Directive 8020 | Review

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A Supermassive Games construiu uma carreira inteira em cima de um conceito simples: e se você pudesse assistir a um filme de terror e ainda decidir quem morre? Until Dawn mostrou que isso funcionava. The Dark Pictures Anthology passou anos refinando a fórmula, com resultados variados. Directive 8020 é a mais nova entrada da série, e leva a proposta para o espaço sideral. Literalmente. A pergunta é se a ambientação sci-fi deu ao estúdio o fôlego que precisava, ou se os velhos problemas continuam assombrando a franquia.

A resposta, depois de terminar o jogo no PS5 Pro, é: sim e sim. Continue lendo para entender por quê em mais uma review antecipada do Pizza Fria!

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A nave, o planeta e o que está esperando lá

A história começa com a Cassiopeia, uma nave-colônia enviada a Tau Ceti f, um exoplaneta a 12 anos-luz da Terra, a única candidata viável para abrigar a humanidade depois que a Terra começou a falhar. A missão é de reconhecimento. O que a tripulação encontra no planeta não é bem o que esperavam.

Você controla cinco personagens: Brianna Young, a piloto filha de um astronauta lendário; Nolan Stafford, o comandante veterano que prometeu cuidar dela; Laura Eisele, a oficial de missão que projetou a própria nave; Josef Cernan, o engenheiro que mantém tudo de pé; e Samantha Cooper, a médica que sobreviveu a uma tragédia antes de embarcar. Cada um carrega uma história, e o game usa isso bem.

Directive 8020
Dos cinco personagens principais, Samantha Cooper foi minha preferida (Imagem: Reprodução/PS5 Pro/Lucas Soares)

O que diferencia Directive 8020 dos títulos anteriores da série é a natureza da ameaça. Há um organismo alienígena a bordo capaz de imitar perfeitamente os membros da tripulação. Quem é humano e quem não é? Essa paranoia atravessa a narrativa inteira e força o jogador a rever cada interação com outros olhos.

A narrativa que vai e volta no tempo… e funciona!

Esse é o ponto alto do jogo sem discussão.

Directive 8020 usa saltos temporais de um jeito que, na teoria, parece confuso e, na prática, é surpreendentemente eficaz. Você começa um episódio numa situação, de repente percebe que está 18 horas à frente, e o game te manda de volta ao passado para entender como chegou ali, sabendo que determinado evento vai acontecer de qualquer forma. Isso cria uma tensão diferente da habitual. Não é “será que isso acontece?”, mas sim “como raios isso vai acontecer?”.

Directive 8020
A forma de ir ao futuro e retornar ao passado de Directive 8020 é interessante (Imagem: Reprodução/PS5 Pro/Lucas Soares)

Joguei com essa expectativa sendo quebrada repetidamente. O jogo não conta uma história óbvia. Há reviravoltas que funcionam, e a estrutura narrativa não linear é usada com mais propósito do que parece à primeira vista.

Dito isso, Directive 8020 tem conexões com entradas anteriores da série, especialmente em relação aos acontecimentos de House of Ashes. Quem vem de outros títulos da Dark Pictures vai encontrar um fio condutor que vale a atenção.

Directive 8020
O que é a diretiva 8020? Descubra! (Imagem: Reprodução/PS5 Pro/Lucas Soares)

Parece bem, roda melhor ainda

No PS5 Pro, o game oferece três modos gráficos: qualidade, equilibrado e desempenho. O modo equilibrado, que exige uma tela compatível com 120 Hz para funcionar em 40 quadros por segundo com resolução intermediária, é a melhor opção para quem tem o hardware. Visualmente, fica próximo ao modo qualidade com a fluidez do desempenho. Para quem tem uma TV de 120 Hz e um PS5 Pro, essa é a recomendação direta.

Visualmente, Directive 8020 é o trabalho mais caprichado da Supermassive. Os personagens são expressivos, os ambientes da Cassiopeia têm personalidade, e a direção de arte sci-fi se sustenta do começo ao fim. E a dublagem em inglês está muito boa! Lashana Lynch, conhecida por filmes como A Mulher Rei, interpreta Brianna Young e entrega uma performance sólida. A localização para o português brasileiro também está excelente!

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Tau Ceti f é o destino final de Directive 8020 (Imagem: Reprodução/PS5 Pro/Lucas Soares)

As decisões, as mortes e os caminhos

O sistema de Momentos Decisivos da franquia retorna aqui, e o jogo apresenta agora um sistema que permite revisar decisões tomadas e verificar o que teria acontecido de outra forma, a qualquer momento. O mapa de escolhas mostra todos os caminhos possíveis, os colecionáveis disponíveis e os destinos que cada decisão pode provocar.

Há três níveis de dificuldade para as ameaças em tempo real: o modo mais fácil permite desviar dos perigos; o mais difícil torna qualquer erro potencialmente fatal. Isso é bem-vindo num gênero onde a acessibilidade é frequentemente ignorada. Você também pode ativar um modo explorador, que sinaliza o próximo passo e permite reverter mortes, ou jogar no modo sobrevivente, onde decisões são definitivas até terminar a história pela primeira vez.

Dito isso, vale muito revisitar Directive 8020 depois de terminar a primeira vez. Ver como uma morte muda completamente a dinâmica dos capítulos seguintes é parte do apelo da franquia, e aqui funciona tão bem quanto nos melhores momentos de Until Dawn.

Directive 8020
Aqui todos sobreviveram na primeira run! (Imagem: Reprodução/PS5 Pro/Lucas Soares)

Onde Directive 8020 tropeça

Não tem como não falar sobre os capítulos finais de Directive 8020.

Os dois últimos episódios do título concentram boa parte do gameplay em sequências de stealth e quick time events: passar por áreas sem ser detectado, encontrar fontes de energia, desviar dos inimigos enquanto o jogo te observa. É repetitivo. A falta de variedade fica evidente exatamente na hora em que o título precisaria escalar.

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Uma pena que a reta final de Directive 8020 seja quase toda assim (Imagem: Reprodução/PS5 Pro/Lucas Soares)

O último capítulo, especificamente, é o ponto mais fraco do jogo. A sensação é de que a equipe correu para fechar a história, e isso se reflete tanto no ritmo da narrativa quanto no design das sequências de gameplay. A história, que vinha bem até então, parece que se enrolou e foi atropelada nos capítulos 7 e 8. É uma queda de intensidade numa hora errada.

Não chega a comprometer o gameplay de Directive 8020 como um todo, o que vem antes é bom o suficiente para sustentar a experiência. Mas é impossível não notar.

Vale a pena jogar Directive 8020?

Sim, especialmente se você já tem algum apreço pela proposta da Supermassive Games.

Directive 8020 é, muito provavelmente, o melhor game que o estúdio fez até hoje em termos de apresentação, narrativa e coesão de design. A história prende, os personagens têm substância, e o uso da estrutura não-linear é mais inteligente do que a franquia costuma entregar. Se você tiver algumas horas livres, vai terminar numa sentada e querer jogar de novo para ver o que muda.

Os problemas existem e são reais: os capítulos finais decepcionam, o stealth excessivo cansa, e quem nunca gostou da proposta da Dark Pictures não vai ser convertido aqui. Mas para quem está dentro do gênero, ou curioso sobre ele, Directive 8020 entrega uma experiência narrativa sci-fi de horror que merece o seu tempo.

Directive 8020 será lançado em 12 de maio de 2026 para PlayStation 5, Xbox Series X|SPC, via Steam.

*Review elaborada em um PlayStation 5 Pro, com código fornecido pela Supermassive Games.

Directive 8020

BRL 284,90
8.2

História

8.2/10

Gráficos e Sons

8.8/10

Gameplay

8.0/10

Extras

7.8/10

Prós

  • Narrativa não linear com reviravoltas bem construídas
  • Apresentação visual é a melhor da história do estúdio
  • Dublagem em inglês sólida e boa localização em PT-BR
  • Personagens com histórias próprias que sustentam o envolvimento emocional
  • Sistema de escolhas robusto com bom incentivo para múltiplas jogadas

Contras

  • Capítulos finais repetitivos e apressados, com queda clara de ritmo
  • Excesso de stealth na reta final compromete a variedade de gameplay
  • Não converte quem nunca se identificou com a proposta da franquia
  • O terror de fato assusta pouco. Funciona mais como horror atmosférico do que susto genuíno

Lucas Soares

Jornalista e fã de videogames desde criança. Já teve Mega Drive, Game Boy Color, PS1, PS2, PS3, PS4, PSVR, PS Vita, Nintendo 3DS e agora tem "só" um PS5, um Nintendo Switch e um PC Gamer. Para ele, o melhor jogo da história é Chrono Trigger, mas Metal Gear Solid 3, Final Fantasy X, The Last of Us Part II e Red Dead Redemption 2 completam o Top-5.