ou jogar na ofensiva total, obtendo acesso a pilares que são canceláveis em sequência.

É uma mecânica bem interessante, que deixa cada jogador expressar sua maneira preferida de usar um personagem.
Parece muita informação, à primeira vista, mas o sistema de Avatar Legends: The Fighting Game é verdadeiramente divertido de aprender, tanto para veteranos do gênero como quem nunca fez uma meia lua na vida. Os combos são lindíssimos, dignos de qualquer fã de jogos de luta.
O modo treino tem uma opção variada de recursos para aprender tudo isso, com destaque para as provas de combo, que oferecem um “passo a passo”, demonstrando a hora exata que devemos pressionar botões em cada combinação.
Vale a pena comprar Avatar Legends: The Fighting Game ?
Como fã da franquia e admirador de jogos de luta, eu fico muito feliz em atestar a qualidade de Avatar Legends: The Fighting Game. A seleção de personagens é bem respeitável, e já foram anunciados cinco adicionais como DLC. O sistema é divertidíssimo e bem acessível, apesar de uma aparente complexidade inicial. Fãs do gênero de combate terão um prato cheio e quem gosta da série pode, finalmente, ver a franquia bem representada no mundo dos jogos. Só não recomendo adquirir se você pretende jogar apenas o conteúdo offline para um jogador, que é bem limitado.
Avatar Legends: The Fighting Game chega nesta quinta-feira, 23, para PlayStation 5, Xbox Series X|S e PC, via Steam.
*Review elaborada em um PlayStation 5, com código fornecido pela PM Studios.



